terça-feira, 10 de maio de 2022

Patrulha Estelar - Space Battleship Yamato 2205

 

Depois de algumas idas e vindas geradas pela pandemia, enfim chega até todos nós, Space Battleship Yamato 2205.

O terceiro dos remakes do Encouraçado Espacial Yamato, tão bem conhecido aqui em Terra Brasilis como Patrulha Estelar.

E aqui estou mais uma vez tentando resumir e resenhar esta que se pretende ser a primeira parte do que sempre chamamos de “A Saga dos Golbas”.

Bem no espírito destes remakes, logo de cara (para quem está acostumado com a saga clássica) vemos que elementos que em tese só seriam mostrados mais para frente na continuidade da saga já são inseridos aqui.

Alguns estabelecendo ótimos retcons, como no caso de como o império Galman-Gamilon se forma, e que nos brinda com Deslock pela primeira vez sendo Deslock (se você é fã da saga, sabe do que estou falando), libertando os galmans das garras da Federação Polar/Bolar do qual temos apenas um rápido vislumbre.

Assim como toda uma mitologia criada para explicar a criação e ligação entre Iscandar e Gamilon.

Sem falar na explicação para Iscandar não ter uma população como em Gamilon. Aliás, explicação que tem uma parte que deve ter feito Richard Donner lá do céu, abrir um sorriso de orelha a orelha.

Outros pontos, porém, apenas só servem para gerar um hype vazio que não se justifica, como no caso de terem trazido lá de “A Crise do Sol”, Ryusuke Domon, lhe dando uma suposta razão para odiar Derek Wildstar/Sussumu Kodai, mas que começa a ruir logo no começo, quando temos pela primeira vez nestes remakes Wildstar sendo Wildstar.

Estes três últimos parágrafos talvez então possam te dar, como eu tive ao assistir, a impressão que esta nova versão para o longa-metragem “A Nova Viagem” possa ter recuperado o espírito que fez da saga da Patrulha Estelar algo diferenciado de seus congêneres.

E ainda que, no que diz respeito aos retcons, esta nova animação se mostre superior ao confuso, para não dizer desastroso, ”Yamato 2202”, a falta de noção de quando parar, acaba colocando novamente a “carroça na frente dos bois”.

Exemplo?

Bem, na saga clássica a motivação para os golbas, que aqui mudaram de nome e são chamados de dezarians (não me perguntem por que), estavam minerando o que havia sobrado de Gamilon, pois o planeta tinha minérios que serviam de combustível para suas naves. Tudo simples e objetivo.

Mas aqui mais uma vez temos uma subtrama meio confusa, na qual os golbas (Não vou chamar de “dezarians” de jeito nenhum), parecem temer a energia de ondas da qual Iscandar é sua matriz. Algo que até existe na saga original, mas que só vai ser mencionado no longa seguinte “Para Sempre Yamato”.

Ou seja, atropelaram a narrativa mais uma vez.

Não que tudo numa adaptação tenha que ser igual a obra original, lógico que não. Mas tem coisas que simplesmente só servem para quebrar o clima, e gerar o anticlímax.

Anticlímax que se reflete em pontos chaves como na sequência em que a frota comandada pelo Yamato chega para ajudar Deslock na retirada dos últimos habitantes de Gamilon.

E sim, eu disse frota, pois aqui em mais uma mirabolante e desnecessária invencionice do roteiro, resolveram separar os principais protagonistas, dando a Sandor/Sanada e Lola/Yuki, o comando de duas outras naves.

Além de diminuir drasticamente a participação de outros personagens como Venture/Shima (que não ganhou promoção), o Dr.Sam e nosso querido IQ-9, que é substituído pela presença de três outros robôs do  mesmo modelo na ponte da nave de Sandor, a Hyuga, mas que só estão lá para vias de “penduricalho visual”.

E nem vou citar o arco final, que está anos luz de distância de causar o mesmo impacto do original, já que as intenções de Starsha são explanadas durante o decorrer da aventura, para só após uma ação de resgate da tripulação do Yamato, acabar se concretizando.

Durante quase todo decorrer de “2205” são citadas, como recortes em meio a trama, questões referentes ao contínuo do tempo pelos golbas (não vou chamar de dezarians mesmo!), algo que obvio é um gatilho para o futuro da trama, mas que não deixa de colocar uma “pulga atrás da orelha”.

Isto por duas questões.

A primeira é que em “2202” já tivemos a péssima ideia do lapso temporal no centro da Terra.

E segundo que ao que tudo indica teremos o tema “viagem do tempo” no próximo remake. O que não seria nada demais, se na saga original os golbas, numa sacada de roteiro genial, já tivessem usado este plot como artífice para enganar a tripulação do Yamato.

Mas ao que parece no futuro remake, que atenderá pelo nome de “3199 Rebel” esta questão não será apenas um mero artífice. Como já deixa praticamente explícito a cena pós-créditos no fim do último dos oito episódios.

E aí vem a grande pergunta.

Rebel 3199 - Anunciado como o último dos atuais remakes

Como o futuro “Space Battleship Yamato 3199 - Rebel” fará para equacionar, viagem no tempo, os golbas (nada de dezarians) e até uma possível presença da Federação Polar, já que este já foi anunciado como sendo o último dos atuais remakes?

Então como saldo positivo de “Yamato 2205”, acredito que podemos tirar um Deslock mais próximo, ainda que tardiamente, daquilo que nos acostumamos a ver; algumas explicações bacanas, ainda que nem sempre tão necessárias; e a pouca duração deste remake, que não deu tempo para aquela espiral de “filosofia de divã” de “2202”, ainda que tenham tentado colocá-la aqui.

Na atual conjuntura das animações nipônicas, em sua maioria repletas de personagens rasos e bizarros, cheias dos piores cacoetes narrativos possíveis, não se pode negar que a nova versão das aventuras do Encouraçado Espacial Yamato não seja uma boa exceção.

Mas que ainda patina na tentativa de replicar elementos fundamentais de sua mitologia, enquanto tenta se distanciar por vezes da mesma.



terça-feira, 19 de abril de 2022

Ary Fernandes - O Pai dos Seriados Brasileiros

 

Hoje com todos os recursos digitais disponíveis, joint ventures com produtoras estrangeiras e até com um público considerável, capaz de assimilar com mais facilidade o conteúdo de seriados de ação e aventura para a tela pequena, vemos surgir séries, em geral feitas para o streaming, que procuram recriar ao nosso modo aquilo que a maioria de nós cresceu vendo apenas os norte-americanos e os japoneses com seus tokusatsus fazerem.

Mas houve um homem, que numa época em que se faziam passeatas contra guitarra elétrica em Terra Brasilis, acreditou num sonho. Criar heróis genuinamente brasileiros.

Seu nome? Ary Fernandes!

Nascido em 31 de março de 1931, Ary iniciou sua carreira como locutor de rádio em 1949. Tendo em 1952 sua primeira experiência cinematográfica como assistente no filme “O Canto do Mar”.

E se tornou um dos pioneiros de nossa tevê, quando da chegada da “novidade” em nossas terras. Contudo, ao contrário dos demais colegas contemporâneos que pensavam na teledramaturgia da época apenas como veículo para adaptações de romances de escritores como Machado de Assis ou Joaquim Manuel de Macedo, o jovem Ary, que cresceu assistindo as matinês de cinema e seus seriados, sempre teve em mente que precisávamos ter nossos próprios heróis.

E com esta ideia em mente, em 1958 iniciou o projeto que viria a mudar a cara da tevê brasileira, O Vigilante Rodoviário.

Contando as aventuras de inspetor Carlos (Carlos Miranda) e seu fiel companheiro o cão Lobo pelas estradas do Brasil.

Contudo, se lá no exterior, convencer anunciantes e produtores de que uma ideia é boa para se investida já era complicado, imagina em Terra Brasilis desta época. Sendo assim, apenas em 1959, foi produzido o episódio piloto, chamado “O Roubo do Diamante Gran Mongol”, tendo sua estreia ocorrido pela extinta Tevê Tupi só em março de 1961 quando estavam já prontos cerca de 10 episódios.

Devido as várias dificuldades técnicas da época, até para se duplicar um filme em película, o seriado era exibido as quartas-feiras em São Paulo, e mal terminava já viajava de carro para o Rio de Janeiro onde era exibido na quinta-feira.   

Mas isto não impediu que as aventuras do inspetor Carlos e Lobo causassem uma verdadeira revolução em nosso país, chegando a ter índices de audiência que dependendo da região do país variavam de 90% até 100%!

Ou seja, Vigilante Rodoviário era uma final de Copa do Mundo toda semana!

Com o sucesso e vislumbrando alcançar um público maior, já que ainda era bem baixo o número de aparelhos de televisão em nosso país na época, a série chegou aos cinemas em 1962 com o longa-metragem “O Vigilante Contra o Crime” e dois anos depois com “O Vigilante em Missão Secreta”.

O inspetor Carlos e Lobo - Dupla inseparável

Um feito que só Arquivo X foi capaz de repetir nos anos 1990, já que o longa-metragem do Batman derivado do seriado de 1966 pode até ter ido parar nos cinemas, mas foi pensado originalmente como um telefilme.

Mostrando que a aposta de Ary Fernandes estava mais que acertada ao criar seu personagem pensando na simpatia que a Polícia Rodoviária possuía com as pessoas da época.

Mas nenhuma escolha de Fernandes foi tão certeira quanto Lobo!

O SRD (Sem Raça Definida), filho de um pastor alemão com uma SRD, não apenas encantava a todos, como se tornou um caso único na história do audiovisual mundial.

Lobo - A grande estrela do seriado

Nascido em 1955, Lobo tinha como tutor um soldado da extinta Guarda Pública, e quando iniciou seus trabalhos na série até já era conhecido no meio publicitário por alguns trabalhos, mas o que Ary Fernandes nem imaginava era que seu ator canino se tratava de um indivíduo muito acima dos demais.

Pois o que poucos sabiam era que Lobo já acompanhava seu tutor nas rondas diárias pelo bairro, isto sem nenhum tipo de treinamento específico para tal, já estando mais que acostumado com aquele tipo de ação, o que fazia com que as filmagens dos episódios em geral ocorressem sem o menor tipo de contratempo.

Só para se ter uma ligeira ideia, no clássico seriado “Rin Tin Tin”, eram usados nada menos que dezoito cães diferentes para realizar cada ação que se via na tela. Mas Lobo fazia tudo sozinho, sem ter passado por nenhum tipo de adestramento específico.

Vou até me permitir um momento de empolgação neste texto, e afirmar que Lobo é até hoje o melhor representante da nossa miscigenação brazuca.

O único incidente sério que ocorreu durante filmagens, foi quando Lobo acidentalmente sofreu uma queimadura em sua cauda, ao encostá-la no cano de descarga da moto Harley&Davison do inspetor Carlos, obrigando a produção a trocar a moto pelo famoso Simca Chambord.

Carlos Miranda após se aposentar da Polícia Rodoviária

A identificação de Carlos Miranda com o personagem que vivia foi tanta, que o ator ao fim do seriado acabou ingressando de fato na Polícia Rodoviária de São Paulo, onde atuou em vários cargos, mas que graças a fama e prestigio dado pelo seriado, se tornou porta-voz e relações públicas da corporação.

Vigilante Rodoviário teve um total de três temporadas e 38 episódios, cujo o último foi transmitido originalmente em maio de 1967. um sucesso tamanho que até nos quadrinhos foi parar.

Mas Ary Fernandes queria mais, e em março de 1968 o público brasileiro era apresentado ao esquadrão “Águias de Fogo”.

Com uma abertura que para a época devia ser algo impressionante, mostrando os poderosos caças ingleses Gloster Meteor que a FAB operava naqueles tempos, Águias de Fogo apresentava as aventuras de um time de aviadores da nossa força aérea, formado pelo Major Ricardo (Dirceu Conte), o sargento Fritz (Edson Pereira) que apesar de nome era afrodescendente - ao que parece Ary Fernandes gostava de provocar os nazis - especialista em comunicações, o Aspirante Fábio (Roberto Bolant), piloto novato que costumava ser o “alívio cômico”, e Capitão César (interpretado pelo próprio Ary Fernandes), em missões que na maioria das vezes tratavam de resgates, mas que por vezes remetiam a filmes de espionagem.

Como no episódio “O Invento” no qual um cientista que havia perdido seu filho aviador na guerra (2ª Guerra para ser mais preciso, o seriado é de 1968), desenvolve um novo tipo de combustível que mesmo em grandes quantidades não se incendiava. E obvio que a invenção desperta o interesse de nações estrangeiras e de espertalhões que pretendem fazer fortuna vendendo a fórmula.

O esquadrão Águias de Fogo

Mesmo com o apoio oficial, Águias de Fogo era um projeto caro, e sua produção foi encerrada com apenas 26 episódios produzidos, mas não sem antes quase conseguir um feito histórico.

Pois hoje até podemos estar acostumados com crossovers entre seriados diferentes, especialmente quando fazem parte de uma única franquia como é o caso dos diversos CSI. Mas na época isto era algo que não acontecia, tendo historicamente seu primeiro caso ocorrido na série do Batman protagonizada por Adam West, no icônico episódio que promoveu o encontro entre Batman e Robin com Besouro Verde e Kato.

Mas aqui no Brasil, Ary Fernandes também brindou seu público com um destes encontros. No episódio “Imprevisto”, uma menina chamada Ritinha, que morava numa comunidade extremamente isolada no interior do Brasil (e não esqueça, é o Brasil da década de 1960, aqui isolado é isolado mesmo!) passa mal de repente. A mãe da menina a leva até a cidade mais próxima, mas o médico do local estava em viagem, e somente a união de nossos heróis poderia salvá-la.

Sim! O esquadrão Águias de Fogo une forças ao inspetor Carlos, o vigilante rodoviário, e seu fiel amigo Lobo. E enquanto os aviadores vão buscar a menina, os policiais (sim, usei plural, pois Lobo também entra na conta) vão buscar o médico.

Os Águias de Fogo e o Inspetor Carlos unem forças no crossover "Imprevisto".

Tais seriados hoje, aos olhos dos mais jovens, mesmo os acostumados com os pueris (em sua maioria) filmes de super-heróis feitos em frenéticas linhas de montagem, podem parecer tolos, mas em sua época foram absolutamente revolucionários, “colocando no bolso” diversas produções estadunidenses que a bem da verdade até nem fazem mais sentido no mundo em que vivemos hoje.

Em 1978 como parte de um projeto da extinta (ufa!) Embrafilme, Ary Fernandes tentou criar uma nova versão para Vigilante Rodoviário. Mas tem coisas que não dá para fazer duas vezes, e seja por dificuldades da própria Embrafilme, ou o fato de agora terem de utilizar nada menos que cinco cães dos quadros da Polícia Militar paulista, já que Lobo faleceu em 1971, a coisa toda não passou do episódio piloto.

Em 2009, Ary Fernandes selou um acordo com um canal por assinatura para a recuperação dos originais de suas criações. Sendo que do “Vigilante Rodoviário” 35 dos 38 episódios originais conseguiram ser recuperados, e de “Águias de Fogo” 22 dos 26 originais foram salvos.

Com passar dos anos, além de escritor, produtor, diretor, Fernandes “emprestou” seu dom de ator para algumas dublagens lendárias.

Como o Rocko de “A Vida Moderna de Rocko”.

A primeira voz do detetive Bowman de Superman TAS.

E até foi Albion de Cefeu, o mestre de Hyoga de Cisne em Cavaleiros do Zodíaco.

Então, toda vez que se lembrar que os Estados Unidos tiveram Irwin Allen, ou o Japão teve Eiji Tsuburaya, não se esqueça que nós aqui também tivemos nosso pioneiro, que contra todas as expectativas, fez do sonho realidade, e que com a coragem digna de seus personagens fez história encantando tantos por tanto tempo.

 

 

 

quinta-feira, 7 de abril de 2022

10 Músicos e Cantores que Resolveram Atuar!

 

Músicos e cantores se aventurando em maior ou menor grau na área da atuação, não são exatamente uma novidade, e em geral isto só é feito com o propósito de alavancar um dos lados da carreira por meio de contratos que visam exclusivamente o lucro conexo.

Contudo, existem exceções, que sejam pela mais pura brincadeira da experiência fazendo uma pequena aparição ou por uma vontade legítima de se aventurar em outra forma de arte, apareceram em filmes e séries de tevê, e é sobre algumas destas exceções que esta lista vai tratar, então vamos lá...

10 Músicos e cantores que se resolveram atuar!

 

10: Zakk Wylde (Ozzy Osbourne / Black Label Society)

O guitarrista fez uma ponta na quarta temporada do seriado “Californication” como um vendedor de uma loja de instrumentos musicais.



09: Jon Bon Jovi

O vocalista coleciona algumas aparições, mas aqui cito sua aparição no filme “A Corrente do Bem” no qual faz o marido abusivo da personagem de Helen Hunt.



08: Jeff Healey

O guitarrista canadense de blues fez um pequeno papel no filme “Matador de Aluguel” ao lado de Patrick Swayze.



07: Corey Glover (Living Colour)

Antes de ficar famoso como cantor do Living Colour, Corey Glover pode ser visto num pequeno papel em “Platoon” de Oliver Stone.



06: Keith Richards (Rolling Stones)

Um dos mais antigos seres sobre a terra, junto com as cecoias e as oliveiras de Israel (risos), o guitarrista participou da franquia “Piratas do Caribe” como o pai do protagonista Jack Sparrow (Johnny Depp)



05: Mick Jagger (Rolling Stones)

E por falar nas “pedras rolantes”, Mick Jagger aparece aqui nesta lista pelo seu papel no filme “FreeJack - Os Imortais”. Ainda que não seja sua primeira aventura cinematográfica, já que possui inclusive um capítulo constrangedor em terras tupiniquins, quando o vocalista produziu e protagonizou o inexplicável “She’s the Boss”, um filme para lá de louco no qual Jagger é sequestrado após uma noitada, e vai parar numa fazenda onde é feito de escravo por uma fazendeira vivida por Norma Bengell.



04: Tina Tuner

Ela não podia faltar! Anna Mae Bullock, nossa querida Tina Tuner, que no auge da fama, não recusou a proposta de protagonizar “Mad Max  -  Além da Cúpula do Trovão” ao lado de Mel Gibson.



03: Alice Cooper

O senhor Vincent Furnier, que tão bem conhecemos como Alice Cooper, em 1984 produziu e protagonizou um filme que é absolutamente a sua cara. O terror trash B, “Matilha da Maldição”.



02: Roger Daltrey (The Who)

Ainda que não seja sua estreia como ator, o cantor do The Who está neste segundo lugar devido sua surpreendente atuação na sétima temporada de CSI, vivendo um psicopata chamado Mickey Dunn, que assume diversas identidades diferentes, tanto para fugir da polícia quanto para fazer novas vítimas.



01: David Bowie

O cantor inglês possui uma extensa lista de papéis em sua filmografia, e é com certeza o melhor exemplo de um astro da música que sempre atuou (e bem) por gostar disto, sem precisar do cinema como “muleta” para divulgar sua música. E entre seus diversos papéis marcantes, John Celliers, o oficial inglês preso num campo de concentração nipônico na ilha de Java, talvez seja o mais impactante. Não pela atuação em si, mas por vermos um Bowie vivendo uma “pessoa normal”, e não alguém que se relaciona com vampiros como em “Fome de viver” ou um ser fantástico como em “Labirinto”.



 

quarta-feira, 2 de março de 2022

A Marca do Zorro - 1974 - Nunca a espada dos De La Vega conheceu tamanha distinção!

 

Desde que surgiu em 1919 no romance pulp “A Maldição do Capistrano”, a lenda de Don Diego de La Vega, um jovem de uma família abastada da Califórnia espanhola, que a noite se torna um justiceiro mascarado vestido de preto, se tornou uma das maiores referencias para criação de outros personagens, em especial um certo “morcego”.

Assim como ganhou uma infinidade de versões em outras mídias, e em especial as cinematográficas. Algumas clássicas como a protagonizada por Tyorne Power na assim chamada era de ouro do cinema, e outras nem tanto como várias versões italianas B, C, D...

Sem falar na icônica série produzida pela Disney, protagonizada por Guy Williams, que com certeza é a versão mais festejada e lembrada até hoje.

Mas em 1974, um telefilme resolveu contar mais uma vez a lenda da “raposa”, e o resultado foi algo até então nunca feito e jamais repetido.

O filme abre com nosso querido Don Diego De La Vega (Frank Langella, simplesmente sensacional) ainda na escola militar na Espanha se despedindo dos amigos. E nas duas rápidas cenas que abrem a película duas coisas chamam a atenção.

Don Diego ainda na Espanha

A primeira era que o Zorro já havia atuado lá em terras europeias num passado bem recente. Algo que até então só havia sido usado anteriormente na produção italiana “Zorro e os Três Mosqueteiros” nove anos antes. E junto a esta constatação, já fica nítido que Don Diego era bem avesso a injustiças.

Chegando então de volta a Califórnia, Diego logo se dá conta de que as coisas estavam bem piores do que as cartas de sua família diziam, ao ter contato com ao menos dois camponeses, um deles que teve a língua cortada por ordem do alcaide, cargo que até aquele momento Diego achava ser de seu pai, Don Alejandro (Gilbert Holand).

Capitão Esteban e Don Diego - Contato Imediato do Pior Grau

Então descobre que seu pai tinha sido destituído do cargo, que agora era ocupado pelo nefasto Don Luis Quintero (Robert Midleton) com a ajuda de seu “braço-armado”, o capitão Esteban Montenegro (Ricardo Montalban).

Mas afinal, o que esta versão do Zorro possui de tão especial?

Se formos levar em consideração seu mero título, A Marca do Zorro, não há nada de mais, pois o bojo da estória é exatamente aquele que todos nós conhecemos. Mas numa olhada mais detalhada é possível ver o quanto este filme é diferente.

Para começar é impossível não citar a forma como Frank Langella constrói seu Don Diego. Pois para fazer com que ninguém desconfiasse de que ele era o Zorro, Langella vai além do estereótipo de um “garoto mimado”, pouco preocupado com responsabilidades, incorporando trejeitos extremamente mais delicados, digamos assim, ao personagem, logo que é confrontado num “teste” pelo capitão Esteban.

Aliás, uma brincadeira com bases históricas, já que isto era algo que muito se falava dos filhos de famílias ricas que iam estudar na Europa naquela época, e voltavam com hábitos refinados demais, que suscitavam muitas fofocas.

Outra coisa que chama a atenção, é que este é até hoje o único filme do Zorro no qual podemos de fato sentir o peso do preconceito arraigado na sociedade nas reações dos camponeses que eram humilhados sem nada poder fazer.

Nesta versão de Zorro, nem o padre escapa da opressão.

     E isto fica bem claro na cena em que a esposa do prefeito (Louise Sorel) conversa com Teresa (Anne Archer), sobrinha de Quintero e que se torna de imediato o interesse amoroso de Diego.

Num diálogo absolutamente solto na trama, onde ambas travam um embate de palavras, tendo como estopim o tema casamento, diante de uma frase da esposa do alcaide sobre as diferenças entre Teresa, que tinha em suas veias sangue de fidalgos, e outra moça que era descendente de camponeses, é nítida a sensação de desconforto e humilhação pela qual passa Maria (Inez Perez, espetacular nesta cena), a criada pessoal de Teresa.

Depois é preciso se atentar que a despeito do título, este A Marca do Zorro, ao contrário de seus coirmãos, parece girar sobretudo em torno do próprio Don Diego, e não do personagem título.

 “Adorei fazer isso. Aqui estava uma chance de jogar em três níveis: o jovem cadete na Espanha, o almofadinha Don Diego - e, em sua máscara, Zorro. Eu estava me revivendo como um garotinho sentado no teatro escuro emocionado com Tyrone Power cavalgando pela noite como Zorro” – Frank Langella

Bem, aqui acho que preciso abrir um bom parêntese neste artigo.

Pois como nós sabemos, o Zorro foi com certeza a maior inspiração para a criação do Batman. Só que aqui, nesta produção de 1974, parece que a coisa foi seguida mais à risca do se pode imaginar.

Quando me propus a escrever este artigo, era certo que alguma citação ao “Morcego de Gotham” iria acontecer. Só que ao assistir ao filme após anos, não apenas para refrescar minha memória, como fazer uma resenha o mais isenta possível, acabei me deparando com determinadas situações que fizeram minha mente explodir, e que promovem ligações diretas com a trilogia cinematográfica de Christopher Nolan.

Primeiro, este conceito descrito por Langella, de se “jogar em três níveis diferentes”, o que foi algo que a interpretação de Christian Bale fez a perfeição, melhor que qualquer interprete de Bruce Wayne/Batman.

Mas isto é uma questão semântica a respeito do personagem que não prova nada.... Talvez seja oque que que está lendo possa estar pensando, certo?

Até poderia ser, se não me deparasse com duas pequenas cenas que Nolan praticamente replicou ipsis literis em seus filmes.

A primeira num jantar, no qual obviamente o assunto era o Zorro, e no qual todos à mesa davam suas opiniões sobre o mascarado, tendo na interpretação de Frank Langella, o mesmo tom de deboche e tédio ao falar do Zorro, como Christian Bale fez ao se referir ao Batman em Cavaleiro das Trevas.

Garotos fazem a marca do Zorro numa parede...

E a outra é quando dois garotos, com o que aparenta ser carvão, fazem a marca do Zorro numa parede e fogem ao ser surpreendidos pelo alcaide, numa cena extremamente semelhante a que ocorre em Cavaleiro das Trevas Ressurge.

...assim como a marca do Batman no filme de Nolan

Não estou aqui afirmando taxativamente que Nolan tenha assistido a este filme, mas as semelhanças são demasiadas gritantes para passarem despercebidas de um olhar mais cuidadoso.

Cuidado, entretanto, é algo que parece passar um pouco longe de alguns aspectos técnicos do filme, configurando os poucos pontos negativos seus. Dentre estes, o mais perceptível é a péssima montagem sua em alguns trechos, deixando-o meio que picotado demais, nos fazendo ter a nítida sensação que muito do que poderíamos ver em tela foi cortado para fazer a película caber “na grade de programação”. Não vamos nos esquecer que aqui falamos de uma produção feita para tevê.

O que poderia ter levado a uma certa inconsistência em alguns diálogos.

Não que o próprio criador de Zorro, Johnston MuCulley tenha sido o escritor mais consistente de sua época. Mas ao menos em duas ocasiões, em que o pivô do diálogo era a mãe (Yvone de Carlo) de Don Diego, se percebe uma pequena falta de nexo.

O primeiro momento é quando Diego ao discutir com o pai sobre seu futuro casamento diz que não havia se metido no casamento de Don Alejandro. Lembrando que originalmente nos pulps de MuCulley, Don Alejandro sempre foi retratado como viúvo. Uma fala então que viria de encontro aos textos originais, deixando claro que o patriarca do De La Vega havia se casado de novo.

Mas em outra situação, Don Alejandro reclama com a esposa sobre o filho, soltando a frase: Este foi o filho que me deu!

Isto como se a esposa fosse a progenitora de Diego.

Haveria então mais cenas que explicassem melhor isto?

Tudo bem, eu sei que este pode até ser um detalhe tolo, mas não paro de pensar que tais situações possam ter contribuído para algumas críticas desfavoráveis que a produção recebeu na época de seu lançamento.

Contudo, com muito mais qualidades (algumas até hoje não replicadas), que defeitos, a Marca de Zorro de 1974, é diversão garantida, e sem excessos de “alegorias”, configurando até hoje, na modesta opinião deste escriba, a melhor representação de Zorro.

E faço minhas as palavras de Don Alejandro:

Nunca a espada dos De La Vega conheceu tamanha distinção!



 

 

 

 

 

Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...