sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

CSI - Investigação Criminal


Seriados policiais fazem parte da cultura pop desde os primórdios das artes audiovisuais nas antigas matinês dos cinemas, e que a partir dos anos 1970 ganharam imensa força com a expansão da televisão em seriados como Kojak, SWAT e CHIP’s, cada um a sua forma abordando a rotina (às vezes nem tão rotineira assim) do trabalho dos agentes da lei, com formulas que pouco se modificaram nos seguintes, talvez pela honrosa exceção de Nova York Contra o Crime.
Mas eis no ano de 2000 o roteirista Anthony E Zuiker se uniu ao produtor Jerry Bruckheimer (bem conhecido por filmes de ação como “A Rocha” e “ConAir”), para o projeto que iria não apenas se tornar um dos seriados mais bem sucedidos e longevos da história, como iria mudar toda visão de como os mesmos precisavam ser mostrados.
Nascia ali, CSI - Investigação Criminal!


Num cenário televisivo que via séries líderes de audiência como Xena e Arquivo X chegando aos seus finais, poucos seriam os que apostariam sua fichas num seriado policial, que longe do heroísmo fácil de séries do passado, mas que também não seria escravo do viés drama/realidade, traria para os holofotes justamente aqueles que sempre estiveram tão nos bastidores que nem eram lembrados na hora de se escrever um roteiro do gênero, os verdadeiros responsáveis muitas e muitas vezes por de fato solucionar os crimes, os cientistas forenses.
E assim somos apresentados ao grupo comandado pelo entomologista Gilbert Grisson (William Petersen).


E que além do nerd low profile era composto por Catherine Willows (Marg Helgenberg) uma biomédica que no passado tinha sido dançarina de boate e que depois se descobre ser filha de um poderoso dono de casino e mafioso (Scott Wilson).


Pelo analista Nicholas Stokes (George Eads).


O químico Warrick Brown (Gary Dourdan) um ex-viciado em jogo.


A física Sara Sidle (Jorja Fox).


O também químico e técnico do laboratório Gregory Sanders (Eric Szmanda).


E o legista Dr.Albert Robbins (Robert David Hall).


Além deles havia o capitão James Brass (Paul Guifoyle), policial da Divisão de Homicídios que sempre acompanhava os cientistas.


Interessante aqui, é que logo no comecinho da primeira temporada era Brass quem liderava a equipe de peritos, mas o xerife, ao qual o departamento o CSI era subordinado, decide substituí-lo por Grisson, quase que numa sinalização explícita dos criadores do seriado que uma nova página começava a ser escrita ali.
Algo que foi explorado ao máximo do possível usando como base todas as técnicas e equipamentos que de fato são utilizados pelos peritos forenses.


Lógico que aí é preciso se entender que vários dos processos utilizados na vida real tem resultados que nem de longe são obtidos na velocidade que se vê na telinha, mas considero que tanto eu, quanto você que está lendo, possamos colocar isto no campo da “licença poética”, se é que dá para se chamar assim, e fazendo valer o bom e velho conceito da “suspensão da descrença”.
Um ato de ousadia dos realizadores da série? Talvez sim.
Mas que de nada adiantaria, se além de toda a parte técnica, CSI não fosse um seriado preocupado em equilibrar seus elementos.
Cada um de seus personagens principais vinha trazendo toda uma “bagagem pessoal”, como nos já citados casos de Warrick Brown e seu problema com o jogo, ou Catherine que além de ter que criar sua filha sozinha, ao descobrir a identidade de seu pai biológico se vê em conflito imediato com ele, por estarem em campos extremamente opostos.

 Sam Braun e Catherine - A verdade coloca os dois em lados opostos

Outra coisa que é preciso salientar, é que CSI sempre procurou primar por tentar dar tons diferentes aos seus episódios, bem a exemplo, guardando-se as devidas proporções, ao que Arquivo X fazia. Não apenas para dar equilíbrio ao longo de cada temporada, como também não deixá-lo cair na mesmice que obras mais recentes fazem.
E dentro deste viés, o das tais “bagagens pessoais”, ao contrário de outras séries que ao abordarem estes elementos criaram episódios modorrentos e chatos, aqui em CSI foram responsáveis por alguns dos melhores momentos do seriado.


E talvez não haja melhor exemplo para isto que o do próprio Gil Grisson, que como já citado era um nerd de carteirinha, e capaz de em cada situação mostrar de forma precisa cada uma das facetas de uma pessoa que podia até viver em sociedade, mas que de forma alguma conseguia se sentir inserido nela, mas muito longe do estereotipo jocoso pelo qual tais personalidades costumam ser abordadas.


Oque, aliás, foi uma tônica da série, ou seja, desmistificar estereótipos. Tendo em Grisson a “ferramenta” perfeita para isto. Tanto quando precisava corrigir um de seus subordinados numa situação fora do comum, como até mesmo ao mostrar o entomologista em suas relações amorosas.


Um capítulo a parte já que a personalidade de Grisson ao mesmo tempo em que provocava, também parecia atrair e causar admiração. Tanto que foi capaz de ter um caso com Lady Heather (Melinda Clarke), a proprietária de um clube de fetiche. E por fim fazendo Sara Sidle se apaixonar por ele, numa situação que no começo considerei uma forçada de barra gigantesca dos autores, mas que se mostrou acertada, ao mostrar que o pivô da subtrama não era Sara, e sim o próprio Grisson, que não se permitia viver, não só aquele tipo de relacionamento, como vários outros aspectos de sua vida.

Grisson e Sara enfim juntos ao fim da nona temporada

Vida que como era de se esperar num seriado com CSI, sempre estava por um fio. Mas que nunca teve sua fragilidade tão bem explorada quanto no episodio dirigido pelo cineasta Quentin Tarantino, no qual Nick Stolkes é sequestrado e enterrado vivo por Walther Gordon (o veterano John Saxon) num mirabolante plano de vingança.



Tarantino e William Petersen durante as filmagens do episódio

Um episódio em duas partes, que me arrisco dizer, é a melhor coisa que Tarantino fez até hoje. E que mesmo usando de certos clichês do diretor, foi extremamente respeitoso ao tom geral do seriado. Só que nem por isto deixando de ter a marca de seu diretor, que também assina o roteiro, ao trazer de volta astros do passado.

John Saxon e sua participação no episódio dirigido por Tarantino

Não apenas no protagonismo de John Saxon, como nas participações especiais de Toni Curtis, e de Frank Gorshin, o eterno Charada do seriado do Batman de 1966. Gorshin que, aliás, faleceu dois dias antes do episódio ser exibido e para o qual acabou sendo dedicado.
E por falar em marcas, não há como não se lembrar da excelente abertura ao som de “Who Are You?” do The Who.


Algo que ficou tão simbólico, que fez até o vocalista Roger Daltrey participar do seriado.

Roger Daltrey - O vocalista do The Who em participação no seriado.

E que foi expandido quando CSI passou a ser não apenas um seriado, mas sim uma franquia, com a chegada de CSI-Miami que utilizava a faixa “Won’t Get Fooled Again”, de CSI-Nova York que usava de “Baba O’Riley” em suas aberturas.




Formando quase que um “universo compartilhado”, já que volta e meia, como era se esperar acontecia algum crossover.

CSI se torna uma franquia e os crossovers acontecem

Lógico que por se tratar de um seriado que durou cerca de quinze temporadas, o elenco de CSI, ou CSI-Las Vegas como ficou mais conhecido após a transformação em franquia, foi sofrendo alterações. Seja por desgastes de relacionamento entre o elenco, como no caso de Gary Dourdan oque acabou forçando a “morte” de Warrick Brown, ou simplesmente pelo cansaço de se fazer o mesmo personagem por tanto tempo como William Petersen, forçando a “aposentadoria” de Gil Grisson.


Só que aí, mesmo colocando rostos conhecidos como Laurence Fishburne ou Ted Danson (que também participa CSI-Cyber), a magia por assim dizer não conseguia se repetir.

Laurence Fishburne foi o primeiro substituto de William Petersen



Contudo, oque foi construído por CSI, é simplesmente um marco.
Pois se antes os cientistas forenses nem lembrados eram, hoje é impensável se fazer um filme ou seriado policial, sem dar o devido destaque para aqueles que dos bastidores são muitas vezes os verdadeiros responsáveis por se fazer justiça.







segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

10 Excluídos das Listas de 2018


Se você acompanha aqui o “Enquanto isso na Ponte de Comando”, sabe que vez ou outra estou aqui soltando alguma lista, sempre composta por dez representantes que considero relevantes de uma determinada “categoria” dentro deste nosso mundinho da cultura pop e de sua memória.
Mas é lógico, óbvio, e fatalmente inevitável que cada vez que se faz uma listinha desta, algo fica de fora. E foi por isto que resolvi abrir este ano de 2019, tentando corrigir algumas injustiças. Algumas citações que seja pelo número restrito de cada lista ou até por esquecimento mesmo não entraram em suas respectivas listas de categoria.
Sendo assim, lá vai... 10 Excluídos das Listas de 2018!


10. 10 VEÍCULOS MAIS ICÔNICOS DA FICÇÃO – Águia de Fogo

Com o advento de Trovão Azul, era mais que certo que o helicóptero da polícia de Los Angeles não fosse ficar sozinho nas telas por muito tempo. E em 22 de janeiro de 1984 o canal CBS apresentava ao mundo o Águia de Fogo (AirWolf no original). Um seriado que após realizar um belo trabalho de “maquiagem” num helicóptero Bell 222, durou cerca de quatro temporadas em sua versão original.





09. 10 FILMES QUE JAMAIS DEVERIAM TER TIDO UMA SEQUÊNCIA – Planeta dos Macacos
O clássico de 1968 protagonizado por Charlton Heston foi espremido até não poder mais, de todas as formas possíveis e impossíveis, de uma forma que talvez só Robocop veio a sofrer anos depois. Mas logicamente, sem que nenhuma das sequencias sequer chegar perto do impacto e simbolismo do primeiro filme.





08. 10 FILMES QUE JÁ DEVERIAM TER SIDO FEITOS – Jayce e os Guerreiros do Espaço.
A história do jovem Jayce e seus amigos, que buscam por seu pai um geneticista que por acidente criou uma raça de mutantes, metade planta. Além de um ponto de partida bem interessante e pouco usual, pode com um roteiro bem feito debater os limites da ciência sem deixar de ser uma empolgante aventura espacial.




07. 10 TEMAS DE ANIMAÇÕES ORIGINAIS – Superamigos
Esta foi a primeira das listas que fiz aqui para o blog, e uma das que menos me incomodou de por ventura ter deixado algo de fora, mas este tema dos Superamigos, ao se retirar a narração, se mostra de fato uma pequena joia escondida.




06. 10 TEMAS DE SERIADOS LIVE ACTION – Hawai Five.0
A música da banda Ventures superou as décadas e foi utilizada até na versão da série dos anos 2000.




05. 10 VEÍCULOS MAIS ICÔNICOS DA FICÇÃO – Ecto 1
Esta foi uma listinha danada de fazer mesmo, e como no exemplo de Águia de Fogo, deixei o icônico Cadilac Miler-Meteor de 1959 dos Caça-Fantasmas de fora.







04. 10 INTERPRETAÇÕES QUE MERECIAM FILMES MELHORES – Ernie Hudson (Solomon - A Mão que Balança o Berço)
E por falar em Caça-Fantasmas, Ernie Hudson (nosso eterno Winston Zedemore), tem aqui neste triller talvez a melhor atuação de sua extensa carreira. O problema, é que não sei por que, A Mão que Balança o Berço, ficou uma maçaroca de situações bestas, com os protagonistas ostentando quase todos, uma baita cara de comercial de margarina. E o filme ao menos na opinião deste escriba só ganha autenticidade e dramaticidade nas cenas em que Solomon está lá, com destaque para a cena na qual é acusado injustamente de ter molestado a filha do casal de protagonistas.







03. 10 INVASÕES ALIENÍGENAS – Origens Secretas
Quando fiz esta lista, foi realmente difícil abrir mão desta sagaque inicia a animação da Liga da Justiça de Bruce Timm e companhia. Na época, por várias razões decidi colocar “Escrito nas Estrelas”. Mas sem dúvida que “Origens Secretas” jamais pode ser esquecida.







02. 10 FILMES DE VINGANÇA – Fuga Mortal
Eu mesmo não acreditei quando publiquei esta lista e me dei conta que me esqueci deste espetacular filme de ação de 1993, no qual Santee (Dolph Lundgren) um ladrão de carros, se envolve num esquema com um policial corrupto Severance (o veterano George Segal – excelente!), e traído acaba por levar até a culpa pela morte de um patrulheiro. Quando a tentativa de mata-lo dá errado, Santee parte com tudo para se vingar de Severance.




01. 10 ROBÔS MAIS ICÔNICOS DA FICÇÃO – Senhor Data
Um mundo de gente reclamou (e com razão). Por isto, o androide mais “gente boa” da ficção está aqui.


















quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Duro de Matar


Os filmes de ação nos anos 80, seja pelo viés policial ou militar, desde que John Rambo ergueu sua metralhadora M60 em 1982, nunca mais foram     os mesmos, sendo marcados por uma estética de heróis pétreos, verdadeiros exércitos de um homem só.
E mesmo havendo exceções como em Máquina Mortífera, ou no já resenhado aqui Trovão Azul, tal conceito ainda reinou quase absoluto, mas isto foi até 1988, e a chegada de... Duro de Matar.


Duro de Matar pode ser considerado um daqueles filmes que não dá pra repetir as condições em que foi realizado.
Dirigido por John McTiernan, que um ano antes tinha estreado no cinema com o hoje também clássico “O Predador”, e baseado no livro de suspense “Nothing Lasts Forever” de 1979, Duro de Matar pode ser considerado uma espécie de epopeia hermética.

O diretor John McTiernan

No começo somos apresentados ao detetive de Nova York, John McClane (Bruce Willis), que brigado com a esposa (Bonnie Bedelia), e à beira de um eminente divórcio, atravessa o país para encontrá-la na festa de fim de ano da empresa que trabalhava, isto à beira do natal. Só que durante a comemoração o prédio é invadido por um grupo de treze terroristas.
E este sujeito encurralado e sem escolhas, se vê forçado a dar combate àquela ameaça, transportando o público numa espiral ascendente e contínua de tiros, sangue, cacos de vidro, e porque não bom humor.


Mas afinal oque faz Duro de Matar algo tão único até aquele momento, e talvez até hoje?
Bem, depois de ler algumas resenhas sobre este clássico ao longo dos anos, considero que o “pulo do gato” do roteiro não está em uma grande novidade, e sim justamente em colocar toda questão humana do protagonista e suas dificuldades em lidar com um mundo que mudava a sua revelia em primeiro plano.


Pois há bem da verdade, as questões abordadas aqui em “Duro de Matar” que humanizavam o personagem sempre tentaram se fazer presentes em diversos outros filmes de ação, vide  “Falcões da Noite” para o qual já fiz matéria aqui, na problemática relação de Deke Da Silva com a ex-esposa. Ou até mesmo no já citado clássico truculento Rambo, na solidão do personagem na sequência em que se esconde numa caverna e conversa com o coronel Trautman pelo rádio, que, diga-se de passagem, possui aqui mesmo em Duro de Matar uma cena até semelhante.


 Contudo, tais elementos que sempre eram colocados em segundo ou até terceiro planos, aqui são o principal elemento propulsor do roteiro, fazendo o público não apenas torcer, mas também se identificar com o policial nova-iorquino, por sua persistência diante das adversidades, pelo seu amor pela família, seu bom (e irônico) humor capaz de enlouquecer qualquer malfeitor, e até por ficar falando sozinho enquanto pensa oque faria entre um tiroteio e outro (risos).


Um herói absolutamente imperfeito, desacreditado em boa parte da história, que só consegue apoio no sargento de polícia Al Powell (Reginald Vel Johnson), e que no decorrer do filme vai sendo ferido de quase tudo que é jeito, chegando aos momentos finais da película como um autêntico farrapo humano (me lembro bem de algumas reações das pessoas no cinema na época), e que combatia vilões europeus altamente refinados para os padrões hollywoodianos da época.

O sargento Al Powell - O único que acreditava em McClane

Tudo devidamente otimizado num roteiro que não deixava brechas para maiores fôlegos para público, mas que não caía na armadilha de alguns filmes atuais, em criar um ritmo tão vertiginoso que oblitera o raciocínio da plateia, embrulhado em hora claustrofóbicas, hora grandiosas e mesmo (ou seria principalmente?) inverossímeis cenas de ação.


Fora isto, lógico, é preciso lembrar que Duro de Matar é praticamente um filme de estreias. Pois como no já citado caso de seu diretor, que ali estava em sua segunda empreitada, o filme foi o primeiro grande sucesso de Bruce Willis, que apesar de já ter tido outras experiências cinematográficas, era mesmo conhecido na época pelo seu papel no seriado “A Gata e o Rato” (Moonlight no original), e que nem de longe tinha sido a primeira escolha para o papel que chegou a ser ofertado a atores como Arnold Schwarzenneger, Sylvester Stalonne e até mesmo Burt Reynolds.

Bruce Willis demorou para ser escolhido para o papel

O mesmo para o finado bailarino russo Alexander Godunov, que com certeza muitos ainda se lembram do ótimo “A Testemunha” no qual fazia um dos habitantes da comunidade “amish”, mas que só aqui no papel do quase indestrutível terrorista Karl, só parado pelo mira certeira de Al Powell, conseguiu merecidamente se destacar.

Alexander Godunov era Karl, o terrorista quase indestrutível

E óbvio, a maravilhosa estreia, do hoje infelizmente também falecido, Alan Rickman, como Hans Gruber, o líder do grupo de invasores.

Alan Rickman era Hans Gruber em sua estreia no cinema

Fora isto o filme ainda pode se dar ao luxo de realmente destruir um prédio inteiro durante suas filmagens, já que o arranha-céu usado estava programado para ser demolido, e sendo bem perto dos estúdios da Fox possibilitou uma economia no orçamento numa época sem as facilidades dos efeitos de computação gráfica.


Tudo para criar um filme cuja, a estrutura de roteiro se tornou referência para várias cópias feitas posteriormente, e gerou até agora um total de mais quatro sequências, que lógico não chegam aos pés do original, sendo que o prequel (desnecessário) que conta a origem de John McClane está vindo aí.




Em 2017, Duro de Matar foi selecionado para ser preservado pela Biblioteca do Congresso Norte-Americano, pela sua relevância cultural e histórica significativas.


Colocando Duro de Matar em seu merecido lugar. Não só como ótimo entretenimento, mas ao lado de outros filmes, que como citei no começo deste texto, dificilmente conseguirá ser realizado nas mesmas condições, ficando indelevelmente marcado nos corações e mentes de todos por várias décadas.











segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Esquadrão Atari


Em 1982 a DC Comics recebeu uma encomenda da empresa que fabricava o videogame Atari. Nesta encomenda a editora de Batman e Superman recebeu a incumbência de criar uma revista que seria dada como um brinde em alguns cartuchos de jogos da empresa.
 Mas o que começou como uma mera jogada comercial se transformou em uma das séries de quadrinhos mais importantes de todos os tempos... Nascia ali, o Esquadrão Atari!


Como foi dito, a Atari a fim de incrementar suas vendas no começo de 1982 encomendou a DC Comics uma HQ  para vir junto a alguns de seus jogos (Defender, Berserk, Star Riaders, Phoenix e Galaxian), numa inteligente jogada de marketing, na qual para saber a conclusão da HQ seria necessário adquirir os diferentes cartuchos nos quais vinham as partes da minissérie.

A primeira equipe do Esquadrão Atari - Ação comercial que funcionou mais do que o esperado

Mas como naquela época ninguém estava pra brincadeira, a tal encomenda caiu no colo de dois maiores nomes dos quadrinhos de todos os tempos, Gerry Conway e Roy Thomas.

Roy Thomas em sua breve passagem pela DC...


... e Gerry Conway ficaram responsáveis pelo roteiro, posteriormente passando apenas para Conway

Aqui nesta sua primeira versão, que se passava no então distante ano de 2003, tínhamos a Terra à beira de uma catástrofe ecológica, e a busca de um novo lar para a humanidade pela tripulação da nave Scanner One através do “multiverso”. Sim do “multiverso”. Você não leu errado. Pois Esquadrão Atari foi um dos pioneiros neste conceito mesmo nunca estando conectado com o “universo principal” da DC.

A 1ª tripulação da Scanner One


Na tripulação da Scanner One, escolhida pelo A.T.A.R.I (Advanced Technology Research Institute) tínhamos Martin Champion, comandante da equipe; Lydia Perez, piloto e primeira-oficial; Li-San O”Rourke segunda oficial, o médico Lucas Orion; Mohandas Singh o engenheiro de voo; e Hukka a mascote do grupo.
Infelizmente esta primeira fase nunca chegou a ser publicada no Brasil. E ainda que a premissa da história não tenha sido das mais originais, remetendo diretamente a obras como “Perdidos no Espaço” e até mesmo “Patrulha Estelar”, seus personagens foram tão bem construídos e boca a boca disseminou uma fama muito além do esperado que em pouco mais de um ano, Esquadrão Atari renascia para sua segunda, e sem nenhum eufemismo, espetacular fase.

A 1ª edição norte-americana do "novo" Esquadrão Atari

Vinte anos depois de o antigo Esquadrão Atari ter achado para a humanidade um novo lar, a chamada “Nova Terra”, Martin Champion vivia isolado em um satélite de onde ficava a enviar sondas para diversas partes do multiverso.
Até que num belo dia começa a receber sinais do que acredita ser uma grande ameaça. Um antigo inimigo do Esquadrão Atari que estaria de volta, o Destruidor Negro. E saindo de seu autoexílio, Martin tenta convencer a todos da ameaça, mas como já era de se esperar ninguém lhe dá ouvidos.
Convicto da ameaça que se aproximava, Martin Champion rouba a Scanner One e forma uma nova equipe, a fim de encontrar e deter o perigo antes que chegasse a Nova Terra.


Aqui preciso abrir um parêntese, pois é obvio que se você que está lendo este artigo, e nunca teve o prazer de travar contato com o Esquadrão Atari, mas é ligado em animação deve estar percebendo as semelhanças entre a premissa aqui citada, e a de Patrulha Estelar 2.
Mas é lógico que isto é apenas uma consideração deste escriba, e não há como saber se Gerry Conway - que ficou sozinho à frente da roteirização desta nova fase - teve ou não influência da saga do Yamato, contudo, isto em nada desmerece oque foi criado, pois oque vem depois disto é de explodir a mente.

José Luis Garcia Lopez na segunda fase se torna o único desenhista da HQ.

Sob o traço exclusivo do mestre José Luis Garcia Lopez - já que na primeira fase, cada edição teve um desenhista diferente - esta nova equipe era composta por Chris Champion, o filho de Martin, que era conhecido por Tormenta (Tempest no original) que era capaz de se teletransportar através do Multiverso; Dart, uma mercenária que vez ou outra era capaz de enxergar imagens de possíveis futuros; Bebê, um enorme alienígena filhote de uma raça que ao atingir a maturidade se transformava em montanhas; Morfea, uma empata de uma raça alienígena criada para não ter emoções; Paco Rato, um alienígena covarde mas que era o maior ladrão do universo, e que se pressionado liberava seu lado mais selvagem por assim dizer.

As duas equipes Atari 
Sendo que no decorrer da saga, eles recebem as adições de um pirata espacial chamado BlackJack que era amante de Dart; o baixinho Taz, que era o último sobrevivente de sua raça, isto lógico até dar a luz, pois sua raça se reproduzia por autogênese; e Kargg, o ex-braço direito do Destruidor Negro.
Destruidor Negro que posso dizer aqui sem medo de errar estar no meu “TOP 5”, talvez “Top 3” de vilões. Um antagonista brilhante em suas estratégias, mal em sua essência, e quando revela sua verdadeira identidade, afirmo a você que está lendo e nunca tenha batido os olhos em Esquadrão Atari, vai fazer seu cérebro parar de reagir por alguns momentos.

O Destruidor Negro - Um vilão brilhante

Fora isto, a saga ainda trás momentos pouco ou nunca vistos em HQ’s até então, já que na história de Conway, situações controversas ou cenas de sexo aconteciam sem o menor pudor, bem na linha de outra saga contemporânea, Camelot 3000.

As "relações intimas" de alguns personagens...


... e outros momentos, pouco comuns, se tornaram referencial

Isto tudo emoldurado pela arte já citada de José Garcia Lopez que aqui me arrisco dizer atingiu seu ápice. Com o artista simplesmente jogando para longe boa parte das convenções de se desenhar quadrinhos que haviam até então, e servindo de base para pelo menos 90% do que foi feito a partir dali.

A perspectiva de Garcia Lopez, quebrou a "demarcação" que havia para os quadrinhos

Contudo, esta pode ser considerada apenas a “primeira parte” da segunda fase, pois como todos bem sabemos os direitos de todos os personagens no fim das contas era da Atari, que informou a DC que iria romper a parceria, criando-se assim a chamada “segunda parte” da segunda fase, quando o roteiro passou para as mãos de Mike Baron, que justiça seja feita não é ruim, mas que talvez por força de saber que a coisa ia acabar não repetiu o mesmo grau de excelência de Conway, terminando a saga apenas com míseras vinte edições publicadas.




Aqui em nosso Brasil, Esquadrão Atari foi publicado no icônico “formatinho” da Editora Abril, com sua saga espalhada pelas revistas “Heróis em Ação” e a já resenhada aqui “Superamigos”, repetindo o sucesso de outros países, e se tornando mesmo hoje uma das mais populares epopeias de quadrinhos já criadas. E que serviu sim de inspiração direta para vários outros personagens e equipes criados posteriormente.

Esquadrão Atari, a base para várias Hq's que vieram depois

Mas infelizmente como já foi dito, os personagens não sendo de propriedade da DC Comics, ficaram apenas nas lembranças e garimpo pelos sebos da vida por um bom tempo. Só que isto começou a mudar em 2015, quando a Dynamite Enterteinment, uma editora que vem sendo responsável pelo resgate de alguns personagens antológicos, até mesmo da linha pulp como “O Sombra”, conseguiu os direitos de publicação da primeira versão do Esquadrão Atari.

Algumas das edições brasileiras das quais Esquadrão Atari foi capa.
E agora vem a surpresa, que lógico, não tenho confirmar de forma alguma, e aguardo tão ansiosamente quanto você que está lendo.
Existe a promessa que em 2019, chegará enfim as comic shops estadunidenses um encadernado, trazendo todas as edições de Esquadrão Atari.



Por isto, com os pulmões já inflando de esperança, fico aqui na torcida ao escrever estas últimas palavras, de que este sonho se concretize, e que alguma editora brasileira, ainda que aos preços que sabemos não serem para qualquer um, enxergue a multidão de fãs antigos que aguardam pelo dia do retorno dos Champions, Dart e companhia.


E de quebra mostre a toda uma nova geração, o quanto que determinados personagens hoje supervalorizados beberam desta fonte, tornando Esquadrão Atari um dos maiores marcos dos quadrinhos de todos os tempos.


Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...