sábado, 26 de novembro de 2022

E se Christopher Nolan dirigisse um filme do GI Joe? - O Fancast

 

Há algum tempo atrás aqui no blog, saindo um pouco dos artigos que usualmente costumo publicar, me dei a liberdade de criar um fancast para um filme da Patrulha Estelar (Patrulha Estelar - O Fancast!).

Agora venho aqui repetir a dose, só que com os GI Joe’s, nossos conhecidos “Comandos em Ação”.

E faço isto basicamente por um motivo muito simples:

Nunca engoli nenhum dos filmes da franquia, que jamais exploraram o potencial devido dos personagens (É difícil acreditar que Transformers deu mais certo...).

A premissa em questão foi criada por mim, levemente baseada em fatos reais. A escolha de Nolan como possível diretor se deve ao fato que acredito que apenas fugindo do tom cartunesco (cartunesco ruim, que fique claro), pode se pensar na revitalização desta franquia.

Então...boa diversão:

SINOPSE:

Na trama o alto comissário da ONU, Antônio Vieira (Morgan Freeman), tenta aprovar a ideia de que a Organização das Nações Unidas precisava ter uma força de resposta armada rápida para resguardar as vidas de inocentes em qualquer parte do mundo quando necessário.

Sua segurança era feita por um pequeno grupo multinacional de voluntários comandados pelo general Anthony Hawk (Thomas Jane). Uma espécie de embrião daquilo que Vieira tentava implementar.

Contudo uma série de atentados coordenados tiram a vida de Antônio, assim como de seu secretário Edward Natrix (Cillian Murphy) que é dado também como morto quando o avião em que estava cai no Oceano Indico.

O grupo de Hawk cai em desgraça, com o general perdendo sua patente enquanto sofre um processo por negligência na segurança de Antônio.

Contudo as coisas tomam um rumo inesperado, quando o misterioso Snake Eyes (Stephen Amel), busca contato com o general, tentando alertá-lo para todo um plano maior que estava por trás, e que a organização conhecida até então apenas como uma companhia militar privada chamada Cobra, era muito mais do que aparentava.


ELENCO PRINCIPAL:
Thomas Jane – General Hawk


Chris Hensworth - Duke


Scarlet Johansson - Scarlett


Christian Bale – Flint


Anne Hathaway – Lady Jaye


Terry Crews – Road Block


Stephen Amel – Snake Eyes


Bryan Cranston – Wild Bill


Jennifer Holland - Cover Girl


Cillian Murphy – Edward Natrix / Comandante Cobra


Adrew Koji – Storm Shadow


Doplh Lundgren – Destro


Meisa Kuroki – Baronesa


Timo Kotipelto – Han Xamot e David Duchovny – Tomax Han


PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:Morgan Freeman – Alto Comissário Antônio Vieira


 DIREÇÃO: Christopher Nolan




segunda-feira, 24 de outubro de 2022

O Matador - The Killer

 

Durante todos estes anos de existência deste blog, já escrevi sobre alguns dos mais emblemáticos filmes de ação de todos os tempos. Desde o cartunesco “Comando Para Matar” até o tenso e realista “Lágrimas do Sol”.

Mas ainda havia um filme que não sei por que cargas d’água ainda não havia tido coragem de externar minha opinião. Talvez por ser um dos mais singulares exemplares de filmes que já tive o prazer de assistir,

Me refiro a “O Matador-The Killer”, a obra prima de John Woo.

O cinema de Hong Kong sempre foi profícuo em sua produção de filmes de ação, em geral voltados para o nicho das artes marciais. Mas em meados dos anos 1980 alguns cineastas passaram a querer dar um passo a mais, e quem sabe de passo a passo ir mais longe.

Na linha de frente deste movimento se encontravam os nomes de Tsui Hark e John Woo. Um movimento que teria grande influência sobre o cinema norte-americano da década seguinte.

Tsui Hark

E em 1989 os dois se unem, Tsui como produtor e Woo como diretor, para o que em tese poderia ser apenas mais um filme, mas que como outros já resenhados aqui se tornou um capítulo único nas histórias de seus realizadores.

John Woo

Quando se dá uma olhada na web, e nos deparamos com um resumo de “O Matador”, nem de longe se dá para imaginar o caldeirão de influências extremamente bem dosadas que este filme nos brinda e muito menos as outras tantas que foi capaz ade gerar.

No roteiro, Jeffrey Chow, o matador do título, vivido por Chow Yun Fat (estrela da maioria dos filmes de John Woo), ao realizar um “serviço” acaba disparando sua arma junto ao rosto da cantora Jenny (Sally Yeh) que lesiona as córneas.

Tempos depois, Chow acaba salvando Jenny de uma dupla de ladrões, e toma conhecimento do real estado da cantora que ainda sonhava com um transplante de córneas antes que perdesse por completo a visão. Então antes de se “aposentar”, nosso matador aceita um último trabalho, para com o dinheiro ganho financiar a operação de Jenny fora de Hong Kong.

Só que durante sua fuga enquanto era perseguido pelo policial Lee (Danny Lee), nosso matador é emboscado por atiradores contratados para fazer aquela tradicional “queima de arquivo”. E no meio do tiroteio uma menina é ferida.

E a forma como Jeffrey trata a situação da garota ferida, mesmo que colocando sua vida e liberdade em risco chama a atenção do policial.

A partir daí começa a se desenvolver uma outra estória envolvendo os protagonistas que até então se encontravam em lados antagônicos, mas que se veem um espelhado no outro, tanto pela forma como agem como ao perceberem estarem sendo manipulados num jogo sujo.

E em meio a alguns dos tiroteios mais insanos da história do cinema, John Woo vai tecendo sua colcha de emoções, sim emoções, pois “O Matador” é acima de tudo um filme que transborda em emoções das mais diversas, sem a menor vergonha de expô-las, mas sem em nenhum instante esquecer de ser um filme de ação.

Isto te lembra algo? Sim, é claro.

Não estou afirmando, mas é possível ver aqui um bocado da mesma atmosfera que anos depois Luc Besson aplicaria em seu “O Profissional”. Aliás roteiros de assassinos em crise de consciência se tornou uma premissa bastante utilizada durante os anos 1990, nos gerando alguns dos melhores filmes do gênero daquela década como “O Atirador” com Dolph Lundgren, ou “Assassinos Substitutos” protagonizado por ninguém menos que o próprio Chow Yun Fat.

Nos conduzindo através de um caminho de personagens que ainda que tenhamos visto em outras obras, poucas vezes foram tratados com a sutileza e profundidade que se vê aqui, embalados por uma trilha sonora melódica que lembra bastante a trilha sonora de algumas animações nipônicas da mesma época, em especial a já resenhada aqui “Wicked City”.

Hora reverenciando os antigos filmes de gangster, hora flertando com o faroeste (mais faroeste que a harmônica tocada por Chow é impossível). Numa mistura de cenas tocantes que se intercalam com cenas da mais crua violência gráfica, mas que estão lá para justamente complementar nossa experiência e nos fazer torcer por aqueles personagens.

Além lógico daquele festival de “maneirismos” típicos de John Woo e nos anos seguintes exaustivamente copiados pelo cinema estadunidense, como as famosas cenas em que um personagem em um momento crítico aponta a arma para o outro e vice-versa. E as indefectíveis pombas brancas, a marca registrada mais conhecida do diretor.

Como resultado desta pérola - além de outro filme seu, “Fervura Máxima”-, e o bom marketing que gente como Quentin Tarantino fez de seu trabalho, John Woo carimbou seu passaporte para Hollywood, levando a reboque seu amigo e maior astro, Chow Yun Fat, mas que estranhamente seguiu seus próprios rumos dentro do cinema norte-americano.

E eis que chegamos então em 2022. E não é que mais de trinta anos depois, é anunciado que “O Matador” ganhará um remake norte-americano. Até aí nada demais, mas o detalhe aqui é que o próprio John Woo está à frente do projeto.

A ideia é boa? Você que talvez nem tenha assistido ao filme original possa estar se perguntando agora.

Bem, na humilde opinião deste escriba, o fato de Woo estar envolvido com a coisa toda é muito bom, mas não dá para se ter certeza do êxito desta empreitada por dois motivos básicos.

O primeiro é que considero “O Matador” um daqueles filmes que estão no mesmo pacote de “Robocop” ou “De Volta Para O Futuro”, ou seja, são “inrrefilmáveis”.

E segundo, porque no fim das contas, o “Matador” acaba por ser sobretudo, uma jornada - ainda que meio frenética as vezes -, sobre amizade e honra.


E como diz o próprio Jeffrey Chow em determinado ponto do filme: O mundo agora está mudado. A palavra “honra” é palavrão.

Mas isto só o tempo dirá. O mesmo tempo que cunhou “O Matador” como um dos melhores filmes de todos os tempos.



 

sábado, 17 de setembro de 2022

A História Sem Fim - O Filme Mais Profético de Todos Os Tempos.

 

Durante estes cinco anos de existência do “Enquanto Isso na Ponte de Comando”, tive sentimentos conflitantes sobre escrever sobre “A História Sem Fim”.

Apesar de ter uma opinião bem formada sobre a proposta do filme, sempre fiquei reticente sobre escrever a respeito dele. Contudo, diante da passagem de seu diretor no último dia 12 de agosto, o icônico Wolfgang Petersen (O Barco, Inimigo Meu, Na Linha de Fogo), e de me deparar com algumas resenhas simplesmente horríveis (mas que ainda assim provam que o filme sempre esteve certo), percebi que a hora tinha chegado.

Baseado no livro de mesmo nome do alemão Michael Ende, e com roteiro do próprio Ende e de Petersen, A História Sem Fim nos apresenta a Bastian Balthazar Bux (Barret Oliver), um garoto solitário, que tem que encarar a barra da perda recente da mãe, a quase absoluta indiferença do pai, além do bulying dos valentões do colégio, e que procura se refugiar nos livros e em mundos de ficção para sobreviver a tudo isto.

Até aí nada demais, como todos nós sabemos, e A História Sem Fim poderia tranquilamente passar por mais um produto massificado, embrulhado numa capa de boas intenções e recheado de mais do mesmo.

Mas quando ao fugir de seus agressores, Bastian entra num sebo, e trava contato com um misterioso livro, ao qual malandramente leva consigo para o sótão da escola e  começamos a embarcar num dos maiores exercícios de metalinguagem que já vi num filme.

Bastian começa a travar contato com "Fantasia"

E que faria a geração acostumada a “Harry Potter” ter o crânio esmagado sob o martelo invisível do drama, depressão e agonia com o qual o roteiro é mergulhado. Isto ao mesmo tempo que “conversa” de forma absolutamente proposital com o mundo real.

E para quem ainda nos dias de hoje defende a tese que tudo que acontece na película é uma metáfora para o luto de nosso jovem protagonista, lamento informar que o buraco é bem mais embaixo.

Pois se no começo tudo parece um “conto de fadas” no qual somos apresentados a personagens como um caracol de corridas, ou um gigante comedor de  pedras, logo após sabermos qual seria a “jornada do herói” que Atreyu, o protagonista do livro deveria cumprir, a coisa começa a mudar um pouco (ou muito) de figura.

A Imperatriz Menina

Nosso jovem herói precisava viajar até os confins de Fantasia (o mundo do livro) a fim de conseguir a cura para Imperatriz Menina achando uma criança humana para tal, e impedir o avanço de uma entidade chamada de “O Nada”.

Atreyu recebe o Auryn

Tendo apenas como “proteção” uma joia, um pingente que lhe é ofertado chamado Auryn, o mesmo símbolo que adorna a capa do livro.

E a medida que Bastian vai mergulhando na trama do livro, o filme cria a percepção que a barreira entre a ficção que lia e a realidade aos poucos se torna mais tênue.

Algo que poucos percebem (e em razão disto saem por aí escrevendo bobagens), que a estória trata de Fantasia não como algo fictício, mas sim como uma realidade alternativa, que apenas existia em função de uma relação simbiótica com nosso mundo, sendo o livro o portal de ligação.

E que todo plano da Imperatriz era um grande ardil a fim de atrair a atenção de alguma criança. Algo bem complicado já naquela época.

E de certa forma cabe até uma comparação com nosso querido Mestres do Magos, pois para atrair a atenção de Bastian, Atreyu acaba passando por diversos desafios e mazelas. Sendo a pior delas sem dúvida a perda de Artax, seu cavalo de estimação que morre afundando aos poucos na lama do assim chamado Pântano da Tristeza.

Atreyu tenta salvar Artax

Do qual o próprio Atreyu acaba por ser salvo no último segundo por Falkor, o dragão (como cara de cachorro) da sorte, enquanto sem saber era perseguido por Gmork, um lobo enorme que havia se tornado uma espécie de arauto do Nada.

Atreyu e Falkor

Já tive o desprazer de ler resenhas que tentam desmerecer a trama com alegações das mais pífias, para não dizer preguiçosas, como o fato do filme ser “muito triste’’ e “depressivo”, quando na verdade trata justamente da recuperação da esperança, ao mesmo tempo em que lança um alerta (super atual, diga-se de passagem) de como as pessoas ao deixarem de sonhar também deixam de realizar. E que consequentemente passam a ser mais fáceis de controlar pois perdem as esperanças.

E aqui entramos naquilo que torna este filme o “Mais Profético de Todos os Tempos”. Algo que talvez nem o próprio Michael Ende tenha pensado ao escrever seu livro. E não, não me refiro aqui a nenhum futuro despótico.

O "Nada" ameaça destruir "Fantasia"

Como a metáfora do “Nada” viria a se aplicar tão bem aos dias hoje, numa sociedade que preferiu trocar seus sonhos e realizações pela anestesia da automatização em todas as facetas da vida. Algo mostrado inclusive na indiferença e falas do pai de Bastian na cena do café da manhã. 

Questões semânticas (ou nem tão semânticas assim) à parte, “A História Sem Fim” foi a produção mais cara do cinema alemão até então (27 milhões de dólares), superando com folga “O Barco” do próprio Petersen, que obcecado ao extremo por perfeição chegava a fazer quarenta cortes diferentes para uma mesma cena, e isto fez com que as filmagens que deveriam durar só três meses, se estendessem por quase um ano inteiro.

Wolfgang Petersen

Apesar de ter colaborado com o roteiro, a relação de Michael Ende com o estúdio e com Wolfgang Petersen começou a azedar ainda durante as filmagens. Já que o escritor foi contra várias representações visuais existentes na película, desde a famosa “cara de cachorro” de Falkor, até a cena das esfinges que soltam raios, que foram retratadas com seios fartos, um visual que Ende considerava constrangedor.

Fazendo o escritor pedir que tirassem seu nome dos créditos e até mudassem o nome do filme, chegando posteriormente inclusive a processar os produtores, mas perdendo.

Michael Ende e seu livro

Mais tarde Ende declarou que ninguém envolvido no filme entendeu coisa alguma que estava em seu livro. Contudo, ainda que o escritor possa lá ter sua cota de razão, o que vemos em tela retrata apenas a metade do livro, o que acabou deixando brecha para uma sequência, que esta sim mexeu bastante no conteúdo original. Houve até um terceiro filme, mas este é melhor nem comentar.

Steven Spielberg ganhou de Petersen o Auryn original

O que pouca gente sabe é que na versão norte-americana, “A História Sem Fim” recebeu uma ajudinha de Steven Spielberg, que encantado com o filme, ajudou Wolfgang Petersen a fazer pequenas edições, tirando cerca de sete minutos do filme à fim de deixa-lo mais ágil para o público estadunidense. Em agradecimento, Petersen deu para Spielberg o “Auryn” original usado no filme, que está guardado numa redoma de vidro no escritório de Steven.

Passados quase quarenta anos de seu lançamento “A História Sem Fim” permanece como um dos filmes de fantasia fantástica mais expressivos de todos os tempos, e que só cai na rotulação do “infantil” devido a necessidade da própria indústria em fazê-lo.

Mas que merece sempre ser revisto de tempos em tempos por aqueles que já o conhecem, assim como descoberto por novas gerações. Não pelo viés raso do saudosismo conveniente, mas por que permanece nos dias de hoje mais atual do que nunca!



 

 

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Caverna do Dragão - Mitos, absurdos e a verdade

 

Se existe uma animação que ultrapassou a barreira geracional, e tomou ares de lenda urbana, esta animação é Caverna do Dragão!

Ainda que historicamente Jonny Quest ou Patrulha Estelar, sempre tenham maior relevância, a saga dos garotos que ao entrarem num “carrinho” de parque de diversões são transportados para um mundo fantástico, sempre esteve envolta numa neblina de especulações, das mais simples até as mais bizarras.

Primeiramente quero deixar bem claro que este artigo não se propõe esmiuçar todas as três temporadas da série, apenas – após muita pesquisa – encerrar (assim espero), como um monte de teorias (muitas vezes convenientes) e blá blá blá vazio, que persistem mesmo após a realização por parte de fãs do episódio final escrito por Michael Reaves.

Acredito que você que esteja lendo este artigo já tenha se deparado principalmente em redes sociais com as teorias malignas sobre a série, que diziam entre tantos absurdos, coisas como o Mestre dos Magos ser o verdadeiro vilão ou até que a Uni a unicórnio seria um demônio que sempre impediria os garotos de retornarem para casa.

Isto sem falar na melhor, mais risível e preguiçosa de todas. A teoria de que os garotos estavam todos mortos, e que aquele mundo seria o inferno. Teoria aliás que veio a reboque (ou ao menos ganhou força), após ter sido usada para justificar por parte do público a lambança do seriado Lost.

É obvio que Caverna do Dragão foi um pequeno ponto fora da curva, principalmente para seu tempo, e que alguns episódios podem de fato (e até propositalmente) suscitar gossips, mas da mesma forma deixa claro em várias situações que as lendas urbanas não se justificam. Pelo menos em sua maioria (risos).

Primeiro o mais básico, e que até já li artigos que contestam. A volta para casa! Sim os garotos em algum momento voltam para casa, e isto é absolutamente explicitado em ao menos dois episódios.

Em “O Sonho”, cujo título original é “A Garota que Sonhava o Amanhã”, após encontrarem um carrinho idêntico aquele que os trouxe para aquele mundo, os jovens conhecem uma garota chamada Teri.


     Descobrem então que esta menina era uma clarividente e que tudo que ela sonhava acabava se tornando real. E partem numa jornada para enviar a garota de volta. Quase no final do episódio, Teri conta a Bob sobre um último sonho que teve, no qual eles se encontravam aqui no nosso mundo, antes voltar. Deixando claro, ainda que de forma implícita, devido a edição, que um dia todos voltarão.

Outro caso, e este é ainda mais elucidativo, é “A Cidade à Margem da Meia-Noite”. Aliando-se ao Rei Rahmud (que eles não faziam ideia ser um rei), os garotos procuram a tal cidade, onde crianças, tanto do Reino quanto da Terra, estão sendo mantidas como escravas. No final da batalha, os garotos encontram um colega de escola chamado Jimmy Withaker. E ao reconhecerem o menino, imploram a ele que avise seus pais que estão perdidos no Reino.

Contudo a reposta do pequeno Jimmy vem em forma de deboche dizendo: “Vocês estão malucos? Hoje é noite de domingo! Vocês foram ao parque de diversões e eu não pude porque tinha dever de casa. Isto é apenas um sonho. Vejo vocês amanhã na escola.”. E retorna ao nosso mundo.

Mas por que este episódio é elucidativo?

Pois se formos pensar que em outro episódio chamado “Apagando-se o Tempo”, no qual os garotos encontram um piloto alemão da época da 2ª Guerra Mundial, que cai no Reino a bordo de seu avião Stuka, fica claro para olhos mais atentos que aquele mundo era ou vivia uma espécie de hiato temporal, independente da linha do tempo e espaço de nosso mundo.

Portanto, não importava quanto tempo os jovens passassem no Reino, sempre poderiam (em tese, lógico) retornar para casa, sem prejuízo qualquer em suas vidas.

Mas então por que eles não arranjavam um modo de voltar?

Isto sempre esteve absolutamente claro! Eles tinham uma missão a cumprir ali. A missão de redimir o Vingador.

E aí entramos em alguns pontos interessantes, como a desatenção de boa parte do público, desatenção de parte também dos realizadores da série, e de uma certa forma a confirmação de teorias populares.

Na parte de desatenção do público, não precisamos nos aprofundar muito, creio eu, pois tudo que foi explanado nos parágrafos anteriores já dá uma ótima noção disto.

Contudo ainda posso citar aquele que talvez seja o episódio mais icônico da animação, “ O Cemitério dos Dragões”. Aquele no qual após terem sua volta para casa frustrada pelo Vingador, que no processo ainda deixa Uni ferida despertando um ódio visceral em Bob, faz a frustação do grupo chegar num ponto me que confrontam o Mestre dos Magos, interrogando de que modo poderiam de fato vencer o seu inimigo.

Aqui escancara-se a inteligência do que podemos chamar de plot principal da animação, pois a jornada dos garotos, com seus erros, frustações, imperfeições e até tentações, assim como a superação deles, era o que nos planos do Mestre dos Magos, mostraria ao Vingador, que no passado tinha sido bom, o quanto o caminho que decidiu trilhar estava errado.

Nem todas as teorias sobre o Mestre dos Magos estavam erradas?

E também escancara que nem todas as teorias populares estavam assim tão erradas, afinal vamos aqui entre nós concordar, que em nada de acidental teve a ida dos garotos para aquele mundo pelo jeito. E todo aquele glossário de provações pelos quais passaram era apenas um plano do Mestre dos Magos, que através do sacrifício deles queria trazer de volta seu antigo discípulo, numa dualidade das mais bizarras, no qual os fins de acordo com a mente de seu realizador, justificariam plenamente os meios.

Mas ainda há a relativa falta de atenção, ou talvez coordenação dos realizadores da série. Pois mesmo antes de “Requiem’’, o famigerado episódio final ver a luz do dia, em “O Cemitério dos Dragões” o Mestre dos Magos chama o Vingador de filho.

Contudo, mesmo que Michael Reaves já tenha dado declarações que gostava desta ideia da ligação paternal entre os personagens, sempre considerei apenas a expressão filho como um tratamento afetuoso. Algo que se reforça se pararmos para pensar no episódio “A Cidadela das Sombras”, no qual somos apresentados a irmã do Vingador, que ao contrário do protagonista mono-chifre da animação, é ruim na raiz.

Ou seja, se o Mestre fosse pai do Vingador, seria pai da moça também? Aí, na opinião deste humilde escriba, seria forçar demais a boa vontade.

Mas então por que cargas d’água, uma animação tão inteligente e bem realizada e que dava retorno financeiro, acabou sendo encerrada de uma hora para outra, sem um final ou gancho para uma possível nova temporada?

Aí vem a história por trás da história. Algo bem além de justificativas padrão, como “baixa audiência’ ou “baixa venda de produtos licenciados”, como chegou até a ser divulgado em extras de um box com todos os episódios que saiu em 2006.

Como todos estão cansados de saber a animação cujo título original é “Dungeons & Dragons” em alusão ao jogo de tabuleiro criado por um cara chamado Gary Gygax, que junto com um conhecido chamado Don Kane criou uma empresa chamada TSR, sigla para Tatical Studios Rules para justamente promover o tal jogo.

Porém, como diria o velho ditado: Money que é good nós não have.

Da esq p/ dir: Gygax, Blume e Kane

E os dois precisaram se unir a um cara chamado Brian L. Blume, que seria o “sócio da grana”. Contudo, porém, entretanto e, todavia, no meio do caminho Don Kane morre. E para evitar problemas com a esposa de Don que seria a dona natural de sua porcentagem na empresa, Blume convence Gygax a fechar antiga TSR, e vejam só, abrir uma nova, que se chamaria TSR Inc.

Uma nova TSR que em 1981 passou a ter novas pretensões, como licenciar produtos além dos livros, dados e bonequinhos do jogo. E entre as novas pretensões estava a de vender a ideia para fins de realização obras como filmes e seriados.

E no colo de quem esta missão foi parar?

Justamente no colo de Gygax que ralou mais que esmeril, até que enfim o canal CBS comprou a ideia, e aliando-se a divisão de animação da Marvel e a japonesa TOEI Animation.

Só que no fim das contas, TOEI, Marvel e CBS eram apenas as “viabilizadoras” digamos assim do projeto, pois a dona da coisa toda permanecia sendo a TSR.

E tudo ia aparentemente muito bem, até que Gary Gygax começa a escutar boatos de que Blume queria vender a empresa. Algo que nem uma criança de seis anos aceitaria, afinal a empresa entre produtos próprios e licenciamentos da franquia de animação estaria lucrando muito.

O que faz nosso destemido Gary pegar um avião e viajar até o outro extremo dos Estados Unidos para tirar satisfação com Blume. E foi aí que Gygax descobriu um rombo milionário na empresa, com fortes indícios, como por exemplo a compra de setenta carros, de que Blume encabeçava o desfalque nos cofres da TSR Inc.

Gary Gygax

Tentando então salvar a empresa que já acumulava dívidas da ordem de mais de um milhão de dólares, Gary vai até o conselho da empresa e com “muito tato”, pede o afastamento de todos os supostos envolvidos.

Mas como diria o Capitão Nascimento: O sistema é f****!

E em retaliação o mesmo conselho vende as ações de Gygax para uma senhora chamada Lorraine Williams que queria dar rumos bem diferentes para a empresa.

Gary Gygax até entrou na justiça para anular a venda, mas perdeu. E ainda que pudesse recorrer à uma instância superior, a verdade foi que nosso herói estava quebrado financeiramente. E os advogados ao pedir mais dinheiro para aquela nova contenda judicial jogaram a derradeira “pá de cal” sobre a pretensões de Gary, que ficou nervoso demais (para usar um termo educado) e resolveu abandonar a TSR Inc indo tentar criar outra empresa.

E por que contei toda esta epopeia? Esta, quase obra de Cervantes?

É por que coincidentemente tudo isto ocorreu na mesma época que supostamente Caverna do Dragão passou a ter baixas audiências. A mesma época em que a CBS encomendou para Michael Reaves um episódio especial que fosse escrito de forma que pudesse funcionar tanto como um ponto final para saga, como um gancho para uma quarta temporada.

Ou seja, para se livrarem de serem arroladas num possível processo, CBS, Marvel e TOEI decretaram o fim de Caverna do Dragão sem o famigerado “capitulo final”, isto sem saber que Gygax já tinha até “jogado tudo para o ar”.

Então é isto. Caverna do Dragão não foi vítima de baixa audiência como versões “oficiais” alegaram por anos, e muito menos por pressão de entidades religiosas que pensavam haver algo de maligno na animação.

Ah! E antes de terminar este texto, já imaginando que alguém possa comentar algo sobre o cavalo do Vingador que não voava, já vou logo dizendo que voava sim, pois era da mesma espécie do Cavalo de Fogo (Wildfire no original).

Ou vão dizer que não perceberam a semelhança? (risos)



 

 

 

 

Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...