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quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Quando a música virtual se torna real!

 

Tem algumas coisas que passam do limite da compreensão.

Quando Damon Albarn, vocalista da banda Blur, se juntou em 1998 com o cartunista Jamie Hewllet e criaram a banda virtual Gorilaz, toda uma geração mais perdida que pacifista em reunião da NRA, abraçou aquela armação como se fosse a reinvenção da roda.

Provando que a memória do povo é mais curta que paciência de criança em casamento. Portanto, este artigo é para provar que este papo de “artista virtual” vem de muito tempo, mostrando alguns grandes artistas virtuais que já estavam entre nós bem antes. Então vamos lá!

 

Josie and the Pussycats:

            Josie and Pussycats (ou Josie e as Gatinhas), não foram a primeira banda de desenho animado a invadir as telas de tevê, mérito este que recai sobre outra criação dos estúdios Hanna-Barbera, os Impossíveis.


            Contudo, aqui as coisas escalaram um outro patamar, pois o sucesso das garotas e da música tema que abria a animação, fizeram a HB dar um passo além, e de fato criar a banda “Josie and the Pussycats”.

E da qual fazia parte inclusive Cheryl Moor, que depois que mudou o sobrenome para Ladd, e ficaria de vez famosa ao substituir Farah Fawcett no seriado “As Panteras”.

Chegando a lançar alguns singles, e até um álbum completo, mas que não alcançaram o sucesso esperado.

         Tendo décadas depois ganhado um filme live action, em roupagem digamos, mais moderna.

          A Hanna-Barbera, logicamente teria uma infinitude de outras bandas virtuais como "Os Netunos" de Tutubarão, "Butch Cassidy and Sundance Kid" da animação de mesmo nome, mas nenhuma tão marcante como Josie e suas amigas.

 

Lynn Minmay:

            Ainda que não tenha sido a primeira artista virtual, Minmay foi um verdadeiro marco na cultura pop nipônica.


            A personagem, que surgiu na franquia “Macross”, tinha a voz cantora e dubladora Mari Iijima, e foi a primeira artista virtual a de fato se dar bem junto ao maistream real. Abrindo caminho para um “filão” que os japoneses passaram a dominar como ninguém.

 

Priss and The Replicants:

Lynn Minmay pode até ter aberto as portas da música virtual das animações nipônicas, mas nenhuma série de animação soube explorar a música pop/rock tão bem quanto Bubblegum Crisis.

Tendo como uma das protagonistas Priss Asagiri, que era líder da banda Priss and the Replicants, e que era interpretada pela cantora e dubladora Kinuko Oomori.



 Jem and the Holograms:

            Com certeza se você cresceu entre as décadas de 1980 e 1990 deve se lembrar delas. Jem and the Holograms, a banda de meninas que reproduzia a estética glam da época.

A série foi uma criação conjunta da Hasbro, Sunbow e Marvel (o mesmo trio responsável pela animação clássica dos GI Joes). E mostrava as aventuras (pasmem) de Jerrica, a dona de uma gravadora, que era uma espécie de alterego de Jem, a cantora. Tudo no melhor estilo super-heroína.

Sua voz era dada pela musicista Samantha York, e os videoclipes da animação, por incrível que pareça, chegavam a passar na programação normal da MTV estadunidense na época.

Em 2015, assim como no caso de Josie and Pussycats, chegaram a fazer um filme live action, mas que fracassou e quase ninguém lembra que foi feito.

           

Steel Dragon:

            E para não dizer que não citei nada em live action, trago a banda Judas... Ops! Desculpe... (risos).

            Trago o Steel Dragon, a banda fictícia que foi criada após Rob Halford não dar autorização para usar seu nome no filme “Rockstar”, que ao menos pelo que reza a lenda urbana contaria a história de como um fã do Judas Priest, o cantor Tim Owens, se tornou membro da banda.

            Aqui além dos atores temos músicos de verdade na banda. Zakk Wilde (Ozzy Osbourne – guitarra), Jeff Pilson (Doken – baixo) e até Jason Boham (Black Country Communion – bateria).

            Sendo que os atores que fizeram os dois "cantores" da Steel Dragon ganharam as vozes ao estarem no palco de Jeff Scott Soto (Talisman) para o ator Jason Flemying, e Miljenko “Mike” Matijevic (Steelheart) para Mark Walhberg.


            Ah sim! E o filme ainda conta com uma ponta de um ainda desconhecido na época Myles Kennedy (Alter Bridge) que obviamente não precisou ser dublado (risos).

              O negócio é que aqui, apesar de se tratar de um live action e de uma banda fictícia, as músicas de Rockstar, compostas por um time do calibre do próprio Matijevic (We All Die Young), ou o icônico Sammy Hagar (Stand Up and Shout), passaram a ser executadas mundo a fora nas vozes que as executaram no filme, extrapolando a barreira da simples “trilha sonora”.

    Lógico que ainda existem por aí vários outros exemplos que poderia citar, mas creio que este foi um bom compilado de quando a música virtual invade o mundo real.

           

            Este artigo é dedicado a memória de Solange Torresi. Grande conhecedora de música. Testemunha ocular e auditiva do primeiro show do Queen no Brasil em 1981. Que com sua doçura e espírito irrequieto nunca se deixou parar no tempo. Iluminando este mundo e me honrando demais com sua amizade.



quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Águia de Aço – Aviões, hard rock e a incrível história real por trás do clássico!

 

Creio que se você cresceu durante os anos 1980/1990 com certeza, ao menos uma vez, tenha assistido “Águia de Aço”!

O clássico filme de aventura e ação, protagonizado pela lenda, o recém “oscarizado” na época, Louis Gosset Jr.

O diretor Sidney J.Furie

Lançado oficialmente em 17 de janeiro de 1986, dirigido e roteirizado pelo já veterano na época Sidney J. Furie, “Águia de Aço” como sabemos, nos leva para uma aventura, na qual o jovem Doug Masters (Jason Gedrick), após seu pai (Tim Thomerson), um piloto de caça, ter sido abatido, preso e sentenciado a morte numa pequena e fictícia nação árabe, e diante da inercia das autoridades estadunidenses, decide com o apoio de seus amigos, todos filhos de militares, criar um louco plano de resgate.

E assim, com a ajuda de Charles “Chappy” Sinclair (Louis Gosset. Jr), um piloto veterano, a bordo de dois caças F-16 “pegos emprestados”, digamos assim (risos), parte para o resgate.

Tudo isto embalado por uma trilha sonora com nomes como Queen, Dio, Tina Turner, Eric Martin, King Kobra (com direito a participação de Louis Gossett Jr no clipe), entre outros.

Uma aventura simples sim, mas que enfrentou alguns grandes problemas.

Para começar, ao contrário de “Top Gun” que teve um grande apoio das forças armadas de Tio Sam para ser realizado, “Águia de Aço” teve que se virar sozinha.

Mas ao contrário da maioria dos resenhistas da web que afirma que isto teria ocorrido por causa do roteiro mostrar supostas “falhas” de segurança militares ou presumíveis atos de indisciplina, “´Águia de Aço” não contou com apoio oficial em razão de sua premissa, ou seja, um piloto norte-americano sendo derrubado e preso numa nação inimiga.

Louis Gossett Jr era o coronel "Chappy" Sinclair

Era na época expressamente proibido, na cabeça da alta cúpula militar estadunidense, mostrar em filmes a possibilidade dos militares do país sendo vítimas.

Indisciplinas? Bem se fosse assim, como os demais resenhistas da web, em especial do Youtube dizem, “Top Gun” com seus rasantes de Maverick sobre as torres dos aeródromos também não teria ajuda oficial.

E para arrematar esta contextualização, é só lembrarmos que o clássico “Comando Delta”, aquele com Chuck Norris e Lee Marvin, também não teve apoio, justamente por mostrar no seu começo, uma reconstituição da desastrosa Operação Garra de Águia, o resgate de prisioneiros no Irã, que foi abortado depois que um helicóptero Sea Stallion caiu sobre um avião Hércules C-130.

Os caças israelenses KFir...

Para contornar esta falta de apoio oficial, a produção foi para Israel, onde conseguiu apoio local tanto para as locações como para o maquinário, tanto que temos aqui os caças israelenses Kfir fazendo o papel de MIGs, o que aliás na opinião deste escriba ficou bem mais interessante que em Top Gun com seus pequenos F-5 Tiger usados neste contexto.

...fizeram o papel de MIGs em Águia de Aço

Ainda que durante suas filmagens os trabalhos precisaram ser interrompidos pois os caças cedidos para a produção, foram designados para missões reais.

Outro ponto bastante distinto e nunca lembrado, é que “Águia de Aço” foi o primeiro filme a colocar os atores voando de verdade na cabine dos caças, ainda que lógico no banco detrás (risos).

Mas então, se Águia de Aço teve tantos cuidados, por que ficou a sombra de Top Gun diante da história?

Bem, é obvio que se formos colocar os predicados de cada filme, digamos, numa tabela, a “disputa” possa até pender para o lado de Doug Masters e Chappy.

Como por exemplo o roteiro, já que Top Gun é apenas uma série de esquetes que culmina numa escaramuça aérea mais forçada que a cena de “Vingadores Ultimato” na qual um exército de personagens vai surgindo, sem que o vilão não faça nada (eita Power Rangers!).

Só que a cabeça da maioria do público não funciona assim (e nem de alguns resenhistas).

E ainda que Águia de Aço tivesse em Sidney J. Furie um diretor competente, do outro lado Top Gun possuía um jovem chamado Tony Scott, que foi um dos maiores estilistas visuais da história do cinema, fazendo de cada frame de seu filme um quadro, uma pequena obra de arte que se fixava na mente do espectador.

Sem dúvida que haverá sempre os resenhistas que tentarão levar suas críticas e considerações acadêmicas rasas para o lado da politização, mas a verdade é que ninguém que assiste à um filme como Águia de Aço (ou mesmo Top Gun) liga para esta bobagem.

E é aí que os F-16 levam vantagem sobre os F-14, já que aqui, temos sim, um fio condutor para trama, que ainda que tênue, é universal.

O desejo de um filho em ajudar o pai, fora uma questão pessoal de Chappy Sinclair, com relação ao pai de Doug, devidamente explicada na trama, que envolvia sua gratidão diante de um caso em que foi certa vez vítima de preconceito.

Uma premissa simples que nos leva por uma aventura inverossímil sim, mas absolutamente cativante em sua essência, sem esforçar para isto.

E aqui eu entro na questão que explica muita coisa por detrás desta produção, de seu roteiro, e principalmente seu protagonista interpretado pelo inesquecível Louis Gossett Jr.

Pois não há dúvida que o coronel Charles Sinclair “rouba” totalmente as atenções para si desde sua primeira aparição, personificando aquele que talvez seja o melhor mentor dos anos 80 (desculpa senhor Miyagi). Hora ríspido, hora paternal, hora engraçado e até mesmo anárquico, e com um dos melhores discursos motivacionais da história.

E mesmo que você que está lendo possa considerar que a maior parte do elenco (até pela pouca ou nenhuma experiência) possa parecer inexpressivo, Gossett Jr voa em céu de brigadeiro, ao mostrar todas as facetas de um personagem que tranquilamente poderia ser jogado em qualquer filme mais, digamos, complexo, que funcionaria do mesmo jeito.

Mas tudo isto que vemos em tela, teve uma base muito real, e mais incrível em alguns momentos que a ficção.

O General Daniel "Chappie" James Jr.

Daniel “Chappie” James Jr, o primeiro afro-americano a se tornar general quatro estrelas nas forças armadas estadunidenses. E sim, a grafia de seu apelido era “Chappie” e não “Chappy” como no filme.

Nascido em 20 de fevereiro de 1920, Daniel se formou na Universidade Tuskegee em 1942, mesmo ano em que “ganhou suas asas” de piloto, sendo comissionado como 2º tenente em 1943. E se você que leu Tuskegee, e é um aficionado por assuntos militares achou o nome familiar, você não está errado. Estamos aqui falando sim do esquadrão que ficou conhecido como os “Red Tails”, todo composto por pilotos negros, para os quais já foram feitos dois filmes contando sua história.

Chappie junto a um P-51 Mustang

Porém, durante a 2ª Grande Guerra. Chappie permaneceu em solo norte-americano. Fazendo o que? Treinando novos pilotos!

Portanto, qualquer semelhança aqui, de forma alguma é mera coincidência.

A primeira vez que esteve numa missão direta foi durante a Guerra da Coreia, na qual cumpriu um total de 101 missões. Em 1966 já formado pelo “Air Command and Staff College”, Chappie foi para a Tailândia dar suporte as missões de combate do Vietnã. Nesta época se tornou vice comandante da 8ª Ala de Caça, que era comandada pelo “ás” Coronel Robin Olds. E o comando dos dois se tornou algo tão relevante, em especial de Chappie, que a dupla acabou ganhando o apelido de “Blackman e Robin”.

Chappie posando com um F-4 Phantom ao fundo

Mas calma, pois o mais incrível, e cinematográfico feito de Daniel “Chappie” James Jr, ainda estava por vir.

Um ponto que foi omitido ao menos da dublagem brasileira de Águia de Aço é o nome do país no qual o pai de Doug acaba preso.

Seu nome no roteiro era Bylia. Sim, você não leu errado.

E esta brincadeira ou provocação com a Líbia poderia ser apenas isto, se o país não tivesse sido palco para um encontro inusitado do pior grau na vida real entre “Chappie” James Jr, e ninguém menos que Muamar Gadhafi!

Após seu serviço no Vietnam, Chappie se tornou o comandante da Base de Treinamento de Caças de Wheelus, na República da Líbia, que na época mantinha relações estreitas com os Estados Unidos.

Mas isto foi até oficiais militares darem um golpe de estado no país árabe, entre eles justamente aquele que viria ser por décadas seu mandatário supremo, o senhor Gadhafi, que invadiu a base a frente de uma coluna de blindados, passando a toda velocidade pelos alojamentos, até chegar onde estava Daniel “Chappie” James Jr.

Só que Chappie para surpresa de todos, ordenou o fechamento dos portões da base, se trancando com suas tropas e as tropas de Gadhafi.

Criando uma situação absolutamente impensável até para um roteirista de Hollywood, e que culminou simplesmente, com uma cena digna de cinema, mas de faroeste, na qual os dois militares, ambos com pistolas Colt Governamental nos coldres junto a cintura se encararam diante dos olhares incrédulos dos demais.

No final, o futuro ditador, diante de um pedido firme de Chappie, para que não ousasse sacar da arma, cedeu, e todos os militares da base voltaram para casa sem maiores problemas.

Sendo assim, ainda que sempre comparado, seja pela temática ou pela trilha sonora, ao seu contemporâneo, “Top Gun - Ases Indomáveis”, ou se tornando objeto de críticas maldosas feitas pelos famosos “entendidos” em cultura pop, e sobrevivendo as suas sequências caça-níqueis terríveis, “Águia de Aço” com todo merecimento hoje goza de status de cult.

Conseguido acima de tudo graças aqueles que sabem entender o que de fato cada filme se propõe, e que antes de tudo a função do cinema é nos encantar.

E por que não nos motivar?

Jonny Lawrence do Cobra Kai que o diga (risos).



 



domingo, 24 de março de 2024

10 Temas de Encerramento de Seriados

 

De maneira geral, quando pensamos em temas musicais de seriados, não importa se em live action ou em animação, o que nos vem à mente sempre são os icônicos temas de abertura.

Mas e os temas de encerramento?

Sim! Porque eles existem, e ainda que nem sempre lembrados, muitos marcaram época.

Por isto vamos “rememorar” alguns deles, com apenas uma única regra, de terem passado na tevê aberta aqui em Terra Brasilis.

Então aí vem eles...



 

10 – Ginga Ookami (Jaspion)





09 – O Tempo (Yu Yu Hakusho)





08 – Shooting Star (Cybercops - Os Policiais do Futuro)





07 – Geração dos Sonhos (Yu Yu Hakusho)





06 – Keep on Rolling (Jayce e os Guerreiros do Espaço)





05 – Rangers are Forever (Galaxy Rangers)





04 – The Parting (Patrulha Estelar 3 A Crise do Sol)





03 – Amor à Deriva (Yu Yu Hakusho)





02 – Quando o sol Brilhar Novamente/ A Carta (Yu Yu Hakusho)





01 – The Lonely Man (O Incrível Hulk)





domingo, 28 de janeiro de 2024

Christopher Lee – A Jornada de uma Lenda!

 

Neste blog já foram realizados alguns artigos contandoa história de ícones da cultura pop. John Williams, Leiji Matsumoto, Michael Reaves, entre outros, já estiveram por aqui...

Mas ainda havia um nome, uma lenda. O cara que testemunhou mais eventos históricos que a Rainha Elizabeth II, e que até o fim de sua passagem por este plano se manteve ativo nas artes, as vezes de formas que até parte de seus fãs pouco ou nada imaginam.

Então os convido a embarcar numa das maiores jornadas da humanidade, a vida do ícone Christopher Lee!

Christopher Frank Carandini Lee, nasceu 22 de maio de 1922, no distrito de Belgravia, Londres. Filho de Geofrey Trollope Lee (um oficial do exército britânico), com Estelle Marie Carandini (uma condessa italiana), desde o nascimento, pela sua árvore genealógica pode ser descrito como um indivíduo de “caráter histórico”, pois era descendente direto do imperador Carlos Magno por parte de mãe, e do general confederado Robert E. Lee por parte de pai.

Ainda criança conheceu o príncipe Yusopov e o Grão-Duque Dimtri Pavlovich, os assassinos do monge Rasputin, papel que mais tarde desempenharia. E aos dezessete anos testemunhou a última execução pública pela guilhotina na França.

Acha que está bom? Calma, pois a Segunda Guerra Mundial chegou, que como muitos outros jovens Lee ingressou nas forças armadas de seu país para lutar. E seus feitos durante o conflito por si só já dariam um filme, ou vários.

Por um pequeno problema de visão não pode se tornar piloto, mas ainda assim, se tornou oficial de inteligência da “Patrulha do Deserto de Longo Alcance”, a percursora do famoso SAS (Special Air Services). Lutando contra os nazistas no norte da África, onde chegava a realizar até cinco missões num único dia.

O jovem Lee durante a Segunda Guerra Mundial

Durante esta época também esteve na retomada da Sicília, impediu com extrema psicologia um motim entre suas tropas, e no tempo livre escalou o Monte Vesúvio apenas três dias antes deste entrar em erupção.

Diante disto tudo, Christopher Lee foi recrutado para o chamado “Serviço Executivo de Operações Especiais”, um departamento secreto, ligado diretamente ao gabinete do Primeiro Ministro Winston Churchill, e que foi o embrião para a criação posterior do MI-6, o serviço secreto britânico, sendo que após o conflito ainda passou um tempo caçando nazistas.

E se lembram da árvore genealógica de Lee? Pois então...

Christopher tinha um primo, que após passagem pela marinha também durante a guerra, sonhava em ser escritor.

Seu nome? Ian Fleming!

Ian Fleming era primo de Christopher Lee

Sim, Christopher Lee e Ian Fleming, o criador de James Bond, eram primos em primeiro grau. E sim, é plenamente plausível se afirmar que a vida do ator durante a guerra e seus feitos foram a grande inspiração para a criação do espião mais famoso do mundo.

Como o vilão Scaramamga

Papel para o qual inclusive o primo fez campanha para que fosse seu, mas o perfil de Christopher já atrelado na época a filmes de terror, acabou fazendo o papel cair no colo de Sean Connery. O que lógico, não impediu o ator de anos mais tarde como todos sabemos, participar da franquia como o vilão Scaramanga em “007 contra o Homem com a Pistola de Ouro”.

Ah! E sabem os filmes de terror citados?

Christopher Lee se tornou um verdadeiro sinônimo deles!

Obvio que você que está lendo, tem conhecimento do talvez mais lembrado papel da carreira do ator como o Conde Drácula nos filmes da produtora Hammer.

Mas seu portfólio de terror também inclui outras produções do gênero como “A Múmia” e “O Monstro de Frankstein”, além do controverso, censurado e quase banido “The Wicker Man” de 1973.

No controverso "The Wicker Man"

Um portfólio que fez Lee fazer parte do triunvirato do terror junto com seus amigos, Peter Cushing e Vincent Price.

Lee, Cushing e Price - O Trio do Terror

Lee e Cushing chegaram a trabalhar juntos várias outras vezes, como em “O Cão dos Baskerville” e em “ O Monstro de Frankstein”, mas os três trabalharam juntos apenas uma vez, em 1983 no filme “A Mansão da Meia-Noite”.

Sua presença e as representações que dava aos personagens que interpretava eram tão marcantes que ao interpretar Rochefort, o chefe da guarda do Cardeal Richelieu, na versão de “Os Três Mosqueteiros” de 1973, incorporou ao personagem o uso de um tapa-olho.

Como Rochefort em "Os Três Mosqueteiros"

 E ainda que tal característica não tenha sido descrita no livro de Alexandre Dumas, esta ficou tão marcante que nenhuma outra representação posterior ousou mudá-la.

Durante quase toda a década de 1980, Christopher Lee passou procurando desvencilhar sua imagem aos filmes de terror, fazendo papéis secundários em geral de vilões, como no clássico B “Ajuste de Contas” (ou Olho por Olho”) protagonizado por Chuck Norris.

Mas também tendo pequenas participações, até em produções televisivas, como na minissérie “Sadat O Guerrilheiro da Paz” na qual faz o Xá do Irã, Reza Pahlavi, ou no filme “Charles & Diana” onde interpreta o príncipe Phillip, o pai de Charles.

E lógico não poderia de forma alguma deixar de mencionar aqui sua sensacional participação em “Gremlins 2 A Nova Geração” (1990) no qual faz um geneticista, chefe de um laboratório, num papel que satiriza de forma genial os papéis que interpretou nos antigos filmes de terror da Hammer.

E tal toada de trabalho permaneceu assim durante todos os anos 1990, parecendo que Lee estava fadado a seguir o rumo de outros atores de sua geração. Ainda que seja desta época, mais precisamente 1998, o papel que Lee declarava ter tido mais orgulho de fazer, que foi o de Muhammad Ali Jinah, o fundador do Paquistão.

Um filme que jamais foi distribuído em circuito internacional, mas para o qual o ator tinha grande afeto e que lamentava não ser de conhecimento do grande público, declarando o seguinte:

“Em 1997… passei 10 semanas no Paquistão com atores indianos, com atores britânicos, com atores paquistaneses e interpretei um homem chamado Muhammad Ali Jinnah. Ele foi o fundador do Paquistão, um homem de grande visão. Incorruptível, grande integridade, um homem brilhante, amigo de Gandhi, ambos eram advogados.”

Lee considerava sua atuação como Jinnah o melhor de sua carreira

E continuava seu relato:

“Eu o interpretei neste filme e sei que é a melhor coisa que já fiz, de longe. É um filme muito bom e todos nele são muito bons, e é verdadeiro também. É historicamente preciso e foi muito bem recebido no Paquistão. Os cinemas ficaram lotados todas as noites, todos os dias durante três meses.”

Com o novo século, o cara que foi a inspiração para James Bond, que foi o Drácula mais icônico do cinema, interpretou personagens históricos como Rasputin, falava seis idiomas, e era cantor de ópera nas horas vagas, foi chamado para participar daquilo que até por razões pessoais seria para ele um papel marcante.

Me refiro a trilogia de “ O Senhor dos Anéis”, na qual Lee interpretou o mago Saruman. E que para o ator tinha um significado especial, pois além de ser um fã de longa data da saga (dizem que a relia ao menos uma vez ao ano), conheceu pessoalmente seu autor, J.R.R Tolkien.

Conheceu J.R.R. Tolkien

Um encontro que segundo reza a lenda urbana, ocorreu por mera casualidade quando se encontraram em pub londrino. Mas que rendeu boas horas de conversa, e a benção de Tolkien para que caso um dia fossem fazer uma versão cinematográfica de sua obra, Lee estivesse nela.

Com Peter Jackson nos bastidores de Senhor dos Anéis

Ainda no que diz respeito a “Senhor dos Anéis”, houve uma passagem na qual o diretor Peter Jackson tentava orientar Lee na cena em que Saruman seria esfaqueado em “O Retorno Do Rei” (cena que aliás só saiu depois na versão estendida e fez o ator ficar furioso com isto).

Jackson procurava instruir sobre o som que uma pessoa faz quando leva uma facada, mas Lee o interrompeu, e mesmo sendo extremamente reservado no que dizia respeito aos seus tempos de comando na Segunda Guerra, afirmou que sabia muito bem o som que uma pessoa fazia ao ser esfaqueada.

Foi o Lord Dooku na saga Star Wars

E não posso deixar de citar a passagem de Christopher Lee pela franquia “Star Wars” na qual ele interpretou o Lord Sith, Conde Dooku. Arriscar-me-ia inclusive afirmar que seu talento e presença foi absurdamente subestimado, e que seu personagem com certeza com participação mais relevante teria elevado o nível da coisa toda bem mais.

Com Ewan McGregor nos bastidores de "O Ataque dos Clones"

Mas acredito que o feito mais impensável de Christopher Lee foi realizado fora de campos de batalha ou estúdios de cinema, e tudo começa no ano de 2004.

Há versões um pouco conflitantes da web de como tudo se deu, mas a que é mais aceita é de que uma sobrinha-neta de Lee que era fotógrafa e trabalhava para uma revista de rock, foi fazer um trabalho fotografando um show da banda italiana de power metal Rhapsody of Fire (que na época ainda se chamava só Rhapsody). Depois nos bastidores conversando com a banda revelou de quem era parente.

Com o Rhapsody, a porta de entrada para o heavy metal

Pronto! Estava aceso o estopim, para uma incrível parceria, e mais um feito na vida de Sir Christopher Lee!

Pois Luca Turilli, guitarrista e líder da banda, não perdeu tempo em pedir para fazer contato com o ator, que se mostrou bastante interessado na proposta, e o resultado foi uma parceria do ator em cinco álbuns da banda italiana, não apenas narrando, como fazendo um dueto com o cantor Fabio Lione na música “Magic of Wizard’s Dream”.

E você acha que o headbanger Lee parou por aí? Que nada!

Em 2010 ampliando suas participações, esteve no álbum dos norte-americanos do Manowar, “Battle of Hymns XXI”.

Lee fez dois álbuns próprios de power metal

E não satisfeito, neste mesmo ano, lançou o primeiro de seus álbuns de heavy-metal, “Charlemagne: By The Sword and the Cross”, no qual contava de guitarra em punho a história de seu antepassado Carlos Magno. E que ganhou uma segunda parte em 2013 com “Charlemagne: The Omens of Death”.

Sobre esta vertente sua, o grande ator declarou a revista britânica Kerrang:

O metal é um estilo de vida. Eu sempre fui metal, apenas não sabia”.

E como cereja do bolo, se tornou o artista mais velho a figurar no TOP100 da parada de singles da Billboard ao atingir o 18º com a música “Jingle Hell”, uma paródia metal para o clássico “Jingel Bell”.

Então agora, toda vez que você assistir “Forrest Gump”, e pensar na improbidade que aquilo é, se lembre de Christopher Lee, que não apenas presenciou a história, mas a fez acontecer!




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...