quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Caverna do Dragão - Mitos, absurdos e a verdade

 

Se existe uma animação que ultrapassou a barreira geracional, e tomou ares de lenda urbana, esta animação é Caverna do Dragão!

Ainda que historicamente Jonny Quest ou Patrulha Estelar, sempre tenham maior relevância, a saga dos garotos que ao entrarem num “carrinho” de parque de diversões são transportados para um mundo fantástico, sempre esteve envolta numa neblina de especulações, das mais simples até as mais bizarras.

Primeiramente quero deixar bem claro que este artigo não se propõe esmiuçar todas as três temporadas da série, apenas – após muita pesquisa – encerrar (assim espero), como um monte de teorias (muitas vezes convenientes) e blá blá blá vazio, que persistem mesmo após a realização por parte de fãs do episódio final escrito por Michael Reaves.

Acredito que você que esteja lendo este artigo já tenha se deparado principalmente em redes sociais com as teorias malignas sobre a série, que diziam entre tantos absurdos, coisas como o Mestre dos Magos ser o verdadeiro vilão ou até que a Uni a unicórnio seria um demônio que sempre impediria os garotos de retornarem para casa.

Isto sem falar na melhor, mais risível e preguiçosa de todas. A teoria de que os garotos estavam todos mortos, e que aquele mundo seria o inferno. Teoria aliás que veio a reboque (ou ao menos ganhou força), após ter sido usada para justificar por parte do público a lambança do seriado Lost.

É obvio que Caverna do Dragão foi um pequeno ponto fora da curva, principalmente para seu tempo, e que alguns episódios podem de fato (e até propositalmente) suscitar gossips, mas da mesma forma deixa claro em várias situações que as lendas urbanas não se justificam. Pelo menos em sua maioria (risos).

Primeiro o mais básico, e que até já li artigos que contestam. A volta para casa! Sim os garotos em algum momento voltam para casa, e isto é absolutamente explicitado em ao menos dois episódios.

Em “O Sonho”, cujo título original é “A Garota que Sonhava o Amanhã”, após encontrarem um carrinho idêntico aquele que os trouxe para aquele mundo, os jovens conhecem uma garota chamada Teri.


     Descobrem então que esta menina era uma clarividente e que tudo que ela sonhava acabava se tornando real. E partem numa jornada para enviar a garota de volta. Quase no final do episódio, Teri conta a Bob sobre um último sonho que teve, no qual eles se encontravam aqui no nosso mundo, antes voltar. Deixando claro, ainda que de forma implícita, devido a edição, que um dia todos voltarão.

Outro caso, e este é ainda mais elucidativo, é “A Cidade à Margem da Meia-Noite”. Aliando-se ao Rei Rahmud (que eles não faziam ideia ser um rei), os garotos procuram a tal cidade, onde crianças, tanto do Reino quanto da Terra, estão sendo mantidas como escravas. No final da batalha, os garotos encontram um colega de escola chamado Jimmy Withaker. E ao reconhecerem o menino, imploram a ele que avise seus pais que estão perdidos no Reino.

Contudo a reposta do pequeno Jimmy vem em forma de deboche dizendo: “Vocês estão malucos? Hoje é noite de domingo! Vocês foram ao parque de diversões e eu não pude porque tinha dever de casa. Isto é apenas um sonho. Vejo vocês amanhã na escola.”. E retorna ao nosso mundo.

Mas por que este episódio é elucidativo?

Pois se formos pensar que em outro episódio chamado “Apagando-se o Tempo”, no qual os garotos encontram um piloto alemão da época da 2ª Guerra Mundial, que cai no Reino a bordo de seu avião Stuka, fica claro para olhos mais atentos que aquele mundo era ou vivia uma espécie de hiato temporal, independente da linha do tempo e espaço de nosso mundo.

Portanto, não importava quanto tempo os jovens passassem no Reino, sempre poderiam (em tese, lógico) retornar para casa, sem prejuízo qualquer em suas vidas.

Mas então por que eles não arranjavam um modo de voltar?

Isto sempre esteve absolutamente claro! Eles tinham uma missão a cumprir ali. A missão de redimir o Vingador.

E aí entramos em alguns pontos interessantes, como a desatenção de boa parte do público, desatenção de parte também dos realizadores da série, e de uma certa forma a confirmação de teorias populares.

Na parte de desatenção do público, não precisamos nos aprofundar muito, creio eu, pois tudo que foi explanado nos parágrafos anteriores já dá uma ótima noção disto.

Contudo ainda posso citar aquele que talvez seja o episódio mais icônico da animação, “ O Cemitério dos Dragões”. Aquele no qual após terem sua volta para casa frustrada pelo Vingador, que no processo ainda deixa Uni ferida despertando um ódio visceral em Bob, faz a frustação do grupo chegar num ponto me que confrontam o Mestre dos Magos, interrogando de que modo poderiam de fato vencer o seu inimigo.

Aqui escancara-se a inteligência do que podemos chamar de plot principal da animação, pois a jornada dos garotos, com seus erros, frustações, imperfeições e até tentações, assim como a superação deles, era o que nos planos do Mestre dos Magos, mostraria ao Vingador, que no passado tinha sido bom, o quanto o caminho que decidiu trilhar estava errado.

Nem todas as teorias sobre o Mestre dos Magos estavam erradas?

E também escancara que nem todas as teorias populares estavam assim tão erradas, afinal vamos aqui entre nós concordar, que em nada de acidental teve a ida dos garotos para aquele mundo pelo jeito. E todo aquele glossário de provações pelos quais passaram era apenas um plano do Mestre dos Magos, que através do sacrifício deles queria trazer de volta seu antigo discípulo, numa dualidade das mais bizarras, no qual os fins de acordo com a mente de seu realizador, justificariam plenamente os meios.

Mas ainda há a relativa falta de atenção, ou talvez coordenação dos realizadores da série. Pois mesmo antes de “Requiem’’, o famigerado episódio final ver a luz do dia, em “O Cemitério dos Dragões” o Mestre dos Magos chama o Vingador de filho.

Contudo, mesmo que Michael Reaves já tenha dado declarações que gostava desta ideia da ligação paternal entre os personagens, sempre considerei apenas a expressão filho como um tratamento afetuoso. Algo que se reforça se pararmos para pensar no episódio “A Cidadela das Sombras”, no qual somos apresentados a irmã do Vingador, que ao contrário do protagonista mono-chifre da animação, é ruim na raiz.

Ou seja, se o Mestre fosse pai do Vingador, seria pai da moça também? Aí, na opinião deste humilde escriba, seria forçar demais a boa vontade.

Mas então por que cargas d’água, uma animação tão inteligente e bem realizada e que dava retorno financeiro, acabou sendo encerrada de uma hora para outra, sem um final ou gancho para uma possível nova temporada?

Aí vem a história por trás da história. Algo bem além de justificativas padrão, como “baixa audiência’ ou “baixa venda de produtos licenciados”, como chegou até a ser divulgado em extras de um box com todos os episódios que saiu em 2006.

Como todos estão cansados de saber a animação cujo título original é “Dungeons & Dragons” em alusão ao jogo de tabuleiro criado por um cara chamado Gary Gygax, que junto com um conhecido chamado Don Kane criou uma empresa chamada TSR, sigla para Tatical Studios Rules para justamente promover o tal jogo.

Porém, como diria o velho ditado: Money que é good nós não have.

Da esq p/ dir: Gygax, Blume e Kane

E os dois precisaram se unir a um cara chamado Brian L. Blume, que seria o “sócio da grana”. Contudo, porém, entretanto e, todavia, no meio do caminho Don Kane morre. E para evitar problemas com a esposa de Don que seria a dona natural de sua porcentagem na empresa, Blume convence Gygax a fechar antiga TSR, e vejam só, abrir uma nova, que se chamaria TSR Inc.

Uma nova TSR que em 1981 passou a ter novas pretensões, como licenciar produtos além dos livros, dados e bonequinhos do jogo. E entre as novas pretensões estava a de vender a ideia para fins de realização obras como filmes e seriados.

E no colo de quem esta missão foi parar?

Justamente no colo de Gygax que ralou mais que esmeril, até que enfim o canal CBS comprou a ideia, e aliando-se a divisão de animação da Marvel e a japonesa TOEI Animation.

Só que no fim das contas, TOEI, Marvel e CBS eram apenas as “viabilizadoras” digamos assim do projeto, pois a dona da coisa toda permanecia sendo a TSR.

E tudo ia aparentemente muito bem, até que Gary Gygax começa a escutar boatos de que Blume queria vender a empresa. Algo que nem uma criança de seis anos aceitaria, afinal a empresa entre produtos próprios e licenciamentos da franquia de animação estaria lucrando muito.

O que faz nosso destemido Gary pegar um avião e viajar até o outro extremo dos Estados Unidos para tirar satisfação com Blume. E foi aí que Gygax descobriu um rombo milionário na empresa, com fortes indícios, como por exemplo a compra de setenta carros, de que Blume encabeçava o desfalque nos cofres da TSR Inc.

Gary Gygax

Tentando então salvar a empresa que já acumulava dívidas da ordem de mais de um milhão de dólares, Gary vai até o conselho da empresa e com “muito tato”, pede o afastamento de todos os supostos envolvidos.

Mas como diria o Capitão Nascimento: O sistema é f****!

E em retaliação o mesmo conselho vende as ações de Gygax para uma senhora chamada Lorraine Williams que queria dar rumos bem diferentes para a empresa.

Gary Gygax até entrou na justiça para anular a venda, mas perdeu. E ainda que pudesse recorrer à uma instância superior, a verdade foi que nosso herói estava quebrado financeiramente. E os advogados ao pedir mais dinheiro para aquela nova contenda judicial jogaram a derradeira “pá de cal” sobre a pretensões de Gary, que ficou nervoso demais (para usar um termo educado) e resolveu abandonar a TSR Inc indo tentar criar outra empresa.

E por que contei toda esta epopeia? Esta, quase obra de Cervantes?

É por que coincidentemente tudo isto ocorreu na mesma época que supostamente Caverna do Dragão passou a ter baixas audiências. A mesma época em que a CBS encomendou para Michael Reaves um episódio especial que fosse escrito de forma que pudesse funcionar tanto como um ponto final para saga, como um gancho para uma quarta temporada.

Ou seja, para se livrarem de serem arroladas num possível processo, CBS, Marvel e TOEI decretaram o fim de Caverna do Dragão sem o famigerado “capitulo final”, isto sem saber que Gygax já tinha até “jogado tudo para o ar”.

Então é isto. Caverna do Dragão não foi vítima de baixa audiência como versões “oficiais” alegaram por anos, e muito menos por pressão de entidades religiosas que pensavam haver algo de maligno na animação.

Ah! E antes de terminar este texto, já imaginando que alguém possa comentar algo sobre o cavalo do Vingador que não voava, já vou logo dizendo que voava sim, pois era da mesma espécie do Cavalo de Fogo (Wildfire no original).

Ou vão dizer que não perceberam a semelhança? (risos)



 

 

 

 

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Os 10 Melhores Filmes de Richard Donner

 

No último dia cinco, fez um ano que o mundo das artes perdia um dos diretores de cinema mais importantes e versáteis de todos os tempos, Richard Donner.

Como já dediquei, ainda em 2018, um artigo inteiro aqui no blog sobre ele (Richard Donner e a trilha da aventura), e foi realizado um vídeo para o canal do blog no YouTube (O Legado Donner), não vou aqui justificar o porquê de cada um dos filmes citados estar aqui, e nem sua posição nesta lista.

Apenas convido vocês a mergulhar no mundo da criatividade e talento deste mestre da sétima arte...

Os 10 Melhores Filmes de Richard Donner!


10 – Avião Foguete X-15



09 – Maverick




08 – Radio Flyer




07 – Superman II



06 – 16 Quadras



05 – Máquina Mortífera




04 – Os Gonnies



03 – A Profecia



02 – LadyHawke - O Feitiço de Áquila



01 – Superman - O Filme








sábado, 11 de junho de 2022

Mulher Maravilha & Conan - O encontro de dois mundos

 

Se existe algo que comumente acaba descambando para um verdadeiro “barata voa” na história dos quadrinhos são os famigerados crossovers.

Não que tais eventos não sejam legais e por vezes proporcionem aos fãs o encontro de personagens que todos, ou a maioria, sonhou.

O problema é que para promoverem tais encontros, em geral as editoras, e algumas vezes os artistas também, jogam para o alto qualquer resquício mínimo de encaixe das peças do quebra-cabeças.

Mas em 2017, uma ideia aparentemente maluca ganhou a luz do dia.

Unir numa saga, Diana a Princesa de Themyscira, e Conan da Ciméria!

Escrita por Gail Simone e ilustrada por Aaron Lopresti, aproveitando a estada do bárbaro na editora Dark Horse, nossa estória tem início focando uma época pouco, ou nada, explorada da vida do cimério, sua infância.

Mais precisamente, seus doze anos, quando um Conan prestes a entrar na adolescência vai com seu pai para o encontro das tribos, e lá conhece uma garota chamada Yanna (sonoridade familiar, não é?), que coincidentemente vinha de uma tribo comandada por mulheres.

E é lógico que o plot da amizade que se transforma no primeiro amor é explorado. Algo que pode até desagradar uma parte mais rasa do público, mas é muito legal ver esta fase da vida de Conan ser um pouco explorada, algo que nem seu criador Robert Howard, ou seu grande desenvolvedor, Roy Thomas chegaram a explorar.

Lembrando que pela mitologia do personagem, ele só iniciou sua vida de aventuras a partir dos dezessete para dezoito anos.

E que as versões cinematográficas do cimério em nada tem a ver com seu começo de vida como descrita originalmente seja nos pulp fictions ou HQ's, e muitas vezes pouco a ver com sua personalidade como descrito originalmente, seja nos pulps de Howard, ou nos roteiros de quadrinhos de Thomas. Portanto, esqueçam aquela frase infeliz do clássico filme dirigido por John Milius, pois tal bravata historicamente é atribuída a Genghis Kan.

E lembre-se que Conan sobre tudo era um “produto” de sua época (ainda que fictícia), e que mesmo nos contos originais, era um ser que apesar de lutar com imensa brutalidade e ter seu senso autopreservação como regra primária, não era totalmente desprovido de compaixão e que por vezes demonstrou um ódio profundo pela injustiça, em especial se cometida em prol de alguma divindade ou entidade sobrenatural de qualquer espécie.

Explicado isto, temos um salto no tempo, e vemos o cimério encontrando em seu caminho um aquilônio chamado Kian, que estava prestes a ter a língua queimada por três grandalhões, e que pede auxílio ao cimério, que a princípio ia deixar o sujeito lá com seus algozes pela raiva que nutria pelos aquilônios, mas que diante de uma oferta de recompensa, “compra a briga”, salvando o homenzinho de seu trágico fim.

Só que o tal Kian, não tinha nada naquele momento para entregar ao seu salvador como recompensa, mas o leva a cidade mais próxima, Shamar, na qual disse ter feito uma aposta na arena de gladiadores, e que venceria, dando a Conan os proventos de desta aposta.

E é lá, que Conan se surpreende, ao se deparar com a grande atração das disputas de gladiadores. Uma mulher, que de imediato faz o bárbaro pensar estar de frente com sua primeira paixão.

Uma mulher que lutava com vários homens ao mesmo tempo, e os vencia. Lógico que era nossa querida Mulher-Maravilha. Mas na mente de Conan não havia dúvida, estava frente de Yanna.

E neste ponto não há como negar que o roteiro é muito habilidoso, fazendo até mesmo o leitor, ainda que por um fugaz momento achar que Diana e a tal Yanna pudessem ser de alguma forma a mesma pessoa.

E obvio que o cimério não iria ficar de braços cruzados, e com a ajuda de um garoto local com quem faz amizade após salvá-lo de uma surra, consegue entrar nas masmorras onde eram mantidos os gladiadores, e encontra com a mulher que o fascinou na arena.

Só que ela se encontrava absolutamente desmemoriada, sem saber ao certo quem era, e como alegria de cimério dura pouco, são descobertos por Dellos, o mercador de escravos, e colocados para lutar um contra o outro.

Aí você que ainda não leu esta HQ pode estar pensando que o cimério vai “para as cucuias” na mão da Mulher Maravilha, certo?

O problema é que além de desmemoriada, a amazona não estava possuidora de todos seus poderes, e a luta ocorre em patamares equivalentes, com a vitória do bárbaro que ao se negar a executar a mulher enfurece Dellos, que os vende para um navio de piratas, enquanto que somos de fato apresentados as verdadeiras ameaças de nossa estória, as Corvídeas.

Entidades malignas irmãs, que se divertiam colocando homens para lutar até a morte, para depois se alimentarem de seus corpos. As responsáveis por Diana ter ido parar na época de Conan.

Mas não é preciso ser vidente para saber que Conan e Diana conseguem fugir do julgo dos piratas, enquanto vão se conhecendo a longo do caminho, em meio a uma e outra briga, enquanto o clima de romance só aumenta, até que são confrontados pelas Corvídeas que querem obriga-los a lutar até a morte.

Mas como era de se esperar, nossos heróis se negam.

E como ameaça pouca é bobagem, as irmãs corvo, dizem que matariam todos na cidade se não o fizessem. E apelando mais ainda apresentam a Diana, cinco amazonas que haviam sido enviadas para resgatá-la, e por fim a apelação final, Yanna!

Sim! A primeira paixão de Conan estava vivinha, e vê-la sob ameaça é demais para a cabeça do bárbaro que parte para cima da Mulher Maravilha, mas que aqui não apenas tinha recuperado parte de suas lembranças como parte de sua força.

Só que as vilãs cometem o velho e clássico erro do excesso de autoconfiança, e esquecem que dar as costas para qualquer amazona não era um ato muito inteligente. Permitindo assim que as “irmãs” de Diana se libertem, e ajudem a princesa.

Contudo, as Corvídeas se evadem, prometendo destruir Shamar e levando consigo Yanna, para desespero de Conan. E a coisa só piora para o cimério, pois as amazonas precisavam retornar ao seu tempo, levando consigo Diana logicamente, mas que não vai embora sem antes deixar um “presentinho” para o amigo, o laço de Héstia.

Bem, não preciso aqui, creio eu, ser muito detalhista no que vem depois disto, não é? Conan, sendo Conan!

Ceifando membros como se cortasse grama, noite após noite, caçando as legiões das trevas das Corvídeas que sabiam que o cimério ia até Shamar resgatar Yanna.

Até que as portas da cidade, Conan lança um desafio para as irmãs malignas. Ele contra seu mais poderoso guerreiro, numa luta sem espadas, numa aposta pela vida dos habitantes de Shamar, e de Yanna. Tentação que as Corvídeas não resistem.

Gail Simone e seu casal de protagonistas

Aqui eu preciso abrir um parêntese para dizer que por mais que pudesse ser previsível tudo que passa a acontecer na estória a partir daqui, não há como negar que o roteiro de Gail Simone é empolgante em seu “ponto de virada”, que a partir daqui vai num crescente absurdo. E acredite, nada do que já descrevi e irei descrever neste texto, tirará seu prazer em ler esta HQ.

Conan usando do laço de Héstia, vence o duelo, para histeria das Corvídeas que ficam bradando que o cimério tinha trapaceado, enquanto que na cidade um arrependido Kian (sim, ele mesmo, o baixinho que Conan salvou) ajuda a libertar os gladiadores, ao mesmo tempo em que as tropas das trevas entram na cidade, mas tem uma pequena supressa.

Pois logo que os portões de Shamar são derrubados, quem os esperava era nada menos que Diana com as outras amazonas que haviam ido antes lhe salvar, e como uma verdadeira general, a Mulher Maravilha comanda suas irmãs, logo tendo ajuda dos gladiadores e demais cidadãos da cidade, e lógico nosso querido cimério.

E aqui preciso ressaltar que apesar de volte e meia Gail Simone ser rotulada por uma parcela de ditos fãs como ícone feminista de forma pejorativa, seu texto é perfeito ao descrever o que ocorre naquela noite, quando amazonas, bárbaros, gladiadores, homens e mulheres comuns lutaram juntos contra a tirania de seres que se consideravam superiores, na síntese do que pode ser considerada uma estória de heróis.

Bem na contramão de algumas tendências bizarras e de mal gosto que vem permeando os quadrinhos para satisfazer parcelas cínicas de público.

Ah sim! Lógico que nossos heróis vão triunfar, ainda que para Conan alguns de seus sonhos fiquem pelo caminho. Como eu disse, alegria de cimério dura pouco.

Só que como nem tudo é perfeito, apesar da estória ter me deixado bastante satisfeito, principalmente pelo respeito com que Conan foi tratado, não há como negar que sua última cena é onde a coisa derrapa e capota. Não exatamente por mostrar Diana numa cafeteria nos dias atuais encontrando com a possível reencarnação do cimério.

Mas porque resolveram colocá-lo vestindo um terno e gravata de liquidação, num bisonho simulacro de Clark Kent, quando numa visão absolutamente pessoal, creio que seu visual ficaria bem mais apropriado se usando uma jaqueta de couro e uma camisa de alguma banda de heavy-metal.

Considerações fashionistas a parte, este é apenas uma falha mínima, num dos poucos casos de crossovers do gênero que funcionaram perfeitamente, e que agregaram a mitologia de seus personagens sem os descaracterizar para isto, e que bem que poderia ter sido editada aqui em nossas terras de maneira oficial.



 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 10 de maio de 2022

Patrulha Estelar - Space Battleship Yamato 2205

 

Depois de algumas idas e vindas geradas pela pandemia, enfim chega até todos nós, Space Battleship Yamato 2205.

O terceiro dos remakes do Encouraçado Espacial Yamato, tão bem conhecido aqui em Terra Brasilis como Patrulha Estelar.

E aqui estou mais uma vez tentando resumir e resenhar esta que se pretende ser a primeira parte do que sempre chamamos de “A Saga dos Golbas”.

Bem no espírito destes remakes, logo de cara (para quem está acostumado com a saga clássica) vemos que elementos que em tese só seriam mostrados mais para frente na continuidade da saga já são inseridos aqui.

Alguns estabelecendo ótimos retcons, como no caso de como o império Galman-Gamilon se forma, e que nos brinda com Deslock pela primeira vez sendo Deslock (se você é fã da saga, sabe do que estou falando), libertando os galmans das garras da Federação Polar/Bolar do qual temos apenas um rápido vislumbre.

Assim como toda uma mitologia criada para explicar a criação e ligação entre Iscandar e Gamilon.

Sem falar na explicação para Iscandar não ter uma população como em Gamilon. Aliás, explicação que tem uma parte que deve ter feito Richard Donner lá do céu, abrir um sorriso de orelha a orelha.

Outros pontos, porém, apenas só servem para gerar um hype vazio que não se justifica, como no caso de terem trazido lá de “A Crise do Sol”, Ryusuke Domon, lhe dando uma suposta razão para odiar Derek Wildstar/Sussumu Kodai, mas que começa a ruir logo no começo, quando temos pela primeira vez nestes remakes Wildstar sendo Wildstar.

Estes três últimos parágrafos talvez então possam te dar, como eu tive ao assistir, a impressão que esta nova versão para o longa-metragem “A Nova Viagem” possa ter recuperado o espírito que fez da saga da Patrulha Estelar algo diferenciado de seus congêneres.

E ainda que, no que diz respeito aos retcons, esta nova animação se mostre superior ao confuso, para não dizer desastroso, ”Yamato 2202”, a falta de noção de quando parar, acaba colocando novamente a “carroça na frente dos bois”.

Exemplo?

Bem, na saga clássica a motivação para os golbas, que aqui mudaram de nome e são chamados de dezarians (não me perguntem por que), estavam minerando o que havia sobrado de Gamilon, pois o planeta tinha minérios que serviam de combustível para suas naves. Tudo simples e objetivo.

Mas aqui mais uma vez temos uma subtrama meio confusa, na qual os golbas (Não vou chamar de “dezarians” de jeito nenhum), parecem temer a energia de ondas da qual Iscandar é sua matriz. Algo que até existe na saga original, mas que só vai ser mencionado no longa seguinte “Para Sempre Yamato”.

Ou seja, atropelaram a narrativa mais uma vez.

Não que tudo numa adaptação tenha que ser igual a obra original, lógico que não. Mas tem coisas que simplesmente só servem para quebrar o clima, e gerar o anticlímax.

Anticlímax que se reflete em pontos chaves como na sequência em que a frota comandada pelo Yamato chega para ajudar Deslock na retirada dos últimos habitantes de Gamilon.

E sim, eu disse frota, pois aqui em mais uma mirabolante e desnecessária invencionice do roteiro, resolveram separar os principais protagonistas, dando a Sandor/Sanada e Lola/Yuki, o comando de duas outras naves.

Além de diminuir drasticamente a participação de outros personagens como Venture/Shima (que não ganhou promoção), o Dr.Sam e nosso querido IQ-9, que é substituído pela presença de três outros robôs do  mesmo modelo na ponte da nave de Sandor, a Hyuga, mas que só estão lá para vias de “penduricalho visual”.

E nem vou citar o arco final, que está anos luz de distância de causar o mesmo impacto do original, já que as intenções de Starsha são explanadas durante o decorrer da aventura, para só após uma ação de resgate da tripulação do Yamato, acabar se concretizando.

Durante quase todo decorrer de “2205” são citadas, como recortes em meio a trama, questões referentes ao contínuo do tempo pelos golbas (não vou chamar de dezarians mesmo!), algo que obvio é um gatilho para o futuro da trama, mas que não deixa de colocar uma “pulga atrás da orelha”.

Isto por duas questões.

A primeira é que em “2202” já tivemos a péssima ideia do lapso temporal no centro da Terra.

E segundo que ao que tudo indica teremos o tema “viagem do tempo” no próximo remake. O que não seria nada demais, se na saga original os golbas, numa sacada de roteiro genial, já tivessem usado este plot como artífice para enganar a tripulação do Yamato.

Mas ao que parece no futuro remake, que atenderá pelo nome de “3199 Rebel” esta questão não será apenas um mero artífice. Como já deixa praticamente explícito a cena pós-créditos no fim do último dos oito episódios.

E aí vem a grande pergunta.

Rebel 3199 - Anunciado como o último dos atuais remakes

Como o futuro “Space Battleship Yamato 3199 - Rebel” fará para equacionar, viagem no tempo, os golbas (nada de dezarians) e até uma possível presença da Federação Polar, já que este já foi anunciado como sendo o último dos atuais remakes?

Então como saldo positivo de “Yamato 2205”, acredito que podemos tirar um Deslock mais próximo, ainda que tardiamente, daquilo que nos acostumamos a ver; algumas explicações bacanas, ainda que nem sempre tão necessárias; e a pouca duração deste remake, que não deu tempo para aquela espiral de “filosofia de divã” de “2202”, ainda que tenham tentado colocá-la aqui.

Na atual conjuntura das animações nipônicas, em sua maioria repletas de personagens rasos e bizarros, cheias dos piores cacoetes narrativos possíveis, não se pode negar que a nova versão das aventuras do Encouraçado Espacial Yamato não seja uma boa exceção.

Mas que ainda patina na tentativa de replicar elementos fundamentais de sua mitologia, enquanto tenta se distanciar por vezes da mesma.



Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...