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sábado, 29 de março de 2025

Os 10 Piores Filmes de Heróis

 

Aqui neste blog, assim como em nosso canal no Youtube, sempre priorizamos falar do que é bom, já que falar mal é muito fácil, e um caminho preguiçoso para ganhar atenção.

Contudo, tem momentos em que nós não podemos (nem devemos) nos omitir de criticar as coisas, para que alguns (ou diversos) erros não se repitam.

Então vamos lá, para os...

Os 10 Piores Filmes de Heróis!

 

10 – Vingadores Ultimato (2019)

Conhecem aquele ditado “Não prometeu nada e entregou tudo”?

Então... Aqui é justamente o contrário. Após o ótimo (quase excelente) “Guerra Infinita”, se esperava um desfecho dramático e glorioso para saga das joias do infinito. Mas o que se viu foi uma mistura banal de “De Volta Para O Futuro” com “Power Rangers”. Num hype que apenas é justificável por uma única cena.

 

09 – Shazam (2019)

A despeito da opinião pessoal deste escriba que a história de Billy Batson é sobretudo um drama, e deveria (ainda que com possíveis alívios cômicos) ser tratada desta forma.

É possível entender o tom mais light que quiseram colocar no filme. O que não dá para entender é a opção de fazerem o personagem título, mais bobo que seu alterego adolescente. Num filme que em momento algum prende espectador seja lá por qual viés.

 

08 – Besouro Azul (2023)

E por falar em tom correto, este aqui talvez seja o exemplo mais clássico de filme que seguiu o caminho errado. Como já citado aqui em artigo anterior, a ideia para esta nova versão do personagem da DC que originalmente surgiu nos quadrinhos da Charlton, foi o mangá e anime “Bio Booster Armor Guyver”.

Só que ao invés que seguir pelo tom de “filme de terror” do original japonês, preferiram usar de todos cacoetes possíveis, para que o filme fosse mais facilmente palatável pelo público médio.

 

07 – Supergirl (1984)

Se o filme clássico do Superman com Chistopher Reeve é divisor de águas e quebra de paradigma no cinema, nem de longe podemos falar o mesmo sobre a primeira representação em live action da prima de Kal El, que tentaram encaixar como se estivesse no mesmo universo.

E o fato de ser um caça-níqueis em nada tem a ver com isto, pois há muitos casos de caça-níqueis que tiveram ao menos um mínimo de preocupação com roteiro e de ter um "rosto próprio".

 

06 – Thor-Amor e Trovão (2022)

E por falar em caça-níqueis...

O maior desperdício de talentos da história do cinema!

Como se tem Christian Bale e Natalie Portman num filme e não criam algo pelo menos digno para estes dois talentos?

E olha que Bale bem que tentou em suas partes criar algo diferenciado. Talvez tivesse sido melhor fazer como em “Mestres do Universo” no qual Frank Langella escreveu quase todas as suas falas de seu incrível Esqueleto, mas duvido muito que a Disney iria deixar algo do tipo acontecer.

 

05 – Esquadrão Suicida (2016)

Quando anunciaram este filme confesso que achei a ideia mais genial que o gênero de heróis (ou HQs) já tinha tido.

Afinal poderiam ser apresentados vários personagens que depois seriam (em tese) distribuídos nos filmes subsequentes da DC.

Para elencar todos seus problemas talvez fosse necessário um artigo inteiro, mas basicamente temos um roteiro mais quebrado que arroz de terceira, somado a uma necessidade estúpida de todo filme do gênero possuir uma ameaça cataclísmica. Fora o desperdício de Viola Davis (Amanda Waller) e Margot Robie (Harley Quinn) que foram feitas para seus papéis e mereciam coisa melhor.

Fora a direção de David Ayer, que a despeito de ter até filmes bons no currículo (na verdade talvez só um), tinha que parar de pensar que é o novo Sam Peckinpah.

 

04 – Elektra (2005)

Nunca concordei totalmente com as críticas feitas ao filme do Demolidor protagonizado por Ben Affleck, e um dos pontos dignos de nota ali foi a Elektra de Jennifer Garner, tanto que veio a repetir o papel recentemente em "Deadpool & Wolverine".

Aí, talvez por pensamentos como este, resolveram criar um spin off com a ninja, mas...

Um passeio de elevador seria mais emocionante.

 

03 – Aço (1997)

Uma das poucas coisas boas que vieram do evento de “A Morte do Superman” foi a criação de John Henry Irons, o Aço.

Eis que então, não sei quem, em 1997 teve a brilhante ideia de fazer um filme do personagem. E também não sei quem, teve a “genial” ideia de colocar o astro do basquete Shaquile O’Neil como o personagem título.

Num filme que fora o nome do protagonista, não há absolutamente nenhuma conexão com o personagem original, e que nem mesmo risadas é capaz de provocar (só vergonha mesmo).

Há título de mera curiosidade, o filme traz Annabeth Gish, a agente Monica Reyes de Arquivo X, como parceira de Irons. E teve (acredite se puder), o maestro Quincy Jones como um dos produtores.

 

02 – As Marvels (2023)

E por falar em vergonha...

Hummmm... Com tantas personagens bacanas na Marvel para se fazer um filme mais voltado para as meninas, foram criar esta que está entre as maiores bizarrices da história do cinema. Melhor eu nem continuar a comentar, senão não termino este artigo.

 

01 – Quarteto Fantástico (2015)

A prova que fã(nático) não deve ser ouvido.

Durante dez anos os ditos fãs conhecedores da matéria, ficaram falando mal do filme do Quarteto Fantástico de 2005, e aí vieram com esta nova, obscura, besta, pretenciosa, e completamente perdida versão. Num filme que ainda se pretendeu ter uma continuação, mas que obvio, não ocorreu.

Lógico que eu poderia escrever um artigo inteiro enumerando todos os erros deste filme, mas o melhor é que seja mesmo esquecido.

 

 

 

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Arquivo Dolph Lundgren

 

Segundo dizem os entendedores da matéria, o cinema de ação dos anos 80/90 teve seu time A, composto por Bruce Willis, Stallone, Schwarzenegger. E seu time B (as vezes C) composto por Chuck Norris, Van Damme e mais alguns outros.

Contudo, existe um ator, vindo da distante Suécia, que ao que parece, jamais se encaixou um nenhum dos dois grupos, se tornando cult, mesmo sem jamais ter feito parte do chamado “primeiro time”.

Portanto, chegou a hora deste humilde blog abrir seu arquivo, para tentarmos entender o fenômeno (sim, fenômeno), Dolph Lundgren.

Nascido em Estocolmo em 03 de novembro de 1957, Hans Lundgren (seu nome de batismo), parecia que poderia seguir qualquer carreira na vida, menos a que de fato acabou abraçando.

Como assim?

Bem, ainda jovem estudou e se formou em química pelo “Real Instituto de Tecnologia” de Estocolmo, fazendo seu mestrado pouco depois pela “Universidade de Sidney” (Austrália), o que o credenciou para uma bolsa de estudos para o famoso “MIT” de Massachusetts (Ohio - USA).

Lembrando que em meio a isto tudo, serviu na marinha sueca, onde foi campeão de boxe da corporação (sim, eu sei, o que você está pensando). Além de se tornar faixa-preta de terceiro dan de caratê kyokuyshin.

Contudo, ou talvez por isto tudo, resolveu tentar a sorte como ator, e em 1985, a coisa começou de fato a acontecer.

Primeiro com um mínimo papel em “007 Na Mira dos Assassinos”, o último filme da franquia com Roger Moore. Época em que namorava a atriz e cantora Grace Jones.

E sua presença, ainda que com um inglês monossilábico e lotado de sotaque, ou talvez justamente por causa disto, chamou a atenção de Sylvester Stallone, que estava procurando alguém que pudesse ser seu rival no quarto filme da franquia “Rocky”.

O papel de Ivan Drago, o lutador russo, moldado na tecnologia, catapultou o sueco para fama da noite para o dia. Pois ao contrário de Mr.T que fora escolhido como adversário no filme anterior, mas que vinha da WWE aonde era um lutador do “time dos bonzinhos” e depois de um personagem muito querido, o B.A. do seriado “Esquadrão Classe A”, Lundgren de fato parecia alguém que você não gostaria de discutir na fila do supermercado, vamos dizer assim.

Entretanto a falta de habilidade do gigante sueco em interpretar, somado aos seus talentos, acabaram provocando, digamos, pequenos contratempos nas filmagens. Pois logo de cara, Carl Weathers, nosso eterno Apollo Creed, foi reclamar com Stallone, que o sueco não media a força dos golpes.

E o que deveria deixar Sly irritado, serviu de alavanca para o momento mais bizarro (na falta de um adjetivo melhor vou usar este) da carreira do “garanhão italiano”. Pois, querendo dar mais veracidade as cenas, não é que Stallone teve a infeliz ideia de pedir que Lundgren batesse de verdade.

Resultado? Doplh quase matou Sylvester Stallone.

No momento da filmagem tudo pareceu estar, digamos, bem. Porém, mais tarde Sly começou a sentir fortes dores no peito, e teve de ser levado as pressas de avião do Canadá, onde se desenrolavam as filmagens, para a Califórnia, onde foi imediatamente internado numa UTI durante quatro dias. Pois o golpe desferido pelo sueco traumatizou o pericárdio de seu coração, que sofreu um inchaço.

Mas Stallone não apenas não ficou bravo, como brigou para que a cena ficasse no corte final do filme. Enquanto Lundgren após o susto disse que não sabia ao certo se teria sido apenas aquele golpe, já que em suas palavras “ficaram o dia todo trocando milhares de socos”.

Com seu caminho aberto “à socos”, vamos dizer assim, chegava o grande desafio de passar de coadjuvante para protagonista.

E lógico que o momento parecia o mais propício, já que era a época dourada dos filmes de ação, não necessariamente bons ou grandes produções, até porque naquela época em geral não se precisava de muito para cair nas graças do público.

E a grande oportunidade, digamos assim, surgiu em 1987.

Era “Mestres do Universo”, a primeira representação em live action, de He-Man e sua turma. Um filme que foi e é massacrado até os dias de hoje. Mas que acabou de maneira meio torta ganhando status de cult.

Creio que você que está lendo deve estar neste instante pensando, “será que ele vai defender essa tranqueira?”.

E a resposta é... sim!

Primeiro, porque é necessário saber e entender que os responsáveis por esta produção nada mais eram que os primos Menahem Golan e Yoram Globus, da lendária produtora Canon Group. A mesma que fez a alegria de muita gente com filmes de ninja fajutos de baixíssimo orçamento, mas que começou a escorregar no creme do abacate ao tentar fazer filmes de heróis, vide Superman IV.

Só que a despeito da fanbase preguiçosa, Mestres do Universo acerta em algumas soluções de roteiro para driblar o baixíssimo orçamento. Como mostrar uma Eternia já em guerra, para justificar a ausência de personagens como Gorpo ou Gato Guerreiro. E ainda que não seja citado no roteiro (tudo bem, até podia ser), fica meio que claro que aqueles personagens já tinham “ido de ralo” ao longo do conflito.

Só que com produção mega bagunçada, e as dificuldades de nosso viking preferido com o idioma bretão, que ainda não tinha fluência, tornaram a coisa toda o retrato do caos, que só não foi maior, porque, justiça seja feita, Frank Langella (o Zorro e Drácula preferidos deste blog), tomou as rédeas de seu personagem, e escreveu a maioria dos diálogos de seu inesquecível Esqueleto.

Mestre do Universo pode até ter ficado muito distante do esperado nas bilheterias, e também por seu público lógico, mas Dolph Lundgren havia conseguido a “vitrine de protagonista” que precisava.

E é a partir daqui que vou começar a elencar, aqueles filmes que na humilde opinião deste escriba, tornam Dolph Lundgren, talvez um caso único entre os astros de ação de sua época.

O Justiceiro (The Punisher – 1989) – Este creio que todos se lembram. Muito antes da onda de filmes de quadrinhos varrer os cinemas, o sueco foi a primeira encarnação de Frank Castle, o Justiceiro.

Num filme que muitos defende até hoje ser a melhor representação do personagem criado por Gerry Conway. E que de quebra tem o inesquecível Louis Gosset Jr como coadjuvante.

O Grande Anjo Negro (I’m Come in Peace ou Dark Angel – 1989) – Por mais de uma vez citado, tanto aqui no blog, como em nosso canal no Youtube, este filme é um exercício sensacional de criatividade.

Ainda que sua ideia primária, como já dito aqui, tenha vindo do episódio do vampiro espacial Vurdalak de Spectreman.

Massacre no Bairro Japonês (Showdown in Little Tokyo – 1991) – Pensa nesta mistura. Dolph Lundgren, Brandon Lee e Tia Carrere, num filme dirigido por Mark L. Lester, o diretor de “Comando Para Matar”.

Resultado? Mais um clássico do exagero, como cenas que parecem, assim como em “Comando Para Matar”, extraídas de uma HQ ou de um desenho animado, e com algumas piadas que dificilmente passariam pela censura atual.

Soldado Universal (Universal Soldier 1992) – Aqui a coisa ficou séria. Pois a despeito das limitações dramáticas que Lundgren pudesse ter, neste pequeno clássico, dirigido por Roland Emerich antes das invasões alienígenas, o sueco usa justamente do que seria seu ponto fraco a seu favor.

E sua interpretação como o frio e psicopata Sargento Andrew Scott é perfeita, fazendo qualquer um ter receio de encontra-lo num beco escuro (ou iluminado também).

Fuga Mortal (Joshua Tree ou Army of One – 1993) – Este aqui confesso sem o menor pudor, é meu filme preferido de Lundgren.

O roteiro com um ritmo vertiginoso, e a direção segura de Vic Armstrong, o maior dublê da história, garantem você ficar grudado na poltrona (ou sofá) enquanto Santee, personagem do sueco, vai atrás de Severance (George Segal), um policial corrupto que o traiu. Filme que com todo merecimento consta em nossa lista de “Melhores Filmes de Ação dos Anos 90”, que publicamos lá no canal no Youtube.

Jonny Mnemonic - O Ciborgue do Futuro (Jonny Mnemonic – 1995) – Ainda que não sendo o protagonista deste filme que foi estrelado por Keanu Reeves, foi a primeira vez, e isto me recordo bem, que uma atuação de Lundgren recebeu elogios, com seu padre Karl Honig (sim, padre) ciborgue assassino.

Um filme que ficou meio esquecido até na carreira de Reeves após o sucesso de Matrix, mas que merece ser redescoberto, principalmente pela atuação do sueco.

Atirador de Elite (Silent Trigger – 1996) – Dirigido por Russel Mulcahy (Highlander), este é mais um filme do sueco que está na nossa lista de “Melhores Filmes de Ação dos Anos 90”.

Hermético, com apenas quatro atores tendo falas, com certeza um dos filmes mais diferentes da carreira de Dolph.

E obviamente não poderia também deixar de mencionar aqui sua participação na franquia “Mercenários”.

Seu retorno como Ivan Drago em “Creed II”.

E seu Rei Nereus em “Aquaman” e “Aquaman 2”.

Aliás, três papéis que quando vejo, sempre me vem a mente algo engraçado. Mesmo quando Lundgren faz papel de vilão ou traidor (tirando Soldado Universal), no fim ele sempre “se dá bem”, conseguindo perdão de todos (risos).

Fora isto, tem em seu currículo algumas passagens pela tevê.

No telefilme Blackjack (lançado aqui nas locadoras da época) onde foi dirigido por John Woo.

Como Kostantin Kover no seriado "Arrow"

Além de participações nos seriados Chuck e Arqueiro (Arrow).

Ah sim! E ainda se fez presente com sua voz na franquia “Minions” sendo o personagem Svengança. Nada melhor que um sueco para fazer um viking, não é?

E o que poucos fazem ideia. Lundgren já dirigiu cerca de sete filmes: The Defender, The Mechanik, Diamond Dogs, Missionary Man, Command Performance, Ícarus e Skin Trade.

The Mechanik, um dos filmes dirigidos por Dolph

Acho que está bom, né? Não, acho que não.

Pois seja lá qual for seu astro de ação preferido, fique sabendo que é do sueco o recorde absoluto de “mortes” na carreira, totalizando 1.107 mortes confirmadas (risos).

Porém, em 2015, nosso herói iria entrar em combate contra seu mais terrível inimigo, o câncer.

Os primeiros cinco anos após o diagnóstico do tumor no rim, pareciam até animadores, já que sua condição sempre foi descrita pelos médicos como “sob controle”, após o tumor ter sido retirado numa cirurgia. Contudo, em 2020, as coisas pioraram, pois novos tumores foram encontrados, inclusive um no fígado.

E o diagnóstico não poderia ser pior. A condição de Lundgren era considerada terminal. Mas buscando a força de um verdadeiro lutador, Dolph não se deu por vencido, e decidiu partir para um tratamento novo, que fez os tumores regredirem 90% e com os demais já em vista de serem retirados por cirurgia.

E eis que em novembro de 2024, Lundgren em entrevista dá a notícia que todos aguardavam. Estava livre da doença!

Uma vitória que com certeza combina muito com sua história. Celebrada pouco dias antes deste artigo ser publicado, junto aos amigos, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger.

Uma vitória da persistência e do carisma (algo que se tem ou não, e que não é possível ser comprado).

E que mostra que a Suécia no cinema não é só Ingmar Bergman ou Anitta Ekberg (risos).






 

domingo, 19 de maio de 2024

Revista Aventura & Ficção

 

Meados da década de 1980...

Enquanto a tenente Ripley duelava com xenomorfos no cinema e o Queen lançava o clássico “A Kind of Magic”, os professores de português tentavam sem sucesso frear o avanço evolutivo das HQ’s que já não podiam mais tão facilmente serem rotuladas apenas de “escapismo infanto-juvenil”.

Neste cenário, nas bancas de jornal - que de fato vendiam jornais naquela época – se via na parte de quadrinhos o domínio quase total da Editora Abril, com suas revistas no famoso “formatinho”, em geral com revistas miscelânia como a já resenhada aqui “Revista Superamigos”.

Mas eis que num daqueles pequenos atos de ousadia, diante da gradual mudança etária de parte do público talvez, as informações vindas do exterior, que agora não demoravam uma década para chegar, e aos ótimos números de venda de “A Espada Selvagem de Conan”, eis que em 1986, chega uma revista como nenhuma outra até ali, e que até os dias de hoje pouco teve de “concorrência” ao seu posto, a...

Revista Aventura & Ficção!

A meteórica história de Aventura & Ficção, começa em setembro de 1986. E aqui vou logo abrindo um dos meus “parênteses” para poder compartilhar com você que está lendo, o espanto ao me deparar com o Nº 1 de Aventura&Ficção na banca onde costumava comprar meus quadrinhos, e ver que a revista do bárbaro cimério não era mais a única no formato “magazine”, sem falar na admiração diante da belíssima capa desenhada pelo mestre Joe Jusko.

Mas se neste momento, você que está lendo este artigo, chegou a pensar numa revista cheia de super-heróis em seus vistosos uniformes...esqueça!

Baseada em suas treze primeiras edições, em três “títulos para adultos” (argh!) da Marvel, “Bizarre Adventures”, “Savage Tales” e “Marverl Preview”, trazia em suas páginas as mais variadas e sem amarras visões de diversos artistas do calibre de:

John Byrne,

Roy Thomas,

John Buscema,

Sal Buscema,

Mike W Barr,

Earl Norem

e até um ainda não tão conhecido Frank Miller.

Sua edição de estreia abria com um prefácio do editor Helcio de Carvalho, que já deixava clara sua natureza livre e imprevisível, que ia desde da mais tradicional ficção científica, passando por contos de terror, até aventuras que te surpreendiam com seu desfecho quase cômico.

Tão imprevisível, que só para citar um exemplo, temos uma estória escrita e desenhada por John Byrne que dura apenas duas páginas, sem nenhuma fala, mas que passa seu recado de maneira direta e contundente.

Ainda que pudesse ter seus personagens cativos que apareceram algumas vezes ao longo de suas vinte e uma edições, como era o caso de “Vulcão e companhia”.



Um cara enorme, no melhor estilo brucutu dos anos 80, que vivia no que parecia um futuro distópico pós-apocalíptico, mas onde, vejam só, ainda podia se comer uma pizza, ainda que para se fazer isto a noite, era preciso encarar uma série de perigos como animais mutantes e zumbis.

O que não quer dizer que alguns personagens que faziam parte do “casting” tradicional como o Senhor das Estrelas (décadas antes de ficar conhecido por causa dos filmes)...

E o Deus do Trovão, Thor, com direito a capa do brasileiro Napoleão Torquato, não dessem as caras. 


E por falar em Conan, outra criação de Robert Howard, o Rei Kull da Valúsia, também apareceu nas páginas de Aventura e Ficção.

Não esquecendo que também, a despeito de seu caráter original de miscelânia foi capaz de dedicar edições inteiras apenas para uma história, como na edição Nº5 sobre a lenda do Rei Arthur e a Nº8 com a adaptação em quadrinhos do clássico “Robocop O Policial do Futuro”.



E tendo a coragem de publicar até mesmo um texto de Rob Marshall que era emoldurado por algumas ilustrações de Alfredo Alcala, mas que estava muito mais próximo da literatura pulp que das HQs.

E foi assim até sua 13ª edição, quando seguindo sua natureza imprevisível talvez, teve inicio uma nova fase, apresentando também artistas nacionais.

Não, você não leu errado.

A nata dos quadrinistas brasileiros da época ali, dividindo as páginas de igual para igual com alguns dos maiores nomes estadunidense, como Watson Portela e Mozart Couto. Além de nomes europeus como Enrique Breccia e Milo Manara, entre outros.

Watson Portela

Milo Manara

Com toda esta pluralidade, a partir da 17ª edição, Aventura & Ficção passa a ostentar na capa a frase: “O melhor do quadrinho mundial.”


Mas como qualidade, e ainda mais coragem, não são necessariamente sinônimos de sucesso nestas plagas, “Aventura e Ficção” teve sua última edição publicada em janeiro de 1990.

Terminando com sua breve história...

Deixando saudades sim! Mas de cabeça erguida mostrando que é possível, sem forçar a barra com esquemas midiáticos, fazer diferente e marcar época.




 

 

 

 

Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...