quarta-feira, 17 de maio de 2023

Thunder - A Saga do Trovão Italiano

 

Não é novidade para ninguém que os italianos sempre que puderam, fizeram paródias ou versões próprias de produções estadunidenses, vide os faroestes do diretor Sergio Leone, só para pegar um exemplo.

Lógico que tais produções nem sempre, ou na maioria das vezes, gozavam do mesmo poder econômico e consequente esmero.

Mas quem disse que isto seria fator para lançá-las no esquecimento?

E em 1983, pegando carona no sucesso do então recém lançado “Rambo - Programado Para Matar”, o diretor Fabrizio De Angelis, presenteava os amantes do cinema B (aqui um baita B maiúsculo) com uma das maiores (e melhores também) pérolas do gênero.

Thunder Um Homem Chamado Trovão!

Sei que muitos que estão lendo este artigo agora conhecem de trás para frente este que foi um dos maiores clássicos da finada “Sessão das Dez” do SBT (talvez até o maior), bem como devem conhecer algumas resenhas que permeiam a web falando, muitas vezes de forma jocosa sobre o filme.

Contudo, decidi escrever sobre esta trilogia (sim, é uma trilogia), primeiro para trazer à tona algumas ótimas memórias, apesar de que outras nem tanto. E em segundo lugar para estabelecer alguns necessários retcons (sim, há retcons para serem feitos) sobre esta pérola oitentista, feita numa época em que CGI seria apenas a sigla de um curso preparatório para vestibular.

Bem, caso você que está lendo nunca tenha assistido “Thunder Um Homem Chamado Trovão” a coisa basicamente é assim.

Trovão (Mark Gregory, pseudônimo de Marco De Gregorio) é um índio navajo, ex-militar, que retorna para sua terra, e descobre que estão erguendo um empreendimento imobiliário em terra sagradas para seu povo, onde havia inclusive um antigo cemitério.

Geralmente este plot rende roteiros mais fantasiosos que vão de “Poltergeist O Fenômeno” até um episódio de “Superamigos”, mas aqui é só um mero ponto de partida.

Muito irritado da vida - até porque a posse daquelas terras tinha sido dada ao seu povo através de um antigo decreto federal -, após ter um pequeno entrevero com alguns peões que trabalhavam nas obras, Trovão vai até a cidade tentar fazer valer seus direitos de forma legal.

Primeiramente indo até a delegacia onde fala com o xerife Cook (Bo Svenson, que é mais conhecido aqui no Brasil por ter sido o capitão do voo sequestrado em Comando Delta), que diz para ele reclamar no banco que é quem está financiando o projeto.

Só que lógico, o dono do banco, incomodado com a presença de Trovão, liga para xerife, que envia o delegado Barry Henson (Raimund Harmstorf) para, digamos, dissolver o tumulto.

E aqui iniciamos para valer tudo que esta pérola B oitentista tem para oferecer, seja bom, ou nem tão bom assim.

Como é um filme de enredo extremamente simples e escancaradamente feito a partir do primeiro Rambo, nem vou me dar ao trabalho de descreve-lo em mais detalhes.

Contudo, como citei, a despeito de algumas resenhas jocosas já escritas, alguns pontos precisam ser ressaltados.

Sobre os pontos negativos do filme, lógico que algumas cenas são particularmente meio fajutas, mas se nós formos lembrar de algumas cenas de clássicos daquela mesma década, em produções hollywoodianas, que são tão ou mais fajutas, vide a famosa cena de “Comando Para Matar” onde se vê o cabo de segurança preso ao tornozelo do dublê, creio ser algo que se pode deixar passar com um pouco de boa vontade.

E no que diz respeito suas similitudes com “Rambo Programado Para Matar”, elas são feitas tão abertamente e sem falsos pudores que as tornam, tão legais, ou em alguns até mais bem sedimentadas, que o filme “inspirador”.

E quase tudo está ali. A cena em que o delegado leva o protagonista até uma ponte que seria o limite da cidade e manda ele não voltar, sua fuga para uma região montanhosa, o momento em que nosso herói se lança ao vazio de um precipício, entre outras citações bem obvias.

Porém, ao contrário da maioria, sempre enxerguei algumas cenas bem bacanas e até bem-feitas neste filme. Sendo na humilde opinião deste escriba a melhor de todas quando Trovão após ser expulso da cidade, é encontrado por aqueles mesmos peões do começo do filme, e passa a ser caçado como um bicho, numa cena que passa uma carga de aflição na medida certa (coisa que tem muito filme conceituado por aí que não consegue).

E talvez o mais importante, e que se citam, apenas o fazem genericamente, é que “Thunder” também inspirou “Rambo”.

Primeiro no uso do arco e flecha como arma, coisa que só surgiria na franquia com Stallone em seu segundo filme, feito após “Thunder”. E aqui a melhor parte disto, pois, para justificar o uso da arma pelo veterano do Vietnam, criaram para ele uma ascendência indígena, algo que não existe no livro “First Blood”.

De quem seria a “culpa” disto?

Pessoalmente vou me dar a liberdade de especular (coisa que não sou muito de fazer), que tal detalhe tenha vindo da mente de James Cameron, que foi um dos roteiristas de “Rambo II”, e que antes de se notabilizar como notório construtor de robôs assassinos e navios que afundam, “cometeu” um dos maiores absurdos do cinema de todos os tempos, o clássico thrash “Piranhas 2 Assassinas Voadoras”.

Com o advento do videocassete, ajudado pela ainda baixa oferta de filmes disponíveis para locação na época, e as reprises pelas tevês mundo afora, “Thunder” acabou não só se pagando, como gerando até certo lucro para seus realizadores, que viram a possibilidade de uma sequência, e em 1987 chegava as telas a segunda aventura do herói índio.

Partindo de uma premissa que eu particularmente adorei, com Trovão retornando à cidade como um policial, após ser dado como morto (tudo bem, é meio sem pé nem cabeça, mas é legal demais!), “Thunder II”, nos traz um Mark Gregory um pouco mais velho e com visual físico um pouco mais condizente com o que estava em voga na época.

E voltando a seguir a linha western-spaghetti, teve suas doses de violência amenizadas afim de angariar mais público, e de absurdos aumentada (risos). Mas se você está pensando que estes absurdos estão em cenas de ação mais espetaculosas ou sem sentido, vou dizer logo que a maior parte reside na inexplicável mudança de nomes.

Como assim?

Bem, o xerife Cook, que no primeiro filme se chamava Bill, aqui se chama Roger. E não, não é outro ator que está no papel, e sim o bom e velho Bo Svenson. Assim como o delegado vivido por Raimund Harmstorf, que no filme anterior se chamava Barry, e aqui se chama Rusty.

Talvez seguindo o diretor Fabrizio De Angelis, que por motivo desconhecido até para os antigos deuses romanos, desde o primeiro filme assinou a direção e roteiro como Larry Ludman, ainda que seu nome surja como produtor no começo dos créditos iniciais.

Aqui temos um enredo que ainda que não deixe de ser simples, se preocupa em estabelecer novos contextos da relação entre os personagens já conhecidos, como no caso de Cook que por mais de uma vez deixa transparecer certa admiração pelo índio que se tornou policial.

Ou Rusty, que se mostra corrupto ao ter um esquema com um grupo de “motoqueiros do mal” e que ao matar por acidente seu comparsa, aproveita para culpar Trovão que vai parar na prisão, na qual passa por maus bocados, mas de onde consegue fugir para colocar em prática seu plano de vingança.

    

E ainda que pontuado por uma ou outra cena fora de contexto, como a impagável prisão de um ladrão travesti, não se surpreenda se ao assistir “Thunder II”, você tenha a impressão de estar vendo um produto geral mais bem-acabado que seu antecessor.

E como a maré estava favorável, em 1988 chegava aos cinemas “Thunder III”.

Sobre esta terceira parte da saga do índio navajo bem que gostaria de tecer comentários enaltecendo qualidades escondidas, ou não reconhecidas do filme, mas a verdade é que se você conseguiu assisti-lo na única semana em que ficou em cartaz em nossos cinemas, ou conseguiu acha-lo em alguma fita VHS lançada pela extinta Look Video, sabe que se trata de uma produção, digamos, “feita nas coxas”.

E não falo isto pela ausência de verba, mas sim pois nitidamente tudo ali foi “enfiado na marra” no melhor estilo “deixa que tá bom”, numa trama que se formos pegar a sinopse até parece bacana, quando Trovão e mais um amigo, vão interferir na matança de cavalos selvagens por um grupo composto pelas pessoas mais influentes da cidade e se dão mal, gerando a consequente vingança do protagonista.

Mas infelizmente só as boas intenções não sustentaram esta terceira parte da saga do “Trovão Italiano”.

Quanto a Mark Gregory, ainda que tenha trabalhado em mais três filmes após o fim da saga, se desiludiu com a carreira artística que iniciou com uma pequena participação num telefilme norte-americano chamado “Rainbow” (1978) que contava a história de Judy Garland. Voltando a ser apenas Marco De Gregorio (e não Di Gregorio como muitos se referiam), o garoto tímido de família humilde, que trabalhou numa sapataria.

Durante anos houveram informações conflitantes sobre seu paradeiro, até que em 2022 após buscas por parte de fãs foi confirmada a notícia de sua morte, assim como se descobriu a sua triste história após deixar o cinema.

Habilidoso escultor e pintor, Marco procurou viver de sua arte (dizem até que trabalhou para um renomado restaurador), morando na casa que havia sido o único bem que conseguiu adquirir com os ganhos dos filmes que fez.

Porém, no começo dos anos 2000 caiu num golpe, perdendo todas as economias e até sua casa no subúrbio de Roma. Mudando-se então para pequena Castel Madama.

Lá viveu no completo anonimato, em meio a vizinhos que nem imaginavam de seu passado nas telonas. Contudo, por talvez desconfiarem que Marco pudesse estar envolvido no golpe do qual na realidade foi vítima, o fisco italiano transformou a vida do ex-ator num inferno, levando-o a interrogatório e até colocando-o sob vigilância diuturnamente.

Eventos estes que geraram brigas familiares e que arruinaram sua vida profissional a ponto de precisar de ajuda financeira assistencial do governo.

Entrando numa espiral tenebrosa que culminou com nosso eterno Trovão sucumbindo a tristeza e depressão, tirando a própria vida em 31 de janeiro de 2013, e sendo sepultado sem a presença de nenhum parente, inclusive com um erro na data de seu nascimento na inscrição de sua sepultura.

Todavia, agora, ao escrever estas últimas palavras deste artigo, ainda que saiba que Marco De Gregorio possa ter tido uma vida tão sofrida e trágica, me agarro as palavras do garotinho do final do primeiro “Thunder”:

“O Trovão nunca vai morrer! ”



 

 

 

terça-feira, 4 de abril de 2023

Joker Game

 

Não é segredo para ninguém que as animações japonesas de uns anos para cá vem passando por um de seus períodos de menor criatividade.

Notoriamente se encostando em produções pobres, com personagens rasos, esporrentos e gritões, que se esgueiram em simulacros bizarros de roteiro, apoiados nos piores cacoetes narrativos possíveis.

Contudo, mesmo nestas épocas de secas veredas criativas, ainda surgem animações capazes de romper com este bizarro status quo alimentado por um público imediatista e sem nenhum referencial anterior em sua maioria.

E uma destas exceções ganhou a luz do dia em 2016 através do estúdio IG.

Seu nome? Joker Game!

Mas afinal, o que Joker Game tem de tão diferente?

Deve ser o que você que está lendo deve estar se perguntando agora.

Em outras épocas talvez eu até dissesse que eram poucas coisas, mas pelos motivos apresentados na introdução deste artigo, tenho que afirmar que é muita coisa.

Para começar a dissertar sobre Joker Game, precisamos antes de tudo nos situar na época na qual é ambientada. O Japão pré-Segunda Guerra Mundial, mas precisamente o ano de 1937.

Que com suas erupções (se é que dá para chamar assim) sócio-políticas ao redor do globo, já demonstrava como os países moviam suas peças, ainda que de forma particular, criando o caldeirão que culminaria no maior conflito armado da humanidade até hoje.

Tenente-coronel Yuuki

E é neste cenário que o tenente-coronel Yuuki cria uma escola/agência muito especial. Seu objetivo? Encontrar, recrutar, treinar e coordenar um seleto grupo de jovens, que se tornariam os olhos e ouvidos dos interesses nipônicos pelo mundo.

E este grupo especial passa a ser conhecido como a Agência D.

Alguns podem até dizer que Joker Game se trata de uma típica estória de espiões, daquelas onde todos suspeitam de todos, mas creio, numa consideração pessoal, que está ao menos um degrau acima das demais obras do gênero, pois aqui de fato o roteiro foge completamente da armadilha do maniqueísmo que cedo ou tarde surge neste tipo de obra.

E um bom exemplo disto acontece logo no primeiro episódio quando Sakuma, um jovem militar encarregado pelos militares de monitorar as atividades da Agência D, se vê desesperado ao se dar conta que foi pego numa armadilha criada pelos próprios “colegas”.

Outro ponto positivo, e vou enfatizar este positivo, está justamente naquilo que muitos resenhistas, talvez bitolados pela especialização em só seguir um tipo de conteúdo, disseram por aí ser uma péssima escolha, que foi terem feito o anime com estórias que se fecham em torno de si, as vezes num único episódio inclusive.

Seria engraçado, se não fosse não fosse triste, pensarmos que tentaram “diminuir a nota”, digamos assim, de Joker Game baseado nisto. Pois se fosse assim teríamos que diminuir a relevância de animes absolutamente clássicos como “Bubblegum Crisis” e “Cyber City Oedo 808”.

E ainda que se possa levar em consideração algumas críticas com relação a ausência de um protagonista central, já que todos os personagens se tornam cada um protagonista de algum dos doze episódios, é impossível não lembrar novamente do já citado e já resenhado aqui, “Oedo 808”, no qual cada episódio possui seu protagonista.

Uma decisão sábia ao meu ver, já que ainda que nossos “anti-heróis” possam compartilhar de uma mesma doutrina e terem sido treinados pelo mesmo mestre, são indivíduos distintos, que serão testados em suas missões não apenas em suas habilidades, mas também em suas certezas.

Até porque, se existe esta atribuição de elemento centralizador, ela está mesmo com o tenente-coronel Yuuki. Hora pragmático, hora ardiloso, e até mesmo tendo lá seus momentos de mentor, mas que sobretudo incorpora o arquétipo de um patriota de mente distorcida que ao que parece a muito se perdeu em seu próprio monstro.

Fora isto, ainda que possa estar sendo redundante, Joker Game nos brinda com roteiros absurdamente ágeis, de diálogos inteligentes, que mesmo em momentos mais lentos, jamais criam barrigas em sua narrativa.

Joker Game trás uma reconstituição de época primorosa

E lógico, uma reconstituição de época primorosa, em especial do Japão da década de trinta do século passado, já cosmopolita por um lado, mas inegavelmente tentando se manter visualmente tradicional por outro.

Fora lógico, os inevitáveis choques culturais entre oriente e ocidente, que como é de imaginar permeiam a narrativa dos personagens.

Página do mangá de Joker Game

Baseado numa série de cinco contos escritos por Koji Yanagi, publicados originalmente em 2008.

A versão live action de Joker Game

E que inusitadamente ganhou uma versão live action em 2015, ou seja, antes da animação, Joker Game ao longo de seus doze episódios antes de tudo nos mostra como a guerra, ou mesmo situações limite, podem ser o catalizador do que existe de pior e de melhor no ser humano.

Além de que, mesmo sendo o uma obra de ficção, nos presenteia com uma excelente aula de história.



 

Este artigo é dedicado a Flavio Ceolin Lamas. Grande fã de “Sandman”, historiador, amigo, pai e filho, que muito nos honrou durante sua passagem por este plano... Muito obrigado, amigo!



 

 

sexta-feira, 24 de março de 2023

Michael Reaves - O Verdadeiro Rei das Manhãs!

 

Em geral quando pensamos em animações feitas para tevê, nos vem a mente os nomes de produtoras famosas e seus criadores como Hanna-Barbera, Ruby&Spears ou a Filmation, todas estas aliás já representadas aqui no blog com seus devidos artigos.

Mas isto é antes de tudo resultado do trabalho de muitos talentosos artistas. E foi com extremo pesar que apenas um mês após a passagem do grande Leiji Matsumoto, recebo a notícia de que Michael Reaves, talvez o mais célebre escritor para animações norte-americano também nos deixou.

Portanto, convido você que está lendo a embarcar no reino de Michael Reaves, o verdadeiro rei das manhãs.

James Michael Reaves, nasceu em San Bernardino, Califórnia, em 14 de setembro de 1950.

Mesmo não indo bem na escola, onde era considerado um aluno bem fraco, tinha, porém, uma carta escondida, pois sempre gostou de escrever. E começou cedo suas tentativas de viver daquilo que escrevia, mas até 1972 não logrando nenhum êxito. Até que neste ano foi aceito num workshop para escritores de ficção em Michigan.

Daí então se mudou em 1974 para Los Angeles, onde trabalhou imaginem onde? Numa livraria!

Mas também teve que labutar bastante numa das lojas da Sears, uma rede de lojas de departamento, que inclusive teve lojas aqui em Terra Brasilis durante alguns anos.

"A Poderosa Ísis" abriu as portas para Michael Reaves

Até que em 1975 conseguiu vender seu primeiro roteiro para a produtora Filmation, que se transformou num episódio da série live action da Poderosa Ísis. Fazendo sua transição para a mídia que o iria consagrar em 1976, escrevendo ainda para Filmation roteiros para a animação da “The Archie/Sabrina Hour”.

"I, Alien" - o primeiro romance de Reaves

E já em 1978 lançou seu primeiro livro, um romance para jovens chamado “I, Alien” (ainda assinando como Reeves ao invés de Reaves), e um outro mais voltado para o considerado público adulto, “DragonWolrd”, co-escrito com Byron Press.

Mas como em outros textos já publicados aqui, vou dizer que tudo que havia acontecido até então se tornaria apenas um ensaio para o que estava por vir.

Chegamos a década de 1980!

E a partir daqui Reaves passaria a cunhar de vez seu nome como um dos mais prolíficos escritores para séries, tanto em animação quanto live action que já existiram.

Nem vou tentar aqui neste texto citar todas as produções em que Michael Reaves esteve presente ao longo daquela década pois seria loucura. Mas como alguns exemplos temos:

Blackstar,

Homem-Aranha e seus Incríveis Amigos,

Flash Gordon,

Pole Position,

Centurions,

Os Caça-Fantamas (aqueles do filme, não aqueles da Filmation),

He-Man e os Mestres do Universo (aliás, Reaves se envolveu em quase todas as produções do herói de Eternia, a exceção da última versão produzida pela Netflix),

As Tartarugas Ninjas,

Superman,

E lógico nossa querida Caverna do Dragão.

 

Para o qual coube a Reaves escrever o lendário último episódio que acabou não sendo produzido e se tornou lenda urbana por décadas.

Sendo que a série para o qual mais escreveu neste período (63 episódios) foi Os Smurfs, passando longe do espectro da aventura que mais o consagrou.

Ainda nesta área uma interessante porta se abriu para Michael Reaves quando escreveu para as séries animadas “Ewoks” e “Droids”, pois permitiu ao escritor adentrar no universo de Star Wars, escrevendo por exemplo o romance Darth Maul: Shadow Hunter.



Mas não apenas as animações usufruíram do talento de Reaves nesta época, estando presente em alguns seriados live action como: Capitão Power e os Soldados do Futuro, Além da Imaginação e até Jornada nas Estrelas: A Nova Geração.

E ainda sobrou até um tempinho em 1987 para sua estreia nos quadrinhos em “Teen Titans Spotlight #14”, numa estória que envolvia o Asa Notuna e o Batman.

Parece muito? Sim parece. Mas acredite, o melhor ainda estava por vir com a chegada dos anos 1990.

Não que tal “vírgula temporal” signifique algo para um artista que sempre produziu tanto, e em geral com uma qualidade acima de seus contemporâneos.

E o que Michael Reaves faria se tornaria absolutamente icônico.


Pois ao mesmo tempo em que escrevia para seriados como The Flash (sim, aquele mesmo com John Wesley Shipp) e O Jovem Hercules.

Se envolvia nas mais variadas produções de animação como Fantasma 2040 e a série animada do Monstro do Pântano.

E como não poderia deixar de ser, James Michael Reaves, esteve presente naquelas que seguramente são as séries de animação para tevê mais importantes daquela década: Batman The Animated Series e Gárgulas!

Em Batman TAS, foi autor e coautor de 28 episódios.

Reaves ganhou um Emmy pelo roteiro de "Coração de Gelo"...

Dentre estes “Um Sonho Por Acaso”, que era o preferido de Kevin Conroy, o ator que dava vida ao Morcegão, e o icônico “Coração de Gelo” que redefiniu a origem de Mr.Freeze, tornando-o um vilão de primeiro escalão, e pelo qual Reaves, junto com Paul Dini, Martin Pasko e Sean Catherine Derek, ganhou um Emmy.

...além de co-escrever o clássico "A Máscara do Fantasma"

Sem falar que junto novamente a Paul Dini, Martin Pasko e Alan Burnett, foi um dos responsáveis por aquele que é considerado por muitos, o melhor longa-metragem do Batman até hoje, “A Máscara do Fantasma”.

A moral de Reaves era tão alta, que a despeito da briga interna que fez boa parte da equipe de Batman TAS ir para Disney realizar Gárgulas, ele foi o único roteirista que conseguiu transitar livremente entre as duas produções ao mesmo tempo.

Reaves foi o único roteirista a ter transito livre entre as séries Batman TAS e Gárgulas

E sua participação em Gárgulas foi tão importante quanto na série do cavaleiro das trevas, estando presente em cerca de 22 episódios das aventuras de Golias e seu clã.

Dentre estes a saga inicial de cinco partes, “Despertar”. E o famoso, e graças a pais histéricos, “polêmico” (sim coloquei aspas aí) episódio, “Força Mortal” pelo qual chegou a receber uma indicação ao prêmio Annie, o Oscar da animação em terras estadunidenses.

Elisa Maza baleada - Cena do episódio Força Mortal

Porém com a chegada dos anos 2000, Reaves teve que lidar com um adversário inesperado, a Doença de Parkinson. O que o levou a escrever um blog relatando sua luta contra a doença.

Obrigando nosso herói a progressivamente se retirar da correria que eram as produções televisivas. Ainda assim, nesta época co-escreveu com Alan Burnett o longa-metragem de animação do Batman, “O Mistério da Mulher-Morcego”, e um episódio para Jornada nas Estelas – New Voyages.

A trilogia "Interworld"-  O último grande trabalho

Seu último grande trabalho foi uma trilogia de livros chamada “InterWorld” escrita em conjunto com Neil Gaiman e com sua única filha, Mallory.

Deixando para todos nós não apenas um baú repleto de memórias maravilhosas, como um legado de talento e uma lição de vida de como buscar seus sonhos os tornando reais, criando um círculo virtuoso, fazendo outros tantos tornar seus próprios sonhos realidades.




Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...