domingo, 28 de janeiro de 2024

Christopher Lee – A Jornada de uma Lenda!

 

Neste blog já foram realizados alguns artigos contandoa história de ícones da cultura pop. John Williams, Leiji Matsumoto, Michael Reaves, entre outros, já estiveram por aqui...

Mas ainda havia um nome, uma lenda. O cara que testemunhou mais eventos históricos que a Rainha Elizabeth II, e que até o fim de sua passagem por este plano se manteve ativo nas artes, as vezes de formas que até parte de seus fãs pouco ou nada imaginam.

Então os convido a embarcar numa das maiores jornadas da humanidade, a vida do ícone Christopher Lee!

Christopher Frank Carandini Lee, nasceu 22 de maio de 1922, no distrito de Belgravia, Londres. Filho de Geofrey Trollope Lee (um oficial do exército britânico), com Estelle Marie Carandini (uma condessa italiana), desde o nascimento, pela sua árvore genealógica pode ser descrito como um indivíduo de “caráter histórico”, pois era descendente direto do imperador Carlos Magno por parte de mãe, e do general confederado Robert E. Lee por parte de pai.

Ainda criança conheceu o príncipe Yusopov e o Grão-Duque Dimtri Pavlovich, os assassinos do monge Rasputin, papel que mais tarde desempenharia. E aos dezessete anos testemunhou a última execução pública pela guilhotina na França.

Acha que está bom? Calma, pois a Segunda Guerra Mundial chegou, que como muitos outros jovens Lee ingressou nas forças armadas de seu país para lutar. E seus feitos durante o conflito por si só já dariam um filme, ou vários.

Por um pequeno problema de visão não pode se tornar piloto, mas ainda assim, se tornou oficial de inteligência da “Patrulha do Deserto de Longo Alcance”, a percursora do famoso SAS (Special Air Services). Lutando contra os nazistas no norte da África, onde chegava a realizar até cinco missões num único dia.

O jovem Lee durante a Segunda Guerra Mundial

Durante esta época também esteve na retomada da Sicília, impediu com extrema psicologia um motim entre suas tropas, e no tempo livre escalou o Monte Vesúvio apenas três dias antes deste entrar em erupção.

Diante disto tudo, Christopher Lee foi recrutado para o chamado “Serviço Executivo de Operações Especiais”, um departamento secreto, ligado diretamente ao gabinete do Primeiro Ministro Winston Churchill, e que foi o embrião para a criação posterior do MI-6, o serviço secreto britânico, sendo que após o conflito ainda passou um tempo caçando nazistas.

E se lembram da árvore genealógica de Lee? Pois então...

Christopher tinha um primo, que após passagem pela marinha também durante a guerra, sonhava em ser escritor.

Seu nome? Ian Fleming!

Ian Fleming era primo de Christopher Lee

Sim, Christopher Lee e Ian Fleming, o criador de James Bond, eram primos em primeiro grau. E sim, é plenamente plausível se afirmar que a vida do ator durante a guerra e seus feitos foram a grande inspiração para a criação do espião mais famoso do mundo.

Como o vilão Scaramamga

Papel para o qual inclusive o primo fez campanha para que fosse seu, mas o perfil de Christopher já atrelado na época a filmes de terror, acabou fazendo o papel cair no colo de Sean Connery. O que lógico, não impediu o ator de anos mais tarde como todos sabemos, participar da franquia como o vilão Scaramanga em “007 contra o Homem com a Pistola de Ouro”.

Ah! E sabem os filmes de terror citados?

Christopher Lee se tornou um verdadeiro sinônimo deles!

Obvio que você que está lendo, tem conhecimento do talvez mais lembrado papel da carreira do ator como o Conde Drácula nos filmes da produtora Hammer.

Mas seu portfólio de terror também inclui outras produções do gênero como “A Múmia” e “O Monstro de Frankstein”, além do controverso, censurado e quase banido “The Wicker Man” de 1973.

No controverso "The Wicker Man"

Um portfólio que fez Lee fazer parte do triunvirato do terror junto com seus amigos, Peter Cushing e Vincent Price.

Lee, Cushing e Price - O Trio do Terror

Lee e Cushing chegaram a trabalhar juntos várias outras vezes, como em “O Cão dos Baskerville” e em “ O Monstro de Frankstein”, mas os três trabalharam juntos apenas uma vez, em 1983 no filme “A Mansão da Meia-Noite”.

Sua presença e as representações que dava aos personagens que interpretava eram tão marcantes que ao interpretar Rochefort, o chefe da guarda do Cardeal Richelieu, na versão de “Os Três Mosqueteiros” de 1973, incorporou ao personagem o uso de um tapa-olho.

Como Rochefort em "Os Três Mosqueteiros"

 E ainda que tal característica não tenha sido descrita no livro de Alexandre Dumas, esta ficou tão marcante que nenhuma outra representação posterior ousou mudá-la.

Durante quase toda a década de 1980, Christopher Lee passou procurando desvencilhar sua imagem aos filmes de terror, fazendo papéis secundários em geral de vilões, como no clássico B “Ajuste de Contas” (ou Olho por Olho”) protagonizado por Chuck Norris.

Mas também tendo pequenas participações, até em produções televisivas, como na minissérie “Sadat O Guerrilheiro da Paz” na qual faz o Xá do Irã, Reza Pahlavi, ou no filme “Charles & Diana” onde interpreta o príncipe Phillip, o pai de Charles.

E lógico não poderia de forma alguma deixar de mencionar aqui sua sensacional participação em “Gremlins 2 A Nova Geração” (1990) no qual faz um geneticista, chefe de um laboratório, num papel que satiriza de forma genial os papéis que interpretou nos antigos filmes de terror da Hammer.

E tal toada de trabalho permaneceu assim durante todos os anos 1990, parecendo que Lee estava fadado a seguir o rumo de outros atores de sua geração. Ainda que seja desta época, mais precisamente 1998, o papel que Lee declarava ter tido mais orgulho de fazer, que foi o de Muhammad Ali Jinah, o fundador do Paquistão.

Um filme que jamais foi distribuído em circuito internacional, mas para o qual o ator tinha grande afeto e que lamentava não ser de conhecimento do grande público, declarando o seguinte:

“Em 1997… passei 10 semanas no Paquistão com atores indianos, com atores britânicos, com atores paquistaneses e interpretei um homem chamado Muhammad Ali Jinnah. Ele foi o fundador do Paquistão, um homem de grande visão. Incorruptível, grande integridade, um homem brilhante, amigo de Gandhi, ambos eram advogados.”

Lee considerava sua atuação como Jinnah o melhor de sua carreira

E continuava seu relato:

“Eu o interpretei neste filme e sei que é a melhor coisa que já fiz, de longe. É um filme muito bom e todos nele são muito bons, e é verdadeiro também. É historicamente preciso e foi muito bem recebido no Paquistão. Os cinemas ficaram lotados todas as noites, todos os dias durante três meses.”

Com o novo século, o cara que foi a inspiração para James Bond, que foi o Drácula mais icônico do cinema, interpretou personagens históricos como Rasputin, falava seis idiomas, e era cantor de ópera nas horas vagas, foi chamado para participar daquilo que até por razões pessoais seria para ele um papel marcante.

Me refiro a trilogia de “ O Senhor dos Anéis”, na qual Lee interpretou o mago Saruman. E que para o ator tinha um significado especial, pois além de ser um fã de longa data da saga (dizem que a relia ao menos uma vez ao ano), conheceu pessoalmente seu autor, J.R.R Tolkien.

Conheceu J.R.R. Tolkien

Um encontro que segundo reza a lenda urbana, ocorreu por mera casualidade quando se encontraram em pub londrino. Mas que rendeu boas horas de conversa, e a benção de Tolkien para que caso um dia fossem fazer uma versão cinematográfica de sua obra, Lee estivesse nela.

Com Peter Jackson nos bastidores de Senhor dos Anéis

Ainda no que diz respeito a “Senhor dos Anéis”, houve uma passagem na qual o diretor Peter Jackson tentava orientar Lee na cena em que Saruman seria esfaqueado em “O Retorno Do Rei” (cena que aliás só saiu depois na versão estendida e fez o ator ficar furioso com isto).

Jackson procurava instruir sobre o som que uma pessoa faz quando leva uma facada, mas Lee o interrompeu, e mesmo sendo extremamente reservado no que dizia respeito aos seus tempos de comando na Segunda Guerra, afirmou que sabia muito bem o som que uma pessoa fazia ao ser esfaqueada.

Foi o Lord Dooku na saga Star Wars

E não posso deixar de citar a passagem de Christopher Lee pela franquia “Star Wars” na qual ele interpretou o Lord Sith, Conde Dooku. Arriscar-me-ia inclusive afirmar que seu talento e presença foi absurdamente subestimado, e que seu personagem com certeza com participação mais relevante teria elevado o nível da coisa toda bem mais.

Com Ewan McGregor nos bastidores de "O Ataque dos Clones"

Mas acredito que o feito mais impensável de Christopher Lee foi realizado fora de campos de batalha ou estúdios de cinema, e tudo começa no ano de 2004.

Há versões um pouco conflitantes da web de como tudo se deu, mas a que é mais aceita é de que uma sobrinha-neta de Lee que era fotógrafa e trabalhava para uma revista de rock, foi fazer um trabalho fotografando um show da banda italiana de power metal Rhapsody of Fire (que na época ainda se chamava só Rhapsody). Depois nos bastidores conversando com a banda revelou de quem era parente.

Com o Rhapsody, a porta de entrada para o heavy metal

Pronto! Estava aceso o estopim, para uma incrível parceria, e mais um feito na vida de Sir Christopher Lee!

Pois Luca Turilli, guitarrista e líder da banda, não perdeu tempo em pedir para fazer contato com o ator, que se mostrou bastante interessado na proposta, e o resultado foi uma parceria do ator em cinco álbuns da banda italiana, não apenas narrando, como fazendo um dueto com o cantor Fabio Lione na música “Magic of Wizard’s Dream”.

E você acha que o headbanger Lee parou por aí? Que nada!

Em 2010 ampliando suas participações, esteve no álbum dos norte-americanos do Manowar, “Battle of Hymns XXI”.

Lee fez dois álbuns próprios de power metal

E não satisfeito, neste mesmo ano, lançou o primeiro de seus álbuns de heavy-metal, “Charlemagne: By The Sword and the Cross”, no qual contava de guitarra em punho a história de seu antepassado Carlos Magno. E que ganhou uma segunda parte em 2013 com “Charlemagne: The Omens of Death”.

Sobre esta vertente sua, o grande ator declarou a revista britânica Kerrang:

O metal é um estilo de vida. Eu sempre fui metal, apenas não sabia”.

E como cereja do bolo, se tornou o artista mais velho a figurar no TOP100 da parada de singles da Billboard ao atingir o 18º com a música “Jingle Hell”, uma paródia metal para o clássico “Jingel Bell”.

Então agora, toda vez que você assistir “Forrest Gump”, e pensar na improbidade que aquilo é, se lembre de Christopher Lee, que não apenas presenciou a história, mas a fez acontecer!




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Os Finais Mais Tapa na Cara da Cultura Pop

 

Existem alguns finais de estórias, não importa em qual mídia se apresentem, que quando nos deparamos com eles ficamos com sensações das mais diversas. Seja de um sabor amargo, chocados, ou até mesmo com a sensação de que nos fizeram de palhaços.

As vezes tais finais estão até dentro do contexto da obra, mesmo que não nos agrade, em outras vezes, parecem uma solução fácil criada por roteiristas preguiçosos, de qualquer maneira eles fazem parte da cultura pop tanto quanto super-heróis e fãs-malas.

Lógico que este artigo não tem como intensão (nem seria possível), citar todos ou a maioria destes “Finais Tapa na Cara”, apenas com os exemplos aqui citados mostrar aquilo que foi explanado ali no primeiro parágrafo.

Já avisando que se você que está lendo não gosta de spoilers, este artigo não é indicado para você (risos).

Para iniciar, preciso citar um final que me deixou bastante impactado à época em que o assisti, o do telefilme, posteriormente promovido aos cinemas, “Day After - O Dia Seguinte”.

O ator Jason Robards protagonizou...

...um dos finais mais chocantes já vistos

Filme oitentista feito para alertar sobre o “merdelê” que um conflito atômico de grandes proporções poderia gerar, mas que de todos os possíveis e desesperançosos finais possíveis, optou por mostrar o personagem vivido pelo veterano ator Jason Robards que era um importante médico na cidade em que morava, e obviamente de uma classe social mais abastada, em meio à um “surto” ao ver pessoas nos escombros do que um dia foi sua casa, acabando, assim como o espectador, levar uma lição sobre o que de fato importa na vida.

"A Família Dinossauro" e seu final coerente

Só que se for para falar de fim do mundo, acredito que, ao menos na época, muita gente tenha ficado meio que travada no sofá de casa por alguns segundos diante do final de “Família Dinossauros”.

A série que se notabilizou por um subtexto (muitas vezes nem tão sub assim) que conversava (e as vezes gritava) sobre assuntos muito reais, nada mais do que retratou em seu episódio final o que pudemos assistir durante toda a jornada de Dino, Fran, sua família e amigos, ou seja, o resultado fatídico de toda uma cultura rasa e de soluções fáceis, que no fim cobrou seu preço.

Mas quando o fim não vem de uma só vez? E quando ele se arrasta por três ou quatro capítulos, com os protagonistas de uma série, queridos pelo público sendo tragados por um turbilhão de infortúnios que nem Hardy Ha Ha, a hiena das animações da Hanna-Barbera, poderia imaginar?

"Nova York Contra o Crime"

Foi mais ou menos isto que aconteceu com a aclamada série “Nova York Contra O Crime”. Pois o detetive Booby Simone (Jimmy Smits) de uma hora para outra fica doente e... Bem o resto você pode imaginar. E o pior, que o grande protagonista da série, o detetive Andy Sipowicz (o icônico Dennis Franz), que passou sua maior parte sendo um alcoólatra pouco confiável, quando parece estar vendo sua vida retornar a um rumo bacana, inclusive sendo pai após vários anos, é abalroado pela morte da mulher, deixando-o com um bebê para criar.

Gostaria muito de dizer que os roteiristas estavam corretos aqui, pois a série, que foi uma pequena divisora de águas no que diz respeito a linguagem mais realista que usava, estaria tendo um final coerente.

Mas não! O final de “Nova York Contra o Crime” é um daqueles casos que resolveram forçar a realidade até seu limite, e por consequência acabando por ultrapassá-los, se tornando algo difícil de engolir.

Contudo, quando faço um rápido exercício de memória, para lembrar de um final “difícil de engolir”, é impossível esquecer do absurdo final de “Alf O Eteimoso”, a clássica sitcon dos anos 80, sobre o alienígena atrapalhado vindo do planeta Melmac, cuja a nave se acidenta por aqui, e é acolhido pela família Tanner.

"Alf" e seu final...

Um episódio que terminava com Alf sendo capturado pelos militares, deixando principalmente a criançada que acompanhava o programa sem chão, e que segundo explicações posteriores dos produtores do show, foi concebido apenas como gancho para uma temporada seguinte que acabou não acontecendo.

...que deixou uma geração perplexa

Só que a desculpa esfarrapada nunca colou, e anos depois resolveram tentar conter a hemorragia com esparadrapo através de um longa-metragem que mostrava qual teria sido o destino do alienígena mais querido da tevê. Mas a coisa toda é um verdadeiro desastre no qual o arremedo de roteiro tenta convencer a todos que o personagem ficaria quieto e de boa ao saber que os Tanner tinham sido enviados pelo governo para morar na Islândia.

"O Sexto Sentido" - Roteiro bem amarrado

E por falar em ser “enviado”, não dá para esquecer do final de um filme que sei que muita gente deve até ter desconfiado do que estava acontecendo, mas este escriba aqui em sua humilde humildade admite que se deixou absorver pela trama e não se deu conta do que estava bem na sua cara, e lógico falo de “O Sexto Sentido”.

Filme que admito, apenas no fatídico desfecho percebi que o personagem de Bruce Willis já tinha sido “enviado” para o outro lado da existência desde o começo da película.

"O Santuário" e seu final impensável

Mas calma, pois os filmes de ação, que em geral são pautados por um grau elevado de previsibilidade em seus desfechos, afinal qualquer ser humano em uso sadio de suas faculdades mentais quer ver o herói (as vezes anti-herói, eu sei) vencendo o vilão e tendo um fim minimamente digno, também possuem representantes com seus finais inesperados.

Em “ O Santuário”, filme que figura na nossa lista de “Os 10 melhores filmes de ação dos anos 90”, Luke Novak, personagem de Mark Dacascos, que para sumir do mapa e fugir dos desafetos tinha se tornado padre, acaba sendo “convocado” devido suas habilidades extra sacerdotais, para trabalhar da forma mais improvável que o espectador poderia imaginar para a entidade da qual fazia parte.

Acredito que você que chegou até aqui neste texto provavelmente deve estar sentindo a ausência de algum exemplo de animação, não é?

Mas calma, eles existem sim...

O episódio maldito de Superamigos

Há o censurado episódio "Hitchhike" dos “Superamigos” que já citamos aqui no artigo “Episódios Malditos”, no qual a partir da fala de um policial, fica claro que o bandido preso pelos Super-Gêmeos era um psicopata que já teria feitos outras vítimas anteriormente.

 

Consegui assistir este episódio tempos atrás, mas a cena final na delegacia acabou sendo editada pelas razões que você já deve imaginar.

A primeira e "tapa na cara" versão de O Cometa Império

Fora que antes disto, pelos idos da década de 1970, lá no Japão, uma certa obra que passamos a conhecer aqui no Brasil anos depois por “Patrulha Estelar”, surgia nos cinemas nipônicos com um longa-metragem que contava a primeira versão da saga do Cometa Império, e seu final, que promovia a matança completa dos personagens.


      Foi um tapa na cara tão grande no público na época, que provocou uma onda até ali impensável de protestos dos fãs, que fizeram os produtores desconsiderarem o que tinha sido feito, e realizando a saga que tão bem conhecemos, e que a Rede Manchete passou por aqui.

E falando em Japão, “Spectreman” o clássico tokusatsu, é bem profícuo em finais tapa na cara, mas talvez o mais famoso (e quase traumático) seja o do episódio “Uma Arma Para Spectreman”, no qual após vencer o monstro criado pelo Dr.Gori, nosso herói se vê obrigado a matar uma monstro fêmea (esta não criada pelo vilão do seriado), que estava furiosa por ter perdido seu filhote quando do embate do protagonista com o monstro-vilão.

E cuja cena final mostra o que seriam os espíritos da monstra e seu filhote enfim juntos indo para o céu.

E por falar em mortes, vou me permitir citar um episódio final que até chegou a ser escrito, mas que devido a providencial ação de uma filha do autor não chegou nem a ser produzido.

Tudo bem! Eu sei! Se não foi produzido, nem deveria estar aqui...

Mas talvez esta seja minha forma de surpreender vocês (risos).

E me refiro a nada mais, nada menos, que “Chaves”!

Quase que "Chaves" ganhou o maior "Final Tapa na Cara" de todos os tempos

Não é novidade para ninguém que Roberto Gomez Bolanõs, criador e intérprete do icônico personagem vez ou outra se permitia “pesar a mão”, jogando doses de drama no roteiro, como no episódio em que Chaves é acusado injustamente de ser ladrão.

Bem, com o seriado já tendo seu deadline estipulado pela Rede Televisa, e bastante descaracterizado do que tinha sido um dia, Bolanõs resolve colocar um fim ao seu “menino órfão”. E pelo roteiro escrito, nosso querido Chaves morreria atropelado no último episódio.

E não, isto não é lenda urbana, pois a filha de Bolanõs tempos depois de sua morte confirmou que seu pai de fato chegou a escrever este roteiro. Mas que ao bater o olho no que pai tinha escrito, não parou de perturbá-lo até conseguir demovê-lo da ideia de matar o tão querido personagem.

Portanto, finais tapa na cara, são na humilde opinião deste escriba algo que vai acompanhar a cultura pop por toda sua existência, mas que se não forem muito bem sedimentados ao longo da estória, derrubam qualquer argumento, por melhor que este possa ter sido escrito.

 

sábado, 4 de novembro de 2023

Tia Carrere – De Honolulu à Caçadora de Relíquias

 

Tempos atrás aqui no blog fiz um artigo sobre Mark Dacascos, e como foi um dos rostos mais vistos nas telas durante os anos 1990 até começo dos anos 2000. Abordando sua ascendência multiétnica e sua carreira.

Mas nosso querido “Cryin Freeman” não foi o único astro que o Havaí exportou para o resto do mundo naquela época. E não, não estou me referindo a Dean Cain, o Superman havaiano, e sim a primeira e única... Tia Carrere!

Nascida Althea Rae Duhinio Janairo, nossa heroína adotou o nome artístico de Tia Carrere da junção do apelido “Tia” dado por sua irmã mais nova, e Carrere que foi uma homenagem a modelo e atriz Barbara Carrera.

De ascendência filipina, chinesa e espanhola (sim, eu sei, lembra bastante Mark Dacascos), cresceu numa família de renda baixa em Honolulu, não nutrindo muitas expectativas sobre seu futuro.

Aos treze anos foi “deixada para atrás” segundo relato dela mesma, quando seu pai conseguiu um emprego num banco em Samoa, e acharam melhor que ela permanecesse no Havaí sob os cuidados da avó, para não interferir em seus estudos. Contudo, o maior choque mesmo foi quando a mãe e as irmãs voltaram, e sem o pai, que tinha começado um relacionamento com a secretária, implodindo o casamento, e consequentemente a cabeça da jovem Tia.

"Zombie Nightmare", um trabalho sobre o qual Tia nem comenta

Sua primeira e fugaz aparição na tela, se deu num filme de terror, horrivelmente B (ou C, ou Q ou Z, dê a letra que preferir), chamado “Zombie Nightmare”, cujo o enredo lembra muito, para não dizer que seja idêntico, ao de “Eu Sei O que Vocês Fizeram No Verão Passado”. Só que colocando um tempero de voodoo no meio. E que por alguma razão desconhecida por este escriba, conta ainda com Adam West, o icônico Batman de 1966 no elenco.

Contudo, este é um trabalho, que seja lá por qual razão, Tia Carrere nem chega a citar quando dá entrevistas.

E tudo parecia estar dando errado para ela, quando num daqueles acasos que a gente acha que só acontecem em filmes, os pais de um produtor cinematográfico a viram num mercado em Waikiki, e a abordaram com uma das daquelas conversas que as mães de qualquer garota falaria: Cai fora que é fria!

Em foto promocional de "Aloha Summer"

Só que por incrível que pareça, era tudo real! E Tia foi convidada para fazer um teste para um filme que o filho do casal estava produzindo, que se chamava “Aloha Summer”. E a jovem foi ao teste, ganhando para surpresa dela mesma o papel de protagonista.

Aquilo mudou a trajetória e visão que tinha sobre sua vida, pois segundo seu próprio relato, sua família não tinha dinheiro para pagar uma universidade, e nem ela tinha notas boas suficientes para se candidatar a uma bolsa.

Então, com apenas dezessete anos, e o registro como atriz debaixo do braço, pegou um avião, e no melhor (ou pior) estilo “garota com um sonho” partiu para Califórnia, com um “namorado lixo” (descrição dada pela própria) a tiracolo, que agia como seu empresário, determinada a seguir carreira como atriz.

E as coisas durante um certo período pareciam estar dando certo, pois em poucos meses já havia conseguido vários trabalhos como modelo, e sua primeira oportunidade real com um papel fixo na novela “General Hospital”.

Fora participações em seriados bem conhecidos de nós brazucas, como “Águia de Fogo”, “McGuyver” e até “Esquadrão Classe A” para o qual estava certa nos planos dos produtores para assumir papel fixo a partir da quinta temporada.

Mas aqui as coisas começaram a andar para atrás de novo na vida de nossa heroína. Primeiro, pois devido ao seu contrato com “General Hospital” não pôde entrar para o elenco fixo de “Esquadrão Classe A”. Inclusive muitos atribuem a isto o começo do fim do seriado, pois uma grande expectativa foi criada com o último episódio da quarta temporada, no qual Tia Carrere participa como a filha vietnamita de um general estadunidense, porém, não se concretizando na temporada seguinte.

Tia quase entrou para o elenco fixo de "Esquadrão Classe A"

Só que o pior ainda estava por vir, pois “General Hospital” chegou ao fim, e logo depois, o tal namorado que bancava o empresário, deu um golpe nela, roubando todo seu dinheiro que ficava numa conta conjunta, deixando-a literalmente sem teto.

Tia Carrere então passou a “morar”, se é que dá para chamar assim, no corredor de um hotel entre dois quartos, sendo ajudada apenas por um agente de modelos que já a conhecia.

Porém, desistir nunca lhe passou pela cabeça, e voltar para a casa estava fora de cogitação. E ela foi em frente com pequenas participações aqui e acolá, como uma luta fake com Christina Applegate num episódio de “Um Amor de Família/Marrie...with Children”.

Até ganhar certa visibilidade novamente em 1991, quando esteve no clássico do exagero “Massacre no Bairro Japonês” ao lado de Doplh Lundgren e Brandon Lee.

Visibilidade que a levou aos estágios finais de teste para ingressar no elenco de “SOS Malibu”, como uma bióloga namorada do protagonista David Hasselhoff, até que um roteiro lhe chamou a atenção.

Mike Myers, Tia  e Dana Carvey

Baseado no esquete de humor “Wayne’s World” de Mike Myers e Dana Carvey para o programa “Saturday Night Live”, que aqui no Brasil passaríamos a conhecer como “Quanto Mais Idiota Melhor”, o papel de Cassandra Wong, uma roqueira fodona, de personalidade e estilo parecia perfeito para ela.

Durante uma entrevista, Tia Carrere lembrando do ocorrido, disse o que pensou na época:

'’Meu deus, esse papel pode mudar minha vida. E não sei de mais ninguém que possa atuar, cantar e arrasar. Mas eu posso! ”

E realmente foi isto o que aconteceu, ou como diriam Garth e Wayne, foi “Excelente!”.

Como Cassandra Wong em "Wayne's World"

O filme dirigido por Penelope Spheeris estreou em primeiro lugar nos cinemas estadunidenses, faturando só em território de Tio Sam mais de US$ 122 milhões em bilheteria.

Protagonizando a icônica sequência na qual, embrulhada num vestido de renda vermelho, canta o clássico “Ballroom Blitz” da banda Sweet. Sim! Nada de dublagem! Pois apesar da carreira como modelo e atriz, Tia Carrere sempre que tem oportunidade enfatiza que seu sonho sempre foi ser cantora.

Com o sucesso de “Quanto Mais Idiota Melhor”, do dia para noite todos só falavam nela, e não demorou para começar a chover as mais diversas propostas, conseguindo inclusive assinar contrato com uma gravadora para lançar um álbum.

Nesta mesma época interpretou a canção “I Never Even Told You” da trilha sonora do longa de animação “Batman A Máscara do Fantasma”.

E apesar de papéis de destaque para mulheres orientais serem uma raridade na época, Tia se manteve num fluxo constante de produções durante praticamente todos os anos 90.

Em "Sol Nascente" com Wesley Snipes

Com destaque para filmes como “Sol Nascente” ao lado de Sean Connery e Wesley Snipes, no qual faz Jingo Azakuma, uma genial mestre em computação de origem afro-nipônica. E sua icônica atuação em “True Lies” junto a Arnold Schwarzenegger, no qual faz a contrabandista Juno Skinner.

Em "True Lies"

Mas também atuando em produções menores como “Kull O Conquistador”, “Cidade do Medo” e "Ponto de Impacto".

Fazendo de Tia Carrere (mais uma vez se assemelhando a trajetória de seu conterrâneo Mark Dacascos), um dos rostos mais facilmente vistos durante aquela década, com uma média de três filmes por ano de 1992 até 1999.

Sobre esta época Carrere costuma a rir, ao pensar que interpretou, devido suas características físicas, personagens das mais diversas procedências, mas ironicamente nunca de sua principal linha de acedência, ou seja, uma filipina.

Mas a “cereja do bolo” ainda estava por chegar. A chance de ser 100% protagonista!

Era uma época diferenciada, onde os dois maiores destaques da televisão eram mulheres, com Gillian Anderson, a Dana Scully de Arquivo X de um lado, e Lucy Lawless com sua Xena, a Princesa Guerreira de outro, quase que monopolizando as atenções da mídia.

E uma produtora canadense vai procurá-la com a ideia de um seriado que misturava Indiana Jones com Lara Croft, e é obvio que estou me referindo ao pequeno grande clássico, “Caçadora de Relíquias”.

Um seriado que apesar de não ter o mesmo orçamento das produções estadunidenses, que cada vez mais se aproximavam dos orçamentos cinematográficos, soube capturar um espírito lúdico de antigos seriados que havia se perdido, durando cerca de quatro temporadas, nas quais Tia era a pesquisadora Sidney Fox. Um trabalho para o qual a atriz deixa a modéstia de lado e costuma se referir como “a melhor versão de Tom Raider”.

Apesar de todo destaque, ainda assim Tia teve que lidar com o assédio (e aqui leia-se assédio mesmo!), como quando foi para uma audição num quarto de hotel mal iluminado ocupado por Steven Seagal, que a olhou de alto a abaixo, a fez dar uma voltinha, e sem pudores perguntou se ela tinha algum problema com nudez.

Contudo, como ela mesma citou certa vez em uma entrevista:

“Graças a deus ninguém nunca veio pra cima de mim, ou eu teria que socar alguém no nariz ou dar uma joelhada no saco dele”

Em 2003 fez um ensaio para a "Playboy"

O que não quer dizer que nossa heroína tenha algum problema com o tema, muito pelo contrário, pois em 2003, surpreendendo a todos, lá estava Tia Carrere na capa da revista Playboy! E não, não era para uma entrevista (risos).

Diminuindo o ritmo de trabalho após o fim de “Caçadora de Relíquias”, Carrere seguiu com sua carreira como cantora, que desde 1993 nunca tinha sido interrompida, e que ao contrário do que você que está lendo possa imaginar passou longe da “esfera rock” para o qual ficou associada.

Com Danny Ho após ganhar um de seus dois Grammys

Ganhando inclusive dois prêmios Grammy de “Melhor Álbum de Música Havaiana” (sim, existe um prêmio só para música havaiana), numa parceria de quatro álbuns que fez com um amigo de infância, Daniel Ho.

Deu voz a Nani em "Lilo & Stich"...

Fora que passou a se dedicar cada vez mais a dar voz para personagens de animações, como por exemplo, Nani Pelekai, a irmã mais velha de Lilo em “Lilo & Stich”. 

...assim como a alienígena Darklos em "Mega XLR".

Além de fazer sua voz presente em outras animações como Jonny Bravo, Duck Dogers e Mega XLR.

Com o casal Julie Condra e Mark Dacascos

E não poderia deixar de mencionar que em 2016, as duas lendas havaianas enfim trabalharam juntas, pois Tia Carrere está no elenco de “Showdown in Manila” que fez justamente para dar uma força ao seu amigo e conterrâneo Mark Dacascos em sua primeira incursão como diretor.

E se você pensa que em 2023 nossa caçadora de relíquias já está aposentada só em casa cuidando da filha, aproveito estas últimas linhas deste artigo para dizer que ela não apenas lançou a canção “I’m Still Here” composta por ela, no começo deste ano.


         Como de quebra resolveu sensualizar para desespero “das inimiga”, publicando uma série de fotos de biquíni em seu Instagram, mostrando aos 56 anos que a estrada ainda não terminou, e avisando que o vestido vermelho de Cassandra ainda está no closet.


 

 

 

 

 

Patrulha Estelar e suas vozes inesquecíveis!

  Fazendo uma rápida pesquisa na web, não é assim tão difícil encontrar alguns artigos que citam os dubladores que nos anos 1980 na extinta ...