segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Leiji Matsumoto - Um Capitão de Sonhos!

 

Poucos foram os artistas, nos mais diversos campos das artes, que tiveram sobre mim a influência e o impacto que teve Leiji Matsumoto e foi com profundo pesar e um certo grau de surpresa que tomei conhecimento da passagem do grande e icônico mangaká.

Um artista único, influenciador de gerações que vieram após, admirado por outros criadores de personagens icônicos em toda a parte do mundo, e para o qual passo a render nas próximas linhas minha modesta homenagem.

Nascido Akira Matsumoto, em 25 de janeiro de 1938, Leiji veio de uma família muito pobre, cujo seu pai viu nas forças armadas a chance de lhes dar uma vida melhor, se tornando piloto de caça, tendo combatido obviamente na 2ª Guerra Mundial, da qual conseguiu retornar com vida.

Ainda na infância ganhou de seu pai um projetor de 35mm no qual ironicamente assistia a desenhos animados norte-americanos durante a época da guerra no pacífico, ao mesmo tempo em que “devorava” romances de ficção de escritores como o inglês HG Wells e de seu conterrâneo Unno Juza (ou Juzo), cujo nome anos mais tarde usaria em um de seus personagens mais lendários.

Contudo, como a maioria do Japão no pós-Guerra, a família Matsumoto ainda tentava se reerguer, e o sonho do jovem de se tornar engenheiro ficou de lado. E para a felicidade das gerações que ainda estavam por vir, passou a se dedicar mais ao desenho.

Em 1954 ainda sob seu nome verdadeiro, Leiji (algumas pessoas escrevem Reiji devido a pronúncia), fez sua estreia na revista Mangá Shonen (termo em geral usado para quadrinhos dirigidos ao público masculino), mas também se aventurou nas revistas voltadas para as meninas, conhecidas por shoujo, afinal, mulheres trabalhando naquele meio, naquela época era muito raro.

Mas sua primeira grande chance só veio em 1971 com Otoko Oidon, uma estória sobre um ronin, mas nada a ver com samurais, e sim um estudante que terminou o ensino médio, mas não conseguiu ingressar numa faculdade, mas que ainda pretende fazê-lo, uma situação que se passou na vida de Leiji, pois quando seu irmão mais novo, Sussumu (sim, este nome mesmo, o do protagonista de Yamato), se formou no secundário, sua família não tinha condições de enviá-lo para uma faculdade, o que fez Leiji rumar para Tóquio para trabalhar a fim de que irmão concluísse sua formação.

Mas seu primeiro sucesso se deu em 1972, quando criou uma espécie de western de humor negro chamado Gun Frontier para a revista Play Comic, ao mesmo tempo em que trabalhava numa série de contos sobre a Segunda Guerra Mundial que passariam a se chamar Battlefield e que posteriormente seria a base para a animação The Cockpit.

Até que em 1973 seu caminho se cruza com o do produtor Yoshinobu Nishizaki, e a partir daí tudo mudou.

Nshizaki e Matsumoto - União que mudaria a história

Nishizaki, que até então pouco tempo antes trabalhava na produtora do lendário Osamu Tezuka apenas como um vendedor, tinha um projeto louco que estava na pré-produção, mas que devido problemas de verba (e uma certa dose de falta de criatividade) se encontrava completamente empacado.

Na premissa criada pelo produtor, a Terra no distante futuro de 2199 vinha sendo atacada por uma nação alienígena que queria colonizar o planeta. Até aí nada demais.

Patrulha Estelar - A obra que mudou os rumos da ficção científica

Ainda nesta premissa os habitantes de nosso planeta recebiam uma mensagem vinda do espaço que dizia que era possível limpar nossa atmosfera da radiação das bombas dos invasores, só que para isto, um grupo de destemidos viajantes precisava ir até os confins da Nebulosa de Magalhães buscar o tal antídoto.

Só que toda esta jornada seria feita em nada menos que um asteroide!

Sim! Um asteroide no qual iria se colocar um motor e que serviria de nave.

Olhando então para todo aquele sarapatel, Leiji Matsumoto perguntou se poderia mexer no projeto, e com a carta branca de Nishizaki, mudou para a sempre a história das animações, da ficção cientifica e até das artes.

Nascia ali a saga do Encouraçado Espacial Yamato, conhecida aqui por nós, os habitantes de Terra Brasilis como, Patrulha Estelar.

Foi de Leiji Matsumoto a ideia de se criar a nave a partir do antigo encouraçado Yamato, assim como foi sua a criação da maioria dos personagens que vemos, já que pouca coisa foi aproveitada da ideia original do Yoshinobu, além da premissa que se tornaria “Busca Por Iscandar”, a primeiras das três séries de tevê do Yamato.

Lembrando sempre que Patrulha Estelar não foi um mangá transposto para animação, e que sua versão em quadrinhos veio a ganhar vida de forma quase que concomitante a produção do anime.

Página da versão brasileira do mangá da Patrulha Estelar

Sua dedicação a saga foi tanta que numa entrevista de 2010, Matsumoto confirmou que deu “pitaco” até em sua música, pedindo ao maestro Hiroshi Miyagawa, compositor da trilha sonora, que o tema principal lembrasse algo como o segundo movimento da Terceira Sinfonia de Bethoven.

No que então obteve como resposta do maestro um: Tudo Bem! (risos)

E suas ligações com sua vida pessoal, incluso aí o passado de seu pai como piloto, ficam bem evidentes em diversos detalhes como as setas que adornam os uniformes da tripulação do Yamato, cuja inspiração veio de uma divisão aérea que usava os aviões Nakjima Hayabusa (o nome parece familiar?), cujos esquadrões eram identificados pelas cores diferentes das setas pintadas nos lemes das aeronaves.

As setas nos uniformes da tripulação do Yamato...

..foram inspiradas numa divisão de aviação japonesa

Só que a coisa começou a azedar entre Matsumoto e Nishizaki ainda à época do longa metragem “Adeus Yamato”, aquele com a estória do Cometa Império, que no final não sobra ninguém. Contudo, com a resposta negativa do público sobre a matança promovida no longa, e o consequente “recuo estratégico” dos produtores que decidiram recontar a saga na série de tevê que tão bem conhecemos, a parceria duraria mais um pouco.


Até que em 1979 em meio a produção do longa “A Nova Viagem”, Matsumoto se desentende de vez com Nishizaki largando o barco.

O motivo? Segundo Leiji, ele era contra a mania de Nishizaki de “matar todo mundo”.

Nas palavras do próprio mangaká:

Quando crio uma estória e um personagem, coloco tudo de mim nisto. Portanto, se o personagem é facilmente morto, parece que meu filho ou meu irmão foram assassinados”.

Contudo, apesar da raiva de Matsumoto que segundo relato próprio, teria rasgado o roteiro de “A Nova Viagem”, a relação com Yoshinobu ainda que por razões comerciais se manteve dentro do que se pode considerar como algo amistoso.

Matsumoto e Nishizaki juntos em 1980 no lançamento do longa "Para Sempre Yamato"

Ao menos até 1994 quando Nishizaki lançou por conta própria Yamato 2520 gerando o a briga judicial que relatamos aqui no artigo " Ih! Deu Ruim! Alguns dos Mais Loucos Processos Judiciais da Cultura Pop!".

Ainda que afastado de sua maior criação desde 1979, Leiji Matsumoto trilhou seu próprio caminho de maneira quase exemplar.


           Criando alguns outros clássicos como “Galaxy Express 999”, “Queen Emeraldas” e o icônico “Capitão Harlock e a nave Arcadia”.

Nos planos de Leiji, o Capitão Harlock estaria em Patrulha Estelar

Capitão Harlock que diga-se de passagem, pelos planos originais de Matsumoto deveria ter feito sua estreia fora dos mangás em “Busca Por Iscandar”, mas que devido aos cortes de orçamento ficou de fora da versão final da primeira saga do Yamato.

E seu nome facilmente se tornou referência para vários artistas ao redor do mundo, como nosso Maurício de Souza, e até Gene Rodembery o criador de Jornada nas Estrelas. Ainda que reze uma lenda urbana de que na casa dos Rodemberry que de fato era fã de Matsumoto era a esposa de Gene (risos).

Matsumoto e Maurício de Souza

Sendo que nesta seara, Leiji Matsumoto possui um capítulo que creio ser único.

Estamos no ano de 2001, e lá na França (lugar em que Matsumoto é reverenciado quase que como uma divindade), a dupla de música eletrônica Daft Punk estava prestes a lançar o álbum “Discovery”. Um trabalho quase conceitual no qual os dois mascarados que compunham a dupla, pretendiam fazer uma homenagem a infância.

Só que na cabeça dos dois, só o CD não parecia algo suficiente para promover seu novo trabalho, e eis que tiveram uma ideia tão louca, mas tão louca, que mesmo eu até hoje não consigo acreditar que deu certo.

Transformar aquele novo trabalho numa experiência audiovisual. E bolaram um roteiro para um pequeno filme de ficção-cientifica. Mas calma, se a coisa fosse só isto, tudo seria muito simples.

Como o álbum versava sobre infância, por que não tentar fazer com que um dos heróis de infância da dupla aceitasse uma empreitada conjunta?

Uma junção inusitada, Matsumoto e Daft Punk

E sim! É exatamente isto que você está lendo. Munidos apenas de coragem e uma alta dose de cara de pau, a dupla foi até o Japão, e sem nenhum aviso “bateu na porta” de Leiji Matsumoto, que para surpresa deles, topou a ideia. E passou a supervisionar toda a produção do longa que foi realizada pela TOEI Animation.

Não que esta união música e animação fosse uma grande novidade em se tratando de produções nipônicas, mas nunca nada do gênero havia chegado nem perto daquilo.

E em 2003 o longa “Interstella 5555” ganhava a luz do dia, sendo a numeração do título na verdade uma brincadeira que significa a sigla, “Secret Story of Star System”.

 E se você que está lendo este artigo, acha que seja impossível dar uma voltinha em alguma nave projetada pela mente de Matsumoto vou aqui lhe dizer que isto é mais fácil do que se pensa, pois em Tóquio existe um serviço de barco chamado Himiko Cruise, que funciona tanto como atração turística como taxi, e cujo o design é criação do mangaká.

Foi condecorado com a mais alta honraria de seu país, a “Ordem do Sol Nascente”, e na França com a “Ordem das Artes e das Letras”.

Apaixonado por gatos, Matsumoto foi “papai” de uma dinastia de gatas que sempre levavam o mesmo nome “Mi-Kun”, e que o artista sempre que podia fazia questão de retratar em suas obras.

O jovem Leiji, sua esposa Miyako e Mi-Kun

Casado com a artista Miyako Maki, conhecida no Japão por ter criado a boneca Licca-Chan (equivalente a Barbie em terras nipônicas), teve uma filha, Makiko, para qual neste último dia 20 de fevereiro coube a missão de comunicar ao resto do mundo que o gênio que encantou gerações segunda suas próprias palavras: Partiu numa jornada rumo ao mar de estrelas.



 

 

 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

As 10 Melhores Aberturas de Os Simpsons

 

Depois de muito tempo, enfim a série de animação mais longeva da história da tevê chega ao “Enquanto Isso na Ponte de Comando”.

E se ao longo dos anos a qualidade dos episódios pode até ser questionada, se tem algo que sempre gera expectativa são suas aberturas que volte e meia nos surpreendem. As vezes com meras citações nas famosas “piadas do sofá”, mas as vezes sendo completamente alteradas.

E nesta lista este humilde escriba elencou dez aberturas que considera icônicas.

Algumas com pequenos prefácios, outras que só pelo título são autoexplicativas. Sendo assim, lá vem elas... 

As 10 Melhores aberturas de “Os Simpsons”!

 

10 – Guerra nas Estrelas



09 – Jornada nas Estrelas



08 – Pixels



07 – Game of Thrones



06 – Episódio 500: Aqui temos várias piadas do sofá que ocorreram ao longo dos anos.



05 – O Hobbit



04 –  Abertura de Bansky: Bem, caso você que esteja lendo não ligue o nome à pessoa, Bansky é um artista de rua britânico famoso por grafites que criticam com ironia a sociedade. E nesta época a produção de “Os Simpsons” estava envolta numa polêmica de que usava mão de obra escrava sul-coreana. E já interessados em fazer uma homenagem ao artista o que fizeram? Contrataram ele para dirigir aquela que para alguns é considerada a abertura mais perturbadora do seriado até hoje.



03 – A Casa dos horrores XXIV: A “Casa dos Horrores” é aquele episódio especial para o Halloween, clássico do seriado. Só que neste caso resolveram caprichar, e abarrotaram a abertura com diversas referências a obras clássicas de terror e ficção fantástica.



02 -  Filme de arte russo



01 – LA-Z Rider: Trocando em miúdos, uma maravilhosa homenagem aos seriados e a cultura pop dos anos 1980.







 

domingo, 25 de dezembro de 2022

Filmation – A Terceira Força da Animação Norte-Americana

 

Aqui no blog, em oportunidades anteriores já visitamos a história de grandes nomes e produtoras de cinema de animação, como a Hanna-Barbera e Ruby&Spears.

Contudo, no meio da disputa das audiências das famosas “manhãs de sábado” nas tevês estadunidenses houve uma, digamos, terceira força. Que assim como suas coirmãs marcou época e faz parte da memória de muitos, a Filmation.

O começo, o embrião do que viria a ser a Filmation, tem início em 1957, quando Lou Scheimer e Hal Sutherland se conhecem enquanto trabalhavam na “Larry Harmon Pictures”, produtora bem conhecida de nós brazucas nos anos 80 pelos desenhos do Bozo e do marinheiro Popeye.

Em 1961 os dois amigos acabaram ficando sem emprego quando o senhor Harmon fechou a companhia, e aí foram descolar uns trocados numa outra produtora chamada True Line, da qual se tornaram sócios, onde foram abordados por uma empresa japonesa chamada SIB, a fim de produzir um desenho de cunho educativo chamado Rod Rocket, contando as aventuras de um garoto astronauta.

E logo depois acabaram por assumir o comando da produção de curtas-metragens sobre a vida de Jesus Cristo, patrocinados pela Igreja Luterana.

E então, já com alguma grana na conta, em 1962, Lou e Hal montaram, junto com um advogado chamado Ira Epstein - que acabou mesmo só sendo o famoso sócio administrativo -, a Filmation Associates, que acabou sendo creditada como design de produção nas produções que realizaram na True Line.

Mas calma! Esta ainda não era Filmation que conhecemos.

Esta só ganharia a luz do dia quando da chegada de um cara chamado Norm Prescott.

Da esq. p/ dir. - Norm Prescott, Hal Sutherland e Lou Scheimer

Que já chegou cheio das ideias, propondo uma sequência em animação para o clássico dos anos 30, “O Mágico de Oz”. Contudo, pela mais absoluta falta de verba para colocar o projeto para frente, foram “tocando a vida” como dava, fazendo vários comerciais.

Até que em 1965 ocorre o “pulo do gato”, se é que dá para chamar assim, na vida dos três, cujos caminhos se cruzam com o da DC Comics, mais especificamente com do célebre autor e editor Mort Weisinger, o criador do Aquaman.

Mort Weissinger - editor da DC

Ganhando assim um contrato para produzir uma série animada do Superman, a segunda animação do azulão após as clássicas animações feitas para o cinema pela Fleischer Studios.

E aí a coisa deslanchou de vez!

Com os heróis da DC a coisa começa a mudar para a Filmation

Lanterna Verde, Gavião, Flash, Átomo, Aquaman e até a Turma Titã, um embrião dos Novos Titãs, estavam lá nas telinhas pela primeira vez. Em animações que sim, estavam inseridas dentro do mesmo universo.

Sendo que só dois anos depois o Batman entraria para este time, com três séries distintas em momentos diferentes, e que chegaram a ter Adam West e Burt Ward, a clássica dupla do seriado de 1966, fazendo as vozes da dupla dinâmica.

E com a moral dada por estas produções de baixo custo e alta eficiência, em 1968 a Filmation fecha um baita contrato para produzir uma animação para a turma do adolescente Archie, personagem pouco conhecido aqui por estas plagas ao sul da linha do equador, mas que cujas tirinhas em quadrinhos eram um baita sucesso em terras de Tio Sam.

Aqui você que está lendo, já deve ter percebido que o forte da Filmation, ao contrário da Hanna-Barbera, era trabalhar sob encomenda. Mas com o sucesso alcançado, na virada para a década de 1970, decidem dar um passinho mais para frente, e fazerem algo que nos anos 80 a Ruby&Spears se tonaria especialista, que era produzir desenhos de celebridades, como dos comediantes Bill Cosby, e até do Rei da Comédia Jerry Lewis.

Conseguindo finalmente nesta época lançar nos cinemas o tão almejado projeto de Norm Prescott, a continuação em animação de “O Mágico de Oz”

Passando então a realizar aquilo que se tornou talvez sua maior marca até meados da década seguinte, que foram as adaptações de personagens bem conhecidos.

    E nesta lista temos as animações da cadelinha Lassie, e de Jornada nas Estrelas.

E dois daqueles que considero pessoalmente os três pontos altos da produtora, as adaptações de Tarzan (numa versão até bastante fiel aos originais de Edgar Rice Burroughs) e pegando carona no filme produzido por Dino de Laurentis, a adaptação de Flash Gordon.

E ainda que tenha sido nestas produções que a Filmation começou a usar a exaustão o processo conhecido como rotoscopia, não há como negar que se tinha um certo nível de esmero que não visto até ali, e nem repetido posteriormente.

Foi nesta mesma época também que começaram a abrir uma nova frente, investindo em seriados live action. Voltando a parceria com a DC Comics, e realizando o seriado do Shazam (que na época ainda atendia por Capitão Marvel).

Além de serem responsáveis pela criação simplesmente da Poderosa Ísis, que tempos mais tarde foi inserida no cânone oficial de personagens da DC. E lógico que não precisamos ser gênios para imaginarmos que houve crossovers entre os seriados dos heróis.

Fora que produziram um seriado, quase sitcom, dos Caças Fantasmas. Mas não aqueles Caça Fantasmas de Nova York e do Ecto-1, e sim aqueles que nos anos 1980 a mesma Filmation faria uma animação, mostrando as desventuras de dois amigos metidos a detetives que junto a um gorila falante viviam investigando casos envolvendo assombrações, sendo que na animação os personagens eram justamente os filhos dos personagens do seriado.

Fora a série da Ark II, que já tratava naquela época de um mundo pós- apocalíptico com extrema escassez de recursos naturais, na qual um grupo de jovens cientistas vagava por uma terra desolada em busca do que havia restado da humanidade, num plot quase Mad Max, só que com mais sentido.

Além de trazerem de volta ao menos dois clássicos das animações feitas para as matinês dos cinemas, Super Mouse, e Faísca e Fumaça.

Eis que então chegamos a década de 1980, e a Filmation resolve investir num personagem próprio, era vez de Blackstar!

Aqui preciso abrir um pequeno parêntese, para salientar o quanto este desenho foi importante. Primeiro por ter um protagonista, que ao menos para os padrões estadunidenses era negro; segundo por ter um dos vilões mais sinistros das animações para tevê, que sempre fica de fora daqueles posts de rede social sobre o tema, o carrancudo e pétreo Overlord; e terceiro que são seus diversos pontos de similitude, tanto na estória quanto visualmente com aquele que pouco tempo depois, viria a ser o maior sucesso da produtora.

E é óbvio que falo de He-Man e os Mestres do Universo.

Uma animação que se formos de fato parar para analisar sem o coeficiente da memória afetiva, se constitui num dos mais gritantes e bizarros casos de possibilidades perdidas que tive o desprazer de conhecer.

Com uma quantidade infindável de ganchos que poderiam ser desenvolvidos deixados de lado, em favor de uma cultura rasa de baba-eletrônica, sempre com aquela mensagem educacional tacanha no fim de cada episódio.

Mas como o que interessava ali era no fundo vender brinquedo e toda sorte de bugiganga, He-Man e os Mestres do Universo cumpriu seu papel com galhardia, alcançando altíssimos índices de audiência não importando o país que fosse exibido, vendendo de bonecos a lancheiras escolares como água no deserto.

Um sucesso tamanho que gerou a série de sua irmã, She-Ra!

Para o qual a origem é contada no longa-metragem de animação, “O Segredo da Espada Mágica”.

Os "Caça-Fantasmas" da Filmation

Contudo, porém, entretanto e, todavia, como se fosse uma lâmpada que brilha mais intensamente pouco antes de queimar, foi aí que coisa começou a descer a ladeira. E quando a Filmation resolveu ressuscitar em forma de animação seu antigo seriado dos Caça Fantasmas para pegar carona no sucesso da tripulação do Ecto-1, a coisa não deu certo.

Fazendo a produtora em 1987 “pagar pra ver”, e apostar numa outra produção que não era sob encomenda e com um personagem 100% próprio, o delegado espacial Brave Starr, que era descendente de índios, e que protegia o planeta Novo Texas.

Uma animação que a Filmation botava tanta fé que em 1988 chegou a lançar um longa-metragem nos cinemas norte-americanos, com gráficos muito mais caprichados, mas que nem de longe foram suficientes para evitar o fracasso nas bilheterias.

O longa-metragem de BraveStarr

Um baque tão forte que culminou com a venda da empresa em 1989 para um consórcio de investidores que tinha como cabeça a L’Oreal. Sim, ela mesma, a gigante mundial dos cosméticos, que vinha procurando outros campos de atuação para investir se dinheiro, mas que obviamente não tinha a menor noção do que fazer com uma produtora de desenhos animados.

E o que aconteceu? Nada! O mais absoluto nada!

Sem saber como gerir aquele acervo, salvo as produções que foram feitas sob encomenda, o catálogo da Filmation foi passando de mão em mão até 2004 quando foi comprada por uma empresa britânica chamada Entertainment Rights.

Para apenas em 2012 pousar em solos mais seguros quando foi comprado pela DreamWorks de Steven Spielberg.

Colocando um ponto final na trajetória de uma das maiores empresas produtoras de animação de todos os tempos.



 

sábado, 26 de novembro de 2022

E se Christopher Nolan dirigisse um filme do GI Joe? - O Fancast

 

Há algum tempo atrás aqui no blog, saindo um pouco dos artigos que usualmente costumo publicar, me dei a liberdade de criar um fancast para um filme da Patrulha Estelar (Patrulha Estelar - O Fancast!).

Agora venho aqui repetir a dose, só que com os GI Joe’s, nossos conhecidos “Comandos em Ação”.

E faço isto basicamente por um motivo muito simples:

Nunca engoli nenhum dos filmes da franquia, que jamais exploraram o potencial devido dos personagens (É difícil acreditar que Transformers deu mais certo...).

A premissa em questão foi criada por mim, levemente baseada em fatos reais. A escolha de Nolan como possível diretor se deve ao fato que acredito que apenas fugindo do tom cartunesco (cartunesco ruim, que fique claro), pode se pensar na revitalização desta franquia.

Então...boa diversão:

SINOPSE:

Na trama o alto comissário da ONU, Antônio Vieira (Morgan Freeman), tenta aprovar a ideia de que a Organização das Nações Unidas precisava ter uma força de resposta armada rápida para resguardar as vidas de inocentes em qualquer parte do mundo quando necessário.

Sua segurança era feita por um pequeno grupo multinacional de voluntários comandados pelo general Anthony Hawk (Thomas Jane). Uma espécie de embrião daquilo que Vieira tentava implementar.

Contudo uma série de atentados coordenados tiram a vida de Antônio, assim como de seu secretário Edward Natrix (Cillian Murphy) que é dado também como morto quando o avião em que estava cai no Oceano Indico.

O grupo de Hawk cai em desgraça, com o general perdendo sua patente enquanto sofre um processo por negligência na segurança de Antônio.

Contudo as coisas tomam um rumo inesperado, quando o misterioso Snake Eyes (Stephen Amel), busca contato com o general, tentando alertá-lo para todo um plano maior que estava por trás, e que a organização conhecida até então apenas como uma companhia militar privada chamada Cobra, era muito mais do que aparentava.


ELENCO PRINCIPAL:
Thomas Jane – General Hawk


Chris Hensworth - Duke


Scarlet Johansson - Scarlett


Christian Bale – Flint


Anne Hathaway – Lady Jaye


Terry Crews – Road Block


Stephen Amel – Snake Eyes


Bryan Cranston – Wild Bill


Jennifer Holland - Cover Girl


Cillian Murphy – Edward Natrix / Comandante Cobra


Adrew Koji – Storm Shadow


Doplh Lundgren – Destro


Meisa Kuroki – Baronesa


Timo Kotipelto – Han Xamot e David Duchovny – Tomax Han


PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:Morgan Freeman – Alto Comissário Antônio Vieira


 DIREÇÃO: Christopher Nolan




Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...