segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Quando a Ficção é Ficção dentro da Ficção!

 

Referências, easter-eggs e citações não são nenhuma novidade seja lá qual mídia apareçam. Mas, e quando esta citação, seja em imagem ou diálogo mostra personagens e obras de ficção como ficção em outras obras de ficção?

        Parece confuso? Então siga este artigo e veja alguns dos maiores “fic-easter-eggs” que já aconteceram...

Só avisando antes, que citações provenientes de sitcons não serão consideradas aqui, afinal tais obras por si só usam deste gancho narrativo de maneira contumaz e até mesmo aguarda por quem as assisti, e que “crossovers” malucos também não serão citados pois afinal isto aqui é...


  Quando a Ficção é Ficção dentro da Ficção!

 

Cobra Kai e Águia de Aço:

No seriado Cobra Kai citações aos anos 1980 (a década que se recusa a acabar) são feitas sempre. Contudo, no segundo episódio da primeira temporada, temos a cena que dá o “start” para que de fato tudo comece a acontecer. Sem dinheiro, desiludido com a vida e com todos, Johnny Lawrence (William Zabka) acorda durante a madrugada com uma ressaca daquelas, mas eis que está passando na tevê o clássico “Águia de Aço”, e justamente na parte do discurso motivacional que o Coronel Chappy Sinclair (Louis Gosset Jr.) deixa gravado para Doug Masters (Jason Gedrick).


 

B13-13º Distrito e Por Amor:

No filme francês 13º Distrito (não confundir com a cópia estadunidense protagonizada por Paul Walker), há uma cena em que dois seguranças de uma das facções criminosas que dominam o citado distrito do título, estão assistindo ao último capítulo da novela “Por Amor” (Sim! Acabamos de citar uma novela neste blog). E tão atentos ao que acontecia no capítulo final, deixam a facção rival entrar no prédio.

 

O Pequeno Vampiro e Patrulha Estelar:


No filme infantil, que também é conhecido por “O Meu Melhor Amigo é um Vampiro”, incansavelmente reprisado nas tardes brazucas pelo SBT, há no quarto do protagonista um pôster nipônico de “Final Yamato”, o longa-metragem que foi durante vários anos o capítulo final da saga. Lembrando que o ator da foto, René Auberjonois, foi a voz de Sandor/Sanada na versão estadunidense do Yamato.



 X-Men e Patrulha Estelar:


E por falar em pôster do Yamato na parede, num quadrinho de Ucanny X-Men Nº145 de 1981, é possível ver no quarto de Bobby, o Homem de Gelo, um pôster do “Space Cruiser Yamato” como era chamado na época em terras de Tio Sam a saga do Uchuu Senkan Yamato.



Bubblegum Crisis e Thundercats:


No primeiro episódio do clássico anime Bubblegum Crisis, num determinado momento em que vários aspectos da então futurística Mega-Tokyo são mostrados, podemos ver o rosto de Panthro dos Thundercats num telão.



 Batman O Cavaleiro das Trevas e Homem-Aranha 3:


Esta sei que muitos já conhecem, mas não poderia deixar de citá-la. Pois logo na abertura do clássico “Batman O Cavaleiro das Trevas” na cena em que o Coringa de Heath Ledger é mostrado de costas, há um cinema ao fundo, e neste cinema, um cartaz de “Homem-Aranha 3”.



 X-Men Apocalypse e O Retorno de Jedi:


X-Men Apocalypse teve uma cena que não saiu em seu corte final na totalidade, na qual os jovens mutantes resolvem dar um “rolê” pelo shopping, fazendo coisas que os jovens fazem. E só o finalzinho desta sequência entrou neste corte, quando o grupo sai de um cinema no qual estava em cartaz “O Retorno de Jedi”, enquanto Jubileu tece suas considerações como conhecedora da sétima-arte sobre o filme e seu antecessor, “O Império Contra-Ataca”.



 Eternos e Superman... e Alfred Pennyworth!:

No filme “Eternos” da Marvel Studios há um citação ao Superman, quando o filho de Phastos confunde Ikaris com o herói da DC Comics. Sobre esta cena e diálogo, a diretora do filme, Chloé Zhao disse:

"Eu me responsabilizo por esse diálogo"


E continuou:

"Acho que estamos no ramo de contar histórias mitológicas, e o Superman é uma figura mitológica. Então achei que poderíamos brincar, fazer um tributo a esse outro herói icônico, que amamos tanto. Quem não ama o Superman e o Batman?”

Estranhou a citação ao Batman feita por Chloé, a diretora de Eternos?

Pois é, mas esta realmente existe de forma indireta, pois o citado na verdade é seu fiel mordomo, Alfred Pennyworth, num diálogo no qual Karun, o “valete humano” de Kingo, é descrito como o “Alfred de seu Batman”

 

Os Incríveis 2 e Jonny Quest:


Declaradamente fã da clássica animação da Hanna-Barbera, o diretor Brad Bird, inseriu na sequência de “Os Incríveis” uma cena na qual está passando na tevê a saga clássica criada por Doug Wildey em 1964.



 O Gigante de Ferro e Superman:


Esta com certeza você conhece! E mais uma vez temos Brad Bird nos brindando com uma baita referência. Talvez seja o caso mais clássico da citação de uma obra de ficção em outra obra, quando Hogart mostra ao Gigante de Ferro o clássico Nº1 da Action Comics com o Superman na capa.


E mais que uma citação, a explicação que o garoto dá sobre o personagem e sua índole, se tornam fundamentais para o desfecho da trama mais a frente.



 

 

domingo, 28 de janeiro de 2024

Christopher Lee – A Jornada de uma Lenda!

 

Neste blog já foram realizados alguns artigos contandoa história de ícones da cultura pop. John Williams, Leiji Matsumoto, Michael Reaves, entre outros, já estiveram por aqui...

Mas ainda havia um nome, uma lenda. O cara que testemunhou mais eventos históricos que a Rainha Elizabeth II, e que até o fim de sua passagem por este plano se manteve ativo nas artes, as vezes de formas que até parte de seus fãs pouco ou nada imaginam.

Então os convido a embarcar numa das maiores jornadas da humanidade, a vida do ícone Christopher Lee!

Christopher Frank Carandini Lee, nasceu 22 de maio de 1922, no distrito de Belgravia, Londres. Filho de Geofrey Trollope Lee (um oficial do exército britânico), com Estelle Marie Carandini (uma condessa italiana), desde o nascimento, pela sua árvore genealógica pode ser descrito como um indivíduo de “caráter histórico”, pois era descendente direto do imperador Carlos Magno por parte de mãe, e do general confederado Robert E. Lee por parte de pai.

Ainda criança conheceu o príncipe Yusopov e o Grão-Duque Dimtri Pavlovich, os assassinos do monge Rasputin, papel que mais tarde desempenharia. E aos dezessete anos testemunhou a última execução pública pela guilhotina na França.

Acha que está bom? Calma, pois a Segunda Guerra Mundial chegou, que como muitos outros jovens Lee ingressou nas forças armadas de seu país para lutar. E seus feitos durante o conflito por si só já dariam um filme, ou vários.

Por um pequeno problema de visão não pode se tornar piloto, mas ainda assim, se tornou oficial de inteligência da “Patrulha do Deserto de Longo Alcance”, a percursora do famoso SAS (Special Air Services). Lutando contra os nazistas no norte da África, onde chegava a realizar até cinco missões num único dia.

O jovem Lee durante a Segunda Guerra Mundial

Durante esta época também esteve na retomada da Sicília, impediu com extrema psicologia um motim entre suas tropas, e no tempo livre escalou o Monte Vesúvio apenas três dias antes deste entrar em erupção.

Diante disto tudo, Christopher Lee foi recrutado para o chamado “Serviço Executivo de Operações Especiais”, um departamento secreto, ligado diretamente ao gabinete do Primeiro Ministro Winston Churchill, e que foi o embrião para a criação posterior do MI-6, o serviço secreto britânico, sendo que após o conflito ainda passou um tempo caçando nazistas.

E se lembram da árvore genealógica de Lee? Pois então...

Christopher tinha um primo, que após passagem pela marinha também durante a guerra, sonhava em ser escritor.

Seu nome? Ian Fleming!

Ian Fleming era primo de Christopher Lee

Sim, Christopher Lee e Ian Fleming, o criador de James Bond, eram primos em primeiro grau. E sim, é plenamente plausível se afirmar que a vida do ator durante a guerra e seus feitos foram a grande inspiração para a criação do espião mais famoso do mundo.

Como o vilão Scaramamga

Papel para o qual inclusive o primo fez campanha para que fosse seu, mas o perfil de Christopher já atrelado na época a filmes de terror, acabou fazendo o papel cair no colo de Sean Connery. O que lógico, não impediu o ator de anos mais tarde como todos sabemos, participar da franquia como o vilão Scaramanga em “007 contra o Homem com a Pistola de Ouro”.

Ah! E sabem os filmes de terror citados?

Christopher Lee se tornou um verdadeiro sinônimo deles!

Obvio que você que está lendo, tem conhecimento do talvez mais lembrado papel da carreira do ator como o Conde Drácula nos filmes da produtora Hammer.

Mas seu portfólio de terror também inclui outras produções do gênero como “A Múmia” e “O Monstro de Frankstein”, além do controverso, censurado e quase banido “The Wicker Man” de 1973.

No controverso "The Wicker Man"

Um portfólio que fez Lee fazer parte do triunvirato do terror junto com seus amigos, Peter Cushing e Vincent Price.

Lee, Cushing e Price - O Trio do Terror

Lee e Cushing chegaram a trabalhar juntos várias outras vezes, como em “O Cão dos Baskerville” e em “ O Monstro de Frankstein”, mas os três trabalharam juntos apenas uma vez, em 1983 no filme “A Mansão da Meia-Noite”.

Sua presença e as representações que dava aos personagens que interpretava eram tão marcantes que ao interpretar Rochefort, o chefe da guarda do Cardeal Richelieu, na versão de “Os Três Mosqueteiros” de 1973, incorporou ao personagem o uso de um tapa-olho.

Como Rochefort em "Os Três Mosqueteiros"

 E ainda que tal característica não tenha sido descrita no livro de Alexandre Dumas, esta ficou tão marcante que nenhuma outra representação posterior ousou mudá-la.

Durante quase toda a década de 1980, Christopher Lee passou procurando desvencilhar sua imagem aos filmes de terror, fazendo papéis secundários em geral de vilões, como no clássico B “Ajuste de Contas” (ou Olho por Olho”) protagonizado por Chuck Norris.

Mas também tendo pequenas participações, até em produções televisivas, como na minissérie “Sadat O Guerrilheiro da Paz” na qual faz o Xá do Irã, Reza Pahlavi, ou no filme “Charles & Diana” onde interpreta o príncipe Phillip, o pai de Charles.

E lógico não poderia de forma alguma deixar de mencionar aqui sua sensacional participação em “Gremlins 2 A Nova Geração” (1990) no qual faz um geneticista, chefe de um laboratório, num papel que satiriza de forma genial os papéis que interpretou nos antigos filmes de terror da Hammer.

E tal toada de trabalho permaneceu assim durante todos os anos 1990, parecendo que Lee estava fadado a seguir o rumo de outros atores de sua geração. Ainda que seja desta época, mais precisamente 1998, o papel que Lee declarava ter tido mais orgulho de fazer, que foi o de Muhammad Ali Jinah, o fundador do Paquistão.

Um filme que jamais foi distribuído em circuito internacional, mas para o qual o ator tinha grande afeto e que lamentava não ser de conhecimento do grande público, declarando o seguinte:

“Em 1997… passei 10 semanas no Paquistão com atores indianos, com atores britânicos, com atores paquistaneses e interpretei um homem chamado Muhammad Ali Jinnah. Ele foi o fundador do Paquistão, um homem de grande visão. Incorruptível, grande integridade, um homem brilhante, amigo de Gandhi, ambos eram advogados.”

Lee considerava sua atuação como Jinnah o melhor de sua carreira

E continuava seu relato:

“Eu o interpretei neste filme e sei que é a melhor coisa que já fiz, de longe. É um filme muito bom e todos nele são muito bons, e é verdadeiro também. É historicamente preciso e foi muito bem recebido no Paquistão. Os cinemas ficaram lotados todas as noites, todos os dias durante três meses.”

Com o novo século, o cara que foi a inspiração para James Bond, que foi o Drácula mais icônico do cinema, interpretou personagens históricos como Rasputin, falava seis idiomas, e era cantor de ópera nas horas vagas, foi chamado para participar daquilo que até por razões pessoais seria para ele um papel marcante.

Me refiro a trilogia de “ O Senhor dos Anéis”, na qual Lee interpretou o mago Saruman. E que para o ator tinha um significado especial, pois além de ser um fã de longa data da saga (dizem que a relia ao menos uma vez ao ano), conheceu pessoalmente seu autor, J.R.R Tolkien.

Conheceu J.R.R. Tolkien

Um encontro que segundo reza a lenda urbana, ocorreu por mera casualidade quando se encontraram em pub londrino. Mas que rendeu boas horas de conversa, e a benção de Tolkien para que caso um dia fossem fazer uma versão cinematográfica de sua obra, Lee estivesse nela.

Com Peter Jackson nos bastidores de Senhor dos Anéis

Ainda no que diz respeito a “Senhor dos Anéis”, houve uma passagem na qual o diretor Peter Jackson tentava orientar Lee na cena em que Saruman seria esfaqueado em “O Retorno Do Rei” (cena que aliás só saiu depois na versão estendida e fez o ator ficar furioso com isto).

Jackson procurava instruir sobre o som que uma pessoa faz quando leva uma facada, mas Lee o interrompeu, e mesmo sendo extremamente reservado no que dizia respeito aos seus tempos de comando na Segunda Guerra, afirmou que sabia muito bem o som que uma pessoa fazia ao ser esfaqueada.

Foi o Lord Dooku na saga Star Wars

E não posso deixar de citar a passagem de Christopher Lee pela franquia “Star Wars” na qual ele interpretou o Lord Sith, Conde Dooku. Arriscar-me-ia inclusive afirmar que seu talento e presença foi absurdamente subestimado, e que seu personagem com certeza com participação mais relevante teria elevado o nível da coisa toda bem mais.

Com Ewan McGregor nos bastidores de "O Ataque dos Clones"

Mas acredito que o feito mais impensável de Christopher Lee foi realizado fora de campos de batalha ou estúdios de cinema, e tudo começa no ano de 2004.

Há versões um pouco conflitantes da web de como tudo se deu, mas a que é mais aceita é de que uma sobrinha-neta de Lee que era fotógrafa e trabalhava para uma revista de rock, foi fazer um trabalho fotografando um show da banda italiana de power metal Rhapsody of Fire (que na época ainda se chamava só Rhapsody). Depois nos bastidores conversando com a banda revelou de quem era parente.

Com o Rhapsody, a porta de entrada para o heavy metal

Pronto! Estava aceso o estopim, para uma incrível parceria, e mais um feito na vida de Sir Christopher Lee!

Pois Luca Turilli, guitarrista e líder da banda, não perdeu tempo em pedir para fazer contato com o ator, que se mostrou bastante interessado na proposta, e o resultado foi uma parceria do ator em cinco álbuns da banda italiana, não apenas narrando, como fazendo um dueto com o cantor Fabio Lione na música “Magic of Wizard’s Dream”.

E você acha que o headbanger Lee parou por aí? Que nada!

Em 2010 ampliando suas participações, esteve no álbum dos norte-americanos do Manowar, “Battle of Hymns XXI”.

Lee fez dois álbuns próprios de power metal

E não satisfeito, neste mesmo ano, lançou o primeiro de seus álbuns de heavy-metal, “Charlemagne: By The Sword and the Cross”, no qual contava de guitarra em punho a história de seu antepassado Carlos Magno. E que ganhou uma segunda parte em 2013 com “Charlemagne: The Omens of Death”.

Sobre esta vertente sua, o grande ator declarou a revista britânica Kerrang:

O metal é um estilo de vida. Eu sempre fui metal, apenas não sabia”.

E como cereja do bolo, se tornou o artista mais velho a figurar no TOP100 da parada de singles da Billboard ao atingir o 18º com a música “Jingle Hell”, uma paródia metal para o clássico “Jingel Bell”.

Então agora, toda vez que você assistir “Forrest Gump”, e pensar na improbidade que aquilo é, se lembre de Christopher Lee, que não apenas presenciou a história, mas a fez acontecer!




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Os Finais Mais Tapa na Cara da Cultura Pop

 

Existem alguns finais de estórias, não importa em qual mídia se apresentem, que quando nos deparamos com eles ficamos com sensações das mais diversas. Seja de um sabor amargo, chocados, ou até mesmo com a sensação de que nos fizeram de palhaços.

As vezes tais finais estão até dentro do contexto da obra, mesmo que não nos agrade, em outras vezes, parecem uma solução fácil criada por roteiristas preguiçosos, de qualquer maneira eles fazem parte da cultura pop tanto quanto super-heróis e fãs-malas.

Lógico que este artigo não tem como intensão (nem seria possível), citar todos ou a maioria destes “Finais Tapa na Cara”, apenas com os exemplos aqui citados mostrar aquilo que foi explanado ali no primeiro parágrafo.

Já avisando que se você que está lendo não gosta de spoilers, este artigo não é indicado para você (risos).

Para iniciar, preciso citar um final que me deixou bastante impactado à época em que o assisti, o do telefilme, posteriormente promovido aos cinemas, “Day After - O Dia Seguinte”.

O ator Jason Robards protagonizou...

...um dos finais mais chocantes já vistos

Filme oitentista feito para alertar sobre o “merdelê” que um conflito atômico de grandes proporções poderia gerar, mas que de todos os possíveis e desesperançosos finais possíveis, optou por mostrar o personagem vivido pelo veterano ator Jason Robards que era um importante médico na cidade em que morava, e obviamente de uma classe social mais abastada, em meio à um “surto” ao ver pessoas nos escombros do que um dia foi sua casa, acabando, assim como o espectador, levar uma lição sobre o que de fato importa na vida.

"A Família Dinossauro" e seu final coerente

Só que se for para falar de fim do mundo, acredito que, ao menos na época, muita gente tenha ficado meio que travada no sofá de casa por alguns segundos diante do final de “Família Dinossauros”.

A série que se notabilizou por um subtexto (muitas vezes nem tão sub assim) que conversava (e as vezes gritava) sobre assuntos muito reais, nada mais do que retratou em seu episódio final o que pudemos assistir durante toda a jornada de Dino, Fran, sua família e amigos, ou seja, o resultado fatídico de toda uma cultura rasa e de soluções fáceis, que no fim cobrou seu preço.

Mas quando o fim não vem de uma só vez? E quando ele se arrasta por três ou quatro capítulos, com os protagonistas de uma série, queridos pelo público sendo tragados por um turbilhão de infortúnios que nem Hardy Ha Ha, a hiena das animações da Hanna-Barbera, poderia imaginar?

"Nova York Contra o Crime"

Foi mais ou menos isto que aconteceu com a aclamada série “Nova York Contra O Crime”. Pois o detetive Booby Simone (Jimmy Smits) de uma hora para outra fica doente e... Bem o resto você pode imaginar. E o pior, que o grande protagonista da série, o detetive Andy Sipowicz (o icônico Dennis Franz), que passou sua maior parte sendo um alcoólatra pouco confiável, quando parece estar vendo sua vida retornar a um rumo bacana, inclusive sendo pai após vários anos, é abalroado pela morte da mulher, deixando-o com um bebê para criar.

Gostaria muito de dizer que os roteiristas estavam corretos aqui, pois a série, que foi uma pequena divisora de águas no que diz respeito a linguagem mais realista que usava, estaria tendo um final coerente.

Mas não! O final de “Nova York Contra o Crime” é um daqueles casos que resolveram forçar a realidade até seu limite, e por consequência acabando por ultrapassá-los, se tornando algo difícil de engolir.

Contudo, quando faço um rápido exercício de memória, para lembrar de um final “difícil de engolir”, é impossível esquecer do absurdo final de “Alf O Eteimoso”, a clássica sitcon dos anos 80, sobre o alienígena atrapalhado vindo do planeta Melmac, cuja a nave se acidenta por aqui, e é acolhido pela família Tanner.

"Alf" e seu final...

Um episódio que terminava com Alf sendo capturado pelos militares, deixando principalmente a criançada que acompanhava o programa sem chão, e que segundo explicações posteriores dos produtores do show, foi concebido apenas como gancho para uma temporada seguinte que acabou não acontecendo.

...que deixou uma geração perplexa

Só que a desculpa esfarrapada nunca colou, e anos depois resolveram tentar conter a hemorragia com esparadrapo através de um longa-metragem que mostrava qual teria sido o destino do alienígena mais querido da tevê. Mas a coisa toda é um verdadeiro desastre no qual o arremedo de roteiro tenta convencer a todos que o personagem ficaria quieto e de boa ao saber que os Tanner tinham sido enviados pelo governo para morar na Islândia.

"O Sexto Sentido" - Roteiro bem amarrado

E por falar em ser “enviado”, não dá para esquecer do final de um filme que sei que muita gente deve até ter desconfiado do que estava acontecendo, mas este escriba aqui em sua humilde humildade admite que se deixou absorver pela trama e não se deu conta do que estava bem na sua cara, e lógico falo de “O Sexto Sentido”.

Filme que admito, apenas no fatídico desfecho percebi que o personagem de Bruce Willis já tinha sido “enviado” para o outro lado da existência desde o começo da película.

"O Santuário" e seu final impensável

Mas calma, pois os filmes de ação, que em geral são pautados por um grau elevado de previsibilidade em seus desfechos, afinal qualquer ser humano em uso sadio de suas faculdades mentais quer ver o herói (as vezes anti-herói, eu sei) vencendo o vilão e tendo um fim minimamente digno, também possuem representantes com seus finais inesperados.

Em “ O Santuário”, filme que figura na nossa lista de “Os 10 melhores filmes de ação dos anos 90”, Luke Novak, personagem de Mark Dacascos, que para sumir do mapa e fugir dos desafetos tinha se tornado padre, acaba sendo “convocado” devido suas habilidades extra sacerdotais, para trabalhar da forma mais improvável que o espectador poderia imaginar para a entidade da qual fazia parte.

Acredito que você que chegou até aqui neste texto provavelmente deve estar sentindo a ausência de algum exemplo de animação, não é?

Mas calma, eles existem sim...

O episódio maldito de Superamigos

Há o censurado episódio "Hitchhike" dos “Superamigos” que já citamos aqui no artigo “Episódios Malditos”, no qual a partir da fala de um policial, fica claro que o bandido preso pelos Super-Gêmeos era um psicopata que já teria feitos outras vítimas anteriormente.

 

Consegui assistir este episódio tempos atrás, mas a cena final na delegacia acabou sendo editada pelas razões que você já deve imaginar.

A primeira e "tapa na cara" versão de O Cometa Império

Fora que antes disto, pelos idos da década de 1970, lá no Japão, uma certa obra que passamos a conhecer aqui no Brasil anos depois por “Patrulha Estelar”, surgia nos cinemas nipônicos com um longa-metragem que contava a primeira versão da saga do Cometa Império, e seu final, que promovia a matança completa dos personagens.


      Foi um tapa na cara tão grande no público na época, que provocou uma onda até ali impensável de protestos dos fãs, que fizeram os produtores desconsiderarem o que tinha sido feito, e realizando a saga que tão bem conhecemos, e que a Rede Manchete passou por aqui.

E falando em Japão, “Spectreman” o clássico tokusatsu, é bem profícuo em finais tapa na cara, mas talvez o mais famoso (e quase traumático) seja o do episódio “Uma Arma Para Spectreman”, no qual após vencer o monstro criado pelo Dr.Gori, nosso herói se vê obrigado a matar uma monstro fêmea (esta não criada pelo vilão do seriado), que estava furiosa por ter perdido seu filhote quando do embate do protagonista com o monstro-vilão.

E cuja cena final mostra o que seriam os espíritos da monstra e seu filhote enfim juntos indo para o céu.

E por falar em mortes, vou me permitir citar um episódio final que até chegou a ser escrito, mas que devido a providencial ação de uma filha do autor não chegou nem a ser produzido.

Tudo bem! Eu sei! Se não foi produzido, nem deveria estar aqui...

Mas talvez esta seja minha forma de surpreender vocês (risos).

E me refiro a nada mais, nada menos, que “Chaves”!

Quase que "Chaves" ganhou o maior "Final Tapa na Cara" de todos os tempos

Não é novidade para ninguém que Roberto Gomez Bolanõs, criador e intérprete do icônico personagem vez ou outra se permitia “pesar a mão”, jogando doses de drama no roteiro, como no episódio em que Chaves é acusado injustamente de ser ladrão.

Bem, com o seriado já tendo seu deadline estipulado pela Rede Televisa, e bastante descaracterizado do que tinha sido um dia, Bolanõs resolve colocar um fim ao seu “menino órfão”. E pelo roteiro escrito, nosso querido Chaves morreria atropelado no último episódio.

E não, isto não é lenda urbana, pois a filha de Bolanõs tempos depois de sua morte confirmou que seu pai de fato chegou a escrever este roteiro. Mas que ao bater o olho no que pai tinha escrito, não parou de perturbá-lo até conseguir demovê-lo da ideia de matar o tão querido personagem.

Portanto, finais tapa na cara, são na humilde opinião deste escriba algo que vai acompanhar a cultura pop por toda sua existência, mas que se não forem muito bem sedimentados ao longo da estória, derrubam qualquer argumento, por melhor que este possa ter sido escrito.

 

Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...