terça-feira, 11 de maio de 2021

Bruce Timm - O Último Defensor da Animação (parte 2)

Olá! Na primeira parte deste artigo, descrevi como Bruce Timm passou de um garoto sonhador que almejava ser cartunista na Marvel, até sua consagração nos anos 1990 no comando de algumas das séries de animação para tevê mais bem-sucedidas da história.

Mas tudo aquilo logo ia se mostrar apenas o começo...


E em 17 de novembro de 2001 ia ao ar pela primeira vez na tevê norte-americana o primeiro episódio de “Liga da Justiça”, aquela que seria a maior reunião de personagens de quadrinhos fora de sua mídia original até hoje.


Uma animação que já se iniciava de modo bem diferente numa espécie de minissérie em cinco capítulos (ainda que a ideia já tivesse sido usada em Gárgulas), e também de forma absolutamente épica com uma abertura que ainda que possa ter causado certa estranheza no primeiro momento por ser feita em computação gráfica nos trazia o fantástico tema de abertura criado por Lolita Ritmanis.



E se eu pudesse rotular esta obra numa só denominação seria “Ode de Amor aos Quadrinhos”.

Poderia inclusive até fazer um artigo inteiro sobre “Liga da Justiça”, e sua continuação “Liga da Justiça Sem Limites” (e quem sabe um dia até faça), mas tem algumas coisas que não podem deixar de serem mencionadas e exaltadas.

Mantendo a tradição de ótimos roteiros, com exceção de um ou outro episódio mais descompromissado, a animação manteve um nível altíssimo em suas estórias. Sabendo a hora certa do drama, da ação e da comédia.

E aqui não posso deixar de citar ao menos três episódios icônicos:


“Inimigo Submarino”: Aqui o roteiro de Kevin Hopps nos presenteia com uma cena marcante, onde Aquaman para salvar o filho corta fora sua própria mão, numa situação muito melhor pensada que a bobagem de “piranhas egoístas” que Grant Morrison escreveu para apenas criar mais uma ceninha hypante para mentes rasas nos quadrinhos. 


“Para o Homem Que Tem Tudo”: A versão animada para a clássica HQ de Alan Moore é até hoje a única obra do autor transposta para outra mídia que recebeu elogios seus. 


“Epílogo”: Como citei aqui no artigo sobre “Batman do Futuro”, este episódio é uma aula de roteirização que deveria ser matéria obrigatória em qualquer faculdade de cinema e que amarra de forma perfeita toda a trajetória do Batman dentro do Timmverse, com direito a citações ao longa “A Máscara do Fantasma” e ao episódio “Cuidado Com o Fantasma Cinzento” de Batman TAS.

Floyd Lawton, o Pistoleiro

Fora isto não há como não mencionar alguns personagens que poucos acreditavam ver um dia numa animação como no caso de Floyd Lawton, o Pistoleiro, apesar de que sendo Timm um fã de “Estranhas Aparições” a fase de Steven Englehart nas HQ’s do Batman (como citei no artigo que fiz aqui sobre esta fase) isto não chega a surpreender tanto (risos).

Travis Morgan em Liga da Justiça Sem Limites

Mas nesta categoria o primeiro lugar inquestionável vai para Travis Morgan, o Guerreiro (Warlord no original), o icônico personagem criado por Mike Grell que é desconhecido ou desdenhado por muitos ditos “conhecedores” de quadrinhos mais novos.

Mas a atuação de Bruce Timm nas animações não se limitou as funções já citadas, pois volte e meia, ele emprestou sua voz para algum personagem.

Coisa que começou em Batman TAS, se repetindo em vários outros trabalhos como: Mongul (Batman e Superman - Inimigos Públicos), o Charada (Batman Contra Capuz Vermelho) e até Duas-Caras (Liga da Justiça vs Os Cinco Fatais).

Paul Dini e Bruce Timm em Batman  - Os Bravos e Destemidos

Isto sem contar as vezes que fez cameo de si mesmo (ou se sua figura), como em “Batman TAS” e “Batman Os Bravos e Destemidos”, sendo este segundo com direito a cameo até de Paul Dini

Aliás, é preciso mencionar que com o fim do chamado Timmverse em 2006 foi aí que a Bruce se mostrou -  ainda que sem sair do nicho dos super-heróis - um artista bem mais versátil do que se imaginava, e não é nenhum exagero creditarmos a ele a maior parte do sucesso e principalmente credibilidade que todas as animações da DC Comics possuem.

Atuando como produtor esteve em vários longas de animação como “Liga da Justiça - Deuses e Monstros” e a adaptação de “A Piada Mortal” (ou você achou que aquele Batmóvel de Batman TAS estava ali de graça?).

O DC Showcase do Sgt.Rock, marcou a volta de Timm à direção...

Sem falar, lógico, em sua atuação tanto como produtor, mas também como diretor - função da qual se afastou durante alguns anos - na série de curtas-metragens do projeto DC Showcase ..

...que continuou em outros trabalhos como Superman - Entre A Foice e o Martelo

Fora um capítulo bem especial de sua carreira, quando foi o elemento de ligação que uniu o melhor de Estados Unidos, Coreia de Sul e Japão num único projeto.

Batman - O Cavaleiro de Gotham

O ano era 2008. O projeto? Batman – O Cavaleiro de Gotham!

Com roteiros de gente como Allan Burnnet, Brian Azzarello e do próprio David S Goyer, roteirista da trilogia de Christopher Nolan, e tendo alguns lendários diretores japoneses de animação como Yoshiaki Kawajiri, que você que acompanha o blog deve conhecer de duas obras suas que já resenhei aqui, Cyber City Oedo 808 e Wicked City.

Yoshiaki Kawajiri

Veio com uma proposta que era tão simples quanto arriscada. Contar em animação algumas estórias do “Morcego de Gotham” no intervalo entre os filmes “Batman Begins” e “Batman O Cavaleiro das Trevas”.

Sendo que em 2014 lançou “Batman - Strange Days”, um curta-metragem para celebrar o 75º aniversário de criação do “morcegão”, aproveitando, inclusive, para fazer uma homenagem a uma das primeiras aparições do Dr.Hugo Strange nos quadrinhos, mais uma vez escancarando sua admiração por “Estranhas Aparições”.


E se tem uma coisa louvável em Timm, é que jamais se fez refém da famigerada fanbase, acreditando no seu talento e daqueles que o cercam para transitar sem maiores preocupações entre produções com toques mais sérios e dramáticos até outras que são pura diversão.

Ou seja, o garoto que sonhava ser cartunista da Marvel acabou fazendo junto com sua equipe a maior homenagem que a fase mais criativa que a DC poderia ter.

Lógico que apesar de ser mais conhecido pelas animações, Timm não deixou de atuar na mídia que originalmente sempre foi sua paixão, tendo ganho ainda em 1994 um prêmio Eisner junto com Paul Dini pela HQ “Batman Adventures - Mad Love”, tendo ainda outros trabalhos pela editora Vertigo e pela Marvel onde atuou como desenhista em “Vingadores ½” de 1999. Tendo até contribuído em 2005 para a arte de um conto de “Conan”.

Mas creio que nas artes gráficas sua maior “ousadia”, se é que dá para chamar assim foi em 2020, com o lançamento de um livro de arte erótica chamado “   The Big Tease: A Naughty and Nice Collection”.

Porém sem jamais se esquecer do universo que criou, e que com outros artistas talentosos trouxe para as telas de tevê de todo mundo.


Tão marcante que em 2019 mesmo mais de uma década após seu suposto fim, teve um spin off no longa-metragem “Liga da Justiça vs Os Cinco Fatais”, num roteiro que tirando um certo ar caricato de um ou outro vilão, é uma aula de como se trabalha o tema “viagem no tempo” de forma fluída e inteligente, deixando na poeira um certo longa-metragem live action de heróis que estreou quase na mesma época.


Sem falar no devido destaque e reconhecimento que dá a Jessica Cruz, uma das melhores personagens de quadrinhos criadas nos últimos trinta anos.

E não é que agora, em pleno 2021, a Warner veio a sinalizar com o retorno do Timmverse! Tá certo que a princípio algo nos quadrinhos, mas que já faz muita gente sonhar. 


E mesmo que pessoalmente considere um erro uma sequência do universo clássico, fora lógico, spin offs como o citado “Liga da Justiça vs Os Cinco Fatais”, não há como negar que qualidade dos trabalhos de Bruce W Timm e todos de sua equipe, sempre criarão expectativa por mais uma obra bem produzida, de roteiro ágil e inteligente, e que principalmente mantém viva uma arte que vem se esvaindo na avalanche de mediocridade que tem imperado na esmagadora maioria das animações atuais.

 

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Bruce Timm - O Último Defensor da Animação (parte 1)

 

Ao longo dos últimos anos a produção das tradicionais animações em 2D vem caindo progressivamente. Muito disto pelas “facilidades” de produção do processo 3D, mas também muito devido um público preguiçoso, que por consequência acaba “desobrigando” os estúdios a realizarem qualquer parcela mínima de qualidade, seja em roteiro ou qualquer um dos outros aspectos que compõe uma boa produção de animação.

E mesmo nas animações japonesas, é possível notar a espetacular avalanche de preguiça com traços de personagens – em geral sem nariz – e cacoetes narrativos vexatórios para vorazes consumidores de traquitanas bizarras.

Mas em meio a este bombardeio do mais do mesmo, e completo desleixo, um último defensor das animações de qualidade, discípulo de mestres cartunistas como Jack Kirby e Alex Toth, resiste... Bruce W Timm!


Nascido em 08 de fevereiro de 1961, Bruce Walter (pois é não é Wayne) Timm, cresceu sonhando se tornar um ilustrador da Marvel, enquanto “bebia” da fonte de mestres como os já citados Jack Birby e Alex Toth, além de John Buscema, Frank Frazetta e outros.

Na Filmation, Bruce Timm trabalhou em Blackstar...

Mas sua carreira acabou começando mesmo por volta de 1981, e ao contrário do que o jovem Timm sonhava, ou seja, as HQ’s, o destino já o enviou direto para mídia que o consagraria. Pois naquele ano consegue um emprego artista de layout na produtora Filmation, indo trabalhar nas séries “Blackstar” e “The Lone Ranger”.

...além de He-Man...


...e sua irmã, She-Ra

Sendo que em 1982, Bruce, como animador, dá uma escapadinha da Filmation, para integrar a produção do longa “A Ratinha Valente” (The Secreto of NIMH no original), retornando logo depois para fazer parte da equipe que criou “He-Man e os Mestres do Universo” e “She-Ra”. Até que em 1987 ele vai enfim trabalhar na Marvel.

Mas calma, não pense que nosso herói foi desenhar o Homem-Aranha ou o Quarteto Fantástico.

Já um profissional conhecido no meio da animação, Timm vai para a Marvel Productions, onde trabalha em novas versões para animações infantis clássicas como “Super Mouse” e “Beany&Cecil”. E aqui preciso lançar um adendo pessoal, pois considero esta breve fase na carreira de Bruce Timm um dos mais grotescos casos de subaproveitamento de talento que já soube neste meio, se formos levar em consideração o que tinha ajudado a realizar na Filmation.

De qualquer forma, hoje dá para se considerar que tudo que aconteceu até ali, nada mais foi que um rascunho para a arte final que estava prestes a chegar.

Tiny Toons marcou o começo de Bruce Timm na Warner

E eis que em 1989, Bruce vai para a subsidiária de animação da Warner Bros, trabalhar como roteirista e desenhista em “Tiny Toons”. Até que três anos depois, enfim promovido a produtor ganha carta branca para o projeto que cunharia seu nome como um dos maiores realizadores de animações de todos os tempos, e é obvio que refiro a “Batman A Série Animada”.

Batman A Série Animada...


...o começo do Timmverse.

Aliando-se aos produtores Eric Radomski e Alan Burnett (este último bem familiarizado com os personagens da DC Comics desde “Superamigos”).

Alan Burnett, Eric Radomski, Jean MacCurdy (presidente da Warner) e Bruce Timm


E chamando para o time Paul Dini, que já conhecia desde a época de “He-Man”, e com o qual acabou criando a Arlequina pouco depois, Bruce Timm “deu um sacode” por assim dizer, no marasmo que imperava nas animações de aventura feitas em solo estadunidense naquele momento.

Arlequina e seus criadores, Bruce Timm e Paul Dini

Bem, ficar aqui falando sobre “Batman A Série Animada”, seria chover no molhado, já que já dediquei um artigo em duas partes a ela.

Mas ainda que o traço de Timm na época pudesse ter recebido críticas daqueles que preferiam um caracter design mais realista digamos assim (e eu aqui me incluo). Seu estilo acabou sendo fundamental tanto para dar velocidade à produção das células de animação como para deixar os movimentos dos personagens mais “redondos” e agradáveis de assistir. Fora o estilo que colocou na arquitetura de Gotham City, que ainda que sofresse influência do live action do Batman de Timm Burton, logo ganhou entre o pessoal da produção o apelido de “dark decor”, uma brincadeira com “art decor”.

A Máscara do Fantasma...

E o que foi iniciado ali, foi se tornando com o passar dos anos um único universo compartilhado de várias séries de animação, que hoje é carinhosamente chamado pelos fãs de “DC Timmverse”.

...aquele que é considerado por muitos até hoje...


...o melhor longa-metragem do Batman.

Uma construção que já dentro de Batman TAS teve um capítulo todo especial no longa-metragem “A Máscara do Fantasma”, por muitos considerado, e talvez realmente seja, o melhor trabalho audiovisual realizado com o personagem até hoje.


Mas os planos de Bruce Timm e sua turma estavam bem longe de terminar e em 1996 chegava “Superman A Série Animada”. Nela, Bruce começou a colocar em prática seus planos de expansão que levaram inclusive a ruptura de parte da equipe que fazia “Batman TAS” como já descrevi aqui no blog.

Em Superman TAS, outros personagens surgem, como o Lanterna Verde

Nesta série, vemos o “Azulão” interagindo com outros personagens como o Flash/ Wally West, sua prima Supergirl e até o Lanterna Verde Kyle Rayner. E obvio, lógico, como não poderia deixar de ser com o Batman.

E lógico, temos o encontro entre "os melhores do mundo".

Sem falar em um arco com Darkseid que colocou em xeque qualquer tentativa posterior de trabalhar os personagens em outras mídias (risos).

Sem falar na coragem de fazer um tema de abertura que fugia da clássica obra de John Williams para o filme de 1978, e que mesmo não sendo assim tão épico, captou muito bem o espírito do personagem.

A Liga da Justiça

E não há como negar que a série de Kal-El, foi o que viabilizou a partir de 2001 a série da “Liga da Justiça”, mas antes houve o que já descrevi aqui como sendo o maior ato de ousadia de Bruce Timm, a série de um novo Batman.

Batman do Futuro

E assim como na série de Bruce Wayne lá em 1992, o “Batman do Futuro”, Terry McGinnis, tem seu ponto fora da curva num longa, “O Retorno do Coringa”. Tudo bem, sei que já falei bastante sobre o longa no artigo que já foi publicado aqui, mas não deixa de ser surpreendente, mesmo anos depois, nos darmos conta de como o talento de Timm, Paul Dini e toda a equipe foram capazes de dar mais uma vez um passo para fora da caixinha se formos pensar numa animação feita para tevê.

O visual original de Z.E.T.A em Batman do Futuro

Sem falar que foi responsável por gerar o spin off “Projeto Z.E.TA.”. E aqui é necessária a abertura de um pequeno parêntese, pois mesmo em séries que não tinham sua atuação direta, não houve nenhum tipo de pudor seu em fazer crossovers, já que o próprio Terry McGinnis retorna em um episodio de “Projeto Z.E.T.A.”.

E o que dizer sobre “Super-Choque”?

Super Choque encontra o Batman - Crossover entre as séries

A série do personagem criado nos quadrinhos da Milestone (depois adquirida pela DC) por Dwayne McDuffie, que mesmo não tendo nenhuma participação direta de Bruce Timm, acabou se inserindo em seu universo após crossovers entre o jovem herói e os membros da Liga da Justiça em ambas as séries, fazendo McDuffie se tornar depois um dos principais nomes da série da equipe de heróis.

É... A Liga da Justiça...Mais uma vez ela...


Mais sobre o grupo de heróis, como Bruce Timm amarrou todo seu universo, e principalmente, como mesmo depois do fim do chamado “Timmverse”, a sua obra se fortaleceu ainda mais, é algo que deixarei para a segunda parte desta incrível jornada de aventuras, e sobretudo de resistência... Até lá!

 

 

segunda-feira, 1 de março de 2021

Os 10 Melhores Filmes da Marvel

Esta lista foi pensada para seguir exatamente seu título.

Ou seja, listar os melhores filmes com personagens da editora Marvel, independentemente de quem sejam seus realizadores... Então, vamos lá!


10 – Quarteto Fantástico (2005) – Nunca, jamais, em momento algum, alguém me apresentou qualquer argumento minimamente sedimentado que justificasse as besteiras que foram ditas (e às vezes ainda são) sobre este filme. Seguindo a risca uma das facetas da proposta original da equipe nos quadrinhos, que era a de mostrar como seria a vida de super-heróis sem uma identidade secreta, tem todos os seus elementos extremamente bem dosados, e um elenco extremamente bem entrosado, com destaque lógico para Chris Evans bem antes de erguer o escudo de Capitão América.





09 – O Justiceiro (2004) – Sei que muitos gostariam de ver a versão protagonizada por Dolph Lundgren em 1989 nesta lista, mas infelizmente a película, justiça seja feita, se perdeu num enredo enrolado que misturava até a Yakusa, deixando o personagem apenas como mais um vigilante como outros tantos, sem fazer o espectador ter maior interesse por seu drama pessoal que gera sua transformação. Mas isto não acontece aqui, e Thomas Jane nos entrega a melhor versão da criação de Gerry Conway, num filme que flerta com diversos estilos diferentes como o “faroeste espaguete”, e que foi o último trabalho do veterano Roy Scheider.





08 – Blade:O Caçador de Vampiros (1998) – Muito do que passou a ser feito nos anos 2000 em termos de super-herói precisa ser creditado a este filme, que como quem não quer nada, marcou uma época em que filmes de super-heróis estavam numa espécie de limbo. Com devido destaque para Wesley Snipes que “comprou a ideia” do roteiro de David Goyer, aqui bem antes da consagração com a trilogia do Batman de Christopher Nolan, conseguindo gerar mais duas sequências.





07 – O Justiceiro:Dirty Laundry (2012) – Se você que está lendo ainda tem alguma dúvida sobre a afirmação que fiz no item 09 desta lista, sobre Thomas Jane ser a melhor personificação de Frank Castle, muito provavelmente é por que jamais assistiu este curta-metragem (Quem disse que a lista seria só de longas?). Uma iniciativa do capista do título da Marvel na época Tim Bradstreet e do próprio Thomas Jane que se uniram ao diretor Phil Janou. E de quebra ainda conta com a participação do nosso eterno Hellboy, Ron Pearlman. Fora a trilha incidental de Hans Zimmer.





06 – X-Men 2 (2003) – Muito pode se dizer e criticar na franquia dos mutantes enquanto de sua estada na Fox. Mas este filme é de longe, dentre os que levam o nome do grupo de heróis no título, o melhor de todos. O mais focado na trama e que não se perde em “pirotecnias vazias”.





05 – O Incrível Hulk (2008) – Sei que a exemplo do Justiceiro, algumas pessoas até que gostariam de ver aqui o Hulk dirigido por Ang Lee alguns anos antes, mas praticamente pelo mesmo motivo, ou seja, um roteiro que carece de objetividade, quem está aqui é o filme protagonizado por Edward Norton. Pensado para ser o segundo capítulo do chamado MCU, e ignorado solenemente por uma geração de ditos fãs, é disparado o longa que melhor mostrou o drama clássico do “médico e o monstro”, sem deixar de lado a ação empolgante. E que por questões meramente comerciais foi jogado no limbo, nos privando de uma possível trilogia, desejo de seu protagonista, que por causa disto foi substituído posteriormente pelo insosso David Banner/Hulk de Mark Rufallo.




04 – Homem Aranha (2002) – Nem vou ficar me estendendo muito em comentários sobre a primeira parte da trilogia dirigida por Sam Raimi, pois tudo que tenho para dizer está no artigo que escrevi sobre este filme que mostrou possibilidades até então impensadas para filmes do gênero.





03 – Capitão América 2:O Soldado Invernal (2014) – O melhor filme do MCU disparado. E um dos melhores filmes de espionagem de todos os tempos, para o qual já dediquei todo um artigo aqui no blog.




02 – Homem Aranha 2 (2004) – E se o no primeiro filme Sam Raimi já tinha acertado a mão, aqui atingiu um nível quase de perfeição, com destaque total para icônica cena do trem.





01 – Logan (2017) – Ponto fora da curva é o termo mais usado para descrever este filme espetacular que marcou a despedida de Hugh Jackman do papel que o consagrou. Também não vou me estender muito em comentários, pois tudo já foi dito no artigo que foi publicado aqui, mas ainda é preciso dizer apesar de ser em tese um filme “pesado” e de final triste, é capaz de fazer qualquer um ao terminar de assisti-lo se sentir incrivelmente bem.





 

 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Comboio - A Sessão da Tarde de Sam Peckinpah

Por mais de uma vez aqui no blog, relatei de como a década de 1970 foi disparada a de mais liberdade para os diretores de cinema norte-americanos, quando somado as mudanças sociais e a revolução de costumes, os estúdios que se sentiam ameaçados pelo avanço da televisão passaram a dar mais liberdade para que os diretores realizassem seus projetos.

Foi nesta época que diretores como Francis Ford Copolla, Steven Spielberg, Walter Hill, entre outros, despontaram no horizonte, mas dentre todos, talvez o mais ácido e controverso para aqueles tempos tenha sido Sam Peckinpah.

E através de filmes tensos como “Os Implacáveis”, “A Cruz de Ferro”, “Meu Ódio Será sua Herança” e “Sob Domínio do Medo” cunhou o apelido de “O Poeta da Violência”.


Mas eis que em 1978, Sam Peckinpah dirigiu aquele que é considerado uma espécie de “filme maldito” seu... “Comboio”.

Baseado numa canção country escrita por CW McCall, “Comboio” numa olhada mais descompromissada (como já li algumas vezes) pode parecer seguir a mesma linha de outro filme icônico da mesma época, “Agarre-me Se Puderes” (1977), mas ao contrário do filme protagonizado por Burt Reynolds que era uma comédia descarada e inverossímil, aqui ainda que fazendo um filme mais light, Peckinpah não deixou de deixar sua assinatura.

 

Na estória, um caminhoneiro chamado Martin Penwald (Kris Kristofferson), e que tinha o apelido de Pato de Borracha, possuía uma velha rixa com um policial corrupto chamado Lyle Wallace (Ernest Borgnine), com o qual logo de cara fica clara uma relação ambígua, já que ambos se conheciam de longa data, e se consideravam uma espécie de “últimos de uma geração”.

E ao ser parado com mais dois outros caminhoneiros, Mike Aranha (Franklin Ajaiye) e Máquina do Amor (Burt Young, o eterno cunhado de Rocky Balboa) ou Pig Pen como foi “rebatizado” devido à “carga viva” que carregava, são extorquidos por Lyle, iniciando um jogo de gato e rato que toma proporções impensadas.

Lyle provoca Mike Aranha - O momento que precede a desgraça

Já que Lyle os segue até um restaurante no meio da estrada. E lá após ameaçar prender Mike Aranha, e fazer um questionamento sobre quem seria o pai da criança que a esposa do caminhoneiro esperava, tem início um briga generalizada entre os caminhoneiros que estavam no local e os policiais, e na qual até Melissa (Ali McGraw) uma fotógrafa que já tinha se “encontrado” com Pato de Borracha logo no começo do filme se envolve, e que acaba embarcando em seu caminhão.

E o que se tem a partir daí é um dos melhores roadie movies de todos os tempos, com perseguições alucinantes, enquanto que o comboio vai aos poucos através do boca-a-boca via rádio, ganhando mais adesões.

Sanduíche de carro patrulha

E a partir daqui Sam Peckinpah começa a deixar sua marca.

Pois com um bom roteiro, que não perde o foco da aventura, o diretor vai costurando uma trama, em que o imenso comboio e seu líder - ainda que Pato rejeite o título – se tornam famosos, ganhando apoio popular e aparecendo na mídia, atraindo obviamente o interesse de políticos que passam a tentar se aproveitar dos caminhoneiros querendo associar sua imagem a deles.

As ações do comboio chamam a atenção da mídia

Contudo, mesmo com os holofotes da mídia sobre os caminhoneiros, Lyle não altera seus planos, que ali já tinham ser transformado numa espécie de vendetta pessoal contra Pato de Borracha.

Mas como atingir o agora “blindado” pela mídia líder não declarado do comboio?

Bem, no meio do caminho Mike Aranha recebe a notícia que a esposa estava prestes a dar a luz, e por isto deixa a “segurança” do comboio e parte em direção de casa. Porém, no meio do caminho é capturado, por outro xerife aliado de Lyle, que não poupa esforços para tornar a estada do caminhoneiro ali um inferno, espancando-o brutalmente por conta própria.

E lógico que via rádio a notícia chega ao acampamento dos caminhoneiros, e aos ouvidos de Pato de Borracha, que mesmo sabendo que aquilo era mais que uma provocação, era uma armadilha, deixa Pig Pen no comando das negociações com os políticos, briga com Melissa e vai em ajuda ao amigo.

Até aí o plano de Lyle parecia perfeito, pois o xerife acreditava que Pato de Borracha iria sozinho. Pois é, mas esqueceu de combinar isto com o restante dos caminhoneiros.


E temos aí a sequência mais “Agarre-me Se Puderes” do filme, quando os caminhoneiros invadem a pequena cidade e caçam os policiais por suas ruas, numa daquelas cenas que colocam um sorriso de satisfação no rosto de qualquer um.

E aqui preciso abrir um parêntese para resolução desta sequência quando Mike Aranha é libertado e surge na frente dos amigos todo machucado, porém, sem o menor sentimento revanchista, isenta Lyle de culpa na surra que levou.

Lyle no duelo final contra Pato de Borracha

Levando-nos então para sua crucial sequência “quase final”, quando temos o duelo quase ao estilo faroeste entre Lyle e Pato de Borracha.

E é nisto, neste tipo de mescla, que reside o maior mérito de “Comboio”, intercalando com sabedoria e na dose exata, cenas mais densas e dramáticas, com outras de ação que beiram a comédia.

Melissa e Pato de Borracha - Química perfeita.

Fora a ótima química entre o casal de protagonistas que já haviam trabalhado com o diretor antes. Kris em “Meu Ódio Será Sua Herança” e Ali em “Os Implacáveis”.

Sam Peckinpah até faz uma ponta como operador de áudio

E que tem até um cameo do próprio diretor como operador de áudio da tevê.

Coisa que fez a grande massa das críticas na época bombardear o filme e seu diretor, soltando frases absurdas de que Peckinpah tinha “perdido a mão”, que teria realizado o filme apenas para “fazer caixa”, ou ainda pior, apelando para aspectos pessoais de sua vida como o alcoolismo e uso de drogas.

Sam Peckinpah

É certo que “Comboio” pode até não ser o filme mais lembrado de Sam Peckinpah, mas ao revisitar sua filmografia, fica claro o quanto este, é uma declaração do diretor as liberdades individuais, o sentimento de irmandade e mais que qualquer outro, bem no espírito daquela época, uma crítica ao sistema em que vivemos.

Servindo-nos com maestria uma receita que vários outros filmes, e até franquias inteiras, tentaram replicar, mas que vai muito além de estereótipos de anti-heróis e um sistema injusto, pois estes são ausentes da alma que fez “Comboio” ser legitimado no seleto hall dos melhores filmes antissistema de todos os tempos.

 

 

 

 

 

 

 

Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...