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domingo, 29 de junho de 2025

Como Jerry Lewis e Frank Tashlin mudaram a história do cinema

 

Não é nada difícil, numa rápida procura pela web, encontrar textos, editoriais e vídeos, que nos contam curiosidades e detalhes da vida de Joseph Lewitch, nosso querido Jerry Lewis, o Rei da Comédia.

E por mais relevante e diferenciada que sua vida tenha sido, para este humilde escriba, sempre me incomodou que um de seus maiores feitos, dificilmente tenha sido devidamente abordado pelos ditos sábios e entendidos resenhistas.

Sequer citando a decisão mais corajosa que Lewis tomou em sua carreira, batendo de frente com o status quo reinante na Hollywood da época.

Mas para o qual não estava sozinho, tendo ao seu lado uma das mentes mais brilhantes e fora da caixa que se teve, um gênio pouco reconhecido chamado Frank Tashlin.

Parece um exagero? Talvez.

         Mas para entender isto precisamos entender as “regras” que ditavam o que a indústria cinematográfica estadunidense dizia ser o correto e, lógico, rentável.

E uma destas regras veladas dizia respeito até que ponto o chamado non sense podia ser usado em comédias.

Parece uma besteira? Sim, parece.

Porém, tal regra na cabeça dos entendidos na matéria, não sei porque deveria existir. Criando uma aberta segregação no humor, ditando que de um lado ficava o humor considerado “infantil”, representado por situações inverossímeis das animações que eram exibidas nas matinês, do humor dito como “adulto”.

Parece estupidez? Sim, e era uma baita estupidez.

Até porque se formos fazer um rápido exercício de memória, facilmente vamos lembrar que nos primórdios do cinema, nomes como Buster Keaton, talvez o grande pioneiro neste conceito, e até o celebre Charles Chaplin, vide a cena das engrenagens em “Tempos Modernos” se utilizaram deste non sense inverossímil.

O non sense de Chaplin em "Tempos Modernos"

Contudo, depois desta época, oque se viu foi o cinema ficando cada vez mais chato, perdendo uma de suas maiores caraterísticas, que é a de agregar pessoas.

Mas eis que desde que a figura de Jerry Lewis ganhou as telonas, aquele cenário fomentado por uma suposta elite pseudoculta começa a ter pequenos sinais de mudança.

Frank Tashlin - A principal mente por trás dos Looney Tunes

Porém, foi quando o caminho de Jerry se cruzou com o de Frank Tashlin, conhecido diretor das animações da Warner na época, ou seja, dos Looney Tunes, isto mesmo, Pernalonga, Gaguinho, Patolino e toda aquela turma que fizeram (e fazem) a alegria de gerações, as coisas de fato começaram a mudar.

Tashlin parodeado em Looney Tunes

Tornando o diretor praticamente um mentor de Jerry, e seu grande professor na arte da direção.

Com Frank Tashlin, o nosso querido Rei da Comédia, rompeu de vez com qualquer limite que a indústria da época tentava colocar, e juntos realizaram obras absolutamente icônicas: 

Bancando a Ama Seca,

 

Artistas e Modelos,

 

Ou Vai ou Racha (último filme da parceria de Lewis com Dean Martin),

O Rei dos Mágicos (talvez não tão engraçado, mas uma pequena obra-prima que bebe da fonte direta de Chaplin),

e o meu preferido, o impagável O Bagunceiro Arrumadinho.

Não, não quero com esta afirmação, em hipótese alguma diminuir a importância de Lewis para a história do cinema, contudo, é inegável que a influência de Tashlin, principalmente na parte visual do humor de Jerry, foi fundamental para aquilo que passou a encantar gerações, inspirar novos artista, e lógico, enfurecer críticos, incluindo de vez a linguagem das animações no cinema live action.

E que o “Enquanto Isso na Ponte de Comando” não poderia de forma alguma deixar passar.

 

 

 

 

 

domingo, 23 de junho de 2024

Os 10 Melhores Filmes da DC

 

Já faz algum tempo, que foi publicada aqui no blog uma lista com aqueles que seriam os 10 melhores filmes tirados dos quadrinhos da editora Marvel.

E lógico que um dia o mesmo ter de ser feito com sua coirmã, a DC Comics.

Portanto, aí vem eles, os...



Os 10 Melhores Filmes da DC!

 

10 – V de Vingança:


A despeito da opinião de Alan Moore sobre esta adaptação, a verdade é que ela consegue sim capturar, ao menos em sua maior parte a ideia do que autor quis passar. Lógico que como em qualquer adaptação do gênero, precisou sacrificar um pouco de sua profundidade em razão da fluidez que o cinema exige, mas isto não tira em nada seus méritos.



09 – Constantine:


Nenhum personagem na história dos quadrinhos, se beneficiou tanto de uma adaptação em live action como John Constantine. Surgindo pela primeira vez nas páginas da revista do Monstro do Pântano, ganhou depois seu próprio título, “Hellblazer”, Contudo, após o filme protagonizado por Keanu Reeves, viu sua popularidade crescer de forma exponencial. Tanto que após a reformulação do universo da editora em 2011 conhecida por “Novos 52”, passou a ser o líder da chamada “Liga da Justiça Sombria”.



08 – Superman II The Richard Donner Cut:


Só não coloco esta joia do gênero de super-heróis numa posição melhor pois tenho quer ser coerente com o fato de ter um final “mais do mesmo” que de fato atrapalha um pouco da experiência de assistir. Ainda que hoje, através da declaração dada pelo ator Jack O’Halloran, o Non, saibamos que por culpa da Warner, Richard Donner não conseguiu lançar seu filme exatamente da forma que tinha planejado mais de vinte anos antes.



07 – Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge:

Nem vou me estender em muitos comentários sobre a terceira parte da saga dirigida por Christopher Nolan, já que cada um de três filmes ganhou um artigo para si aqui. Portanto se quer saber mais detalhes é só clicar no link abaixo.

Batman - A Trilogia (parte 3)




06 – Aquaman:


De personagem chacota à bilheteria de mais de um bilhão de dólares. A saga de Arthur Curry é um filme que apostou sim numa forma simples, mas o fez a perfeição, referenciando em sua narrativa sobretudo o cinema dos anos 1980. Coisa que muitos tentam, mas poucos conseguem, e para o qual até fizemos um vídeo no canal do blog no Youtube.



05 – Batman Morrer é Muito Fácil:


Da mesma forma que na lista da Marvel tivemos a presença do ótimo “Dirty Laundry”, aqui temos este curta-metragem que é uma lição para muitos reinventores da roda para que aprendam a verdadeira essência do Morcego de Gotham.



04 – Mulher Maravilha:


Um filme que só é possível descrever como mágico. E para qual também há um artigo aqui no blog no qual é explicado o porquê dele ser tão especial.

Mulher Maravilha O Filme




03 – Batman Begins:


Também não vou estender em comentários sobre esta obra-prima, não apenas do gênero, como do cinema, pois há um artigo contando tudo sobre ela, que você que está lendo pode acessar clicando no link logo abaixo.



02 – Batman O Cavaleiro das Trevas:


Considerado por muitos o melhor filme de super-herói, ou baseado em quadrinhos se preferir, de todos os tempos. E que só está aqui em segundo, pois não seria correto, ao menos na opinião deste escriba, com aquele que está em primeiro.

Batman A Trilogia (parte 2)






01 – Superman O Filme:


A história deste filme por si só já daria um filme, tamanho foram os desafios que a produção, em especial o diretor Richard Donner, precisou enfrentar. É simplesmente a “Cartilha Básica”, o “Manual de Filmes de Heróis”, e um ponto fora da curva até para a história do cinema. O primeiro filme do gênero a ser preservado na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. E para o qual este humilde veículo de mídia já prestou homenagens tanto nesta página da web, quanto em seu canal no Youtube.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Pacificador - O Absurdo Teatro Rock n' Roll de James Gunn

 

Se tem uma coisa que desde seu começo, pelas mais diversas razões nunca chegou a se concretizar foi o assim chamado “Universo Estendido” da DC nos cinemas.

Que com as honrosas exceções do primeiro filme da Mulher Maravilha e do filme do Aquaman, nunca de fato se formatou nos moldes supostamente esperados.

Num festival de momentos que sempre oscilaram entre o absurdo e o vexatório, nos quais por mais de uma vez Lois Lane chama o Superman de Clark na frente de estranhos, ou o próprio Bruce Wayne que nem se importa com o monte de gente a sua volta na vila em que encontra o Aquaman. Ou seja, identidade secreta, segredo, preocupação com a segurança de terceiros virou uma lembrança distante.

Sem falar na morte de Clark Kent, e seu velório de caixão aberto e presença até de Perry White, mas que após da ressureição de Clark, nem é mencionado, como se nada houvesse acontecido.

E nem vou mencionar algumas das mais medíocres versões que alguns dos mais icônicos vilões da história acabaram tendo, senão nem entro no assunto principal deste artigo.

Resumindo, um completo cenário de caos, no qual a dupla Warner e DC começou a atirar para todos os lados, como que admitindo a “festa da goiaba” que este suposto universo se tornou.

Mas eis que em meio a este festival de pirotecnia sem conteúdo, meio mundo se surpreendeu quando foi anunciado que James Gunn, famoso pelos filmes dos “Guardiões da Galáxia” na Marvel Studios, ia vestir a camisa da concorrência para fazer um filme do “Esquadrão Suicida”.

Um filme que ninguém. Mas ninguém mesmo! Sabia se classificava como remake, sequência, ou seja lá o que for, do famigerado filme dirigido por David Ayer em 2016.

Aqui eu preciso abrir um parêntese nesta narrativa para deixar bem claro, límpido e cristalino, que nunca fui admirador do trabalho de James Gunn. E isto não é de hoje. Pois desde seu bizarro (para não dizer horroroso) roteiro para o filme do Scooby Doo, e seu final no mínimo ridículo (para ser minimamente educado) o estilo de Gunn sempre esteve anos luz de qualquer coisa que possa, ao menos na opinião deste escriba ser considerado um lampejo de talento, mas que logicamente sempre encontrou seguidores nestes tempos de “tenho pressa, tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim”.

Só que aí de sua forma peculiar pensar, Gunn parece ter visto o cenário a sua frente, e recebendo carta-branca, brindou o mundo com um filme absolutamente tresloucado, cheio de violência gráfica exagerada, que em nenhum momento parece de fato se levar plenamente a sério.

Bastidores de "O Esquadrão Suicida"

Porque a impressão nítida que se tem, é de que James Gunn viu aquele amontoado de erros feitos nos filmes anteriores, e decidiu mergulhar de cabeça na bagunça, assumindo-a, e transformando-a num teatro do absurdo, sabiamente usando para isto personagens de terceiro, quarto ou até quinto escalão da DC Comics, enquanto brinca com o exagero e o visual caricato dos personagens.

E bingo! Funcionou!

E se a coisa funcionou, por que não expandir?

Chegamos então aqui a razão deste texto para o qual precisei tecer todas estas considerações acima. A série do Pacificador!

Lógico que a ideia do seriado já estava na mente de James Gunn bem antes de sua versão de Esquadrão Suicida ganhar a luz do dia, mas é obvio que era preciso esperar a recepção ao longa para que a Warner liberasse a realização do projeto.

Mas como nunca fui admirador do trabalho de Gunn, pouco ou nada me empolguei com ideia. Até que a série estreou e fui nocauteado por uma das aberturas mais desconcertantes e geniais de todos os tempos!

Primeiro pela ideia de colocar todos os personagens da série surgindo fazendo dancinhas ridículas enquanto mantinham expressões de seriedade absoluta. Mas principalmente porque uma das melhores bandas de hard rock surgidas nos anos 2000 estava ali tocando!!!

Não conseguia acreditar que “Do You Wanna Tasted It” do Wig Wam, do álbum “Non Stop Rock n Roll” (2010) tinha sido escolhida para a abertura da série, ao mesmo tempo que ria dos comentários de redes sociais que não faziam ideia que música seria aquela e muito menos quem a tocava.

Mas isto era apenas a ponta de um imenso iceberg. Um bombardeio insano de hard rock, para desespero dos teóricos sabichões da música, no qual Gunn (acho que este sobrenome enfim fez sentido), dispara uma mistura de temas antigos com mais recentes, com nomes como The Poodles, Faster Pussycat, Reckless Love, Firehouse, Hanoi Rocks, a rainha do hard Lita Ford e até Dynazty.

A trilha sonora perfeita para embarcarmos numa verdadeira montanha russa de momentos engraçados, as vezes chocantes e muitas vezes debochados, e até mesmo emotivos, nos quais Gunn - que é o autor da estória e diretor de cinco dos oito episódios - apenas aparenta estar digamos, “sem freio”.

Muitos podem até achar que “Pacificador” seja James Gunn no seu modo mais louco desvairado, fazendo tudo aquilo que sempre quis. E até certo ponto, não estão errados. Só que numa olhada mais cuidadosa, vemos que a coisa toda passa muito longe disto.

Lógico que a premissa básica desta primeira temporada, é uma versão de Gunn para o clássico “Invasores de Corpos”. Qualquer dúvida é só comparar os sons que os “assimilados” de ambas as obras soltam.

James Gunn com seu elenco - Excelente sintonia

Fora uma sequência no primeiro episódio, na qual após ter relações, que de íntimas não tinham nada, já que tanto o Pacificador quanto sua parceira, devem ter sido escutados até em Gotham, se inicia uma contenda entre eles, que remete de imediato a uma sequência do clássico anime “Wicked City” que já foi resenhado aqui.

E isto não é nenhum demérito, muito pelo contrário, pois para cair no atoleiro do “mais do mesmo” seria muito fácil assim. O que para nossa felicidade passa longe!

Mas o que de fato chama a atenção é a forma como o roteiro que muitas vezes parece uma mera sitcon com suas gags, e seu alto e proposital grau de caricatura, consegue costurar as diversas estórias de seus personagens, e não apenas de seu protagonista título, mesmo que sem a necessidade de aprofundamentos que certamente causariam “barrigas” na narrativa. Há até uma escorregada feia numa única cena, onde a mão de Gunn pesou num gore absolutamente desnecessário, e que até o roteiro tenta amenizar depois, mas aí já era. Mas de resto, tudo está incrivelmente bem dosado.

Entendendo-se lógico qual a proposta geral da série e a cabeça de quem a criou.

E isto para um cara, que começou a carreira fazendo vergonha num filme do Scooby Doo e que nunca antes tinha demonstrado maiores talentos além de causar hype tolo, seja em cenas supostamente engraçadinhas, ou gore, para o qual momentos emotivos pareciam mais fakes que o CGI das cenas dos sonhos de “Pantera Negra”, é uma evolução gigantesca!

Fazendo nos importar com personagens que em outras obras não passariam de meras alegorias. Veículos para o ego de diretores que se consideram os reinventores da roda.

Fora referências a outras obras e nomes da cultura pop. A editora original do Pacificador, a Charlton, nos carros de polícia. E até uma rápida homenagem a Richard Donner numa cena que Murn (Chukwudi Iwuji) está assistindo televisão e se vê uma cena de Máquina Mortífera 4.

E não posso de forma alguma deixar de mencionar como John Cena vem surpreendendo, nem tanto como o personagem-título, mas sim como seu alter-ego, Christopher Smith. Não que Cena tenha se tornado da noite para o dia um ator de grande calibre, mas fica nítido um daqueles casos em que ator encontra personagem, numa daquelas conjunções que só ocorrem muito raramente. Mostrando talentos até então impensados, como quando numa cena ele mesmo toca num piano, o clássico “Home Sweet Home” do Motley Crüe.

Ahhh sim! E não poderia de forma alguma não citar Eagly, a águia de estimação do Pacificador, toda feita em CGI, ainda que a ideia original fosse usar uma águia de verdade. Que quando surge, rouba tanto a atenção, que se tivesse mais tempo de tela, talvez pudesse até se pensar numa série só dela. Aliás, uma ideia deveras interessante, para talvez ser desenvolvida no campo da animação.

E agora, ao redigir estas últimas linhas, sem ainda saber o desfecho da “Saga das Borboletas”, só peço que James Gunn, depois de costurar todas esta trama incrível, não nos brinde com mais um final estilo “Scooby Loo era o vilão”, já que possui esta mania estranha de finais ruins, como se estes fossem um deboche final em cima do público.

Pois a maior lição que a série do Pacificador já passou, é a forma como seu realizador ao receber um imenso saco de limões, resolveu fazer caipirinha, e dividi-la com todos nós.



 

terça-feira, 11 de maio de 2021

Bruce Timm - O Último Defensor da Animação (parte 2)

Olá! Na primeira parte deste artigo, descrevi como Bruce Timm passou de um garoto sonhador que almejava ser cartunista na Marvel, até sua consagração nos anos 1990 no comando de algumas das séries de animação para tevê mais bem-sucedidas da história.

Mas tudo aquilo logo ia se mostrar apenas o começo...


E em 17 de novembro de 2001 ia ao ar pela primeira vez na tevê norte-americana o primeiro episódio de “Liga da Justiça”, aquela que seria a maior reunião de personagens de quadrinhos fora de sua mídia original até hoje.


Uma animação que já se iniciava de modo bem diferente numa espécie de minissérie em cinco capítulos (ainda que a ideia já tivesse sido usada em Gárgulas), e também de forma absolutamente épica com uma abertura que ainda que possa ter causado certa estranheza no primeiro momento por ser feita em computação gráfica nos trazia o fantástico tema de abertura criado por Lolita Ritmanis.



E se eu pudesse rotular esta obra numa só denominação seria “Ode de Amor aos Quadrinhos”.

Poderia inclusive até fazer um artigo inteiro sobre “Liga da Justiça”, e sua continuação “Liga da Justiça Sem Limites” (e quem sabe um dia até faça), mas tem algumas coisas que não podem deixar de serem mencionadas e exaltadas.

Mantendo a tradição de ótimos roteiros, com exceção de um ou outro episódio mais descompromissado, a animação manteve um nível altíssimo em suas estórias. Sabendo a hora certa do drama, da ação e da comédia.

E aqui não posso deixar de citar ao menos três episódios icônicos:


“Inimigo Submarino”: Aqui o roteiro de Kevin Hopps nos presenteia com uma cena marcante, onde Aquaman para salvar o filho corta fora sua própria mão, numa situação muito melhor pensada que a bobagem de “piranhas egoístas” que Grant Morrison escreveu para apenas criar mais uma ceninha hypante para mentes rasas nos quadrinhos. 


“Para o Homem Que Tem Tudo”: A versão animada para a clássica HQ de Alan Moore é até hoje a única obra do autor transposta para outra mídia que recebeu elogios seus. 


“Epílogo”: Como citei aqui no artigo sobre “Batman do Futuro”, este episódio é uma aula de roteirização que deveria ser matéria obrigatória em qualquer faculdade de cinema e que amarra de forma perfeita toda a trajetória do Batman dentro do Timmverse, com direito a citações ao longa “A Máscara do Fantasma” e ao episódio “Cuidado Com o Fantasma Cinzento” de Batman TAS.

Floyd Lawton, o Pistoleiro

Fora isto não há como não mencionar alguns personagens que poucos acreditavam ver um dia numa animação como no caso de Floyd Lawton, o Pistoleiro, apesar de que sendo Timm um fã de “Estranhas Aparições” a fase de Steven Englehart nas HQ’s do Batman (como citei no artigo que fiz aqui sobre esta fase) isto não chega a surpreender tanto (risos).

Travis Morgan em Liga da Justiça Sem Limites

Mas nesta categoria o primeiro lugar inquestionável vai para Travis Morgan, o Guerreiro (Warlord no original), o icônico personagem criado por Mike Grell que é desconhecido ou desdenhado por muitos ditos “conhecedores” de quadrinhos mais novos.

Mas a atuação de Bruce Timm nas animações não se limitou as funções já citadas, pois volte e meia, ele emprestou sua voz para algum personagem.

Coisa que começou em Batman TAS, se repetindo em vários outros trabalhos como: Mongul (Batman e Superman - Inimigos Públicos), o Charada (Batman Contra Capuz Vermelho) e até Duas-Caras (Liga da Justiça vs Os Cinco Fatais).

Paul Dini e Bruce Timm em Batman  - Os Bravos e Destemidos

Isto sem contar as vezes que fez cameo de si mesmo (ou se sua figura), como em “Batman TAS” e “Batman Os Bravos e Destemidos”, sendo este segundo com direito a cameo até de Paul Dini

Aliás, é preciso mencionar que com o fim do chamado Timmverse em 2006 foi aí que a Bruce se mostrou -  ainda que sem sair do nicho dos super-heróis - um artista bem mais versátil do que se imaginava, e não é nenhum exagero creditarmos a ele a maior parte do sucesso e principalmente credibilidade que todas as animações da DC Comics possuem.

Atuando como produtor esteve em vários longas de animação como “Liga da Justiça - Deuses e Monstros” e a adaptação de “A Piada Mortal” (ou você achou que aquele Batmóvel de Batman TAS estava ali de graça?).

O DC Showcase do Sgt.Rock, marcou a volta de Timm à direção...

Sem falar, lógico, em sua atuação tanto como produtor, mas também como diretor - função da qual se afastou durante alguns anos - na série de curtas-metragens do projeto DC Showcase ..

...que continuou em outros trabalhos como Superman - Entre A Foice e o Martelo

Fora um capítulo bem especial de sua carreira, quando foi o elemento de ligação que uniu o melhor de Estados Unidos, Coreia de Sul e Japão num único projeto.

Batman - O Cavaleiro de Gotham

O ano era 2008. O projeto? Batman – O Cavaleiro de Gotham!

Com roteiros de gente como Allan Burnnet, Brian Azzarello e do próprio David S Goyer, roteirista da trilogia de Christopher Nolan, e tendo alguns lendários diretores japoneses de animação como Yoshiaki Kawajiri, que você que acompanha o blog deve conhecer de duas obras suas que já resenhei aqui, Cyber City Oedo 808 e Wicked City.

Yoshiaki Kawajiri

Veio com uma proposta que era tão simples quanto arriscada. Contar em animação algumas estórias do “Morcego de Gotham” no intervalo entre os filmes “Batman Begins” e “Batman O Cavaleiro das Trevas”.

Sendo que em 2014 lançou “Batman - Strange Days”, um curta-metragem para celebrar o 75º aniversário de criação do “morcegão”, aproveitando, inclusive, para fazer uma homenagem a uma das primeiras aparições do Dr.Hugo Strange nos quadrinhos, mais uma vez escancarando sua admiração por “Estranhas Aparições”.


E se tem uma coisa louvável em Timm, é que jamais se fez refém da famigerada fanbase, acreditando no seu talento e daqueles que o cercam para transitar sem maiores preocupações entre produções com toques mais sérios e dramáticos até outras que são pura diversão.

Ou seja, o garoto que sonhava ser cartunista da Marvel acabou fazendo junto com sua equipe a maior homenagem que a fase mais criativa que a DC poderia ter.

Lógico que apesar de ser mais conhecido pelas animações, Timm não deixou de atuar na mídia que originalmente sempre foi sua paixão, tendo ganho ainda em 1994 um prêmio Eisner junto com Paul Dini pela HQ “Batman Adventures - Mad Love”, tendo ainda outros trabalhos pela editora Vertigo e pela Marvel onde atuou como desenhista em “Vingadores ½” de 1999. Tendo até contribuído em 2005 para a arte de um conto de “Conan”.

Mas creio que nas artes gráficas sua maior “ousadia”, se é que dá para chamar assim foi em 2020, com o lançamento de um livro de arte erótica chamado “   The Big Tease: A Naughty and Nice Collection”.

Porém sem jamais se esquecer do universo que criou, e que com outros artistas talentosos trouxe para as telas de tevê de todo mundo.


Tão marcante que em 2019 mesmo mais de uma década após seu suposto fim, teve um spin off no longa-metragem “Liga da Justiça vs Os Cinco Fatais”, num roteiro que tirando um certo ar caricato de um ou outro vilão, é uma aula de como se trabalha o tema “viagem no tempo” de forma fluída e inteligente, deixando na poeira um certo longa-metragem live action de heróis que estreou quase na mesma época.


Sem falar no devido destaque e reconhecimento que dá a Jessica Cruz, uma das melhores personagens de quadrinhos criadas nos últimos trinta anos.

E não é que agora, em pleno 2021, a Warner veio a sinalizar com o retorno do Timmverse! Tá certo que a princípio algo nos quadrinhos, mas que já faz muita gente sonhar. 


E mesmo que pessoalmente considere um erro uma sequência do universo clássico, fora lógico, spin offs como o citado “Liga da Justiça vs Os Cinco Fatais”, não há como negar que qualidade dos trabalhos de Bruce W Timm e todos de sua equipe, sempre criarão expectativa por mais uma obra bem produzida, de roteiro ágil e inteligente, e que principalmente mantém viva uma arte que vem se esvaindo na avalanche de mediocridade que tem imperado na esmagadora maioria das animações atuais.

 

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Bruce Timm - O Último Defensor da Animação (parte 1)

 

Ao longo dos últimos anos a produção das tradicionais animações em 2D vem caindo progressivamente. Muito disto pelas “facilidades” de produção do processo 3D, mas também muito devido um público preguiçoso, que por consequência acaba “desobrigando” os estúdios a realizarem qualquer parcela mínima de qualidade, seja em roteiro ou qualquer um dos outros aspectos que compõe uma boa produção de animação.

E mesmo nas animações japonesas, é possível notar a espetacular avalanche de preguiça com traços de personagens – em geral sem nariz – e cacoetes narrativos vexatórios para vorazes consumidores de traquitanas bizarras.

Mas em meio a este bombardeio do mais do mesmo, e completo desleixo, um último defensor das animações de qualidade, discípulo de mestres cartunistas como Jack Kirby e Alex Toth, resiste... Bruce W Timm!


Nascido em 08 de fevereiro de 1961, Bruce Walter (pois é não é Wayne) Timm, cresceu sonhando se tornar um ilustrador da Marvel, enquanto “bebia” da fonte de mestres como os já citados Jack Birby e Alex Toth, além de John Buscema, Frank Frazetta e outros.

Na Filmation, Bruce Timm trabalhou em Blackstar...

Mas sua carreira acabou começando mesmo por volta de 1981, e ao contrário do que o jovem Timm sonhava, ou seja, as HQ’s, o destino já o enviou direto para mídia que o consagraria. Pois naquele ano consegue um emprego artista de layout na produtora Filmation, indo trabalhar nas séries “Blackstar” e “The Lone Ranger”.

...além de He-Man...


...e sua irmã, She-Ra

Sendo que em 1982, Bruce, como animador, dá uma escapadinha da Filmation, para integrar a produção do longa “A Ratinha Valente” (The Secreto of NIMH no original), retornando logo depois para fazer parte da equipe que criou “He-Man e os Mestres do Universo” e “She-Ra”. Até que em 1987 ele vai enfim trabalhar na Marvel.

Mas calma, não pense que nosso herói foi desenhar o Homem-Aranha ou o Quarteto Fantástico.

Já um profissional conhecido no meio da animação, Timm vai para a Marvel Productions, onde trabalha em novas versões para animações infantis clássicas como “Super Mouse” e “Beany&Cecil”. E aqui preciso lançar um adendo pessoal, pois considero esta breve fase na carreira de Bruce Timm um dos mais grotescos casos de subaproveitamento de talento que já soube neste meio, se formos levar em consideração o que tinha ajudado a realizar na Filmation.

De qualquer forma, hoje dá para se considerar que tudo que aconteceu até ali, nada mais foi que um rascunho para a arte final que estava prestes a chegar.

Tiny Toons marcou o começo de Bruce Timm na Warner

E eis que em 1989, Bruce vai para a subsidiária de animação da Warner Bros, trabalhar como roteirista e desenhista em “Tiny Toons”. Até que três anos depois, enfim promovido a produtor ganha carta branca para o projeto que cunharia seu nome como um dos maiores realizadores de animações de todos os tempos, e é obvio que refiro a “Batman A Série Animada”.

Batman A Série Animada...


...o começo do Timmverse.

Aliando-se aos produtores Eric Radomski e Alan Burnett (este último bem familiarizado com os personagens da DC Comics desde “Superamigos”).

Alan Burnett, Eric Radomski, Jean MacCurdy (presidente da Warner) e Bruce Timm


E chamando para o time Paul Dini, que já conhecia desde a época de “He-Man”, e com o qual acabou criando a Arlequina pouco depois, Bruce Timm “deu um sacode” por assim dizer, no marasmo que imperava nas animações de aventura feitas em solo estadunidense naquele momento.

Arlequina e seus criadores, Bruce Timm e Paul Dini

Bem, ficar aqui falando sobre “Batman A Série Animada”, seria chover no molhado, já que já dediquei um artigo em duas partes a ela.

Mas ainda que o traço de Timm na época pudesse ter recebido críticas daqueles que preferiam um caracter design mais realista digamos assim (e eu aqui me incluo). Seu estilo acabou sendo fundamental tanto para dar velocidade à produção das células de animação como para deixar os movimentos dos personagens mais “redondos” e agradáveis de assistir. Fora o estilo que colocou na arquitetura de Gotham City, que ainda que sofresse influência do live action do Batman de Timm Burton, logo ganhou entre o pessoal da produção o apelido de “dark decor”, uma brincadeira com “art decor”.

A Máscara do Fantasma...

E o que foi iniciado ali, foi se tornando com o passar dos anos um único universo compartilhado de várias séries de animação, que hoje é carinhosamente chamado pelos fãs de “DC Timmverse”.

...aquele que é considerado por muitos até hoje...


...o melhor longa-metragem do Batman.

Uma construção que já dentro de Batman TAS teve um capítulo todo especial no longa-metragem “A Máscara do Fantasma”, por muitos considerado, e talvez realmente seja, o melhor trabalho audiovisual realizado com o personagem até hoje.


Mas os planos de Bruce Timm e sua turma estavam bem longe de terminar e em 1996 chegava “Superman A Série Animada”. Nela, Bruce começou a colocar em prática seus planos de expansão que levaram inclusive a ruptura de parte da equipe que fazia “Batman TAS” como já descrevi aqui no blog.

Em Superman TAS, outros personagens surgem, como o Lanterna Verde

Nesta série, vemos o “Azulão” interagindo com outros personagens como o Flash/ Wally West, sua prima Supergirl e até o Lanterna Verde Kyle Rayner. E obvio, lógico, como não poderia deixar de ser com o Batman.

E lógico, temos o encontro entre "os melhores do mundo".

Sem falar em um arco com Darkseid que colocou em xeque qualquer tentativa posterior de trabalhar os personagens em outras mídias (risos).

Sem falar na coragem de fazer um tema de abertura que fugia da clássica obra de John Williams para o filme de 1978, e que mesmo não sendo assim tão épico, captou muito bem o espírito do personagem.

A Liga da Justiça

E não há como negar que a série de Kal-El, foi o que viabilizou a partir de 2001 a série da “Liga da Justiça”, mas antes houve o que já descrevi aqui como sendo o maior ato de ousadia de Bruce Timm, a série de um novo Batman.

Batman do Futuro

E assim como na série de Bruce Wayne lá em 1992, o “Batman do Futuro”, Terry McGinnis, tem seu ponto fora da curva num longa, “O Retorno do Coringa”. Tudo bem, sei que já falei bastante sobre o longa no artigo que já foi publicado aqui, mas não deixa de ser surpreendente, mesmo anos depois, nos darmos conta de como o talento de Timm, Paul Dini e toda a equipe foram capazes de dar mais uma vez um passo para fora da caixinha se formos pensar numa animação feita para tevê.

O visual original de Z.E.T.A em Batman do Futuro

Sem falar que foi responsável por gerar o spin off “Projeto Z.E.TA.”. E aqui é necessária a abertura de um pequeno parêntese, pois mesmo em séries que não tinham sua atuação direta, não houve nenhum tipo de pudor seu em fazer crossovers, já que o próprio Terry McGinnis retorna em um episodio de “Projeto Z.E.T.A.”.

E o que dizer sobre “Super-Choque”?

Super Choque encontra o Batman - Crossover entre as séries

A série do personagem criado nos quadrinhos da Milestone (depois adquirida pela DC) por Dwayne McDuffie, que mesmo não tendo nenhuma participação direta de Bruce Timm, acabou se inserindo em seu universo após crossovers entre o jovem herói e os membros da Liga da Justiça em ambas as séries, fazendo McDuffie se tornar depois um dos principais nomes da série da equipe de heróis.

É... A Liga da Justiça...Mais uma vez ela...


Mais sobre o grupo de heróis, como Bruce Timm amarrou todo seu universo, e principalmente, como mesmo depois do fim do chamado “Timmverse”, a sua obra se fortaleceu ainda mais, é algo que deixarei para a segunda parte desta incrível jornada de aventuras, e sobretudo de resistência... Até lá!

 

 

Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...