quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Lágrimas do Sol

 

Em 2003, após ter realizado o badalado “Dia de Treinamento”, o diretor Antoine Fuqua partiu para seu quarto filme, e até ali sua mais ousada empreitada, e que sofreu com uma das mais bizarras campanhas de distorção de foco e rotulação que já se teve notícia... Era “Lágrimas do Sol”.

Na estória de premissa até bem simples, o tenente AK Waters (Bruce Willis), é o comandante de uma equipe dos S.E.A.L.s, a tropa de elite da marinha norte-americana que recebe a missão de retirar “à toque de caixa” uma médica estadunidense, a doutora Lena Fiore Kendricks (Monica Bellucci), que trabalhava junto a missionários da Igreja Católica numa Nigéria envolta em convulsão revolucionária motivada por guerras tribais e interesses econômicos.

E até aí “Lágrimas do Sol” parece não diferir de outros tantos filmes norte-americanos com heroicos militares, indo onde nenhum outro jamais foi, fazendo proezas que nenhum outro jamais fez.

Não que isto seja necessariamente ruim, pois tais premissas muitas vezes geram ótimos filmes de ação cheios de tiroteios e perseguições.

Mas aqui em “Lágrimas do Sol” o buraco é mais embaixo.

Já abrindo com cenas reais de execução em conflitos reais, Antoine Fuqua como um cartão de visita prepara o espectador para um filme bem diferente do usual.

Está certo que pouco antes Ridley Scott tinha feito “Falcão Negro em Perigo”, mas o filme era baseado em fatos reais e pecou em alguns pontos que “Lágrimas do Sol” não faz.

E qual o segredo para isto?

Na humilde opinião deste escriba, foi evitar excessos, equilibrar elementos e a dedicação de seu diretor.

Depois de uma rápida introdução com aquelas cenas reais citadas, o espectador tem junto com o grupo do tenente Waters um briefing dado pelo capitão de esquadra Bill Rhodes (Tom Skerritt), e poucos depois literalmente caímos de paraquedas na missão.

Só que a missãozinha fácil de evacuação começa a se complicar quando a doutora Kendricks diz que não vai abandonar seus pacientes e se nega a ir embora, assim como os religiosos.

Mas depois da promessa de Walters que levaria os refugiados junto, decide ir. Só que tudo não passou de um ardil do tenente, que carrega a médica a força para dentro de um dos helicópteros de resgate enquanto o resto dos comandos fazem um escudo para impedir que os refugiados se aproximassem.

Porém, no caminho de volta ao porta-aviões, o piloto do helicóptero chama a atenção para uma cena que teriam já visto no caminho de ida.

O campo da missão religiosa arrasado com corpos espalhados por todos os lados.

E aqui temos o plot twist (se é que dá para chamar assim) que faz de fato a estória começar, algumas críticas bizarras terem sido escritas por formas de vida anômalas e que me forçarão a abrir alguns “parênteses” neste texto.

Ao assistir a cena do massacre, uma campainha parece tocar na consciência do tenente AK Waters que ordena ao piloto do helicóptero que retorne ao ponto onde tinha deixado os refugiados para resgatá-los, o problema é que não havia como levar todo mundo em apenas dois helicópteros SeaHawk. E após embarcar apenas idosos, doentes e crianças, o coronel, seus comandados, a doutora, e os refugiados partem a pé numa fuga pela floresta rumo a fronteira de Camarões, já que sua extração acabou sendo negada.

E aqui vamos nós para o primeiro dos “parênteses” deste artigo, porque por mais de uma vez me deparei com comentários que alegam a impossibilidade da ação de Walters ocorrer na vida real, pois tal ato de indisciplina com certeza seria punido.

Bem, este blog, assim como seu canal no Youtube, tem como objetivo debater assuntos ligados a chamada “cultura pop” e não temas militares, mesmo que por seu viés mais histórico que técnico. Mas para resenhar “Lágrimas do Sol” peço licença para você que está lendo para duas considerações em prol de defender o roteiro deste filme.

A primeira é a mais óbvia. Estamos falando aqui de uma obra de ficção, não é? E só isto, por si só, já deveria ser o suficiente para invalidar tal argumento, já que o filme como vamos descobrir é feito sobretudo para inspirar e ao menos tentar passar uma lição.

“Ahhh... Mas é um filme que se propõe realista”, alguém ainda pode tentar dizer.

E aí entramos na segunda consideração. Casos como o do personagem de Bruce Willis são sim mais comuns que qualquer um possa imaginar. E a história das guerras está bem servida deles, e só para exemplificar, lembremos do caso retratado no filme “O Pianista”, baseado em fatos reais, quando o personagem vivido por Adrien Brody é salvo por um oficial alemão que o esconde no sótão de um QG germânico. E se isto não é suficiente ainda cito o caso de um destacamento francês a serviço da ONU que ganhou os holofotes, quando durante a Guerra dos Balcãs nos anos 90, para evitar um massacre anunciado num vilarejo quebrou com suas regras de engajamento, e abriu fogo contra os atacantes que já se encontravam nas montanhas próximas só esperando sua retirada.

Lógico, que tais “feitos” não consentidos por superiores podem implicar em punições, e que mesmo que suas boas intenções possam ser compreendidas, são sempre enterradas bem fundo nos porões dos arquivos para que não possam inspirar futuros “atos de indisciplina”, só sendo descobertas em geral décadas depois.

Mas que estes existem, não duvide, existem.

E o pior nem é isto, pois este escriba aqui chegou inclusive a se deparar com críticas que tentavam ridicularizar o filme a partir deste plot, procurando alegar que a razão para a crise de consciência do tenente Waters, seria porque queria “dar uma namoradinha” com a doutora Kendricks.

Não que namorar Monica Bellucci seja uma ideia pela qual muitos não fariam besteira (risos). Mas chega a ser patética algumas grotescas ideias de algumas figuras somente para diminuir o filme.

Posto isto, é lógico que há um clima intrínseco rolando entre Lena Kendrikcs e o tenente Waters, e que pode fazer até parte da plateia crer que a qualquer momento em meio àquela fuga eles possam se lançar um nos braços do outro, mas aqui entra aquele tal equilíbrio que citei, tão bem distribuído no roteiro escrito por Alex Laster e Patrick Cirillo.

Já que ao mesmo tempo em que nitidamente ambos se admiravam e se sentiam atraídos, há momentos em que o clima entre ambos pesa.

E em mais um ponto para o filme, ainda que Waters e seus comandos possam ser pintados como heróis, este pesa a mão na hora e proporção exatas, inclusive para mostrá-los como militares que fariam de tudo para cumprir sua missão ou para mostrá-los em seu lado humano em atos de pura vingança ao se revoltarem com coisas que presenciam, inclusas aí algumas cenas mais violentas. Mas que aqui ao contrário do já citado “Falcão Negro em Perigo” que escancaradamente tem suas cenas mais fortes feitas apenas para causar hype na plateia, em “Lágrimas do Sol” todas suas cenas, digamos, mais pesadas, estão absolutamente a serviço do roteiro.

Bruce Willis, Monica Bellucci e o diretor Antoine Fuqua

Roteiro tratado nitidamente com imenso respeito por Atoine Fuqua, que procura fugir das patriotadas, e se esmera até na escolha de figurantes, tendo escolhido para o grupo de refugiados apenas pessoas que já tinham sido refugiados na vida real, enquanto vai nos tragando numa espiral de momentos tensos, tocantes e reflexivos.

Sem abrir mão de empolgantes sequências de ação, e que só são empolgantes justamente porque passamos a nos importar com cada um daqueles personagens na tela durante sua jornada de desfecho dramático, na qual até mesmo o mais durão e frio dos comandos de Waters se encontra com seu lado altruísta.

Ainda sofrendo com a “ressaca” dos atentados de 11 de setembro de 2001, Hollywood na época tinha pisado no freio quando o assunto era filmes de ação militares.

E “Lágrimas do Sol” foi duramente criticado em seu lançamento, mas hoje em dia, quase vinte anos depois, tendo arregimentado toda uma legião de admiradores, se percebe que tais críticas em sua maioria foram apenas fruto da má vontade de pessoas para os quais apenas uma perna com a veia femoral esguichando sangue no rosto pode ser considerado algo dramático e para os quais a menção de humanidade em estereótipos que não gostam precisa ser combatida.

Mas também prova que tais opiniões, não sobrevivem ao teste do tempo, fazendo de “Lágrimas de Sol” um dos momentos mais tocantes (sim, tocantes, e sem ser piegas) da história do cinema sem esquecer de seu DNA de filme de ação.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Mestres do Universo - Salvando Eternia... e uma animação ruim

Durante muitos anos, “He-Man e os Mestres do Universo” foi uma das animações mais queridas por uma legião de fãs, mas que na verdade, no frigir dos ovos, sempre foi muito ruim.

Pouca ou nenhuma construção de personagens, gráficos bem abaixo do que sua própria produtora a Filmation já tinha mostrado antes como nas animações de Tarzan e Flash Gordon, fora o uso “na cara dura” de personagens (em geral animais) e plots já usados no ótimo Blackstar.

Só que o grande problema do “He-Man” dos anos 80 nem residia tanto nas características citadas, mas sim na imensa quantidade de possibilidades que não eram exploradas.

Mas para uma audiência média que não via o oceano de distância que havia entre a série do “defensor de Grayskull” e algumas outras séries de animação contemporâneas como ‘’Caverna do Dragão” (só para citar um exemplo), isto nunca importou.

Dramas e histórias pessoais de diversos personagens como a Rainha Marlena que era uma astronauta da Terra, Gorpo que longe de sua dimensão não era nem a sombra do mago poderoso que era em seu mundo, isto sem falar de Teela que nem fazia ideia de que a Feiticeira de Grayskull era sua mãe biológica.

E nem vou citar aqui Granamir, o líder dos dragões.

Tudo meticulosamente trabalhado em prol de um conceito maniqueísta de babá-eletrônica, de forma extremamente superficial.

E mesmo depois de dois remakes, no qual o Esqueleto foi até alçado a tio do protagonista, sempre houve aquela sensação do quase. Um quase nitidamente movido pela falta de coragem de seus realizadores.


Mas eis que chegamos ao ano de 2021, e quando ninguém esperava, o produtor Kevin Smith faz um anúncio que deixou meio mundo enlouquecido, uma nova animação de “Mestres do Universo” estava chegando através de uma conhecida plataforma de streaming.

Embalado pelo hit oitentista “Hold Out For a Hero” da cantora Bonnie Tyler, o trailer nitidamente já mostrava a qualidade dos gráficos da animação que ficaram a cargo dos japoneses do estúdio Madhouse.

E eu admito, mesmo jamais tendo sido admirador da animação da década de 80, com exceção talvez de uns dois ou três episódios, me empolguei.

E olha que isto é bem difícil de acontecer hoje em dia.

Posto isto devo dizer que “Mestres do Universo - Salvando Eternia” não apenas na maioria de suas características supriu minhas expectativas, com em alguns casos superou.

Para começar temos os personagens bem longe dos estereótipos que nortearam o desenho antigo. Quase todos os personagens tendo seus conflitos internos e entre si.

Aqui preciso deixar bem claro, que se você que está lendo se sentiu enganado com a animação achando que veria um desenho 90% capitaneado pelo herói bombado, devo lhe informar que foi enganado por que quis, pois, o título da animação é bem claro ao não fazer referência ao nome do protagonista.

Está certo que a propaganda feita pelo próprio Kevin Smith de que esta série é uma continuação da clássica, o que realmente é, talvez seja bastante responsável por este hype, mas não há como negar que o festival de “pontas soltas” no pouco (quase nada) de trama que o He-Man clássico teve, precisavam ser amarradas.

E tendo como estopim a queda do segredo da identidade do herói, e sua morte, juntamente com de seu antagonista, somos lançados numa espiral de sub-tramas como há muito tempo um roteiro estadunidense não mostrava.

Após tal evento, e a descoberta de que o príncipe Adam era He-Man, o seu pai, o Rei Randor simplesmente surta, e bane Duncan, o Mentor por ter escondido tal segredo. Apesar de não surtar para cima da Rainha Marlena. Sim! Pois ela sempre soube do segredo do filho.

 Ou você que está lendo já se esqueceu do episódio “ A Guerreira do Aro Iris” no qual ela é a protagonista e comanda um ataque a Montanha da Serpente para salvar sua família e amigos?

Isto tudo faz Teela rejeitar o posto de estava prestes a herdar do pai adotivo, e cansada das mentiras que se viu cercada por anos larga tudo e vai embora.

E a partir deste ponto preciso partir para um certo didatismo em prol de rebater algumas críticas absurdas e argumentos nauseabundos de “conhecedores da matéria” e desmontar “teorias da conspiração”.

Para começar, obvio é necessário falar da grande protagonista da animação, Teela.

Pois chega a ser risível ler alguns comentários que alegam mudança na personagem, quando tal sempre foi orgulhosa de suas habilidades, até certo ponto “cheia de si” e até mesmo marrenta em alguns momentos. Portanto, nada em sua atitude em se sentir traída por quem mais confiava surpreende.

E aqui ainda vale lembrar que Teela é filha legítima da Feiticeira de Grayskull, o que no decorrer da série pode plenamente justificar seu protagonismo, fora o subtítulo original, Revelation. Inclusive na série clássica há um episódio no qual ela assume o manto de Feiticeira para defender Grayskull.

Ah sim! Ainda tem a questão do suposto namoro dela com uma nova personagem, Andra.

Nem vou ficar aqui entrando no mérito de discussões vazias usando chavões baratos de rede social, mas para aqueles que reclamam desta característica inserida no cerne de Teela, preciso lembrar que este não é o primeiro caso de uma relação homossexual numa animação norte-americana. E aqui mesmo no blog citei o caso do episódio de origem do Cara de Barro em Batman The Animated Series, isto em 1991. Fora lógico o romance entre Arlequina e Hera Venenosa, e uma certa cena em Liga da Justiça Sem Limites entre a Mulher Maravilha e uma princesa de um país fictício do leste europeu.

Portanto, toda esta conversa vazia, só faria sentido, se por um acaso esta suposta relação das duas fizesse a estória parar em razão de girar em torno de si, o que não ocorre.

Estória esta que acima de tudo trata de uma jornada. Uma busca. Que volte e meia é pontuada por momentos de batalha. O que me fez lembrar um pouco da primeira série da Patrulha Estelar e bastante do seriado de Xena, a Princesa Guerreira.

Isto num mundo onde as certezas se esvaíram, ao mesmo tempo que vácuo deixado por uma força centralizadora, no caso o Esqueleto, mexeu com o equilíbrio de forças em Eternia. Algo que faz personagens que beiravam o cômico ganharem importância e se tornarem de fato dignos de serem considerados uma ameaça, aliás algo que já havia descrito aqui no artigo sobre os Thundercats de 2011.

Ou seja, um plot inicial simples que serve de pano de fundo para o desenvolvimento personagens, que passam a interagir, sem a certeza nenhuma de final feliz.

E isto logo é mostrado quando no primeiro episódio o Esqueleto imola o Homem Musgo, numa versão bem próxima do Monstro do Pântano do que na animação original. Aliás, por falar em personagens clássicos da DC Comics não posso deixar de comentar que o Rei Randor ficou a cara do Rei Arthur de Camelot 3000.

Mas para não dizer que gostei de tudo nesta “nova versão” de Mestres do Universo, preciso aqui citar a escorregada que o roteiro dá em relação a Gorpo.

Pois como todos nós sabemos, Gorpo era em seu mundo um dos magos mais poderosos, inclusive tendo o “apelido” de “O Grande”. Mas aqui criaram uma absurda história tristinha sobre sua relação com os pais, para que parecesse mais desmazelado do que já estava.

Contudo, é ele que protagoniza a mais espetacular e emocionante cena destes primeiros cinco episódios quando se sacrifica para que os amigos pudessem escapar de “Subternia”, uma espécie de inferno de Eternia.

Sim! Gorpo morre! Mas uma das mortes mais honradas, e por que não belas, que já vi um personagem ter. Uma morte honrada para o mais puro de coração.

Quanto ao He-Man... Bem, a despeito do fetiche da fanbase que comprou ao longo das décadas aquela conversa de “o homem mais poderoso do universo”, mesmo na animação dos anos 80 há vários episódios que He-Man se vê sem suas forças, ou é subjugado por algum inimigo, e até mesmo renega seus poderes por achar que teria sido responsável pela morte de um inocente.

E aqui o roteiro do próprio Kevin Smith junto com Eric Carrasco, Tim Sheridan, Diya Mishra e Marc Bernardin não tem pena mesmo, num plot twist que até poderia ser considerado previsível se a estória não fosse tão envolvente. Aliás um plot twist que já tive o desprazer de ler resenhas que o desmereciam tentando de maneira pobre argumentar que era fantasioso demais ou algo do gênero.

Mas espera aí?! É uma estória de ficção fantástica que gira em torno de recuperar a magia perdida que traria de volta a vida para um planeta distante que seria o primeiro planeta da criação. E mesmo assim teve gente procurando cabelo em ovo para criticar o retorno de um personagem de sua suposta morte.

No balanço final, “Mestres do Universo - Salvando Eternia”, ainda que eu pessoalmente preferisse que fosse uma animação original que partisse do zero, explorando de fato todas as possibilidades que os personagens poderiam nos oferecer, é nestes primeiros cinco episódios de sua primeira temporada, um ato de coragem de seus realizadores.

Um soco no estômago de quem acreditava que as animações em 2D estariam fadadas ao fim. E que enche de expectativa as mentes e corações para sua continuação, de quem de fato deseja antes de tudo uma estória bem contada numa animação de qualidade, e que não se deixa levar por rotulações fáceis.

 

 

sexta-feira, 16 de julho de 2021

As 10 Melhores Animações de Ação dos Anos 80

 

Que as animações de ação e aventura hoje em dia não tem o mesmo status de tempos de outrora, ao menos em televisão, isto é sabido. E nesta nova lista, me propus a mostrar aquelas que seriam as melhores animações de ação produzidas nos anos 1980.

Tendo para isto duas regras básicas. Nada de segregações como fazem hoje em dia entre “anime” e “cartoon”. Até porque foi os anos 80 que se iniciou a cooperação nipo-estadunidense na produção de animações. E terem sido exibidas na tevê brasileira no mesmo período. Então... Vamos lá!

10- GI Joe - Comandos em Ação (1983)

Ainda que seja uma animação feita para vender bonecos, as primeiras temporadas de “Comandos em Ação” credibilizam a animação a estar aqui, pois a despeito das arminhas de raios e mais alguns problemas criados pela censura estadunidense, possui episódios que conseguem “conversar” com a realidade como “O Candidato”, ou que conseguem passar ensinamentos não apenas para os jovens como “A Coisa Mais Perigosa do Mundo” sem cair na bizarrice das mensagens estilo “babá-eletrônica” no fim do episódio.



09- Thundercats (1985)

Os “Gatos do Trovão” estão aqui sobretudo por sua primeira ótima temporada. Um dos primeiros trabalhos de cooperação nipo-estadunidense no mundo da animação, que infelizmente sofreu com um declínio, ainda que lento, mas constante ao longo de suas temporadas.



08- Blackstar (1981)

Realizado pela mesma Filmation que depois fez “He-Man”, a saga do astronauta John Blackstar, que é tragado por um buraco negro e vai parar no planeta Sagar, ainda se mantém uma animação absurdamente atual, e que infelizmente ficou sem um final.

Blackstar Episodio 1 A Cidade dos Patriarcas Dublado



07- Superamigos (Super Powers Team - Galactic Guardians) (1985)

A última temporada dos Superamigos está aqui, pois foi a primeira animação que “conversou” mais diretamente com aquilo que os personagens mostrados eram de fato em sua mídia original. E apesar de curta (apenas 10 episódios), mostrou pela primeira vez numa animação coisas como a morte dos pais de Bruce Wayne, além de “matar” o Superman bem antes das HQ’s.



06- Zillion (1987)

Uma espécie de “ponto fora da curva”. Feita para vender brinquedo, a saga dos “White Knights” surpreende por ter um roteiro absurdamente ágil, fora lógico, a malandragem de J.J. (risos).



05- Jayce e os Guerreiros do Espaço (1985)

Uma das melhores premissas das animações em todos os tempos, que poderia inclusive ter se aprofundado mais no debate dos perigos dos excessos da manipulação genética. Uma ficção científica bem diferente de seus congêneres.



04- Thundarr O Bárbaro (1980/1981)

Junte Jack Kirby e Alex Toth, com um amálgama sensacional de Conan, Guerra nas Estrelas e Planeta dos Macacos. E tudo num plot que nenhuma animação tinha abordado daquela forma até então. O ponto mais alto dos estúdios Ruby&Spears. Tá! Tudo bem. Eu sei que tecnicamente 1980 não seria “década de 80”, mas como as suas temporadas foram produzidas praticamente sem intervalo e a animação só estreou em outubro de 1980, acho que podemos relevar estes pormenores (risos).



03- Caverna do Dragão (1985)

Personagens absurdamente bem construídos e cativantes. Episódios que apesar de basicamente terem o mesmo plot, nunca se repetiam de tão bem escritos, e obvio, aquele final que virou lenda urbana, e que só concretizou quase quarenta anos depois.



02- Galaxy Rangers (1986)

Bem, falar sobre esta aventura sensacional seria “chover no molhado”, pois já dediquei todo um artigo, a esta incrível animação, tecnicamente a frente de seu tempo, com uma trilha sonora espetacular, e que bem que merecia a exemplo de “Caverna do Dragão” ganhar um final digno.



01- Patrulha Estelar 3 – A Crise do Sol (1981)

A última série de tevê da saga clássica do Encouraçado Espacial Yamato. Bem, acho que se você acompanha aqui o blog não deve estar nem um pouco impressionado com este primeiro lugar. E, lógico que qualquer coisa que eu diga aqui ao fim de mais esta lista seria absolutamente redundante.



 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

John Williams - O mago da música!

 

E no começo havia apenas...a música!

Não, eu não fiquei louco. E não, isto não é um exagero. Pois quando falamos das artes audiovisuais, e de seu começo seja em filmes com pessoas reais ou em animações, o que se tinha para acompanhar as películas daquela novidade incrível chamada cinema e suas imagens em movimento, nada mais era que música.

E se você que está lendo acompanha o blog, sabe o quanto cito esta característica de cada obra que resenho aqui, seja por canções ou temas instrumentais.

E neste segundo quesito, vários foram os compositores que se destacaram ao longo de mais de um século, mas nenhum marcou tanto a vida e as lembranças de tantos quanto, John Williams!

John Towner Willams, nasceu 08 de fevereiro de 1932 em Flushing (atual Queens) em Nova York. Filho de Ester e John Williams Sr., um percursionista de jazz.

Mudou-se com a família para Los Angeles em 1948, onde anos depois se graduou em composição no conservatório da famosa UCLA - a Universidade de Los Angeles.

Mas se engana você, se pensa que por estar ali ao lado de Hollywood, o jovem John foi logo criar trilhas para produções cinematográficas, pois em 1952, eis que a convocação para as forças armadas bateu em sua porta, e Williams por três anos serviu na Força Aérea, onde entre suas atribuições acabou dirigindo a banda da corporação, para a qual também fez alguns arranjos musicais.

Findada esta etapa, Williams retorna para Nova York, indo estudar piano clássico na “Julliard School” e trabalhando como pianista de jazz em vários clubes noturnos.

Mas sua escalada no show business começa de fato quando cruza novamente o país de volta para Los Angeles, onde teve sua primeira chance como músico de estúdio de Henry Mancini (sim, ele mesmo, o compositor do tema de A Pantera Cor de Rosa), além de trabalhar com outros compositores icônicos como Elmer Bernstein e Jerry Goldsmith.

Sendo que foi na década de 1960 que Williams e sua música começaram a decolar para voos solos, compondo para vários programas de tevê. Época que ainda assinava como “Johhny”, devido um ator de mesmo nome, e na qual estabeleceu sua primeira grande parceria com ninguém menos que o célebre produtor Irwin Allen, para o qual compôs os temas dos seriados “Terra de Gigantes”, “Túnel do Tempo” e “Perdidos no Espaço”, quase ao mesmo tempo que recebeu a primeira de suas 52 indicações ao Oscar pela trilha do filme “O Vale das Bonecas” (1967).

Irwin Allen brincando com John Williams

Mesmo assim tudo que tinha acontecido até então, pode ser considerado um mero ensaio, pois com o despontar dos anos 1970, é que nome de John Williams começa de fato a se destacar e ser conhecido e reconhecido pelo grande público.

Mantendo a parceria iniciada nos seriados de tevê, Irwin Allen chama novamente o amigo para compor as trilhas de “O Destino do Poseidon” (1972) e “Inferno na Torre” (1974) fora que de quebra ainda assinou a trilha de outro clássico do cinema catástrofe, “Terremoto”, no mesmo ano.

Porém, se você está pensando que isto já seria o suficiente, devo lhes contar que 1974 ainda traria para John Williams o começo da mais longeva e profícua parceria que o cinema teve, e é obvio que me refiro aqui a Steven Spielberg.

Williams e Spielberg - Parceria e amizade

Impressionado com que o compositor tinha feito, Steven contrata-o para compor a trilha de seu primeiro filme, “Louca Escapada”. 

Louca Escapada - O começo da parceria com Spielberg

E creio que nem é preciso citar, o quanto o diretor ficou satisfeito com o trabalho de Williams, e sem titubear chamou o maestro no ano seguinte para compor aquela que pessoalmente considero a trilha mais maravilhosamente angustiante da história, “Tubarão” (1975).


E não é nenhum exagero pensar que foi esta trilha e tema, que fizeram John Williams ser convidado por ninguém menos que Alfred Hitchcock para compor a trilha para “Trama Macabra” (1976). Reza uma lenda urbana que Williams não teria gostado muito do filme, mas que não podia de forma alguma recusar a chance de trabalhar com o “mestre do suspense”.

Williams fez a trilha de "Trama Macabra", último filme de Hitchcock

Mas calma, os anos 70 ainda estavam no meio, e em 1977 o maestro entraria de vez para subconsciente coletivo mundial (como se Tubarão não tivesse sido suficiente).

Pois é neste ano que John Williams assina os temas e trilhas de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, mais um capítulo de sua parceria com Steven Spielberg, e a trilha para “Guerra nas Estrelas”.

E aqui eu preciso abrir alguns daqueles meus conhecidos parênteses que volte e meia abro.

O primeiro é sobre “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, pois o que pouca gente sabe é que este filme talvez tenha constituído o maior desafio da carreira do maestro. Já que para criar a pequena escala harmônica que no filme faz o contato entre humanos e alienígenas se tornar possível, Williams criou mais de cem (sim, 100!) variações, até chegar na que Spielberg aprovou como sendo a perfeita.

 Para outras pessoas, creio que isto findaria qualquer amizade (risos), mas no caso de Steven Spielberg e John Williams, as ligações de amizade que geram parcerias incríveis parecem um ponto em comum. O que nos leva ao segundo “parêntese”.

John Williams não foi a primeira escolha de George Lucas para "Guerra nas Estrelas"

Pois a despeito do que muitos possam pensar, George Lucas, o criador de “Star Wars”, não foi procurar o maestro para fazer a trilha de seu revolucionário filme naquele mesmo ano. Nos planos originais de Lucas, a ideia era usar em “Guerra nas Estrelas” peças clássicas já estabelecidas e de domínio público.

Já até imagino Darth Vader entrando ao som da 5ª Sinfonia de Bethoven...

E foi Spielberg que convenceu Lucas que o melhor para seu filme seria que John Williams fizesse toda a trilha sonora, incluso aí o tema principal.... Bem, e o resto nós já sabemos né.

E com o mundo boquiaberto diante do avassalador tema de “Guerra nas Estrelas” ficava até difícil de imaginar que o maestro por mais talentoso que fosse, pudesse mostrar algo tão incrível em tão pouco tempo... Mas não é que ele fez!

Estamos no ano de 1978, e depois de uma das produções mais conturbadas da história, Richard Donner dava os últimos retoques naquele que seria a pedra fundamental do cinema de super-heróis, “Superman - O Filme”. Contudo, ainda faltava um detalhe. Onde estava a trilha sonora?!

Richard Donner e John Williams

Tal empreitada deveria ter ficado a cargo de Jerry Goldsmith, que Donner havia escolhido por terem trabalhado juntos em “A Profecia”. Porém, nada de Goldsmith entregar nem um acorde sequer. Oque obrigou Donner aos quarenta e cinco do segundo tempo a arrumar um substituto.

Sinceramente, espero que tudo tenha ficado bem entre Goldsmtih e John Williams, mas pessoalmente fico pensando na cara de Jerry ao saber que tinha sido substituído por seu antigo comandado.

E aqui preciso deixar registrado uma consideração pessoal. Nunca! Nem antes e nem depois, um tema instrumental representou tão bem um personagem quanto o tema de John Williams para o “azulão”.

Uma peça de erudição tão esplêndida que facilmente poderia rivalizar com as maiores obras já criadas pelos assim chamados “compositores clássicos”.

Exagero? Não de forma alguma. Pois se há algo injusto e mesquinho, é quando surge um daqueles tipinhos abjetos de seres recalcados, que tentam diminuir a importância de obras como o tema de “Superman”, alegando coisas como “trabalho sob encomenda”, tentando deslegitimar a genialidade da obra em prol de uma visão que apenas serve para manter um bizarro status quo para meia dúzia teóricos de conservatório, mas que se esquecem que muitas das mais aclamadas obras eruditas clássicas foram na verdade também trabalhos feitos por encomenda, seja por monarcas, ou até mesmo pela igreja católica.

E se vocês ainda acham que isto que citei é exagero, cito aqui um caso no mínimo constrangedor. De 1980 até 1993, John Williams comandou a “Boston Pops Orchestra”, uma orquestra voltada justamente a popularizar a música erudita.

E durante um ensaio em 1984, enquanto Williams mostrava para o grupo uma composição inédita sua (sim, o maestro não compõe apenas para filmes, além de ter composições no jazz e até canções), percebeu que alguns membros da orquestra riam ao ler a partitura.

John então abandonou o ensaio abruptamente e logo depois apresentou sua renúncia, à princípio alegando conflito de agenda, mas depois admitiu que percebeu a falta de respeito de alguns membros do grupo. Mas diante das súplicas (não, não é exagero isto) da administração, retirou a renúncia e permaneceu no comando da orquestra por mais nove anos.

Mas independente das opiniões alheias, Williams atravessou a década de 1980 fazendo aquilo que já fazia de melhor, encantando e surpreendendo plateias de todo mundo, em geral mantendo a vencedora parceria com Steven Spielberg, como em “Caçadores da Arca Perdida”, “E.T.” e “Império do Sol”.

Aliás, de todos os filmes do diretor, apenas três não possuem a assinatura de Williams na trilha sonora, “A Cor Púrpura”, “Ponte de Espiões” e “Jogador Nº 1”.

E de certa forma, esta simbiose entre Spielberg e Williams se tornou tão forte na memória das plateias de todo mundo, que muita gente se esquece ou nem sabe que o maestro também é autor de trilhas de vários outros filmes ao longo das últimas décadas como “Esqueceram de Mim” e “Harry Potter e a Pedra Filosofal”.

A lista de prêmios de John Williams é, lógico, para lá de extensa.

Não que premiações possam necessariamente, como nós sabemos, serem sempre um atestado de qualidade, mas apenas para exemplificar, no “quesito” Oscar, John Williams é o artista que mais foi indicado com suas já citadas 52 vezes, e apenas Walt Disney tem mais indicações (59) só que como produtor. E é o terceiro maior vencedor da premiação com seis estatuetas, perdendo apenas para o mestre da maquiagem Rick Baker com sete e outro compositor, Alan Menken, com oito.

Em 2010, Williams foi condecorado pelo então presidente Barack Obama com a “Medalha Nacional das Artes”.

John Williams e condecorado por Barack Obama

Mas se você que está lendo, por um acaso, possa estar imaginando que tantas honrarias podem ter subido a cabeça do maestro, lembro da vez em que dois jovens fãs descobriram a casa de Williams. E resolveram arriscar, indo numa manhã ensolarada para frente da residência do maestro, onde executaram o tema principal de “Guerra nas Estrelas”.

E não é que ao fim da improvisada apresentação, John Williams surge com um imenso sorriso no rosto para cumprimentar seus jovens admiradores!

Casado desde 1956 com a atriz Barbara Ruick, teve três filhos, Jennifer, Mark Towner Williams e Joseph. Joseph que aliás se tornou vocalista da banda de AOR “Toto”.

E chegando agora ao final de mais este artigo, admito que fiquei pensativo sobre quais palavras usar para sintetizar a importância de John Williams para as artes. Talvez algo bem épico para combinar com a grandiosidade de sua vasta obra.

Mas prefiro encerrar contando uma passagem real.

Quando Steven Spielberg (sim, mais uma vez ele), estava terminando a pós-produção de “A Lista de Schindler”, chamou John Williams para assistir a película praticamente pronta.

Ao término da sessão, visivelmente emocionado, Williams se vira para Steven e diz que oque o diretor tinha criado era algo muito grandioso e forte, que não se sentia capaz de compor algo para o que tinha acabado de assistir, pedindo que procurasse alguém melhor e mais capaz.

No que então recebeu a seguinte resposta de Spielberg:

“Eu até procuraria, mas estão todos mortos”.




 

 

 

 

 

Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

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