quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Patrulha Estelar (Parte 1)

Iniciando as atividades na "Ponte de Comando", venho prestar uma homenagem ao seriado Patrulha Estelar (Uchü Senkan Yamato) do qual sou um grande admirador.
Mas ao contrário de muitos que repetem apenas o roteiro das estórias da saga, vou antes de tudo contar o porque deste desenho animado ser tão cultuado até os dias de hoje, e é ainda uma grande referência para muitas outra coisas que vieram depois dele.
A primeira reação de quem vê uma figura do Yamato (ou Argo na versão norte-americana) geralmente é a mesma, ou seja, indagar o que um navio está fazendo no espaço.
Pois bem, em abril de 1945, o encouraçado Yamato, o orgulho da esquadra nipônica partiu para aquela que seria sua última batalha (ao menos no mundo real), sendo afundado pelas forças aeronavais norte-americanas, e daí que se dá o ponto de partida de tudo.

O Yamato em ação na Segunda Guerra Mundial

Chegamos então ao ano de 1974, com um Japão já despontando como potência mundial, e tendo seu antigo inimigo de trinta anos antes como seu maior aliado. Naquela época o maior sucesso nas tevês japonesas eram os seriados estilo Ultraman ou anime Astroboy. E em meio a este cenário é que um produtor chamado Yoshinobu Nishizaki teve a ideia que iria mudar toda a história da animação mundial.

Yoshinobu Nishizaki, e sua grande ideia.

Com um esboço de roteiro e algumas ideias soltas, Nishizaki procurou o desenhista e roteirista Leiji Matsumoto, mostrando-lhe o projeto, e ainda naquele ano nascia a primeira das três séries de tevê, que mostrava a Terra no ano de 2199, sendo atacada por uma raça alienígena desconhecida chamada Gamilons. Recebendo uma mensagem misteriosa vinda do espaço, os terráqueos descobrem que havia uma maneira de limpar o planeta da radiação, mas como fariam para viajar tão longe e em tão pouco tempo, se não tinham naves capazes de tal empreitada?
E foi a partir da carcaça do antigo Yamato que tal nave é construída.

Yamato (Argo) em ação

Mas o que Yamato tinha (e tem) de tão diferente?
Para começar, a animação possuía uma abordagem totalmente diferente do que se tinha visto em seriados ou filmes do gênero até então. Primeiro na forma como a estória era contada, através de capítulos, tal e qual uma pequena novela, servindo de referência para praticamente todas as outras animações japonesas que vieram depois. E também pela abordagem que se tinha de seus personagens, muitas vezes focando capítulos inteiros somente nos dramas pessoais dos mesmos. Tudo bem, que determinadas situações apresentadas podem parecer extremamente fantasiosas para nossos céticos dias de hoje, mas não se pode negar que para época, o que estava sendo feito era um rompimento total com a crença de que desenhos animados seriam meramente um entretenimento infantil.
Algo que já tinha sido feito timidamente pelos estúdios Hanna-Barbera em 1964 com o desenho Johnny Quest, que só durou duas temporadas, por que o público estadunidense não conseguiu se desvencilhar de conceitos extremamente arraigados, não dando o retorno que o estúdio esperava.
Só que Yamato foi bem além, pois seus personagens passavam sempre longe dos estereótipos que todos se acostumaram a ver. Sendo seres incrivelmente reais em seus temperamentos e atitudes, sendo que neste caso, em minha opinião, o grande destaque vai para o antagonista dos heróis, o líder dos Gamilons, Deslock. O alienígena mais humano que já se viu. Com uma personalidade que era capaz de cometer os atos mais insanos de destruição, e ao mesmo tempo, viver de acordo com um código de honra, que o fazia inclusive admirar a coragem e altruísmo da tripulação do Yamato.

O Yamato e seus personagens principais.

E este é um ponto interessante, pois muito se especula que os Gamilons teriam sido pensados a partir dos norte-americanos, algo que vai sendo reforçado ao longo dos desdobramentos da saga.
Já que a intenção de Deslock ao bombardear a Terra era a de exterminar os humanos, para que pudesse se mudar com seu povo, já que seu planeta de origem estava à beira da extinção. Longe do arquétipo do “vilão espacial” que se tinha até então.

Deslock, o alienígena mais humano de todos os tempos.

                Além disto, Patrulha Estelar contava com uma das mais esmeradas trilhas sonoras que eu já tive o prazer de escutar até hoje. Uma obra prima de erudição criada pelo maestro Hiroshi Miyagawa, que ambientava perfeitamente cada momento da aventura, e que com seus desdobramentos acabou se tornando até uma sinfonia inteira. E com um tema de abertura interpretado por Isao Sasaki que ficou indelevelmente gravado na memória de todos.

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