terça-feira, 3 de março de 2020

Patrulha Estelar – Space Battleship Yamato 2199


Após uma briga judicial de anos com o escritor e ilustrador Leiji Matsumoto, o produtor Yoshinobu Nishizaki havia conseguido os direitos plenos sobre a saga do Encouraçado Espacial Yamato e seus tripulantes.


Mas quando em 7 de novembro de 2010, Nishizaki, faleceu após um absurdo acidente num barco, um grande ponto de interrogação pairou sobre o futuro da mais importante franquia da animação nipônica de todos os tempos.


E isto num momento em que um ano antes a saga original tinha sido retomada com o OVA “Yamato Rebirth”, e pouco mais de um mês antes da versão live action ir para os cinemas.
Mas “assumindo” os negócios do pai, o filho de Yoshinobu, Shoji, decidiu partir do zero, e em 2012 chegava aos cinemas japoneses a nova versão, o remake, da primeira saga do Yamato, “Busca Por Iscandar”.

A "nova" tripulação do Yamato

Uma atitude reprovável por um lado, já que Shoji deixou “Yamato Rebirth” sem um final, e extremamente louvável por outro, já que a saga original de 1974 aos olhos de uma geração mais nova com certeza poderia parecer desinteressante, em especial em razão de seus gráficos.
E em 7 de abril de 2012 chegava aos cinemas nipônicos, num formato até então impensado, o primeiro dos sete longas metragens que tinham por missão recontar a saga de “Busca Por Iscandar”. Formato inusitado, pois a série a princípio tinha sido pensada para ser veiculada na televisão como a saga original, tanto que assim foi, ao migrar para o mercado de home vídeo e sendo depois exibida, já em 2013 desta forma na tevê.


Inclusive tendo seu primeiro episódio exibido na tevê, uma semana antes de ir para os cinemas, mas acredito que isto tenha sido apenas um chamariz (como se Yamato precisasse disto).
Tendo seus três primeiros longas produzidos pelo mítico estúdio AIC (o mesmo do clássico Bubblegum Crisis), teve a produção dos quatro subsequentes realizada pelo estúdio Xebec.


Falar deste remake não é exatamente a tarefa mais fácil do mundo.
Primeiro, pois sou um grande admirador da série clássica, mesmo com seus pequenos “furos” aqui ou acolá, mas que no frigir dos ovos nunca impactaram em nada no seu desenrolar e conclusão, e muito menos na admiração que causa até hoje.
Mas resenhar este remake é especialmente complicado não apenas por esta questão. Pois muito diferente, por exemplo, do remake de Thundercats que já resenhei aqui, e que no fim das contas possibilitou aos seus realizadores criar praticamente em cima de uma “folha em branco”, refazer Patrulha Estelar era se arriscar sobre um roteiro praticamente perfeito, baseado acima de tudo nas relações interpessoais de seus personagens. Uma obra de várias camadas, que sempre gerou percepções diversas em que a assistia e ainda assiste nos dias de hoje.


Lógico que sendo uma adaptação, é mais que obvio que muitas coisas foram mudadas.
E dentre tais mudanças não há como negar que as mais acertadas estão relacionadas em como todo interior do Yamato foi repensado. Não vou aqui ficar me apegando a tecnicalidades de menor ordem como o tamanho total da nave. Mas é impossível não citar como todo seu interior foi extremamente bem pensado (e repensado), em especial o hangar dos astro-caças, dentro de uma visão, digamos, mais técnica. E até a ponte de comando se tornou um pouco menor, nitidamente “pegando carona” na versão do live action de 2010.


Outra coisa que salta aos olhos, mas que não deixa de ser também um pouco obvia são as espetaculares cenas de batalha desta nova versão, ainda que na modesta opinião deste escriba, tais cenas bebam na fonte de “Yamato Rebirth”, tecnicamente falando. E que muito de sua eficiência e plasticidade deva ser creditado aos profissionais do estúdio AIC que iniciaram a produção, pois vendo o remake de “Cometa império” (que deixarei para resenhar em outra oportunidade), fica claro, que ainda que refazendo cenas já conhecidas da saga clássica, o pessoal do Xebec simplesmente foi “no embalo”.


E antes que você que está lendo se pergunte.
Sim. Ao menos na opinião deste que escreve este artigo, os pontos realmente positivos desta nova versão da Patrulha Estelar param por aí.
Pois a partir daqui entramos naquilo que Patrulha Estelar teve de melhor e que sempre foi seu grande diferencial, ou seja, seus personagens e a estória que conta, e para os quais as decisões de roteiro de “2199” nem sempre foram as mais felizes.
Para começar é preciso abordar as mudanças que foram feitas em alguns personagens da saga clássica. E entre estas mudanças é preciso começar destacando o grande número de personagens femininas inseridas na trama.
Algum problema nisto? Você deve estar se perguntando.


Não! Claro que não! Afinal ter Lola como a única personagem feminina relevante na tripulação, sempre foi um dos pontos fracos no antigo Yamato. Contudo, algumas das personagens como Yuria Misaki e Kaoru Niimi acabam se tornando um penduricalho narrativo que nada acrescentam na trama.


Contudo, fica o ponto de interrogação do “por que” fazem este tipo de coisa. Tudo bem. Nós sabemos que é para atrair mais o público feminino e que as épocas são outras.


Mas se é assim, por que “2199” transforma Lola/ Yuki, a grande protagonista feminina da saga, num pastiche de mocinha coadjuvante mais frágil na maior parte do tempo que na “Busca Por Iscandar” original de 1974, tutelada pelo capitão Gideon/Hijkata, e com direito a ângulos quase ginecológicos de seu corpo?


Lógico que alguém pode bradar neste momento que na série original a personagem era sistematicamente assediada pelo robô IQ9, com direito a cenas de “levantamento de saia”. Mas neste caso tais cenas figuravam dentro do escopo do chamado “alívio cômico”, que ainda que possa ser considerado por alguns, politicamente incorreto para os dias de hoje, não passava disto.

Hardy/ Yamamoto acabou tendo o sexo mudado nesta nova versão

Sem falar na “mudança de sexo” de Akira Yamamoto. O piloto de astro-caças que aqui no Brasil aprendemos a conhecer pelo nome ocidentalizado de Hardy, acabou na nova versão se tornando mulher. Num artífice que foi imensamente criticado quando do filme live action em 2010, mas que aqui ao que parece a maioria dos fãs resolveu não levar em consideração.
Não que eu não goste da personagem, muito pelo contrário, e posso aqui afirmar que sua promoção ao “primeiro time” de protagonistas, assim como sua história pessoal, é uma das melhores coisas desta releitura.


Só que aí vamos para mais um equívoco deste remake, que foi o excesso de sub-tramas, que tentaram replicar o argumento humanizado original de Leiji Matsumoto, mas que só serviram para tornar o roteiro desta nova versão inchado e ao mesmo tempo com lacunas.
Não que todas tenham sido assim tão ruins, como no citado caso de Yamamoto, mas algumas destas sub-tramas mesmo que no começo aparentassem ser bem feitas, ao fim da saga se demonstraram excessivas.


Como no caso de Sandor/Sanada que ganha aqui uma importância muito maior que tinha na “Busca Por Iscandar” original, sendo alçado inclusive à segundo em comando, além de mostrar vários flashbacks da sua amizade com Alex/ Mamoru, o irmão de Derek/Sussumu, quando mais jovens, e até arrumando uma crush para o oficial. Só que preciso dizer que isto foi milimetricamente pensado, já que o personagem é extremamente querido nos Estados Unidos, um mercado que lógico não se poderia virar as costas, onde sempre fizeram comparações suas (nem sempre justas) com Spock de Jornada nas Estrelas.


E aqui caímos numa trama que pouco ou nada colabora para a fluidez da obra, apenas para satisfazer uma suposta parcela de público, talvez sendo este o grande ponto negativo desta nova saga. Esta necessidade desenfreada de falar para todos ao mesmo tempo, resultando em quase não conseguir se comunicar com ninguém no fim das contas.
Mas o excesso de elementos e as mudanças erroneamente planejadas não se restringiram apenas a isto.
Pois ainda há toda questão envolvendo Deslock e seu império.


Em “Busca Por Iscandar”, Gamilon era apenas uma única nação, mas aqui resolveram criar toda uma sub-trama política (mais uma sub-trama). Algo que os mais afoitos saíram escrevendo artigos enaltecendo, alegando que isto aprofundava algo que a saga original não tocou. Só que esqueceram que para isto, criaram um plot no qual as nações vencidas pelos gamilons em suas guerras se tornavam cidadãos de segunda classe do império de Deslock. Ou seja, copiando numa cara-de-pau sem limites aquilo que a Federação Polar do Primeiro Ministro Ben Lazi fazia na terceira série de tevê, “A Crise do Sol”.

Foram buscar "O Lobo" em A Crise do Sol para compor hype

Sem falar que de “A Crise do Sol” ainda foram buscar o tenente-coronel Wolf “O Lobo” Flakken. Sim, ele mesmo, o comandante da esquadra de submarinos dimensionais, que foi enfiado na trama, ao que tudo indica, apenas para garantir um pretenso hype.
Mas ainda é preciso falar do líder dos Gamilons.

Em 2199 Deslock não parece de fato demonstrar nutrir um sentimento real por Starsha

Na saga original, Deslock sempre foi mostrado como um personagem com bastante dualidade, ou como disse lá no primeiro artigo que escrevi aqui no blog, o mais humano de todos os alienígenas, e talvez o mais humano personagem de toda a saga justamente por isto, oque sempre o diferenciou de todos os outros personagens do tipo. Só que este Desclock aqui desaparece, sendo substituído por um mero déspota padrão, ainda que tentem manter sua parte da trama com Starsha, mas que aqui se perde numa discussão sobre castas, absolutamente desnecessária, e que não convence ninguém que Deslock pudesse nutrir algum sentimento mais nobre por ela.
Fora que o líder dos gamilons  passa mais de 90% do tempo com uma irritante expressão de tédio em suas feições que nem de longe lembram o shogun que nos acostumamos ver.

O comandante Todo está longe da figura altiva da saga clássca

O que me recorda que não posso deixar de citar a péssima escolha para o caracter design da maioria dos personagens. E não me refiro apenas a jovem tripulação do Yamato, pois o comandante Todo é mostrado nesta releitura numa forma aflitivamente frágil, que nem de longe lembra aquela figura altiva, que inspirava confiança e respeito.


Agora, creio eu, que caso você que esteja lendo, e não tenha visto ainda “Yamato 2199” deva estar se perguntando, após esta avalanche de criticas, bem além do usual que costumo fazer, se vale a pena assistir esta nova versão da saga da Patrulha Estelar.
E eu vou dizer aqui que sim. Pois apesar de todos os equívocos citados, uns propositais, outros não, “Yamato 2199” consegue ter alguns momentos que replicam quase a perfeição alguns dos acontecimentos da saga clássica, sendo melhor que a imensa maioria das produções nipônicas atuais que se baseiam em personagens rasos, esporrentos e gritões enfiados em tramas que não existem para plateias ávidas apenas por alimentar discussões em redes sociais.



Mas que em momento algum  vai poder ser comparado com a clássica Patrulha Estelar naquilo que a tornou um diferencial dentro do seu gênero de obra, pois é ausente em seus realizadores do mesmo grau de paixão e comprometimento que os criadores da saga clássica tinham.

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Crise nas Infinitas Terras e a celebração da DC (parte 2)


Olá!
Na primeira parte deste artigo, falava de como o canal CW engendrou o maior evento de crossover de seriados de todos os tempos, e seus pontos, digamos, não satisfatórios.


Mas agora a coisa começa a ficar boa, pois se algumas participações especiais não passaram de puro e fugaz fan service, outras vieram não apenas para fazer parte do enredo, como para mudar os rumos dos seriados da DC na televisão.
Para começar (acho que não dá para ser diferente) temos mais uma participação do Flash de John Wesley Shipp, para o qual os roteiristas não apenas o presentearam com o momento mais fiel aos quadrinhos de toda a trama, como o mais dramático e tocante do crossover, muito mais cá entre nós do que as duas (sim, as duas) mortes de Oliver Queen. Encerrando com chave de diamante o ciclo do Flash dos anos 90, que por várias razões deixou uma batata quente na mão dos intérpretes atuais do velocista escarlate, tanto na tevê quanto no cinema.


E como se não bastasse isto, na mesma sequência temos a chegada do Raio Negro. Uma série que em tese não teria ligação com o “Arrowverso”...mas...


E não é que a “química” entre o recém-chegado personagem e o Flash de Grant Gustin foi algo praticamente, instantâneo.


E falando em encontros e química, uma das maiores surpresas do crossover veio no encontro de simplesmente, Lúcifer Morningstar e Constantine.


Surpresa, pois apesar dos dois personagens serem tão próximos se pensarmos no escopo de enredo de suas estórias editadas, aqui estavam muito separados. Lúcifer em sua série que vai e volta, e Constantine com suas aparições no Arrowverso, em especial em Legends of Tomorrow. Um encontro que de tão interessante e especial, ainda que breve, foi preciso ser negado por Tom Ellis, o interprete de Lúcifer, para se manter o “efeito surpresa”.


Parece legal, não é? Mas nada foi tão legal quanto o retorno de Brandon Routh ao papel de Superman!
O ator que tinha ficado por muito tempo estigmatizado por sua interpretação do “azulão” no insosso filme dirigido por Bryan Singer, parecia ter encontrado seu lugar no mundo ao passar a interpretar o cientista Ray Palmer, o Átomo.


Mas não é que alguém achou que Routh merecia uma segunda chance como Superman. E o que se viu, sem dúvida, superou todas as expectativas.
Não apenas expectativas “visuais”, pois agora sim, um pouco mais velho, Brandon está visualmente a cara do filho dos Kent. Como a evolução dele como ator é espantosa.


A ponto de eu me perguntar por um momento se realmente o ator evoluiu daquela forma, ou algum espírito baixou nele. Pois me arrisco dizer que Routh conseguiu oque sempre julguei impossível, fazendo não apenas um Superman espetacular, com o cerne do personagem maravilhosamente respeitado (obrigado roteiristas do CW), mas, sobretudo, pois sua interpretação enquanto está apenas de Clark Kent reprisa com brilhantismo todos os trejeitos e até forma de falar da interpretação do saudoso Christopher Reeve, mas isto com personalidade própria passando longe do caricaturismo e da cópia.


E por falar em caricatura, não posso deixar de citar John Cryer e seu Lex Luthor. Pois ainda que no começo do crossover, suas motivações para sair matando tudo que era versão do Superman não contribuíram em nada (desta vez não tem agradecimento aos roteiristas), e o personagem patinou perigosamente no terreno do caricato, aos poucos o ator que alguns não conseguem dissociar de seus papéis cômicos, encontrou seu tom, muito semelhante (claro que nem de longe com o mesmo brilhantismo) ao Luthor de humor cínico de Gene Hackman, com o qual, aliás, Cryer contracenou em Superman IV.
Tudo bem, eu sei que o crossover teve cenas de lutas absolutamente risíveis, pois os “fantasmas” que seriam o exército do Antimonitor se esvaem ao menor golpe, fazendo as lutas parecerem ter saído de Power Rangers ou pior.


E que o personagem Ryan Choi, o paragon da humanidade, parecia mais perdido no roteiro que um pacifista numa feira de fabricante de armas
Contudo, este ponto, como aquele que citei na primeira parte deste artigo, são pontos menores, numa produção iluminada, que assim como a “Crise...” dos quadrinhos redefiniu todo universo da DC, ao menos nas telas de tevê.


Mostrando-nos assim como foi referenciado lá no começo da série do Flash a criação da Liga da Justiça, unindo heróis que agora passariam a habitar a mesma Terra. Enquanto somos agraciados com imagens de todas as séries da DC. De Titans, passando por Patrulha do Destino, até a curtíssima série do Monstro do Pântano e a vindoura série da Stargirl.


E para a minha surpresa mostrando até uma cena do filme do Lanterna Verde. Sim aquele mesmo, protagonizado por Ryan Reinolds que se tornou motivo de chacota, mas que aqui de uma forma inesperada, talvez tenha sido redimido no crossover das séries do CW, com as quais encontra muito mais pontos em comum, principalmente com a descompromissada Legends of Tomorrow, que as produções da DC nos cinemas.
E como uma espécie de cereja do bolo fez referência até ao desenho dos Superamigos da forma mais inesperada e bem humorada de citação que ninguém conseguiu imaginar.

A referência a Supermamigos

Só não perguntem se ainda veremos o macaco Gleek e os supergêmeos num crossover futuro, pois aí seria especular demais.
Lógico que em algo desta magnitude, algumas ausências foram sentidas, pois é impossível não sentir falta de Roy Harper, personagem tão relevante para o Arqueiro Verde tanto nos quadrinhos quanto em Arrow.
Ou a ausência de interpretes icônicos de personagens da DC nas telas, como Linda Carter e sua Mulher Maravilha, ou Mark Hamill que interpretou o personagem Trapaceiro tanto na série do Flash dos anos 90 como na atual, sem falar logicamente no Coringa de Batman TAS.

Michael Rosembaum - Talvez a maior ausência na saga

E ainda (ou seria principalmente?) Michael Rosembaum, o melhor Lex Luthor de todos, que segundo o mesmo, chegou até a ser sondado para participar do crossover, só que diante da indefinição dos produtores do que faria na trama, decidiu por declinar do convite.
Mas ainda que sentidas, tais ausências não foram relevantes para o resultado desta verdadeira epopeia televisiva, que cumpriu a risca fazer aquilo que fez a clássica “Crise nas Infinitas Terras”.


Ou seja, (re)organizar o Universo DC nas telinhas, ao mesmo tempo em que abriu um leque de várias possibilidades, que talvez (eu disse talvez) possam ter reflexos futuros até mesmo nos cinemas.

Marv Wolfman surge como a melhor surpresa do crossover

E cá entre nós. Se até Marv Wolfman, o autor da “Crise...” dos quadrinhos, entrou na brincadeira e deu sua bênção ao crossover...
Quem sou eu para também não fazê-lo?





terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Crise nas Infinitas Terras e a celebração da DC (parte 1)


Em outubro de 2012 estreava nos Estados Unidos pelo canal CW, Arrow. A série que tinha como intenção, contar a história de Oliver Queen e a saga que o tornaria o Arqueiro Verde. Um seriado cheio de pequenos erros - propositais ou não - mas que serviu de base para o que viria a ser a construção do “Universo Televisivo da DC” que popularmente passou a ser chamado de “Arrowverse”.
Que com o tempo veio recebendo a adesão de outras séries como Flash, Legends of Tomorrow (minha preferida pelo seu total descompromisso), Supergirl e mais recentemente a série da Batwoman. Estabelecendo, ainda que de forma meio doida e com suas restrições orçamentárias, o que a DC não tinha conseguido realizar nos cinemas, um universo que fizesse seus personagens interagirem, mesmo não sendo às vezes da “mesma Terra”, estabelecendo também um dos conceitos mais icônicos da DC Comics nos quadrinhos, o “Multiverso”.


Passando a criar no final de cada ano um grande crossover compreendendo todas as suas séries. E tudo ia muito bem, apesar das críticas enfurecidas de certos fãs nas redes sociais, que vez ou outra faziam chacota do tom adotado nestes seriados, até que após o crossover “Crise na Terra X” saiu a notícia que deixou até quem não é fã da casa do Batman e Superman em polvorosa.
O CW faria em seu próximo crossover uma adaptação da saga “Crise nas Infinitas Terras”!

 
Não vou ficar entrando no mérito de esmiuçar a icônica saga dos quadrinhos criada por Marv Wolfman e desenhada com maestria por George Perez aqui por três motivos:
1º - Tal obra ocuparia um espaço enorme aqui no artigo.
2º - Pela sua importância merece inclusive um artigo só para ela.
3º - Antes de tudo, apesar de pegar carona na premissa original da clássica HQ dos anos 1980, a “Crise nas Infinitas Terras” da tevê é, sobretudo, uma imensa celebração, e este exasperado excesso de comparações, em um caráter extremamente pessoal de avaliação, considero um grave erro que peço caso você que esteja lendo este artigo, e não tenha ainda assistido o crossover, não cometa.


No início do crossover temos logo de cara a onda de antimatéria criada pelo Antimonitor varrendo o multiverso e destruindo diversos mundos. E sua contraparte, o Monitor procurando reunir os heróis (ou quase isto) na busca de salvar o multiverso.
O roteiro em si, de fato, é de uma simplicidade absurda, apesar da quantidade de mundos e personagens envolvidos. Mas este é um raro, diria até raríssimo caso, em que o roteiro é apenas uma ferramenta para uma maravilhosa viagem por um mundo de personagens que nos fascinam há décadas.
E o que o CW vinha prometendo há meses foi cumprido sim. Num festival espetacular de participações especiais para deixar qualquer com um sorriso de orelha a orelha.


Desde aparições de personagens de antigas séries como o Dick Grayson (Burt Ward) da clássica série do Batman de 1966 e seus indefectíveis bordões.


Passando pela Caçadora (Ashley Scott) da mal sucedida série das Aves de Rapina, mas que nem por isto deixaram de lembrar. 


Chegando até ao repórter Alexander Knox (Robert Wuhl) do filme do Batman de Tim Burton de 1989.
Sem deixar de lado as citações de outras séries com personagens da DC, mas que não fazem parte do canal CW, como a série dos Titãs.


E até a aparição em carne e osso de Kevin Conroy, o ator que mais interpretou o Batman até hoje, já que faz a voz do personagem desde 1991 quando do começo de “Batman A Série Animada”, numa espécie de versão caída e até maligna do personagem, usando um exoesqueleto que referencia a HQ “Reino do Amanhã”, que até pode não ter tido relevância nenhuma para o desenrolar da trama, mas que sem dúvida colocou no bolso a versão do “Morcego” interpretada no cinema por Ben Affleck. Uma versão que de fato passa muita amargura e que dá a impressão que se espremesse daria para se fazer uma limonada de sua essência.
O problema é que para aumentar o hype da coisa toda ninguém falou que estas aparições seriam apenas isto, aparições, algo que decepcionou muita gente, e de fato foi um dos pontos fracos da saga televisiva.



E se é para citar “balde de água fria”, com certeza nada foi mais decepcionante que a aparição de Tom Welling e Erica Durance reprisando seus icônicos papéis de “Smallville”.

 
Tudo bem que dá até para se entender o “gancho” que foi jogado naquela sequência, mostrando um Clark Kent que abriu mão de seus poderes para viver uma vida normal, mas mesmo assim não há como negar que foi talvez o ponto mais baixo da coisa toda, até (ou principalmente) pela ausência da exploração deste “gancho”, ou seja, as consequências que aquela atitude de Clark tiveram sobre todo o contexto do que acontecia, mesmo que aqui o roteiro como citei seja apenas uma ferramenta para uma grande celebração.


Mas nem todas estas “meras aparições” foram assim tão decepcionantes, pois para surpresa geral (eu incluso), o CW foi inteligente ao que parece, para deixar algumas brechas, algumas lacunas a preencher, caso algo de novo ocorresse.


E isto ocorreu quando o chefão da Warner nos cinemas ligou para o produtor Marc Gugenhein indagando se ainda havia tempo de colocar o Flash de Ezra Miller na trama. E assim foi feito. Pessoalmente nunca fui (e não sou) admirador deste Flash engraçadinho do chamado DCEU, mas isto aqui pouco ou nada importa, pois a celebração está acima de opiniões de caráter mais pessoal.


Mas e as participações relevantes?
Ahhhh... Estas eu vou deixar para a segunda parte do maior evento televisivo da história.


Afinal, se eles podem interromper o desenrolar do crossover no meio, para só apresentar a conclusão semanas depois, por que eu não posso (risos)?
Até lá!


Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...