quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Pacificador - O Absurdo Teatro Rock n' Roll de James Gunn

 

Se tem uma coisa que desde seu começo, pelas mais diversas razões nunca chegou a se concretizar foi o assim chamado “Universo Estendido” da DC nos cinemas.

Que com as honrosas exceções do primeiro filme da Mulher Maravilha e do filme do Aquaman, nunca de fato se formatou nos moldes supostamente esperados.

Num festival de momentos que sempre oscilaram entre o absurdo e o vexatório, nos quais por mais de uma vez Lois Lane chama o Superman de Clark na frente de estranhos, ou o próprio Bruce Wayne que nem se importa com o monte de gente a sua volta na vila em que encontra o Aquaman. Ou seja, identidade secreta, segredo, preocupação com a segurança de terceiros virou uma lembrança distante.

Sem falar na morte de Clark Kent, e seu velório de caixão aberto e presença até de Perry White, mas que após da ressureição de Clark, nem é mencionado, como se nada houvesse acontecido.

E nem vou mencionar algumas das mais medíocres versões que alguns dos mais icônicos vilões da história acabaram tendo, senão nem entro no assunto principal deste artigo.

Resumindo, um completo cenário de caos, no qual a dupla Warner e DC começou a atirar para todos os lados, como que admitindo a “festa da goiaba” que este suposto universo se tornou.

Mas eis que em meio a este festival de pirotecnia sem conteúdo, meio mundo se surpreendeu quando foi anunciado que James Gunn, famoso pelos filmes dos “Guardiões da Galáxia” na Marvel Studios, ia vestir a camisa da concorrência para fazer um filme do “Esquadrão Suicida”.

Um filme que ninguém. Mas ninguém mesmo! Sabia se classificava como remake, sequência, ou seja lá o que for, do famigerado filme dirigido por David Ayer em 2016.

Aqui eu preciso abrir um parêntese nesta narrativa para deixar bem claro, límpido e cristalino, que nunca fui admirador do trabalho de James Gunn. E isto não é de hoje. Pois desde seu bizarro (para não dizer horroroso) roteiro para o filme do Scooby Doo, e seu final no mínimo ridículo (para ser minimamente educado) o estilo de Gunn sempre esteve anos luz de qualquer coisa que possa, ao menos na opinião deste escriba ser considerado um lampejo de talento, mas que logicamente sempre encontrou seguidores nestes tempos de “tenho pressa, tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim”.

Só que aí de sua forma peculiar pensar, Gunn parece ter visto o cenário a sua frente, e recebendo carta-branca, brindou o mundo com um filme absolutamente tresloucado, cheio de violência gráfica exagerada, que em nenhum momento parece de fato se levar plenamente a sério.

Bastidores de "O Esquadrão Suicida"

Porque a impressão nítida que se tem, é de que James Gunn viu aquele amontoado de erros feitos nos filmes anteriores, e decidiu mergulhar de cabeça na bagunça, assumindo-a, e transformando-a num teatro do absurdo, sabiamente usando para isto personagens de terceiro, quarto ou até quinto escalão da DC Comics, enquanto brinca com o exagero e o visual caricato dos personagens.

E bingo! Funcionou!

E se a coisa funcionou, por que não expandir?

Chegamos então aqui a razão deste texto para o qual precisei tecer todas estas considerações acima. A série do Pacificador!

Lógico que a ideia do seriado já estava na mente de James Gunn bem antes de sua versão de Esquadrão Suicida ganhar a luz do dia, mas é obvio que era preciso esperar a recepção ao longa para que a Warner liberasse a realização do projeto.

Mas como nunca fui admirador do trabalho de Gunn, pouco ou nada me empolguei com ideia. Até que a série estreou e fui nocauteado por uma das aberturas mais desconcertantes e geniais de todos os tempos!

Primeiro pela ideia de colocar todos os personagens da série surgindo fazendo dancinhas ridículas enquanto mantinham expressões de seriedade absoluta. Mas principalmente porque uma das melhores bandas de hard rock surgidas nos anos 2000 estava ali tocando!!!

Não conseguia acreditar que “Do You Wanna Tasted It” do Wig Wam, do álbum “Non Stop Rock n Roll” (2010) tinha sido escolhida para a abertura da série, ao mesmo tempo que ria dos comentários de redes sociais que não faziam ideia que música seria aquela e muito menos quem a tocava.

Mas isto era apenas a ponta de um imenso iceberg. Um bombardeio insano de hard rock, para desespero dos teóricos sabichões da música, no qual Gunn (acho que este sobrenome enfim fez sentido), dispara uma mistura de temas antigos com mais recentes, com nomes como The Poodles, Faster Pussycat, Reckless Love, Firehouse, Hanoi Rocks, a rainha do hard Lita Ford e até Dynazty.

A trilha sonora perfeita para embarcarmos numa verdadeira montanha russa de momentos engraçados, as vezes chocantes e muitas vezes debochados, e até mesmo emotivos, nos quais Gunn - que é o autor da estória e diretor de cinco dos oito episódios - apenas aparenta estar digamos, “sem freio”.

Muitos podem até achar que “Pacificador” seja James Gunn no seu modo mais louco desvairado, fazendo tudo aquilo que sempre quis. E até certo ponto, não estão errados. Só que numa olhada mais cuidadosa, vemos que a coisa toda passa muito longe disto.

Lógico que a premissa básica desta primeira temporada, é uma versão de Gunn para o clássico “Invasores de Corpos”. Qualquer dúvida é só comparar os sons que os “assimilados” de ambas as obras soltam.

James Gunn com seu elenco - Excelente sintonia

Fora uma sequência no primeiro episódio, na qual após ter relações, que de íntimas não tinham nada, já que tanto o Pacificador quanto sua parceira, devem ter sido escutados até em Gotham, se inicia uma contenda entre eles, que remete de imediato a uma sequência do clássico anime “Wicked City” que já foi resenhado aqui.

E isto não é nenhum demérito, muito pelo contrário, pois para cair no atoleiro do “mais do mesmo” seria muito fácil assim. O que para nossa felicidade passa longe!

Mas o que de fato chama a atenção é a forma como o roteiro que muitas vezes parece uma mera sitcon com suas gags, e seu alto e proposital grau de caricatura, consegue costurar as diversas estórias de seus personagens, e não apenas de seu protagonista título, mesmo que sem a necessidade de aprofundamentos que certamente causariam “barrigas” na narrativa. Há até uma escorregada feia numa única cena, onde a mão de Gunn pesou num gore absolutamente desnecessário, e que até o roteiro tenta amenizar depois, mas aí já era. Mas de resto, tudo está incrivelmente bem dosado.

Entendendo-se lógico qual a proposta geral da série e a cabeça de quem a criou.

E isto para um cara, que começou a carreira fazendo vergonha num filme do Scooby Doo e que nunca antes tinha demonstrado maiores talentos além de causar hype tolo, seja em cenas supostamente engraçadinhas, ou gore, para o qual momentos emotivos pareciam mais fakes que o CGI das cenas dos sonhos de “Pantera Negra”, é uma evolução gigantesca!

Fazendo nos importar com personagens que em outras obras não passariam de meras alegorias. Veículos para o ego de diretores que se consideram os reinventores da roda.

Fora referências a outras obras e nomes da cultura pop. A editora original do Pacificador, a Charlton, nos carros de polícia. E até uma rápida homenagem a Richard Donner numa cena que Murn (Chukwudi Iwuji) está assistindo televisão e se vê uma cena de Máquina Mortífera 4.

E não posso de forma alguma deixar de mencionar como John Cena vem surpreendendo, nem tanto como o personagem-título, mas sim como seu alter-ego, Christopher Smith. Não que Cena tenha se tornado da noite para o dia um ator de grande calibre, mas fica nítido um daqueles casos em que ator encontra personagem, numa daquelas conjunções que só ocorrem muito raramente. Mostrando talentos até então impensados, como quando numa cena ele mesmo toca num piano, o clássico “Home Sweet Home” do Motley Crüe.

Ahhh sim! E não poderia de forma alguma não citar Eagly, a águia de estimação do Pacificador, toda feita em CGI, ainda que a ideia original fosse usar uma águia de verdade. Que quando surge, rouba tanto a atenção, que se tivesse mais tempo de tela, talvez pudesse até se pensar numa série só dela. Aliás, uma ideia deveras interessante, para talvez ser desenvolvida no campo da animação.

E agora, ao redigir estas últimas linhas, sem ainda saber o desfecho da “Saga das Borboletas”, só peço que James Gunn, depois de costurar todas esta trama incrível, não nos brinde com mais um final estilo “Scooby Loo era o vilão”, já que possui esta mania estranha de finais ruins, como se estes fossem um deboche final em cima do público.

Pois a maior lição que a série do Pacificador já passou, é a forma como seu realizador ao receber um imenso saco de limões, resolveu fazer caipirinha, e dividi-la com todos nós.



 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Os 10 Bichos de Estimação Mais Icônicos da Ficção

 

Companheiros, amigos, as vezes tratados como verdadeiros filhos.

Os animais de estimação, ou pets como virou moda falar de uns anos para cá, tem estado ao lado dos homens ao longo dos últimos milênios.

E na cultura pop desde suas origens tal parceria sempre se fez presente também.

Mas antes de começarmos mais esta “contagem regressiva” quero deixar claro que estipulei três regras para esta lista:

1 – Animais que originalmente façam parte de corporações, entidades ou coisas do gênero não entram na lista, ou seja, nada de RinTintin e congêneres.

2 – Animais falantes também não entram, pois estes, ainda que sejam capazes as vezes de feitos pouco (ou nada) comuns tem de permanecer como são em sua essência digamos “real”. Então, nada de Scooby Doo aqui.

3 – Apenas animais que existam. Ou seja, nada de Dino dos Flintstones.

Regras definidas, então vamos lá...Os 10 Bichinhos de Estimação Mais Icônicos da Ficção!

10 – Screw (Gavião - Animação/Filmation):

Até poderia colocar aqui o Vingador do Homem-Pássaro. Ou até Liberdade, a águia o índio Spirit dos GI Joes. Mas, Screw chegou primeiro! O fiel escudeiro e amigo de Carter Hall nas animações da Filmation. Uma ideia que infelizmente não reverberou nas HQs.



09 – Jonesy (Alien O 8º Passageiro):

 Jonesy, que aqui em Terra Brasilis é conhecido como Jones, além da tenente Ripley, foi o único sobrevivente, do desastroso “contato do pior grau” da tripulação da nave Nostromo com a entidade alienígena xenomorfa. E sua notoriedade com o passar dos anos se tornou tamanha que ganhou até um livro, feito em tom nem um pouco assustador, que conta sua visão de todo incidente.


08 – Silver (Lone Ranger):

 O vistoso e imponente cavalo branco do “Cavaleiro Solitário”, teve sua estreia ainda nos antigos programas de rádio no comecinho da década de 1930. E tamanho foi o interesse que despertou já na época, que ainda radio-seriado ganhou um episódio apenas para contar sua origem. Depois ganhou as telas nas matinês dos cimenas e o resto nós sabemos.



07 – Cheetah (Tarzan):

 Cheetah, que originalmente se chamava Jiggs, e que durante décadas foi considerado pelo público como uma fêmea por causa da grafia do nome, participou de mais de dez filmes de Tarzan, ainda que originalmente o personagem nunca tenha aparecido nos originais do escritor Edgar Rice Burroughs. E até hoje Cheetah detém o recorde de chimpanzé mais longevo, tendo vivido até os 81 anos.



06 – Capeto (Fantasma):

 Na sua versão e mídia originais, ele é um lobo, mas em outras mídias já chegou a ser retratado como um “cão comum”. Seja como for, é sempre o fiel escudeiro do “Espirito que Anda”.



05 – Ace, o Batcão (Batman do Futuro):

 Ao contrário do que muitos imaginam a figura do Batcão (Bathound no original), faz parte da mitologia do Morcego de Gotham desde 1938, com algumas pontuais aparições aqui e ali de formas distintas. Mas não há como negar que sua popularização se deu de fato em sua versão mais recente na animação de "Batman do Futuro".


04 – Mimi / Mi-kun (Patrulha Estelar):

 Aqui nós temos um caso a parte de todos os demais desta lista. Pois caso você que está lendo, não saiba (apesar que acho bem difícil, se você acompanha o blog). O escritor e desenhista Leiji Matsumoto, co-criador de Patrulha Estelar (Uchuu Senkan Yamato), além de ser apaixonado por gatos, tem ao longo de sua vida sido o orgulhoso “papai” de uma dinastia de gatinhas que sempre recebem o mesmo nome, Mi-Kun. E este sempre coloca a gatinha em suas obras, ainda que com nomes diferentes. Porém, a Mi-kun original da ficção é a nossa conhecida Mimi de Patrulha Estelar, o único felídeo cachaceiro da ficção (risos).


03 – Krypto, o Supercão (Superman):

 A despeito de em geral o amigo de Clark Kent ser usado em produções mais leves, até infantis. Sua origem é uma das mais cruéis dos quadrinhos. Em sua primeira origem, o “totó” serve de “bucha” para que Jor-El pudesse testar a nave que levaria seu filho para Terra. E na segunda origem a coisa é pior ainda, pois Krypto seria um animal de testes no laboratório de Jor-El que foge e acaba caindo nas graças do filho do cientista.



02 – Bandit (Jonny Quest):

 Bem mais que um alívio cômico, o simpático Buldogue, se tornou talvez o maior cartão de visitas da icônica animação dos estúdios Hanna-Barbera.



01 – Lassie (idem):

 A estreia nos cinemas da pastor de shetland (não Collie, como muitos dizem) se deu no hoje distante ano de 1943 ao lado de dos jovens Elizabeth Taylor e Roddy McDowall. A partir de então em várias versões ao longo das décadas, ganhou tanto as telas de cinemas, como das tevês, tanto em versões live action, como até em animação.



 

Esta publicação é dedicada à Chicão. Gato grandão que adorava assistir televisão.






 

 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Carta Para o Superman

 

Olá, Clark! Tudo bem?

Não importa se eu te chamar de Clark né? É que Kal-El me parece um pouco formal demais. Além disto já lhe conheço faz tanto tempo, que você já se tornou alguém bem familiar, digamos assim.

Você deve estar estranhando que esteja escrevendo esta carta, não é?

Então.... Eu também estou.

É que comecei a pensar que deveria fazer um texto para falar o que penso sobre você. Pois vamos combinar? O glossário de bobagens que volte e meia leio sobre você, ideias completamente equivocadas ou até mal-intencionadas poderiam lhe render até um novo superpoder, a superpaciência.

Eu sei que este em especial foi um ano complicado para você, afinal você perdeu um dos seus “pais”. Não, não me refiro à Jor-El ou ao Jonathan, e sim um dos teus pais aqui neste chamado “mundo real”, o grande Richard Donner. E agora já no final do ano, todo este “blá blá blá” envolvendo o John, seu filho.

Pois é! Nós sabemos que depois do advento desta máquina de fazer doido chamada internet e do advento das assim chamadas “redes sociais”, que são tudo, menos sociáveis, ficou quase impossível se viver uma vida de herói em paz.

Bom, antes de tudo, quero dizer que a maior parte da admiração que nutro por vossa pessoa vem do fato de que a despeito de todos seus poderes, no fundo o que você mais quer são as coisas mais simples, e este é um conceito que nós sabemos, não é compreendido pela maioria dos ditos “entendedores da matéria”, ou muitas vezes negado com a maldade que só uma criança mimada pode expressar.

Pois a maioria dos seres que o criticam, não suportam a ideia que o homem mais poderoso do universo simplesmente possa querer para si uma vidinha tranquila numa fazenda acompanhado da esposa e do filho. E tentam de forma medíocre criar teorias de que sua figura não teria tantos fãs justamente por causa de um suposto distanciamento com a dita “realidade”. Quando na realidade é justamente o oposto!

Eles não querem a realidade relida numa HQ, eles simplesmente não a suportariam. E ainda enchem a boca para falar de um suposto "conteúdo adulto e sombrio".

Se a clássica saga de nossos amigos Oliver Queen e Hal Jordan fosse lançada nos dias de hoje, não quero nem pensar o quanto grupos mesquinhos não iriam furiosamente bradar em redes sociais sobre esta pelas mais diferentes razões, com o manto das mais primordiais razões de ambos os lados.

Trocando a razão por “ter razão”.

Talvez apenas não tenham capacidade de análise? Penso eu.

Ou talvez até tenham, mas por comodismo não o fazem. Ou pela pura incompetência de lidar com suas próprias existências procuram diminuir as dos outros.

Tentando fazer com personagens de ficção aquilo que não conseguem fazer na vida real.

Acredita Clark, que criam até teorias da conspiração de que há um complô para diminuir sua masculinidade?

Dizem que numa HQ, você teria admitido que a Diana, nossa querida Mulher Maravilha, seria mais apta a comandar a Liga da Justiça, isto seria uma manobra para combater a figura do “macho branco opressor”.

Fingem, mentem para si mesmos, sobre a natureza e a história da Diana, que foi preparada para ser uma guerreira e líder militar, como se isto fosse uma imensa novidade oriunda destes nossos incestuosos tempos. E fingem mais uma vez não entender a sua. Sim aquela natureza que me referi alguns parágrafos acima.

Todos sabemos que você é o líder moral de qualquer versão da Liga, e o é justamente pelos valores que seus pais passaram para você.

E tem mais! Se lembra daquela estória em que você renega a cidadania estadunidense? Pois é, tem gente que não sabe a diferença de patriotismo para patriotada. E daqui do Brasil (tudo bem eu sei que não é só aqui) dizem que isto era uma afronta aos valores norte-americanos nos quais você foi calcado.

Mas cinicamente, passam por cima do conceito da estória (mais uma vez eu sei), e fingem não entender que naquele momento mais que nunca você estava defendendo os ideais que ergueram a nação que o adotou e que você adotou para si.

Pois é... Mas se o Steve Rogers, que leva a alcunha de Capitão América já passou por algo semelhante, e muitos fingem não entender, é meio obvio que isto aconteceria contigo também. Infelizmente..

E agora toda esta questão envolvendo seu filho...

A bem da verdade, nem queria estar tocando neste assunto aqui, pois não há nada de relevante nele, já que deveria ser tratado de forma mais natural, sem estardalhaço, e muito menos quero ficar dando assunto para pessoas de índole ruim.

O mundo muda, evolui. E da mesma forma que os heróis negros chegaram e fincaram posição (desculpe o termo militar). A história não pode mais virar o rosto, e fingir não enxergar que estas pessoas estão aí. Trabalhando, pagando impostos, consumindo...

O problema é que a coisa as vezes chega a um determinado ponto que seria engraçado se não fosse preocupante.

Tudo bem.... Eu sei que nem sempre as escolhas feitas pelos autores e as empresas para as quais trabalham são as melhores para vocês, personagens de ficção.

O problema é que hoje em dia, tudo é meticulosamente manipulado para atender parcelas bem específicas de público, e a consequência disto acaba sendo a distorção ou até destruição de uma boa ideia.

Com cada parcela de público devidamente fatiada, e se portando como cobaias que descobrem que se tocarem numa campainha ganharão mais comida, sem se tocar que estão todos assimilados, empacotados e adiposamente em clausura mental.

E toda premissa envolvendo a dita sexualidade do John que poderia gerar ótimas HQ’s muito provavelmente será dragada numa espiral de conceitos tacanhos, transformando-o num estereótipo como fizeram com o Damien.

Sim, o Damien, filho do Bruce. Que foi transformado por esta mesma cultura rasa, num arquétipo de moleque mal-educado para saciar a identificação de parcelas de público.

E quando falo isto sobre o John, digo, pois, o mais provável que aconteça é que toda a relação pai e filho que poderia ser maravilhosamente trabalhada será provavelmente diminuída, diluída, e talvez nem mencionada, quando o fato de terem escolhido seu filho para tratar do tema da opção da sexual não poderia ter sido algo mais acertado, já que não há em nenhuma editora, meu caro Clark, personagem que melhor represente a compaixão e a fraternidade que você.

Fico aqui pensando, neste povo que habita o mundo que se diz real, estando numa situação de perigo, como preso nas ferragens de um carro que bateu, ou refém de um assaltante, perguntando para o bombeiro, paramédico ou policial, qual a opção sexual deste (risos)

Afinal, pelo que vejo, só admitiriam serem ajudados por aqueles que consideram dignos (argh!).

Mas tem gente, pode acreditar no que digo, que tem o descaramento de dizer que isto seria um malévolo plano da chamada “Lacrolândia” para diminuí-lo como símbolo de virilidade.

Se Mike W Barr escrevesse Camelot 3000 nos dias de hoje, fico pensando no tamanho do chilique deste “povo viril” (risos).

Não que esta tal “Lacrolândia” não exista, pois em todo lugar que houver alguma causa razoavelmente justa sempre haverá aqueles que apenas querem lucrar com o “circo pegando fogo”. Ou simplesmente destilar suas frustrações em frases feitas, tentando em sôfrego desespero rebaixar uns para em geral apenas se autopromover, muitas vezes replicando discursos prontos passados de pai para filho.

E olha só! Eu aqui citando esta coisa de legado de novo! Viu como aquilo que citei de terem escolhido você para esta missão não foi mero acaso?

Só que a única verdade factual nisto tudo, é que os dois grupos no frigir dos ovos se merecem.

Uma guerra só ocorre se houver ao menos dois lados beligerantes.

Seria engraçado se não fosse tão tristemente patético.

E meu amigo Clark, nem vou aqui citar aquelas versões estapafúrdias de você como déspota, pois estas são na verdade o espelho daqueles seres de caráter fraco e duvidoso, que não conseguem enxergar (ou não querem) a verdadeira essência sua... a bondade.

É o multiverso, dirão eles, do alto de sua empáfia de palha, sem um pingo de capacidade de autocrítica, massificando uma pobreza medonha de criatividade que nem fazem mais questão de esconder, nesta filosofia de boteco e briga de torcidas, que prevalece hoje em dia.

É como aquela canção do Stratovarius que diz:

“Eles tentam me dar respostas, para perguntas que nunca fiz....

.... A mídia é a nova ilusão, criando mais confusão...”

Mas como esta mesma canção diz:

“...mas eu sei que eles logo partirão. ”

Mas enquanto eles não partem, Clark, deixa eu te pedir uma coisa.

Permaneça sempre o norte de todos, heróis ou não. Permaneça sendo o coração da trindade. Pois neste mundo raso, imediatista e cínico, movido por conveniências, sua presença dissonante da generalização reinante, mais do que nunca se tornou fundamental.

Continue incomodando!



 

 

 

 

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

As Animações da DC Antes do Timmverse

 

Uma das poucas coisas que são de concordância quase que total nestes dias de hoje no mundo da cultura pop, são as animações feitas com personagens da DC Comics.

E mesmo que a tal qualidade possa variar aqui ou acolá, é fato que no geral são elas que mantém os Estados Unidos no mapa da animação mundial, mesmo que lógico, usem mão de obra de outros países.

Assim como é de entendimento que tudo isto teve início lá no começo dos anos 1990 com a saga de Batman The Animated Series, que depois, como já foi contado aqui, se tornou o conhecido “Timmverse”

Mas e o que veio antes? Pois justiça seja feita, se a Marvel conseguiu em determinado ponto histórico iniciar uma mudança na cara dos quadrinhos, a DC Comics sempre esteve um passo adiante no entendimento da importância do cinema de animação para promover seus produtos.

E talvez a maior prova disto seja o icônico seriado do Superman produzido pela empresa dos irmãos Max e Dave Fleischer em 1940 (nos primeiros nove episódios) e concluído pela Famous (os demais oito episódios), apenas dois anos após a criação do maior super-herói de todos os tempos. Sendo lançados nas matinês dos cinemas da época entre 1941 e 1943, usando o processo de rotoscopia, e possuindo uma fluidez invejável e um esmero típico das animações feitas para o cinema.

Podendo até hoje ser apreciado por qualquer admirador de quadrinhos de verdade, desde que com entendimento da ausência de modernidades, que as vezes nem são tão modernas mais assim, mas que na época ainda não existiam.

Contudo, os alto custos das animações para o cinema, acabou por criar um hiato de quase duas décadas, até que em 1960, a recém-criada produtora Filmation (sim, a mesma produtora de He-Man) de Lou Scheimer e Hal Sutherland, se propôs a entrar na briga pela audiência das manhãs de sábado na tevê norte-americana.

E qual melhor “cartão de visitas” que “retomar” as aventuras do “homem de aço”?

Até porque o personagem nunca tinha “sumido” absolutamente das telas, estando bem vivo na memória recente da época devido ao seriado live action protagonizado por George Reeves.

Só que o que a Filmation fez foi bem além de mais uma animação do “azulão”, criando o que a grosso modo pode ser considerado o primeiro universo compartilhado de super-heróis fora de sua mídia original.

E além de Superman, e sua versão adolescente o Superboy acompanhado de seu cão Krypto, de 1966 até 1968 produziram animações do Aquaman, Lanterna Verde, Flash, Gavião (aqui não havia o "Negro" junto) e Átomo. E uma versão “embrionária” se é que podemos dizer assim da Liga da Justiça que unia estes últimos ao Superman.

E como se não fosse o bastante tínhamos uma animação dos Jovens Titãs que trazia as presenças do Kid Flash e de Aqualad que além de aparecerem nos episódios de seus mentores surgiam aqui na companhia da Moça-Maravilha, e de Speedy ou Ricardito, como foi infelizmente nomeado em nossas tropicais paragens.



Situação que aliás foi bem comum aqui, pois o Aquaman virou “Herói Submarino”, e o Lanterna Verde que virou o “Homem de Verde” (risos).

E cadê o Batman? Você pode estar se perguntando....

O Morcego de Gotham só foi se “juntar” a esta turma em 1968 dividindo uma atração com o Superman, isto depois de até o Aquaman ter tido um voo solo nestes “shows”.

Só depois ganhando uma animação só sua, com as vozes originais de Adam West e Burt Ward do seriado live action de 1966.

E eis que chegamos ao ano de 1973, e com ele a “migração” dos heróis da DC para a Hanna-Barbera. E assim se iniciava a era dos Superamigos.

Com um total de oito temporadas que foram até 1985:

·         Super Friends 

·         All-New Super Friends Hour 

·         Challenge of the Super Friends (1977-1978)

·         World’s Greatest Super Friends 

·         The Super Friends Hour Shorts 

·         The Lost Super Friends Episodes 

·         Super Friends: The Legendary Super Powers Show 

·         The Super Powers Team: Galactic Guardians 

A animação passou por diversas transformações ao longo de suas temporadas, tendo entre suas principais características os personagens criados pela própria Hanna-Barbera.

Em geral focados no link com seu principal público alvo, o infantil, e por tabela “suavizar” as estórias. Como os irmãos Wendy e Marvin que eram acompanhados do “Supercão”, e não, não me refiro a Krypto.

Mas a ideia, vamos admitir, forçou demais a boa vontade até mesmo das crianças, e os irmãos e seu cachorro acabaram sendo limados. Posteriormente substituídos por nossos conhecidos Super-Gêmeos, Zan e Jayna e seu macaquinho Gleek, numa alusão clara a Jan, Jayce e Blip de Space Ghost.

Mas nada parece tão mais simples quanto relevante, hoje na era das lutas por representatividade, do que a iniciativa de transformar a equipe em multiétnica, com a inclusão dos personagens Chefe Apache, Samurai, Vulcão Negro e Eldorado.

E sabiamente, não colocando todos os ovos no mesmo cesto, mesmo tendo seus personagens sob as asas dos estúdios Hanna-Barbera, a DC Comics reatou em 1977 sua parceria com a Filmation para fazer mais uma série em animação do “morcegão” chamada “As Novas Aventuras do Batman”.

Além de em 1979 fecharem com a recém-criada Ruby&Spears a realização de uma animação do Homem-Borracha (que por aqui se chamou Elástico).

Voltando mais uma vez a parceria com a Filmation em 1981, com uma série do Shazam (que na época ainda era Capitão Marvel) que possuía um tom de comédia descarada bem na linha da animação do Homem-Borracha.

E como se isto fosse pouco, ainda havia um plano da editora de começar a replicar na Hanna-Barbera algo nos moldes do “universo compartilhado” que a Filmation realizou nos anos 60.

E em 1983 a HB iniciou a pré-produção de uma animação dos Novos Titãs! Com planos desta, “habitar” o mesmo mundo do universo dos Superamigos.

Mas o sucesso dos “Smurfs” (sim, dos Smurfs) fez a produtora adiar os planos para a jovem equipe de heróis. E no fim das contas tudo que acabou sendo produzido foi um comercial para uma campanha contra as drogas, que diga-se de passagem, nem teve a presença do Robin, já que tal campanha era patrocinada por uma empresa, que era concorrente da empresa que patrocinava o desenho dos Superamigos ao qual a figura do “menino prodígio” estava vinculada.

Cenas do comercial antidrogas protagonizado pelos Titãs

Obrigando Marv Wolfman a criar um personagem “tapa-buraco”, o Protetor, que só surgiu neste comercial.

Por questões comerciais a equipe ganhou um novo membro, o Protetor

Bom.... De qualquer forma, o Cyborg acabou indo parar na última temporada de Superamigos, mas nem o próprio Marv Wolfman nunca soube segundo declaração do próprio até onde havia chegado o desenvolvimento da série da equipe de jovens heróis.

E eis que após anos de produção quase ininterrupta, as animações da DC ganham um hiato em 1985 com a última temporada de Superamigos, aquela mesma a qual me referi na lista das "As 10 Melhores Animações de Ação dos Anos 80".

Só ganhando um novo capítulo em 1988, com a série do Superman (sim, mais uma vez ele) realizada pelos estúdios Ruby&Spears, até hoje lembrada pelo seu esmero se comparada a outras séries bastante pueris da época.

E referenciando em sua abertura tanto a clássica animação dos estúdios Fleischer, como emulando alguns acordes do clássico tema criado pelo maestro John Williams para o filme de Richard Donner de 1978.

E como na época a defesa da natureza já fazia parte da “ordem do dia”, eis que em 1990 o mundo era apresentado a série de animação do Monstro do Pântano.

Lógico que numa versão um tanto distinta do ser atormentado das HQ’s, ainda que tenham se mantido até bem fiéis as suas origens. Só que aqui dando-lhe um enfoque bem direto de defensor da natureza, e que cá entre nós, ficou bem melhor que umas animações de mesmo plot com certos “capitães esquisitões” (risos).

Isto sem falar de um impagável tema de abertura hard rock descaradamente emulando o estilo Alice Cooper de composição, sem falar na voz do cantor.

E se podemos tirar alguma lição desta viagem pelas décadas através das animações com personagens da DC Comics, é que as animações mesmo que não tendo as versões mais fidedignas dos personagens de quadrinhos em relação sua mídia original, são a “porta de entrada” mais fácil e eficiente para este mundo, até por razão de seus custos substancialmente inferiores as grandes produções live action cinematográficas.

Ahhh sim! Eu sei que alguém agora pode até estar se questionando por que não citei a animação dos Wild C.A.T.S. É que como esta é de 1994, ou seja, já tendo se iniciado Batman TAS, por hora não irei comentar sobre, deixando isto quem sabe para um outro artigo.



 

Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...