domingo, 1 de setembro de 2019

Speed Racer


Até meados da década de 1960, mesmo que com animações bem sucedidas como Astro Boy, Fantomas e Gigantor, os japoneses pareciam ainda engatinhar quando comparados aos que os norte-americanos faziam.
Mas em 1967 com a velocidade de um carro de corridas, as aventuras de um jovem piloto se espalhariam ao redor do mundo, estabelecendo alguns novos parâmetros e encantando plateias.
Era Mach Go Go Go, ou como ficou conhecido mundialmente, Speed Racer!


Criado por Tatsuo Yoshida para a revista Shonen Book em 1966, logo a popularidade do jovem piloto de corridas Go Mifune (o nome original de Speed) caiu no gosto do público , e em menos de um ano, veio a se transformar em animação.

Tatsuo Yoshida

Com o sobrenome dado em homenagem ao ator Toshiro Mifune do clássico “Os Sete Samurais”, e que coincidentemente naquele mesmo ano interpretou um piloto de corridas no filme “Gran Prix", em pouco tempo as aventuras do audaz piloto de apenas dezoito anos repetiam nas telinhas o sucesso dos quadrinhos.


Contudo, o êxito em seu país não seria nada se comparado ao que estava por vir, e em 1968, através da distribuidora TransLux, a animação aportava em território norte-americano.
Rebatizado para o nome que tão bem conhecemos, fora, lógico, a ocidentalização dos nomes de seus personagens, ainda que com uma produção bem básica, que muito se inspirou nas táticas dos estúdios Hanna-Barbera para baratear e agilizar a produção das células de animação, tinha principalmente no carisma de seus personagens a sua melhor característica.



E aqui começa aquilo que diferenciou Speed Racer de todas as animações feitas anteriormente no Japão, lançando as bases de algumas características que se tornariam regras quase indeléveis no que viria a ser feito a partir dali.
Até ali as animações japonesas se calçavam muito no estereótipo de super-heróis, e suas histórias não fugiam ao “quadrado básico” deste tipo de abordagem padrão.



Mas em Speed Racer a despeito de todas as incríveis corridas e seus carros fantásticos, havia o fator humano. Não apenas presente nas bem construídas personalidades de seus protagonistas, como tendo um fio condutor que sustentava a expectativa do público pelo que ia acontecer.
Speed era um jovem impulsivo, idealista e guiado por um forte senso de justiça. Sendo que no início da animação seus desejos batiam de frente com os do seu pai, Pops Racer /Daisuke Mifune que não queria que o filho se tornasse piloto.

Pops, o pai de Speed

Tudo porque no passado, seu filho mais velho, Rex/ Kenichi Mifune, tinha participado de uma corrida sem o consentimento do pai. Rex acaba sofrendo um grave acidente, do qual até escapa, mas que deixa o carro completamente destruído.
Pai e filho então brigam feio, e Rex abandona o lar, assumindo anos depois a identidade do Corredor X, que de quebra era um agente secreto.
OK. Mas por que me dei ao trabalho de descrever tudo isto que tanto conhecemos?
Bem, é interessante perceber como são estes tipos de “gancho” que costumam a sustentar a longevidade de várias obras, mesmo que quando crianças tudo o que costuma a interessar sejam a ação e os feitos heroicos.


E esta base, mesmo que talvez não feita propositalmente com esta intenção, tornou-se uma referência de estrutura de roteiro para quase tudo que veio depois nas animações nipônicas. Claro que tal conceito foi posteriormente elevado a outros patamares, mas a sementinha da coisa foi plantada aí.
Isto como algumas outras características interessantes que colocam inclusive, Speed Racer como uma obra ligeiramente a frente de seu tempo.

Rex se tornou o Corredor X

Foi em Speed Racer que um tipo de personagem coadjuvante surgiu. Lógico que estou falando de Rex, o Corredor X, como havia citado na lista de 10 Personagens Coadjuvantes Melhores que os Protagonistas. Aqui foram fincadas as bases de um tipo de coadjuvante que é o oposto do protagonista, e que se tornou figura comum não só nas animações, como até em seriados live action nipônicos, que por vezes surge como um anti-herói e indefectivelmente vem coberto por uma aura de mistério, e aqui poderia citar muitos personagens como Ikki (Cavaleiros do Zoodiáco), Hiei (Yu Yu Hakusho) e até Lucifer (Cybercops), entre tantos outros.

Trixie, a namorada

Fora isto, não podemos esquecer Trixie/ Michi Shimura, a namorada de Speed, que era a completa antítese do papel da mulher na sociedade japonesa da época, e um reflexo do que já se via no resto do mundo. Sem deixar de ser delicada e sonhadora, era sobretudo valente e esperta, as vezes até mais esperta que o próprio namorado.

Ao migrar para o ocidente, Aya Mifune perdeu sua identidade (lamentável)

Num contraste grande com a  matriarca da família Racer, que pouco ou nada influenciava em algo, mesmo vendo a família rachada ao meio, apesar que o pior veio na ocidentalização da animação, pois perdeu seu nome original, Aya Mifune, e foi reduzida apenas a “mãe”! Sim, a mãe de Speed ficou sem nome no ocidente.

Sparky

E não podemos esquecer de Sparky/Sabu, o zeloso mecânico de Speed, amigo de todos os momentos. Tão zeloso que acaba inclusive sendo agredido pelo intempestivo piloto em certo episódio, mas uma vez reforçando o viés humano que citei alguns parágrafos acima.

Gorducho e Zequinha (ou Chim Chim)

Mas como nem tudo pode ser tragédia o tempo todo, o “alívio cômico” vinha por conta de Gorducho/Kunio, o intrometido irmão caçula de Speed, e seu chimpanzé de estimação Zequinha/Sanpei (que em algumas dublagens também é chamado de Chim Chim) que na prática era o grande companheiro do garoto.
E lógico haviam os antagonistas.


Melange, Kabala, o Carro Mamute e a Equipe Acrobática eram alguns dos adversários que disputavam com Speed e ocasionalmente também o Corredor X as perigosas e surreais corridas ao redor do mundo.

Kabala...


...o Carro Mamute...


...e a Equipe Acrobática, alguns dos adversários de Speed

Cheias de desafios para o Mach 5, o carro projetado por Pops Racer que faria James Bond ficar roxo de inveja, tamanha a quantidade de gadgets e dispositivos que possuía.


Cada um deles controlado por um botão no volante do carro.


Com o tempo e a forma como Speed Racer se tornou algo mítico dentro da cultura pop, novas versões das aventuras do jovem piloto se tornaram inevitáveis.
Fora os quadrinhos, tanto em seu país de origem como as versões estadunidenses, Speed Racer ganhou algumas outras versões.


Em 1993 foi lançada “The New Adventures of Speed Racer",  pensada para ser uma continuação da série dos anos 60. Mas de mudar o visual icônico do carro de Speed à não entrar no mérito daquelas características que citei, que fazem longevidade de várias obras, acabou tendo como resultado apenas uma única temporada com um total de apenas 13 episódios produzidos.
Ai como a coisa de continuar a série clássica não havia dado certo, em 1997 chegava “Speed Racer X", que se propunha ser um remake, uma versão modernizada do clássico. Não dá para dizer que tenha sido um fracasso de todo, se comparado ao seriado de 1993, mas dos 52 episódios originalmente previstos, acabou com apenas 34 produzidos.



Tá achando que acabou? Que nada! Pois em 2008 chegava “Speed Racer Next Generation". Uma história para lá de louca sobre o filho, sim o filho de Speed,  que cresceu num orfanato administrado por seu próprio tio Gorducho, sem saber de sua real origem. E pasmem, há também o filho do Corredor X nesta coisa amalucada que até poderia render algo bom se não tivesse tentado pegar carona no carro errado.
E óbvio não poderia deixar de citar que neste mesmo ano de 2008, chegava aos cinemas um sonho que era acalentado pelos fãs do piloto em todo mundo fazia décadas. Enfim,  Speed Racer se tornava um filme live action.

Apesar de reunir bom elenco (no geral)...

E tudo parecia perfeito.  Afinal, a produção australiana, alemã e norte-americana, vinha sob a batuta do produtor Joel Silver (Máquina Mortífera) que ali repetia a dobradinha com as irmãs Lilly e Lana Wachomski com as quais tinha realizado “Matrix". E contava com um belo elenco que tinha gente como Susan Sarandon,  John Goodman, Cristina Ricci, e o na época astro Mattew Fox que ainda surfava no sucesso de “Lost".

...o live ation não agradou.

Pessoalmente,  hoje em dia não considero o filme assim tão ruim, como considerei na época de seu lançamento. Mas a verdade é que a película carece e muito de um tratamento mais “orgânico” que tirasse dela a bizarra cara de “animação de Hot Wheels" para vender brinquedos, fora, lógico, o protagonista, Emile Hisch que não convenceu.
Como muitos, até hoje aguardo por um retorno de Speed Racer. Sem o fardo da “memória afetiva”, e que adapte sobretudo com carinho as aventuras que cativaram e cativam tantos por décadas.


Seria isto possível? Haveria hoje ainda espaço para o Mach 5?



Seja como for, uma coisa é certa. A marca deixada por Speed Racer é incontestável. Não só para a evolução da animação nipônica, como no imaginário popular, mostrando que na corrida contra o tempo a criação de Tatsuo Yoshida até hoje é referência.







terça-feira, 20 de agosto de 2019

Os 10 Capitães Mais Icônicos da Ficção


Desde o começo da assim chamada cultura pop, a figura de capitães tem sido uma constante.
Por isto esta lista. Mas deixando claro que aqui só entram aqueles personagens que tem patente militar e/ou são ou foram comandantes de alguma belonave.
Então vamos embarcar em... Os 10 Capitães Mais Icônicos da Ficção.



10 – Nathaniel Adam , o Capitão Átomo (DC Comics)




09 – Roberto Nascimento (Tropa de Elite)




08 – Steve Trevors (DC Comics)




07 – Avatar/Juzo Okita (Patrulha Estelar/ Yamato)




06 – Archibald Haddock (As Aventuras de TinTin)


05 – Derek Wildstar/ Sussumu Kodai (Patrulha Estelar/ Yamato)




04 – Nemo (20.000 Léguas Submarinas)




03 – Jean Luc Picard (Star Trek Next Ganeration)




02 – James Tiberius Kirk (Star Trek)




01 – Steve Rogers, o Capitão América (Marvel)






quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Comando Para Matar


Existe um conceito chamado “suspensão da descrença”.
Este conceito básico é aquilo que nos faz entrar numa sala escura de cinema, ou imergir nas páginas de um livro ou HQ, sem ficarmos nos indagando como o protagonista da história é capaz de determinada façanha, ou crer em naves espaciais que explodem em bolas de fogo numa ambiente sem atmosfera.
Mas de tempos em tempos surgem obras que desafiam os limites deste conceito, e mesmo assim nós adoramos.


E este é o caso de ... Comando Para Matar!
Em 1985 o mundo se encontrava no auge da era dos filmes de ação que preconizavam o conceito do “exercito de um homem só”, tendo em John Rambo seu expoente máximo. E lógico que dentro dos planos de qualquer estúdio da época estava a realização de filmes do gênero.
Ok. Mas aí vamos às velhas indagações: O que difere Comando Para Matar (Commando no original) de todo o resto? Por que mesmo com um orçamento baixo, foi capaz de cativar plateias de todo mundo e se tornar um filme de fato cult?


A resposta na humilde opinião deste escriba: As pessoas certas, nas funções corretas.
Para começar temos a simplicidade do plot principal do roteiro escrito por Steven E Souza, Jeph Loeb (que na época ainda assinava como Joseph) e Matthew Weisman.
O que poderia ser mais cativante do que a história de um pai que faz de tudo para salvar a filha sequestrada?



Automaticamente a partir daí o herói está liberado para trucidar quem quiser pelo caminho, mesmo que volta e meia algum “politicamente correto” pudesse surgir querendo bradar o imperialismo estadunidense sobre os ”cucarachos” e coisas do tipo. Pois a bem da verdade é que para quem está assistindo, não importa idade, onde mora, grau de instrução, tudo que se vê é um pai que tem apenas onze horas para descobrir onde a filha estava, e salvá-la de seus algozes.
Isto bem antes das “buscas implacáveis” de Liam Neeson (risos).

O diretor Mark L Lester (dir.) nos bastidores do filme.

Depois temos seu diretor, Mark L. Lester, que pouco antes havia trabalhado numa das poucas boas adaptações de Stephen King para o cinema, “Chamas da Vingança”. E que alguns anos depois dirigiu outra ode ao absurdo, “Massacre no Bairro Japonês”.
E então somamos a isto o mais proeminente astro da época, um austríaco, que apesar de já ter naquele momento protagonizado dois grandes sucessos, Conan O Bárbaro e O Exterminador do Futuro, ainda era visto com desconfiança por boa parte da “comunidade cinematográfica”.

A vidinha tranquila de John Matrix estava prestes a mudar

Arnold Schwarzenegger era o coronel John Matrix, o líder “aposentado” de um grupo de comandos especiais, traído por um ex-membro de sua equipe, Bennet (Vernon Wells) que aliado a Arius (Dan Hedaya), antigo ditador de Val Verde (um país fictício), sequestra Jane (Alyssa Milano), a filha de Matrix, para forçá-lo a ir até Val Verde assassinar o atual presidente, mas acho que isto você que está lendo já deve saber.
Interessante é que graças a Steven E Souza, Val Verde voltaria a fazer parte do enredo de outro filme, Duro de Matar 2. Seriam John Matrix e John McClane habitantes do mesmo universo?

Pressionado, Matrix "aceita" colaborar.

Cedendo as intenções de seus antagonistas, Matrix escapa na primeira oportunidade, saltando do trem de pouso de um avião que decolava para cair no meio de um charco sem sofrer um único arranhão.




E a partir daí com a ajuda, a princípio forçada, da comissária de bordo Cindy (Rae Dawn Chong), começar a seguir as poucas pistas que encontra, enquanto vai arrebentando com tudo e todos que se põe em seu caminho, com destaque para a sequência do shopping na qual sozinho ergue uma cabine telefônica na qual dentro estava Sully (David Patrick Kelly) e joga para o ar um grupo inteiro de seguranças de uma só vez.


Aliás, Schwarzenegger e David Patrick Kelly, involuntariamente protagonizaram um dos maiores erros da história do cinema, na antológica cena em que Matrix levanta Sully pelo calcanhar na beira de um abismo, e todos podem ver o cabo de segurança amarrado no calcanhar do dublê, fora o boneco que cai no abismo. Momento tão icônico que seria um sacrilégio editar o filme para que não aparecesse (risos).


Prosseguindo então em sua busca, Matrix ainda briga com Cookie (Bill Duke), descobre onde possivelmente a filha estava, e então vai fazer umas comprinhas, numa cena que com certeza levou qualquer entusiasta por armas a uma epifania.
E se você que está lendo, acha que todos estes acontecimentos absurdos, pontilhados por rápidos diálogos de humor lembram mais uma história em quadrinhos, vou aqui te dizer que está absolutamente certo.

Jeph Loeb, o grande responsável pelo tom cartunesco do filme

Afinal, não poderia ser muito diferente,  se pensarmos que o roteiro também estava a cargo de Jeph Loeb, que mais tarde se notabilizaria no mundo dos quadrinhos com sagas como “Batman - Silêncio” e “Batman e Superman - Inimigos Públicos”.

O general Kirby - Homenagem de Loeb à Jack Kirby

Inclusive sendo ideia de Loeb que o general Franklin Kirby (James Olson) tivesse este nome, numa homenagem ao mestre das HQs, Jack Kirby.
Outro ponto que sempre gerou gossips a respeito era o visual de Bennet, que o deixou a cara do cantor do Queen, Freddie Mercury. Não sei como isto aconteceu, talvez só perguntando a Vernon Wells, mas é certo que isto não foi obra do acaso, tanto que na cena em que Matrix toma café da manhã com a filha, esta folheava uma revista com uma matéria sobre a banda britânica,  que na época estava brigada com a mídia norte americana devido a proibição da veiculação do videoclipe de “I Want Break Free" na Mtv.


Este foi outro ponto,  que também não faço ideia,  foi mudado na dublagem brasileira que faz uma alusão a Boy George do grupo Culture Club no diálogo. Talvez Garcia Junior, o dublador de Schwarzenegger, seja um fã de Queen que não gostou da brincadeira,  vai saber (risos).


E por falar em música, Comando Para Matar conta com a trilha incidental de um dos maiores mestres do gênero, o maestro James Horner, tendo ainda de bônus a canção “We Fight For Love" do grupo Power Station, projeto paralelo de alguns membros do Duran Duran.


E lógico, para fechar com chave de ouro esta verdadeira HQ em forma de filme temos a longa e sensacional sequência do tiroteio quando Matrix chega à ilha/esconderijo de Arius.




Uma sequência icônica na qual sabiamente Mark L Lester abriu mão da trilha sonora de Horner, focando apenas no som das armas disparando.




Resultado disto?



O reencontro de Arnold e Alyssa anos depois

Somente em território estadunidense, Comando Para Matar arrecadou cinco vezes mais do que custou. Se tornando o clássico que hoje tão bem conhecemos ,  e que pode sim, ser considerado o filme que verdadeiramente sedimentou o nome de Arnold Schwarzenegger como astro do primeiro time de Hollywood.


LINK
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Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...